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The SISO Super-Twisting Algorithm and Extensions

Sliding Mode Control

3.5 The SISO Super-Twisting Algorithm and Extensions

O tempo escolar oferecido diariamente (de segunda a quinta-feira) aos alunos da EJA é de 3 horas e 30 minutos presenciais, das 18:30 às 22:00 horas, com horários destinados à alimentação, socialização/recreação e às atividades de estudo propriamente ditas. Observa- se que, em geral, o movimento de entrada dos alunos é muito intenso até as 19:30 horas. Ao chegarem à escola, alguns dos alunos se dirigem diretamente à sala de aula ou ficam conversando no pátio até que as aulas se iniciem. A maior parte deles vai até a cantina, onde, até esse horário, é servido um lanche, que pode ser requisitado pelo aluno posteriormente, caso ele tenha necessidade.

Enquanto isso as professoras ocupam sua sala, onde lancham, realizam leituras, elaboram atividades, trocam idéias e material sobre o tema do agrupamento, conversam sobre assuntos variados e, principalmente, repassam e encaminham (novas) decisões sobre as atividades programadas para o dia, a semana ou o mês. Há dois computadores funcionando nessa sala, os quais são utilizados por algumas professoras. No mural destinado à EJA, está sempre afixado um cronograma mensal de atividades do agrupamento, bem como os horários de uso da biblioteca e os daquelas professoras que trabalham com várias turmas.

A secretaria funciona todas as noites, sob responsabilidade de um funcionário que tem uma boa relação com alunos, professoras e comunidade. A biblioteca da escola também é

disponibilizada, podendo ser acessada por qualquer aluno durante o período noturno. Para incentivar, potencializar e garantir a sua utilização por todos os alunos e professoras, há uma preocupação em se resguardarem horários específicos para cada turma. Observei que esses horários não são cumpridos rigidamente por todas as professoras, sendo flexibilizados à medida que demandas de uso da biblioteca vão surgindo.

Nas instalações da escola, ocupando duas salas de aula, funciona todas as noites uma espécie de “cursinho pré-vestibular” direcionado para pessoas da comunidade que desejam prestar concursos. As aulas são ministradas por monitores estudantes de licenciatura. Vários alunos da EJA expressam o seu desejo de freqüentar essas aulas futuramente, quando estiverem cursando o Ensino Médio.

Nas noites de sexta-feira, ainda que não se contabilizem horas na carga horária discente, a escola permanece aberta aos alunos, que fazem uso da quadra e do pátio para a prática de esportes e/ou consultam a biblioteca. Nessas noites, os alunos do “cursinho” freqüentam as aulas normalmente. Durante certo período do Trabalho de Campo, alguns alunos da EJA tiveram aulas de informática, ministradas por um funcionário da escola.

Os horários diários de aula de cada turma não são rígidos, podendo ser alterados conforme o tipo de atividade proposta. Dois momentos de aula por noite são definidos para todas as turmas, em função do intervalo para socialização/recreação: o primeiro, das 19:00 às 20:30, e o segundo, das 20:50 às 22:00. Ainda assim, são algumas vezes alterados em função dos agrupamentos pontuais. Em cada Projeto de Trabalho, determina-se uma organização geral de horários, também flexíveis, para as professoras e para o uso da biblioteca. Essa organização será explicitada adiante, quando falaremos de cada agrupamento observado.

Nos intervalos, os alunos se dirigem ao pátio, onde conversam, se divertem, cantam, ouvem música, namoram. Há, freqüentemente, um grupo de alunos jogando futebol e outro jogando peteca. Um deles35 vende saquinhos de pipoca e pacotes de salgadinhos, doces, balas. Várias alunas vendem salgados e bombons que elas mesmas fazem; outras vendem balas, chicletes e outros doces industrializados.

