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The Selectorate Theory on Political Survival

5.2 Results

5.2.1 The Selectorate Theory on Political Survival

Israel é um Estado com raízes no judaísmo, contudo rodeada de Estados inimigos maioritariamente muçulmanos.

Jerusalém é considerado “o lugar mais sagrado do judaísmo”.299 É o palco privilegiado do prestar juramento300. Esta cerimónia de juramento “para alguns jovens é o ponto mais alto da adolescência, para outros da sua curta vida”301, isto é, uma espécie de “ritual de iniciação” dos soldados das Forças de Defesa de Israel (FDI).

No tocante ao ritual de iniciação, organizam-se em fileiras de soldados trajados a rigor com uniforme respectivo, dispostos geometricamente numa orientação lateral. Na base deparam-se com o Muro Ocidental (ou Muro das Lamentações302) e os seus movimentos são subordinados a um superior. No lado oposto, o público organiza-se.

No desenrolar da cerimónia de iniciação/juramento, admitem que quem veste este uniforme prima pelo orgulho em envergá-lo, assim como o quipá (pequeno barrete judaico)303. Há todo um ritual de resposta em hebraico à voz de um comando, carregando espingardas M-16. Em seguida, entoam com entusiasmo canções nacionalistas de Israel,

299 PEREIRA, Marco, “Em festa no Muro das Lamentações-Destino Improvável” in Revista Tabu, nº 251,

Lisboa, 24 de Junho 2011, p. 4.

300 Na Fortaleza de Massada “várias unidades das Forças de Defesa de Israel levam ali a cabo os juramentos

dos seus novos recrutas, concretizados com a renovação da promessa gritada de que Massada não voltará a cair”. PEREIRA, Marco C., “O Último Baluarte Judaico”, Op. Cit, nota 138, p. 6.

301 PEREIRA, Marco, Op. Cit, nota 299, p. 5.

302“Tocar o Muro das Lamentações é um acto sagrado para todo e qualquer judeu. Todos os anos, mais de

mil cartas endereçadas a Deus chegam à Cidade Santa de Jerusalém. Umas pedem benesses, outras agradecem-nas, outras ainda falam de familiares falecidos. A todas os corrreios dão seguimento. Independentemente do credo de quem as escreve, cada carta é colocada no Muro das Lamentações. Estas cartas têm origem em depressão, tensão ou sofrimento. Pedem a cura de um membro da família ou a paz, num casal ou entre Israel e os países árabes. Alguns pedem bens materiais. Chamamos-lhes listas de compras”. Apud. MCCARTHY, Rory, The Guardian, 20.12.2009 in PIRES, Ana Cardoso, “Correios Cartas Destinatário: Deus Endereço: Jerusalém” in Courrier Internacional, Número 168, Lisboa, Fevereiro 2010, pp. 84, 85. “ (…) Muro das Lamentações: o muro ocidental do Segundo Templo. Ainda em 1967, antes de Israel ter conquistado Jerusalém na Guerra dos Seis Dias, esta zona servia de depósito para incineração do lixo. Hoje, centenas de judeus peregrinam a Jerusalém para rezar diante das suas pedras. O Muro das Lamentações é o local de culto mais sagrado para os seguidores da Torá”. CARRASCO, Tiago, Op. Cit, nota 63, p. 52.

Gioconda Cardoso 106 recebendo abraços e saudações. No dia seguinte ao entardecer, inicia-se o sabat e o descanso obrigatório.

“Descem as escadarias da cidade velha (Cidade Santa) em direcção ao Kotel (Muro das Lamentações304). São em grande parte haredim ultra-ortodoxos, facilmente identificáveis pelos trajes negros305, pelos chapéus antiquados (borsalinos, fedoras, shtreimels, kolpiks, trilbys e outros) e pelos seus peots, os cabelos encaracolados que lhes pendem das têmporas”.306 Vêm acompanhados das esposas e mediante as premissas morais de tzniut vestem uma indumentária que prima pela simplicidade, com braços e pernas tapados307.

Há também uma afluência de judeus hadis (os denominados crentes convencionais); estudantes de yeshivá308 e grupos de defensores acérrimos dos novos soldados das FDI. “Os haredim309 ocupam posição frontal e predominante face ao Muro e num grande minyan (grupo de oração) professam e apelam a Deus, embalando-se na direcção das pedras milenares”.310 Com o anoitecer os soldados posicionam-se atrás, comemorando de forma mais entusiástica com cantos nacionalistas e gritos, não descurando a bandeira como símbolo nacional, hasteada com o mote “Am Yisrael chai”311 (O Povo de Israel vive).

304 “O Muro das Lamentações é também chamado Muro Ocidental, é o local mais sagrado dos judeus. Esta

pequena muralha, situada na Cidade Velha de Jerusalém, é o único vestígio do antigo Templo mandado erigir por Herodes e destruído pelos romanos no ano de 70. Liderados por Tito, os romanos apenas deixaram de pé este pedaço para mostrar às gerações futuras a grandeza dos seus soldados. O nome do monumento decorre do hábito judeu de se acercar do local para chorar a destruição do Templo e lamentar a dispersão do seu povo. Criado em 1948, Israel apenas obteve o controlo sobre o local em 1967, após a Guerra dos Seis Dias. Em 2000, João Paulo II tornou-se o primeiro Papa a rezar junto ao Muro e a entrar numa sinagoga, onde pediu desculpa por séculos de perseguição dos católicos aos judeus”. MCCARTHY, Rory, Op. Cit, nota 302, p. 85.

305“Um judeu ultra-ortodoxo é reconhecível pela forma como se veste”. Idem. 306 PEREIRA, Marco, Op. Cit, nota 299, p. 7.

307 Idem.

308 Yeshiva significa academia rabínica. 309 Ou piedosos.

310 PEREIRA, Marco, Op. Cit, nota 299, p. 7. Veja-se também “ A leitura da Tora, o livro sagrado do

judaísmo, acompanha as orações junto ao Muro das Lamentações”. MCCARTHY, Rory, Op. Cit, nota 302, p. 85.

Gioconda Cardoso 107 O recrutamento é cauteloso, disponível on line na “Agência Judaica com destino a Israel” e prevê que: “o serviço militar é obrigatório para todos os cidadãos e residentes permanentes”.312 Para cidadãos estrangeiros processa-se da seguinte forma: 1) adquire-se a nacionalidade israelita; 2) emigração para Israel (aliyah). Os cidadãos estrangeiros sujeitam-se, assim, a um regime especial em virtude da distância da sua terra de origem.

Consideram-se também os Chayal boded (“soldados solitários das Forças Armadas”), os quais possuem privilégios em relação aos originários de Israel, dado que “não têm família em Israel para lhes lavar a roupa, para lhes cozinhar, enviar encomendas ou ouví-los kvetch (queixar-se) nos fins-de-semana de folga”.313 Há toda uma preparação/ treino em ordem à incorporação.

No tocante à proveniência dos soldados, são distintas as suas nacionalidades a julgar pelas suas fisionomias “israelitas louros e ruivos, ashkenazis (oriundos da Europa central), sefarditas (ascendentes longínquos ibéricos), mizrahi (oriundos de Leste com devoção ao Médio Oriente e Norte de África) e outros grupos. Sobressaem ainda os soldados “Beta Israel etíopes”, grupo que os governantes israelitas auxiliaram depois da guerra civil e da consequente fome, mediante as operações Moses (1984), Joshua (1985) e Solomon (1991), com o patrocínio da CIA. Nesta operação foram libertos judeus no Sudão pelas forças aéreas (aviões comerciais da EL AL)314.

No que diz respeito às motivações para se alistarem nas FDI, uma das principais fontes de motivação é a devoção à causa sionista.

Temos o exemplo do depoimento de um emigrante que testemunhou que “durante o treino, gritavam-me na cara a toda a hora, fui gaseado, forçado a prosseguir dias a fio sem comer, dormir, tomar duche ou trocar de roupa. Éramos também obrigados a dormir a céu aberto durante os invernos miseráveis do deserto”.315

312 Idem, p. 5. 313 Idem, p. 6. 314 Idem, ibidem. 315 Idem, p. 7.

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Breve síntese conclusiva

Israel “americanizou em grande medida a doutrina, organização, táctica e tecnologia das FDI”.316

As FDI estão numa “era posheroica”, sendo bem patente uma destrinça entre o campo civil e o campo militar317. Esta nova fase inicia o processo de modernização do papel das Forças Armadas e também da redesignação do conceito de Defesa Nacional, relativamente ao qual passam a ter uma percepção negativa devido a situações de antiterrorismo, assassinatos e ocupação, para garantir a segurança em Israel diariamente. Contudo, transformam as directrizes das FDI como uma força convencional e destruindo o potencial operativo do seu Exército, ao distrair efectivos com propósitos de guerra irregular.

As FDI têm “hospedado” conceitos, como por exemplo o de Operações baseadas em efeitos ou guerra em rede, sem previamente se proceder a uma análise crítica sobre a sua posição.

