6. The plan-making processes
6.2 The planning system
Os capítulos 20.1-25.18 apresentam a caminhada de Cades até às campinas de Moabe. O relato da marcha pelo deserto, no que tratava de sucessivas murmurações do povo diante de YHWH, tinha sido interrompido no capítulo 15, para deixar espaço a alguns textos sobre as prerrogativas dos sacerdotes e levitas, conforme capítulos 15-19. Uma vez terminados esses textos, retorna-se ao cenário narrativo anterior. Os detalhes de uma peregrinação a caminho da Terra Prometida continuam, onde reaparecem as queixas diante das dificuldades que se vão apresentando ao povo.
32 BROWN. Raymond E. Novo Comentário Bíblico São Jerônimo: Antigo Testamento. São Paulo: Paulus.
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1.8.1 O pecado de Moisés - Números 20.1-13
Uma vez estabelecida a mudança de cenário (Nm 20.1-13) relata o acontecimento conhecido como “águas de Meribá”, acerca das queixas pela falta de água, em que se manifesta o poder divino, que sacia em abundância a sede do povo, apesar da desconfiança de Moisés. Em alguns aspectos é parecido ao texto de (Êx 17.1-17) porém tem algumas diferenças.
1.8.2 O desafio de Edom – Números 20.14-21
Em 20.14-21 temos a informação de que Edom não permite a passagem da população em seu território. Nos capítulos 13-14 já se tinha dado uma explicação de porque o povo não entrou diretamente em Canaã, seguindo a rota do Egito a Berseba e Hebrom (14.26-38). Agora, se fala de outra dificuldade que se encontra no caminho e que, de novo, lhes obrigam a sair do trajeto mais curto.
Von Rad descreve assim a situação que se apresentou a Israel:
No entanto, também depois dessa segunda partida de Cades, a marcha de Israel não seguiu em linha reta rumo ao objetivo apontado por Deus. Pelo contrário, a fim de contornar Edom de forma pacífica, Israel se surpreende ao constatar que havia retornado ao Mar Vermelho, conforme Números 21.4. Só a partir de lá é que lentamente se dirigiu para o norte, para a Transjordânia.33
1.8.3 A morte de Arão – Números 20.22-29
No texto de Nm 20.22-29 é relatada a morte de Arão, irmão de Moisés, e primeiro sumo-sacerdote da nação. Aqui se diz que foi no monte Hor (20.27-28) que se denomina Moserá em Dt 10.6. Não é possível localizar com precisão este lugar. O relato da morte de Arão segue um esquema paralelo ao relato da morte de Moisés, que se narrará ao final de Deuteronômio. Subiu para morrer no monte Hor, como Moisés faria no Monte Nebo, conforme Deuteronômio. Quando Arão faleceu, os israelitas lhe prantearam por trinta dias (Nm 20.29 e Dt 34.8).
1.8.4 A derrota de Arade, a serpente de bronze e a derrota de Seom e de Ogue – Números 21.1-35
A derrota do rei cananeu Arade, a serpente de bronze, a derrota dos reis Seom e Ogue estão relatadas no capítulo 21. Os versos 1-3 narram a tomada de Hormá, a qual YHWH entregou nas mãos da congregação (21.3). Os versos 21.4-9 apresentam novas
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murmurações do povo e YHWH envia serpentes venenosas34 que feriram o povo.
Diante do castigo, Moisés se converte uma vez mais em intercessor a favor do povo e, de acordo com o mandamento de YHWH, faz uma serpente de bronze sobre uma haste.35 Os que olhavam para essa serpente de bronze ficavam curados (21.8-9). Essa serpente que Moisés fez, aparecerá de novo mencionada no livro dos Reis, quando se diz que o rei Ezequias, na reforma religiosa que estava levando a cabo, destruiu-a, porque o povo de Israel queimava incenso para ela e a chamavam de Neustã (2Rs 18.4) “Ele removeu os lugares elevados, estraçalhou as estelas, e cortou a Aserá; e triturou a áspide de o bronze, que fez Moisés, porque até os dias os aqueles se tornaram os filhos de Israel os que incensavam a ela, e chamou a ela Neustã”. (ATI-2)
As primeiras conquistas do povo estão relatadas no capítulo 21.10-35, quando eles derrotam Seom, rei dos amorreus, e também a Ogue, rei de Basã, tomando posse das terras desses reis ao norte da Transjordania. A expressiva ajuda de YHWH para conquistar os territórios começa a vir à tona.
