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The Republican Primaries: Looking for a New Reagan

A maioria dos trabalhos que apontam aspectos e problemas pessoais está baseada na impressão dos envolvidos em relação à manutenção de software. Em quase todos estes trabalhos pode-se encontrar evidências da imagem negativa e do preconceito que existem em relação à manutenção, muito embora nenhum deles explica, por meio de estudos sobre aspectos sociais e humanos, as causas de tal impressão.

Alguns autores observam a influência do próprio nome “manutenção” na interpretação das pessoas. Atwood (2006), por exemplo, cita que o termo “manutenção de software” é geralmente relacionado a um “trabalho de limpeza”. Segundo Parikh (1984), “algumas pessoas acreditam que a manutenção não possui os recursos necessários porque o nome não impõe respeito”. Outro artigo do autor (PARIKH, 1986a) demonstra que o termo manutenção é interpretado de forma incorreta. Layzell e Macaulay (1994) identificaram que o termo manutenção não era usado em quase nenhuma das organizações estudadas por eles. De acordo com os autores, ao invés de “manutenção”, as empresas usavam a palavra “suporte”, pelo fato de suporte possuir uma

imagem e uma conotação mais positiva que “manutenção”. A próxima seção (2.3) abordará mais alguns aspectos relacionados com o termo manutenção.

Assim como o nome, segundo Umarji e Seaman (2005), “a natureza do trabalho de manutenção também produz um efeito nas práticas de trabalho dos mantenedores de software”. Normalmente, mantenedores trabalham com código escrito por outras pessoas, conseqüentemente a dificuldade de suas tarefas depende de fatores como quantidade de documentação disponível, presença de comentários úteis no código, tipo e volume da mudança a ser feita, dentre outros. Para Glass (2006), a atividade de manutenção de software é:

• Intelectualmente complexa: requer inovação no momento em que impõe severas restrições ao inovador;

• Tecnicamente difícil: o mantenedor deve ser capaz de trabalhar com um conceito, um design e com seu código, todos ao mesmo tempo;

• Injusta: o mantenedor nunca tem tudo que um mantenedor precisa. Por exemplo, boa documentação de manutenção;

• No-win: o mantenedor vê somente pessoas que têm problemas;

• Trabalho sujo: o mantenedor precisa trabalhar na parte “infectada” do código;

• Viver no passado: o código foi escrito provavelmente por outra pessoa, antes que ela fosse boa nisso;

• Conservadora: o principal slogan da manutenção é “se isso não estiver com defeito, não conserte”.

Considerando medir o sucesso de operações de manutenção, Sneed e Brossler (2003) investigaram alguns fatores que contribuem para a caracterização da natureza do trabalho de manutenção de software. De acordo com a pesquisa, os fatores são:

• Funcionalidade: a manutenção deve, pelo menos, preservar, caso não melhore, a funcionalidade do sistema;

• Qualidade: a manutenção deve preservar, caso não aumente, a qualidade do sistema; • Complexidade: a manutenção não deve aumentar a complexidade do sistema;

• Volatilidade (inclinação, tendência para mudanças): a manutenção não deve levar a um aumento na volatilidade do sistema;

• Custo: o custo relativo por manutenção não deve aumentar, considerando manutenções de escopos similares;

• Prazo de entrega: os acordos de prazos na entrega devem ser mantidos, e os atrasos não devem aumentar;

• Satisfação do usuário: a satisfação do usuário deve, pelo menos, permanecer a mesma, caso não aumente;

• Rentabilidade: a manutenção deve ser rentável ou, pelo menos, cobrir seus custos. Por meio de todos estes aspectos e fatores que envolvem a natureza da manutenção de software, pode-se concluir que o trabalho de manutenção é complexo e desafiador, além de ser cercado de restrições. Tudo isso pode influenciar a impressão que se tem da manutenção de software, talvez até justificando uma visão negativa, ou mesmo um preconceito, causada pela própria natureza do trabalho de manutenção.

Na literatura foram publicados alguns trabalhos que evidenciam a visão negativa associada à manutenção de software. O Quadro 1 sumariza as impressões sobre a manutenção, e as relaciona com os estudos os quais as identificaram. Estes trabalhos, que basicamente focam nas atitudes dos profissionais relacionados com a manutenção (mantenedores e gestores), apresentam indícios de que tal imagem negativa, ou preconceito, exista de fato. Todavia, nenhuma pesquisa valida ou justifica as causas, nem apresenta as provas para mostrar como, ou por qual motivo, tais sentidos e interpretações existem.

Publicação Impressão constatada (ou citada)

Lientz (1983) Moral baixo dos mantenedores, os quais não vêem motivação no trabalho que fazem. Martin e

Osborne (1983)

A manutenção é uma atividade sem importância, não-criativa, e que não apresenta desafios. A manutenção não proporciona recompensas, nem é uma atividade reconhecida.

Couger (1986) A manutenção de software é uma atividade que causa desmotivação nos programadores. Dekleva (1992) Moral baixo dos mantenedores. A manutenção não é reconhecida, nem tratada com respeito. Dart, Christie e

Brown (1993)

O mantenedor é frustrado, e possui status e prestígio inferiores aos do desenvolvedor. A manutenção não é uma atividade reconhecida, e não é vista como desafiadora (apenas os mantenedores a acham desafiadora), por esse motivo atrai profissionais com pouca experiência.

Tan e Gable (1998)

A manutenção proporciona poucas oportunidades de carreira e baixo crescimento profissional, o que resulta em menores salários. É uma atividade vista como de pouca responsabilidade, sem importância e com poucos desafios. O mantenedor possui baixo prestígio, e seu trabalho não traz satisfação.

