• No results found

The Plan of the Thesis

4.1. FREQUÊNCIA DE ELEMENTOS ICONOGRÁFICOS ENTRE 1987 E 2009

Para além da palavra, o cartaz político abarca em si a imagem, que é também capaz de comunicar uma mensagem ao eleitor, umas vezes completando a palavra, outras é a palavra que complementa a imagem, todavia a imagem é um elemento que compõe a mensagem que se pretende transmitir.

Após um atento olhar sobre as imagens que figuram os cartazes a que tivemos acesso, reconhecemos elementos que constavam de forma explícita nos cartazes, dessa forma procedemos à sua identificação como elementos de análise iconográficos presentes nos cartazes das candidaturas ao Parlamento Europeu em Portugal entre 1987 e 2009.

Os elementos que consideramos são: a bandeira europeia (inclui-se neste indicador também o mapa da Europa), a bandeira nacional, (ou representação da mesma por cores ou imagens), eleitores, candidatos e outros símbolos, (neste caso estão contidos indicadores que se encontram fora do espectro político mas que surgem nos cartazes contendo significado político, como por exemplo o aparecimento de cartões amarelos e vermelhos alusivos ao futebol).

Em Portugal, verifica-se a utilização do símbolo do partido como prática transversal ao PSD e PS sendo que se encontra presente em todas as eleições estudadas.

Identificamos ainda uma tendência no PSD para o uso da imagem dos candidatos, relegando a imagem dos eleitores para uma utilização diminuta, já o PS utiliza de forma mais moderada a imagem dos candidatos e de cidadãos anónimos.

Por outro lado, o PSD utiliza de forma mais equilibrada os símbolos europeus, equilibrando com símbolos nacionais, è excepção das eleições de 2004; já o PS emprega em quase todos os seus cartazes símbolos que identificam a Europa.

Em Espanha, nos dois partidos analisados, existe uma tendência acentuada para o uso do símbolo partidário, à semelhança dos partidos portugueses.

Por outro lado, é também de mencionar a prática comum da imagem do candidato acompanhada pelo nome do candidato.

Quanto à utilização de símbolos nacionais e europeus verifica-se uma inovação por parte do PP em que agrega os dois elementos, utilizando a bandeira europeia em simultâneo com a bandeira de Espanha.

Saliente-se ainda a ausência de eleitores nos cartazes políticos utilizados em Espanha nas campanhas eleitorais do PP e PSOE para o Parlamento Europeu.

4.1.1. PORTUGAL – PS

À luz dos dados recolhidos é possível declarar que existe uma estratégia de comunicação orientada para a formação de um padrão constante de emprego dos símbolos partidários, elemento este que domina a maior parte dos cartazes a que tivemos acesso.

De forma intermitente surge a simbologia europeia utilizada em 1989 e 2004 e, a simbologia nacional em 1999 e 2004.

Numa outra vertente, verificamos que no que se refere à imagem dos candidatos e de cidadãos anónimos, existe uma maior propensão para a presença da imagem dos candidatos em mais eleições face aos cidadãos anónimos, porém, estes últimos quando se observa a sua presença, são utilizados em maior quantidade, exemplo de 1994 e 2004.

Por fim, saliente-se que nas campanhas do PS após alusão à imagem do candidato, está geralmente associada a sua identificação, com a exclusão da campanha de 1994.

Gráfico 10. Frequência de elementos iconográficos em Portugal (PS)

Notas:

1. n = ao número de cartazes analisados em cada campanha

4.1.2. PORTUGAL – PSD

A nível iconográfico observamos nas campanhas políticas de 1987 a 2009 a utilização constante de símbolos europeus nas imagens que compõem os cartazes analisados.

Desde as primeiras eleições que a regra é a presença da simbologia europeia, com excepção a ser feita em 2004, sendo substituída pelo uso das cores da bandeira nacional. Porém, também outros elementos gráficos completam a tendência de comunicação do PSD, referimos o domínio claro dos símbolos do partido, elemento que consta em todas as campanhas, bem como a presença assídua da imagem dos candidatos.

Em 2004, devido a variedade de imagens recolhidas dos cartazes, destacamos a frequência de cidadãos anónimos em destaque nos cartazes, bem como a presença de

Notamos assim uma crescente diversidade dos elementos iconográficos inseridos nos cartazes que compõem as campanhas políticas do PSD, sendo ainda de aludir que nas últimas duas campanhas, está patente a identificação dos candidatos em conjunto com a imagem desses mesmos candidatos, dado que não está presente em outras campanhas.

Gráfico 11. Frequência de elementos iconográficos em Portugal (PSD)

Notas:

1. n = ao número de cartazes analisados em cada campanha

4.1.3. ESPANHA – PSOE

A frequência de elementos iconográficos na estratégia de comunicação do PSOE revela uma tendência para o emprego de simbologia partidária ao longo de todas as eleições, tendência também revelada no PP.

Está também presente em todas as campanhas para o PE em que dispomos de elementos passíveis de serem analisados, a imagem do cabeça de lista e/ou dos candidatos a deputado ao Parlamento Europeu, sendo que desde 1989 essa imagem está acompanhada pelo nome dos candidatos, sendo estes últimos, os elementos que dominam quantitativamente as campanhas do PSOE.

No que respeita à presença de marcas europeias e nacionais, as mesmas estão localizadas apenas nas primeiras campanhas, a de 1987 e 1989, destacando-se a frequência elevada de iconografia europeia na campanha de 1989.

À semelhança do PP, também o PSOE opta por não utilizar cidadãos nos seus cartazes, contrastando com a estratégia dos partidos políticos em Portugal.

Gráfico 12. Frequência de elementos iconográficos em Espanha (PSOE)

Notas:

1. n = ao número de cartazes analisados em cada campanha

4.1.4. ESPANHA – PP

Os elementos que pretendemos realçar nas campanhas do PP prendem-se com o uso constante, à semelhança dos partidos portugueses, da simbologia europeia, acompanhadas dos ícones nacionais em menor escala.

Apontamos ainda para uma propensão para o uso da imagem do candidato e da sua identificação desde 1994, (excepção feita à campanha de 1999, da qual não possuímos dados de análise e do referendo de 2005 em que não concorreram candidatos), o que contrasta com a ausência completa de cidadãos desconhecidos entre os cartazes que constituem o espólio do PP nas eleições para o PE.

Gráfico 13. Frequência de elementos iconográficos em Espanha (PP)

Notas: