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3.1. Aspectos da percepção dos ex-catadores

Conforme as informações obtidas relativas à escolaridade, 60%, dos respondentes concluíram o Ensino Fundamental, 30% possuíam Ensino Fundamental incompleto e apenas 10% terminaram o Ensino Médio. Quanto às condições financeiras percebidas antes e depois do fechamento do lixão, cerca de 80% afirmaram obter até R$ 100,00 antes do fechamento do lixão; com a conversão deste em aterro, houve a proibição da prática da catação, o que refletiu no decréscimo de catadores que conseguiam obter renda de R$ 100,00.

O questionário também mostrou que o perfil ambiental dos participantes estava em desacordo com a atualidade. Analisando respostas obtidas, pode-se verificar que 85% dos respondentes possuíam algum conhecimento sobre educação ambiental, coleta seletiva e reciclagem, enquanto 15% só ouviram falar, mas não tiveram nenhum contato com práticas que abordassem o assunto. Ainda sobre as respostas, foi possível notar que 100% dos participantes despejavam o óleo de cozinha nos ralos de pias, e que 90% não faziam a prática da reciclagem de vidro. Contudo, foi unânime entre os participantes a reciclagem e a venda de garrafas PET.

3.2. Resultados alcançados nas oficinas

No decorrer das duas oficinas de produção de sabão (Figura 2A e B), pode-se constatar uma receptividade positiva por parte do público, que demonstraram interesse pelo tema tanto pelo aspecto da preservação ambiental como da alternativa de geração de renda. Na segunda oficina, os participantes sugeriram modificações na fabricação do sabão no intuito de melhorar o cheiro e o aspecto do produto final.

A

B

Figura 2 - (A) Demonstração da produção de sabão em barra e (B) Participação da comunidade na oficina.

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Em relação à terceira oficina, foi possível observar um maior comprometimento dos participantes, visto que essa prática visava à reutilização de garrafas PET na confecção de puffs (Figura 3A), produto passível de agregar mais valor em relação ao sabão. Quanto à quarta oficina, a proposta de reutilização do vidro na construção de abajur (Figura 3B) demonstrou-se viável, não somente pelo fato de o vidro ser mais facilmente coletado em relação às garrafas PET, como também pelo fato de não ser reciclado pelos membros da comunidade investigada, conforme sinalizado anteriormente nas respostas do questionário de levantamento de percepção.

Figura 3 - (A) Confecção de puffs e (B) Construção de abajur nas oficinas. Fonte: as autoras (2017)

Durante a realização das práticas, os extensionistas depararam-se com alguns obstáculos. O primeiro foi a dificuldade de transformar e comercializar os produtos apresentados nas oficinas, alegada pelos participantes; já o segundo foi o fato do membro responsável pela comunidade trabalhar paralelamente com políticos da Prefeitura de Paulista, restringindo assim a implantação do projeto na comunidade. Essas dificuldades demonstram que ainda há a necessidade de líderes e participantes sociais relevantes e ativos por meio de práticas educativas e de um processo de diálogo informado, que reforce o sentimento de responsabilidade socioambiental (JACOBI, 2005). Diante dos problemas, não foi possível a aplicação do segundo questionário, onde seria avaliada a percepção dos participantes quanto à utilização dos produtos gerados na terceira e quarta oficinas.

Por outro lado, durante desenvolvimento das duas primeiras oficinas, foi possível a aplicação do segundo questionário com as mulheres da comunidade, que utilizaram os sabões em barra e líquido, transformados a partir da reciclagem do óleo de fritura descartado. Dessa forma, foi possível a coleta de dados relacionados, baseados na percepção das participantes que utilizaram os dois sabões reciclados em suas atividades domésticas diárias.

Durante aplicação do segundo questionário, as participantes alegaram que os sabões produzidos possuíam qualidades significativas e afirmaram que, para certas atividades domésticas, demonstravam mais eficácia que aqueles industrializados e comercializados em locais de varejo. As mulheres que usaram os sabões recicláveis durante o desenvolvimento do projeto asseguraram que

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houve certa economia quanto aos gastos anteriores com produtos de limpeza. Com base nas respostas dadas, foi possível registrar a percepção da comunidade quanto à qualidade, à rentabilidade e à economia dos sabões líquidos e em barra, produzidos a partir do óleo usado. Do total de participantes que utilizam o sabão sustentável, 70% o definiram como sendo o melhor, enquanto que apenas 20% demonstraram a preferência pelo sabão industrializado (Figura 4).

0 10 20 30 40 50 60 70 80 P ER C EN TU A L (% )

QUALIDADE DOS SABÕES

Tipo 1 Reciclável Não notou diferença

Figura 4 - Qualidade do sabão sustentável em relação ao industrializado, conforme a percepção das participantes da oficina. Fonte: elaborado pelas autoras (2017)

Com relação à rentabilidade e à economia, o sabão sustentável teve uma aceitação de 90%, enquanto apenas 10% dos participantes não notaram diferença ou preferiram o sabão industrializado (Figuras 5A e 5B). 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 P ER C EN TU A L (% )

RENTABILIDADE DOS SABÕES

Tipo 1 Reciclável Não notou diferença

0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 P ER C EN TU A L (% )

ECONOMIA DOS SABÕES

Tipo 1 Reciclável Não notou diferença

Figura 5 - (A) Rentabilidade e (B) Economia do sabão sustentável em relação ao industrializado conforme a percepção das participantes da oficina. Fonte: elaborado pelas autoras (2017)

Durante a execução do projeto, o propósito foi de inserir na comunidade um espírito de empreendedorismo sustentável, uma vez que os moradores possuíam condições para a coleta, a separação e a transformação dos recicláveis em produtos de utensílios para uso do serviço doméstico ou decoração de ambientes.

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4. CONCLUSÕES

Diante dos resultados apresentados, é possível perceber que a educação ambiental foi uma ferramenta propulsora para que a comunidade tivesse contato com técnicas especiais de transformação de resíduos sólidos em produtos que gerassem alguma forma de economia. A capacitação e o acesso à informação são maneiras eficazes de conscientizar os indivíduos de suas responsabilidades com o meio ambiente e com a sociedade. Com relação ao sabão sustentável, pode-se concluir que o produto foi aprovado pela comunidade, sendo utilizado pela própria comunidade em prol de uma economia doméstica.

REFERÊNCIAS

BAQUERO, R. V. A. Empoderamento: instrumento de emancipação social? – uma discussão conceitual. Revista

Debates, v. 6, n. 1, p. 173-187, 2012.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, 1988.

JACOBI, P. 2005. Educação ambiental: o desafio da construção de um pensamento crítico, complexo e reflexivo.

Educação e Pesquisa, v. 31, n. 2, p. 233-250, 2005.

OLIVEIRA, N. L.; BARRETO, F. J. Educação ambiental: discurso e prática na sociedade do consumo. Revista

Eletrônica da FJAV, a. 3, n. 5, p. 45-60, 2010.

SIQUEIRA, M. M.; MORAES, M. S. Saúde coletiva, resíduos sólidos urbanos e os catadores de lixo. Ciência &

Saúde Coletiva, v. 14 n. 6, p. 2115-2122, 2009

TEIXEIRA, C.; ALVES, J. M. Mobilização do conhecimento socioambiental de professores por meio do desenvolvimento de ações para conservação de nascentes urbanas. Revista Ensaio, v. 17, n. 3, p. 769-792, 2015.

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3.4 SENSIBILIZAÇÃO DE MORADORES DO CABO DE SANTO