A questão a que importa responder é de que modo as políticas locais, regionais, nacionais e internacionais podem contribuir para a gestão sustentável de áreas turísticas. Goeldner (2000) define cinco premissas para a definição de uma política de desenvolvimento sustentável aplicada ao turismo. A primeira, a premissa da interdependência, segundo a qual o turismo, enquanto actividade económica, afecta e é afectado, por um conjunto alargado de outras actividades económicas e sociais. Daí a importância de identificar as interdependências dos indivíduos, grupos e organizações que têm responsabilidade nesta área. A segunda, a premissa da multidisciplinaridade, segundo a qual a total compreensão do fenómeno turístico só é possível se se utilizarem as reflexões e os instrumentos de várias disciplinas, de forma a garantir a participação das suas experiências e ideias. A terceira, a premissa da experiência prévia, salienta que a investigação e o conhecimento adquirido devem ser analisados e avaliados de acordo com a sua relevância e significado. A quarta premissa salienta que a utilização da natureza deve orientar-se por constrangimentos que se baseiam em critérios de defesa do seu equilíbrio. A quinta premissa salienta que o poder está concentrado num número reduzido de nações mais desenvolvidas, que possuem a maior parte da riqueza mundial e consomem a maior parte dos seus recursos. Ora, a cooperação internacional deve facilitar o desenvolvimento do turismo em países menos desenvolvidos, tendo em consideração a importância das políticas de conservação necessárias para obter benefícios a longo prazo.
Nos programas internacionais para o turismo sustentável - que envolvem organizações como a Organização Mundial do Turismo, a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento, o Programa das Nações Unidas para o Ambiente - as preocupações são as seguintes: a) reforçar as políticas nacionais de desenvolvimento e aumentar a capacidade das áreas do planeamento e do ordenamento do território e da avaliação de impactes para atingir padrões de consumo e de produção sustentáveis no turismo; b) utilizar instrumentos económicos regulatórios, assim como a informação, a educação e as estratégias de marketing; c) desenvolver políticas e implementá-las de modo a considerar a cooperação entre as partes interessadas, especialmente o sector privado e as comunidades locais.
Em 1999, a Comissão das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável adopta um programa de acção internacional sobre o desenvolvimento sustentável do turismo, contendo directrizes a aplicar em especial nos países em desenvolvimento. Este programa passa pela adopção de políticas e estratégias nacionais baseadas nos princípios da Agenda 21.
Neste sentido, as propostas encorajam o desenvolvimento da actividade turística, atraindo o investimento estrangeiro directo e adoptando as tecnologias ambientalmente apropriadas. Paralelamente, privilegia-se a participação activa dos principais grupos, incluindo os conselhos nacionais de turismo e outras organizações turísticas, com o sector privado, assim como as comunidades locais.
O envolvimento destes actores implica a sua consulta na definição de políticas, planos e medidas de gestão e a partilha dos benefícios, o que pressupõe a harmonização das relações entre as partes interessadas. A Comissão defende ainda que o estabelecimento de parcerias com os principais grupos, especialmente a nível local, poderá assegurar a participação activa no planeamento e desenvolvimento do turismo. Neste sentido, os processos de tomada de decisão devem ser transparentes e permitir a partilha de benefícios, assim como a consciencialização dos custos económicos, sociais e ambientais.
Por último defende a criação de um enquadramento institucional, legal económico, social e ambiental, desenvolvendo e aplicando um conjunto de instrumentos, tais como o planeamento integrado do uso do solo e a gestão das áreas costeiras.
Esta organização internacional defende ainda que a maximização do potencial do turismo contribuirá para erradicar a pobreza. Para isso propõem o desenvolvimento das seguintes estratégias: a cooperação entre os principais grupos e as comunidades locais; a divulgação do turismo sustentável junto dos turistas, através das formas de expressão artística (como a música, a arte e o teatro) e pela promoção de acções educativas; a promoção do enquadramento administrativo, financeiro e formativo em gestão e noutras competências às pequenas e médias empresas do sector, que são as principais criadoras de emprego; a obrigação de tomar medidas eficazes contra qualquer tipo de ilegalidade e exploração ilícita da actividade turística, incluindo a exploração sexual; a participação nos processos regionais e internacionais, que têm uma ligação directa ou indirecta ao turismo, como as áreas do trabalho e da saúde e apoio às iniciativas da Organização
Internacional do Trabalho e da Organização Mundial de Saúde, que podem dar um contributo para o desenvolvimento sustentável do turismo; o apoio nas medidas apropriadas para informar os turistas sobre os valores culturais, ecológicos e outros, e dar informação sobre a segurança dos destinos para permitir ao consumidor fazer escolhas informadas (UN, 1999).
Uma outra proposta de abordagem integrada para o desenvolvimento e a gestão sustentável do turismo - designada por Integrated Total Quality Tourism Management (ITQT)60 – foi construída como uma abordagem holística, que integra aspectos
socioculturais, económicos e ambientais de uma forma compreensiva. Trata-se de abordagem de baixo para cima, que pretende atingir três tipos de benefícios: enriquecimento sociocultural, sustentabilidade ambiental e viabilidade económica (SEE
- Socio-culturally enriching, Environmentally sustainable, Economically viable).
Em síntese, para ser sustentável, o desenvolvimento tem que incluir as pessoas que o implementam, gerem e controlam. O envolvimento dos indivíduos no espírito do desenvolvimento sustentável deve fazer-se pela sua compreensão dos objectivos de desenvolvimento. Uma nova ética surge da maximização da consciência e da participação de todos os interessados como um pré-requisito para a acção assente nos mesmos valores e expectativas. Além disso, os recursos renováveis e não renováveis têm que ser geridos com sensibilidade e senso comum, numa perspectiva de longo prazo. Novas prioridades são requeridas, nas quais o ambiente não fica em segundo plano, mas é um elemento importante da decisão. Os danos causados pela degradação ecológica devem ser quantificados e internalizados no custo dos produtos consumidos. Paralelamente, o desenvolvimento tem que incluir um compromisso de prosperidade económica. Esta condição é essencial para gerar fundos que permitam proteger o ambiente natural e sustentar a população.