Após essas vitórias, eles chegaram, por fim, às campinas de Moabe, do outro lado do Jordão, em frente a Jericó, onde acamparam às portas da Terra Prometida (22.1). As recordações do ocorrido nesse lugar, que era como as portas de entrada da Terra Prometida, ocuparam o resto do livro de Números e todo o livro de Deuteronômio. O conjunto de tudo o que se segue, tem caráter de uma longa e cuidadosa preparação antes de passar o Jordão.
A primeira coisa que se recorda acerca do sucedido ao povo enquanto acampava nas estepes de Moabe, capítulos 22-24, é referente a um adivinho estrangeiro chamado Balaão, que profere oráculos nos quais anuncia o futuro que aguardava Israel. Esses capítulos relatam esse episódio. Como essa perícope é a razão desse estudo, deixaremos de lado essa narrativa e faremos um salto para o capítulo 25, em diante.
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BROWN. Raymond E. Novo Comentário Bíblico São Jerônimo: Antigo Testamento. São Paulo: Paulus, 2007. p.211. B o à afi aà ueà oà te o:à se api à est à e à oposiç oà à pala aà pa aà se pe te.à “eà estivermos corretos em ligá-lo com a raiz @rf uei a ou incinerar ,àaàdesig ação pode se referir a u aàse saç oàdeàa d iaàp oduzidaàpelaà o didaàdesseàtipoàdeàse pe te. .
35“egu doàGallazzi:à àu àepis dioàp opi iat io,àpo ,àse àaàp ese çaàdeàá o . Ensaios sobre o pós-
exílio v.1: os mecanismos de opressão. Macapá: Biblioteca de estudos bíblicos, 2003.p.18.
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1.8.5 Israel adora Baal Peor - Números 25.1-18
O capítulo 25 narra o desvio da congregação em Baal Peor, “O incidente constitui-se no ato final de uma série de rebeliões no deserto e serve como um memorial solene do perigo da infidelidade cúltica.”36
1.8.6 O segundo censo – Números 26.1-65
Como já citado, o livro de Números está dividido em dois grandes blocos e ambos começam com um censo da comunidade dos libertos do Egito. Uma vez concluído o primeiro bloco, começa o segundo, que irá até o final do livro.
No segundo bloco, que também começa com um censo, os representantes são a nova geração criada no deserto. Não tinham visto tantas coisas admiráveis como seus pais, porém, seriam eles quem iniciariam a conquista, passariam o Jordão e tomariam posse efetiva da terra. Se, na primeira parte, se mencionavam com detalhe numerosas murmurações e rebeliões e que foram seguidas por pragas e castigos e levaram muitos à morte, na seção que sucede, se destaca a fidelidade e retidão da nova geração, da qual não se perderá nenhum, nem sequer nas batalhas que irão enfrentar, conforme Nm 31.49.
O resultado do censo mostra uma pequena diminuição no número total, que baixa dos 603.550 do primeiro censo, conforme Nm 1.46, para 601.730, conforme Nm 26.51. Nos versos 57-65 do capítulo 26, é feito o censo dos levitas. Este segundo censo dos levitas é muito mais genérico que o anterior. Naquele, se assinalam os membros de cada clã (3.14-29). Neste, somente se dá o número total de levitas, que subiu ligeiramente de 22.000 no começo do livro (3.39) para 23.000 nesta ocasião (26.62).
1.8.7 A lei da herança – Números 27.1-11
A herança relativa às filhas de Zelofeade é explicada no capítulo 27.1-11. Na relação dos clãs de Manassés, havia sido mencionado o clã de Hefer e, entre os que constituíam as famílias desse clã, se dizia que: “Mas Zelofeade, o filho de Héfer, não havia para ele filhos, porque senão filhas...” (26.33) (ATI-1), e são precisamente essas
36 BROWN. Raymond E. Novo Comentário Bíblico São Jerônimo: Antigo Testamento. São Paulo: Paulus,
32 filhas que foram até Moisés para expor seu caso. Moisés consulta YHWH e a decisão que se proporciona é que se lhes pode, com efeito, transferir a herança de seu pai (27.7).