Bhatt, Shroff e Misra (2004)

A manutenção não é uma atividade criativa, e não promove oportunidade de crescimento na carreira profissional. O mantenedor não possui prestígio e é desmotivado.

Bhatt et al. (2006b)

A manutenção não é vista como uma atividade criativa. O mantenedor não possui prestígio e é desmotivado.

Oliveira et al. (2008)

A manutenção é vista como um problema para a organização. O trabalho de manutenção, em relação ao de desenvolvimento, não é considerado como criativo, nem desafiador. O valor e o status do mantenedor são inferiores aos do desenvolvedor.

Quadro 1: Impressões negativas evidenciadas na literatura Fonte: Adaptado de Gomes (2008)

Ainda sobre a impressão relacionada à manutenção de software, dois estudos chamaram a atenção por constatarem uma mudança na forma pela qual a manutenção era vista. Layzell e Macaulay (1994) identificaram que a imagem da atividade de manutenção estava mudando de forma positiva. As causas da manutenção deixaram de ser associadas ao desenvolvimento sem qualidade, e passaram a ser consideradas como desenvolvimento evolucionário. O trabalho dos mantenedores passou de tedioso e voltado à correção de erros, para reativo, responsivo e vital para os negócios. Da mesma maneira, os autores notaram que o relacionamento entre a manutenção e os usuários tornou-se mais formal e mais contabilizado, no que antes parecia informal e sem custos claros. Surpreendentemente, Niederman e Sumner (2001), durante um estudo sobre a rotatividade de profissionais de Tecnologia da Informação (TI), descobriram que as atividades de manutenção de software estavam correlacionadas positivamente com a satisfação no trabalho. Os autores explicam que a manutenção de programas desenvolvidos pelos próprios mantenedores estimula o aumento do nível de satisfação.

Não mais especificamente sobre a manutenção de software, algumas pesquisas investigam as impressões dos profissionais de TI (gerentes, analistas, desenvolvedores, mantenedores, etc.) em relação ao trabalho que exercem. Dentre os estudos encontrados, destacam-se os que abordam a motivação e a satisfação dos trabalhadores.

Couger (1986) constatou que analistas de sistemas e programadores mostram diferentes normas motivacionais. Analistas sentem-se mais motivados que programadores quando estimulados pelo crescimento profissional e pela realização. Em outro estudo (COUGER, 1988),

o mesmo autor observou que a responsabilidade é um aspecto motivacional forte dentre gerentes, porém fraco entre analistas e programadores.

Freitas e Belchior (2006) identificam que os aspectos motivacionais mais importantes para os profissionais envolvidos com o desenvolvimento de software estão relacionados com o desenvolvimento da carreira, enquanto que os menos importantes estão no ambiente de trabalho. Na mesma linha, embasado em modelos de motivação humana e em cultura organizacional, De Souza (2004) conclui que a responsabilidade, a autonomia, a importância percebida no trabalho, a interação social, o plano de carreira e o desenvolvimento profissional são os principais fatores motivacionais para os profissionais de software. Para Thatcher et al. (2006), a motivação intrínseca (sentimentos internos positivos adquiridos no trabalho) sofre efeitos distintos a partir de características intrínsecas ao trabalho, tais como autonomia ou variedades de habilidades. Para os autores, a motivação intrínseca demonstra uma relação positiva com as atitudes no trabalho, como por exemplo, satisfação no trabalho e comprometimento organizacional.

Loh, Sankar e Yeong (1995) demonstram que a orientação do trabalho técnico versus o trabalho gerencial afeta a interpretação dos profissionais de TI e, conseqüentemente, a satisfação naquilo que fazem. De acordo com a pesquisa, o nível de satisfação é diminuído quando trabalhadores mais técnicos percebem que os melhores salários e as oportunidades mais avançadas destinam-se às posições gerenciais. Contudo, McLean, Smits e Tanner (1996) observam que, para os trabalhadores de sistemas de informação, quanto maior for o tempo de profissão, menor é a influência do salário na satisfação pessoal. Por meio da pesquisa nota-se que no início da carreira dos profissionais o salário é altamente relevante, todavia, à medida que o tempo passa, outros fatores tornam-se mais importantes, deixando o salário sem papel motivacional.

Rose (2007) constata que os profissionais de TI não estão satisfeitos com sua profissão, principalmente no que diz respeito ao envolvimento, ao senso de realização (completude), à segurança do trabalho e aos treinamentos providos. A pesquisa revela um ranking de satisfação para diferentes tipos de profissões, no qual, curiosamente, profissionais de TI, apesar de possuírem salários muito superiores aos das outras profissões, encontram-se menos satisfeitos que cabeleireiros e motoristas, por exemplo. De acordo com Igbaria e Siegel (1992), profissionais de TI, comparados com outros, possuem uma grande necessidade de desafios e crescimento em seus trabalhos, além de terem uma preferência muito forte por trabalhos que os permitam

liberdade e criatividade. Segundo Wolff (1993), “o elemento mais importante da satisfação no trabalho é a oportunidade de ser criativo”. Niederman e Sumner (2001) sugerem a mudança de emprego como resultado do desejo de aumentar a satisfação no trabalho dos profissionais de TI. Dentre os fatores identificados na pesquisa, os que estão relacionados com a satisfação são: recompensa financeira, progresso, objetivos pessoais, supervisão e oportunidade de carreira.

Assim, para os fins desta pesquisa, acredita-se que os aspectos apresentados nesses trabalhos refletem as práticas geralmente relacionadas à manutenção de software, bem como parecem sugerir possíveis indícios para a investigação das causas e dos motivos pelos quais a manutenção de software é representada.