Nas quintas-feiras, após o intervalo, a prática de esportes é liberada para os alunos, embora não seja obrigatória, nem mesmo conduzida por alguma professora. Em geral, as aulas acontecem normalmente, enquanto alunos jovens (homens) jogam futebol. De acordo

35 Esse aluno era um dos alunos com necessidades educacionais especiais atendidos pela EJA daquela escola.

Durante o Trabalho de Campo, contabilizamos que a escola atendia pelo menos cinco jovens ou adultos nessa condição, sendo que a maioria fazia parte das turmas de alfabetização.

com algumas professoras, no ano anterior ao do Trabalho de Campo, esse horário era destinado a oficinas diversas conduzidas pelas professoras e freqüentadas pelos alunos conforme seus interesses.

Freqüentemente acontecem agrupamentos que reúnem todos os alunos e professoras para a realização de debates e de palestras, para exibição de filmes e para comemorações e apresentações dos alunos. Esses agrupamentos coletivos são muito valorizados pelas professoras e contam com uma grande participação dos educandos, que, geralmente, são avisados previamente de sua realização. Elas relatam que, quando o projeto começou a ser implementado, havia um grande esvaziamento da escola quando os alunos eram avisados de que haveria esse tipo de agrupamento. À medida que passaram a se conscientizar da proposta da EJA, os alunos aprenderam a apreciar esses momentos. Ainda assim, alguns optam por não irem à escola, quando são informados dos agrupamentos coletivos. De fato, presenciei várias cenas em que, diante da fala de desvalorização, ou mesmo frustração, proferida por algum aluno (“Ah, então amanhã eu nem venho…”; “Ah, bom mesmo é ter aula!”), vários colegas se manifestavam a favor dessas aulas, ressaltando o quanto aprenderam na última palestra, o quanto foi interessante o último debate, etc.

Ao final de cada agrupamento, costuma acontecer uma espécie de “cerimônia” de Encerramento, na qual se expõem produções dos alunos e se faz uma avaliação coletiva do agrupamento: discentes e docentes dão seu testemunho a respeito do trabalho desenvolvido. Essas cerimônias são espaços relevantes de participação dos alunos, em que eles são incentivados a relatar o quê e como aprenderam, e o que ainda precisam ou desejam aprender. Muitos deles fazem questão de dar depoimentos a favor do trabalho realizado pelas professoras, destacando o apreço que têm por aquela escola e a importância que o estudo tem em suas vidas. Nesses momentos, transparecem o afeto e o respeito que alunos e professores têm uns pelos outros e o compromisso de todos com a escola.

O início do novo agrupamento costuma ser precedido por uma Assembléia, onde são votadas e/ou discutidas a temática e as metas do Projeto de Trabalho a ser realizado. Nesses momentos, percebe-se que os alunos, sendo levados a refletirem sobre o processo de escolarização vivenciado na escola, ora o questionam, ora ressaltam suas contribuições. Ademais, ao serem convocados pelas professoras para discutirem e/ou darem opiniões sobre o trabalho a ser desenvolvido, grande parte dos alunos demonstra compreensão da proposta pedagógica da escola. Ao mesmo tempo, não deixam de buscar entender as relações entre o

tema proposto e as disciplinas reconhecidamente escolares, manifestando o desejo de que seja “garantido” um espaço para o “português”, para a “matemática”, para a “geografia”, etc.

Numa dessas assembléias, que ocorreu em setembro de 2006, houve um grande debate envolvendo o tema Desenvolvimento Social, que foi mediado pela coordenadora pedagógica e por uma professora socióloga convidada (essa professora é uma das profissionais responsáveis pelo acompanhamento da escola junto à GERED-O), e teve expressiva participação dos alunos. Inicialmente, pediu-se a eles que tentassem explicar a expressão “Desenvolvimento Social”. A coordenadora registrava no quadro uma frase que sintetizava o que cada aluno ou grupo de alunos dizia. O mesmo processo se repetia em relação a cada recorte temático36 definido na Malha Curricular: eles eram convocados a fazer sugestões ou perguntas sobre o que estudar no seu desenvolvimento. A vice-diretora, a coordenadora e as professoras discutiam com os alunos as idéias e questões formuladas, ora as traduzindo numa linguagem pedagógica (para o registro), ora complementando-as. Quando possível e se necessário, apresentavam sugestões e davam esclarecimentos sobre terminologias e conceitos não compreendidos. Ao final da assembléia, já se tinha em mãos um levantamento de assuntos, conceitos e/ou questões sobre o tema. As metas para o novo agrupamento foram sendo definidas pelas professoras a partir de um processo de síntese e reelaboração dos tópicos desse levantamento, ao longo das reuniões pedagógicas seguintes.

Observei que, além de promoverem freqüentemente esses agrupamentos coletivos no interior da escola, as professoras visavam proporcionar aos alunos a vivência de atividades que acontecem em outros espaços: teatros, apresentações musicais, cinemas, seminários, etc. Como não há obrigatoriedade de participação nesses eventos, aqueles que neles não estiverem interessados assistem as aulas “normalmente”.

Finalmente, destacamos outra característica da escola: a sua boa relação com a comunidade37. Desde a luta pela construção do seu prédio até os dias atuais, várias têm sido as situações que historicamente marcaram o estabelecimento de uma boa relação entre a escola e a comunidade da Vila Ventosa, dentre elas: “a decisão [ocorrida em 1991] do Colegiado Escolar de abrir a escola aos fins de semana para que membros da comunidade pudessem

36 Recortes Temáticos do tema “Desenvolvimento Social”: “Políticas Públicas de Desenvolvimento Social”;

“Evolução das Políticas Públicas Brasileiras”, “Ética na Utilização dos Recursos e Políticas Públicas” e “Direito Social e Assistência Social”.

37 A esse respeito, de acordo com Belo Horizonte (2006), existe uma dissertação cujos sujeitos entrevistados

faziam parte da comunidade vinculada a esta escola: ABREU, Ramon Corrêa de. Famílias de camadas

populares e Programa Escola Plural: as lógicas de uma relação. Belo Horizonte: FAE/UFMG, 2001. (Dissertação de Mestrado).

realizar atividades esportivas (futebol, vôlei, bocha) e culturais (capoeira, ensaios de quadrilha), antecipando ações como as do Programa Escola Aberta” (BELO HORIZONTE, 2006, p. 18). A convivência pacífica com a comunidade e o respeito ao patrimônio da escola também são ressaltados pela Proposta Político-Pedagógica.

Essa boa relação era perceptível durante o Trabalho de Campo, em diversas ocasiões ou de diversas maneiras, tais como: no ambiente acolhedor, tranqüilo e democrático em que ocorriam as Assembléias Escolares, as reuniões do Colegiado Escolar e os eventos abertos à comunidade (o evento “EJA 100% Saúde”, a “Festa Junina” e outros); nas relações de respeito mútuo entre o corpo docente, demais funcionários(as), alunos(as) e membros da comunidade; no conhecimento que as professoras e funcionários(as) manifestavam ter (em reuniões pedagógicas, em conversas informais, em debates com os alunos e no próprio cotidiano da sala de aula) sobre os educandos e suas famílias, sobre as condições de vida e de trabalho da comunidade.

Tendo apresentado as características que consideramos fundamentais para a contextualização do campo da pesquisa, passamos a relatar como se deu o início do período de Trabalho de Campo.

3.3 O Agrupamento Socialização

Nas duas primeiras semanas do mês de fevereiro de 2006, realizaram-se cinco reuniões pedagógicas, a maioria delas destinadas ao planejamento das primeiras aulas e do primeiro agrupamento temático. Em uma dessas reuniões, as professoras decidiram que o primeiro agrupamento temático se daria em torno do tema “Saúde”, por esse ter sido um dos assuntos mais indicados pelos alunos em um levantamento que elas haviam feito com eles no ano anterior. É interessante apontar que, segundo as professoras, outros dois temas recorrentemente sugeridos pelos alunos haviam sido o “português” e a “matemática”.

Nessas reuniões, também foi definido que eles seriam prioritariamente agrupados em oito turmas, de acordo com três níveis (alfabetização, intermediário e avançado), havendo uma professora mais diretamente responsável por cada uma delas (a essa professora, denominaremos “professora regente”). O agrupamento em níveis fora uma experiência de um dos agrupamentos do ano anterior que, segundo a avaliação das