A experiência se deu de forma coletiva, envolvendo desde crianças até os adultos, uma vez que a educação ambiental integra-se nos discursos e práticas de uma “educação global” para todos e durante toda a vida, contribuindo assim para a formação de cidadãos conscientes, e para a transformação dos conceitos e valores e a inclusão de procedimentos vinculados à realidade (CARIDE e MEIRA, 2004). A educação ambiental possibilita: perceber, apreciar e valorizar a diversidade natural; observar e analisar fatos e situações, do ponto de vista ambiental, de modo crítico, reconhecendo a necessidade e oportunidades para propor ações positivas, visando garantir um meio ambiente saudável e a boa qualidade de vida; e, compreender que os problemas sociais interferem na qualidade de vida das pessoas, tanto local quanto globalmente (GRUN, 1996).
Em relação aos materiais utilizados, foram necessários 6 itens: 32 garrafas PET de formato igual, com capacidade para 2 litros; 1 almofada ou travesseiro; 1 rolo de fita adesiva transparente; 1 estilete; 1,70 m de tecido; linha e agulha; linha de crochê para o bordado (opcional). O primeiro passo para a elaboração dos puffs foi o corte de 16 garrafas na altura em que afunilam, descartando- se os bicos e encaixando-as nas garrafas que ficaram inteiras (Figura 2A); e, na sequência, o agrupamento de duas em duas, alternando uma na posição de bico para cima, outra na posição de bico para baixo, sendo presas entre si com o suporte da fita adesiva (Figura 2B).
Figura 2 - (A) Encaixe das garrafas e (B) Montagem da base do puff. Fonte: os autores (2017).
O próximo passo foi a montagem de fileiras com quatro garrafas, mantendo os bicos alternados. Com o uso da fita, foram formadas 4 fileiras de garrafas, para obter um cubo. Na parte superior deste, foi preso uma almofada, utilizando a mesma fita para tornar o puff macio (Figura 3A). Para concluir o produto, cada pessoa preparou uma capa com tecido de sua preferência (Figura 3B), e ao final socializou o resultado obtido com os demais participantes da oficina.
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Figura 3 - (A) Adição de almofada ao puff e (B) Confecção de capa. Fonte: os autores (2017).
Um ponto observado pelos integrantes responsáveis por facilitar a oficina foi o interesse de trabalhar com as garrafas PET pós-oficina, pois muitos não conheciam as alternativas de reutilização desses materiais, sendo relatado pelos participantes o interesse em replicar a prática. Não se pode deixar de ressaltar a troca de saberes gerada pela oficina, em função da qual foi possível conhecer a história de resistência daquela comunidade às forças opressoras; a realidade de convivência com o Semiárido; as práticas culturais que são reproduzidas desde o século XIX; e, sobretudo, a receptividade enquanto marca registrada naquele povo. Trabalhos dessa natureza mostram a importância da educação ambiental, quando esta promove uma nova forma de pensar em relação à responsabilidade ambiental, e além de possibilitar - nesse caso - geração de renda e economia de despesas no cotidiano, através da redução do desperdício (SOUSA et al., 2012).
4. CONCLUSÃO
Diante da realidade observada na comunidade quilombola Conceição das Crioulas e baseando- se na importância da sensibilização do indivíduo mediante a conservação ambiental, foi possível desenvolver alternativas que viabilizem a reutilização de materiais recicláveis. A experiência relatada demonstrou a viabilidade de introdução da educação ambiental, através da reutilização de garrafas PET, no âmbito das práticas artesanais de uma parcela da população da comunidade quilombola investigada, capaz de contribuir para a sensibilização ambiental dos cidadãos, e ainda apresentar alternativas de geração de renda. Por fim, a experiência de conviver com a comunidade foi extremamente válida, visto que é pela troca de saberes que o conhecimento se amplia e se aperfeiçoa de forma interdisciplinar e horizontal.
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REFERÊNCIAS
CARIDE, J.; MEIRA, P. Educação ambiental e desenvolvimento humano. Lisboa: Instituto Piaget. 2004. GRÜN, M. Ética e educação ambiental: a conexão necessária. Campinas: Papirus, 1996.
RODRIGUES, A. R. Contar para o mundo: a produção audiovisual de Conceição das Crioulas – PE. 2014. 98 f. Dissertação (Mestrado em Antropologia) – Universidade de Brasília, Brasília, 2014.
SOUSA, T. K. A de. et. al. Reutilização de PET como prática de educação ambiental na Creche Municipal Wilmon Ferreira de Souza - Bairro Três Barras, Cuiabá – MT. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE GESTÃO AMBIENTAL, 3., 2012, Goiânia. Anais... São Paulo: IBEAS, 2012.
SOUZA, M. A. de O. A Comunidade de Conceição e o início da ocupação do território. Em Tempo de Histórias, n. 9, p. 115-130, 2005.
SILVA, G. M. Educação como processo de luta política: a experiência de “educação diferenciada” do território quilombola de Conceição das Crioulas. 2012. 222 f. (Dissertação de Políticas Públicas e Gestão da Educação) – Universidade de Brasília, Brasília, 2012.
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3.3 DESENVOLVIMENTO DE PRÁTICAS SUSTENTÁVEIS EM
COMUNIDADE DE EX-CATADORES DO BAIRRO DA MIRUEIRA,
PAULISTA-PE
SANTANA, Myrtta Stherphanny Rodrigues de
Universidade Federal Rural de Pernambuco [email protected]
ALVES, Tatianne Dominique
Universidade Federal Rural de Pernambuco [email protected]
LIMA, Anna Paula Rodrigues Bandeira de
Universidade Federal Rural de Pernambuco [email protected]
BELTRAME, Leocádia Terezinha Cordeiro
Universidade Federal Rural de Pernambuco [email protected]
RESUMO
A problemática da disposição apropriada dos resíduos urbanos vem sendo o escopo de projetos realizados pelas universidades brasileiras. Através de iniciativas de extensão em educação ambiental, a academia pode contribuir para a minimização dos impactos ambientais ocasionados pelo acúmulo de detritos em locais impróprios. Com o propósito de disseminar a sustentabilidade em cooperativas sociais, dada a tendência à mitigação dos impactos ambientais e geração de renda a partir da reutilização de resíduos recicláveis, este trabalho teve por objetivo avaliar as práticas socioambientais aplicadas a ex-catadores do extinto lixão da Mirueira, no Município de Paulista, Pernambuco. O projeto foi conduzido na casa do líder comunitário dos antigos catadores, onde foram aplicados questionários, realizadas palestras e oficinas, com finalidade de transformar resíduos sólidos e orgânicos em fonte de renda para a associação. As ações aguçaram o espírito empreendedor dos membros, que fizeram de um dos métodos aplicados fonte de economia para as famílias.