Todavia, a existência de um grande poderio militar com um acréscimo de instrumentos políticos, sociais e mediáticos disponibilizados para operações militares é um facto.

No tocante aos militares no activo, consideram-se 176, 500 (Exército-133,000; Marinha-9,500 e Força Aérea-34,000). Como paramilitares destacam-se 8,050. Na reserva encontram-se 565,000 (Exército-500,000; Marinha-10,000; Força Aérea-55,000)318.

Assim, Israel socorre-se do seu arsenal militar em variadas situações: 1) numa situação de invasão militar; 2) destruição das suas forças militares; 3) uso de armas nucleares contra o seu território; 4) e sujeição das suas cidades a ataques de armas biológicas ou químicas.

Contudo, há uma grande dificuldade demonstrada por Israel em dissuadir a ameaça, que não só o Hamas mas também o Hezbollah representam.

316 PIELLA, Guillem Colom, Op. Cit, nota 176, p. 78.

317 Apud, LUTTWAK, Edward, N: “A Post-Heroic Military Policy”, Foreign Affairs, Volume 75, número

4, Julho-Agosto de 1996, in PIELLA, Guillem Colom, Op. Cit, nota 176, pp. 33, 34.

Gioconda Cardoso 109 Em virtude do sentimento de guerra instalado em Israel, um Exército por si só não constitui uma garantia de segurança319. Nesta medida, atendendo a que Israel é considerada uma nação guerreira, defrontar o inimigo é considerado uma questão de honra320.

Sem sombra de dúvida, a bagagem moral aliada à perícia técnica das FDI foi o móbil das sucessivas vitórias israelitas, não descurando o papel primordial dos serviços de informações321, nomeadamente da Mossad322, que é precisamente aqui, neste contexto, que deve ser equacionada323. Na linha de pensamento de Pedro Nascimento, como serviço de informações324 que é, adopta uma postura sempre activa e agressiva, sendo “um dos símbolos mais acabados do status israelita”.325

Na perspectiva da Professora Sandra Balão, quando referimos os serviços secretos, “temos que pensar nestas forças das intelligence não como uma realidade em termos individuais, de um país em particular mas, sobretudo, como uma teia que se estabelece à escala global e que, longe de ‘cooperar’ é, na maioria dos casos extremamente competitiva entre si”.326

319 Veja-se também a este propósito que “o poder de Israel na região é muitas vezes associado às suas forças

armadas, arsenal nuclear e serviços de actuação clandestina (a Mossad)”. HAGER, Nicky, “Aqui trabalham espiões israelitas”, in Le Monde Diplomatique, edição portuguesa, nº 47, II Série, Lisboa, Setembro 2010, p. 15.

320 “O que faz da Mossad o símbolo mais acabado do status israelita”. OSTROVSKY, Victor e HOY,

Claire, Op. Cit, nota 2, p. 108.

321 “Todos os Estados minimamente organizados possuem este tipo de organizações, que se tornam

infinitamente apreciadas em tempo de paz armada ou guerra iminente”. BESSA, António Marques, Op. Cit, nota 7, p. 123.

322 ALEXANDRE, José António da Costa Granjo Marques, Op. Cit, nota 219, p. 120. 323 OSTROVSKY, Victor e HOY, Claire, Op. Cit, nota 2, p. 73.

324 Sir William Stephenson no prefácio de A Man Called Intrepid afirmou que “os serviços de informações

são uma condição necessária para as democracias, de modo a evitarem reveses e possivelmente até mesmo a destruição total; os serviços secretos são uma arma essencial, talvez até a mais importante; mas por ser secreta é também a mais perigosa”. OSTROVSKY, Victor e HOY, Claire, Op. Cit, nota 2, p. 15. Além disso, há ainda que considerar que “ o contributo dos serviços de informações no combate ao terrorismo pode ser sistematizado em quatro tarefas distintas: reduzir a ameaça terrorista, eliminando-a ou desarticulando-a; reduzir a vulnerabilidade a ataques terroristas; apoiar outras entidades a gerir as consequências de atentados; e providenciar aconselhamento na área da protecção de segurança”. RIBEIRO, António Silva, “Os Serviços de Informações no combate ao terrorismo” in Estratégia, Volume XV, Instituto Português da Conjuntura Estratégica, Lisboa, 2005, p. 129.

325 NASCIMENTO, Pedro, SILVA, Vítor e SIMÕES, Daniel, Mossad. O seu papel estratégico na política

externa israelita, IESM, Lisboa, 2008, p. 14.

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