1.8.8 Moisés vê Canaã, a indicação de Josué – Números 27.12-23
No capítulo 27.12-23 é relatado que Moisés contempla a terra que YHWH daria ao povo, que ele morreria e Josué seria comissionado como seu substituto e seria ele que levaria a cabo a posse da terra pelos israelitas. Brown comenta:
Moisés morrerá antes de entrar na terra por causa de seu pecado em Meribá. Essa narrativa sacerdotal é estruturada pelo mesmo padrão que o relato da morte de Arão e o comissionamento de Eleazar em 20.22-29. No caso de Josué, a ênfase recai sobre seu papel como líder militar e sua subordinação ao sumo sacerdote. A morte de Moisés, mencionada nos vv. 12-13 como se fosse iminente, é mantida em suspense até o final de Deuteronômio.37
1.8.9 A ordem das ofertas, das festas e os votos – Números 28.1-30.16
O capítulo 28 de Números relata sobre os sacrifícios (28.1-3a) os sacrifícios cotidianos (28.3b-8) o sábado (28.9-10) sacrifícios de animais (28.11-15) os pães ázimos (28.16-25) e a festa das semanas (28.26-31). Da mesma maneira segue o capítulo 29, que relata a festa das trombetas (29.1-6) o dia da expiação (29-7-11) e a festa da tendas (29.12-30.1). Continuando, no capítulo 30, que relata sobre a lei dos votos (30.2-16).
1.8.10 Guerra Santa – Números 31-36
Os capítulos finais (31-36) relatam sobre a Guerra Santa que é travada contra Midiã (31.1-12) em retaliação a sua participação no incidente de Baal Peor (25.16-18). A matança das mulheres e a purificação do saque (31.13-24) a partilha do saque (31.25- 47) e as ofertas (31.48-54). O capítulo 32 está relatando a partilha da terra, nos versos 1- 42, ou seja, a partilha da terra da Transjordania entre os filhos de Rúben, Gade e meia tribo de Manassés. O capítulo 33 expõe a jornada do Egito até Moabe que é recontada, as etapas do Êxodo 33.1-49; a partilha de Canaã e a ordem de YHWH (33.50-56). O capítulo 34 narra sobre as fronteiras de Canaã (34.1-15) assim como a divisão da terra que seria conquistada (34.16-29). O capítulo 35 está dividido em seus versículos entre a constituição das cidades dos levitas (35.1-8) e das cidades de refúgio (35.9-34). E, por fim, o capítulo 36 relata sobre a herança das mulheres.
37 BROWN. Raymond E. Novo Comentário Bíblico São Jerônimo: Antigo Testamento. São Paulo: Paulus,
33 Wenhan, de uma maneira bem clara, expõe o final do livro nesses termos:
Ao mesmo tempo, a história das filhas de Zelofeade constitui-se em conclusão apropriada para o livro de Números propriamente dito. O último grupo de seis leis em Números 33:50-36:13 falava da terra, da sua distri- buição, da sua extensão e da sua santidade. De fato, toda a história de Nú- meros foi de movimento em direção à terra da promessa. O último preceito que Moisés deu, refere-se à terra e assevera: os filhos de Israel se hão de vin-
cular cada um à herança da tribo de seus pais (36:7). É claro que, formal-
mente, esta é a declaração de um preceito legal proibindo a transferência de terras de tribo para tribo, mas teologicamente, à semelhança de muitas leis em Números, é uma promessa de que as tribos de Israel sempre habitarão em sua terra dada por Deus. Nas palavras de Gênesis 17:8: "Dar-te-ei e à tua descendência... toda a terra de Canaã, em possessão perpétua, e serei o seu Deus." Com esta forte nota de esperança encerra-se o livro, convidando os curiosos a lerem adiante, para ver como foram cumpridos os propósitos de Deus na história subsequente de Israel.38
As palavras que encerram o livro (36.13) recordam, de algum modo, àquelas com que se iniciou a narrativa de Números. Suas páginas se abriram dizendo que YHWH falou com Moisés no deserto do Sinai (1.1) e ordenou fazer um censo. Em seu interior, numerosas intervenções divinas vão sendo transmitidas e são especificados a Moisés os mandamentos de YHWH para seu povo. Agora, termina deixando a informação de que foram dadas as ordens e regras que YHWH passou para o povo.
Na redação final, é realçada a marca legal que caracteriza o livro tal como nos tem chegado, como uma parte constitutiva da Torá. Nele estão contidas algumas leis e prescrições que procedem de YHWH e que têm sido uma marca importante em um período fundamental da identidade de Israel, em sua peregrinação desde o deserto do Sinai (1.1) até as campinas de Moabe, junto ao Jordão, na altura de Jericó (36.13) às portas da Terra Prometida.