3. Observations of greenhouse gases at the Birkenes and Zeppelin Observatories
3.1 Greenhouse gases with natural and anthropogenic sources
3.1.2 Methane at the Birkenes and Zeppelin Observatories
As entrevistas exploratórias tiveram como objectivo recolher informação junto dos diferentes tipos de actores sociais - utilizadores do território e dos recursos naturais - e dos diferentes tipos de intervenientes na sua gestão e ocupação, de modo a compreender as dinâmicas regionais.
O objectivo dos inquéritos sociológicos aos agregados domésticos foi compreender os factores que condicionam as decisões dos chefes de agregados que vivem na área de estudo; ou seja, dos actores sociais responsáveis pelas dinâmicas que actuam de forma mais impactante na região. Os inquéritos evidenciaram as características e as práticas de cada grupo de actores sociais e permitiram conhecer os factores que promovem ou limitam o desenvolvimento sustentável de áreas costeiras em Goa sujeitas a pressões. Para a área de estudo de Bardez, constituída por doze aldeias, foi construída uma amostra probabilística estatisticamente significativa dos agregados domésticos, tendo sido realizados 672 inquéritos, entre Setembro e Outubro de 2000.
O questionário foi aplicado a uma amostra da população residente em doze aldeias da área de estudo de Bardez: Calangute, Candolim, Anjuna, Arpora, Assagao, Nagoa, Parra, Verla, Saligao, Nerul, Marra e Reis Magos. A amostra foi construída por uma equipa de investigadores do TERI, segundo critérios científicos, de modo a ser estatisticamente significativa dos agregados domésticos da área de estudo9. Os cálculos efectuados permitiram a construção de uma amostra de 672 unidades, para uma margem de erro de 4% e um nível de confiança de 95%.
Os agregados a inquirir foram seleccionados através do método de amostragem aleatório sistemático, a partir das listas de eleitores de cada aldeia.
Apesar do guião de inquérito se dirigir aos decisores dos agregados domésticos, perante a sua ausência, o guião foi aplicado ao membro do agregado presente no momento da entrevista, que tivesse mais poder de decisão, responsabilidade, ou conhecimentos sobre o agregado. A duração média das entrevistas foi de 30 minutos.
Assim, 42% dos inquiridos são chefes do agregado, 26% correspondem à mulher do chefe do agregado e 13% ao filho, 8% à filha e 7% à cunhada.
Seguidamente, a informação foi codificada e os dados introduzidos em bases de dados, o que permitiu realizar o tratamento estatístico.
O inquérito sociológico a responsáveis de infra-estruturas turísticas visou a análise das características, dos comportamentos e dos processos de decisão dos agentes económicos directamente envolvidos na actividade e que estão na origem das diferentes formas de utilização dos recursos e do território. Assim, os objectivos de este inquérito foram caracterizar os proprietários e os gestores de unidades turísticas, de modo a compreender a sua capacidade de reacção à mudança; caracterizar o tipo de infra- estruturas, o tipo de unidade, o tempo de existência, a dimensão, o rendimento e o emprego criado, de modo a compreender os factores que explicam o impacte das infra- estruturas turísticas (ou o modo como as características destas infra-estruturas contribuem para os impactes); caracterizar o consumo de produtores alimentares das unidades turísticas, de modo a compreender se este consumo se baseia no mercado local, regional ou outro; caracterizar as necessidades de energia, água e ocupação do solo de cada tipo de infra-estrutura, de modo a identificar os padrões de consumo dos
9
Os cálculos foram realizados com base em Murthy, M.N. (1977). Sampling Theory and Methods. Calcutta: Statistics Publishing Society (cit. por TERI, 2001). Assim, n=N*n1/(N+n1-1), em que N
diferentes tipos de infra-estruturas turísticas; caracterizar a produção de resíduos sólidos e os mecanismos de eliminação de lixo, o sistema de esgoto e o tratamento de águas residuais; avaliar as medidas ambientais adoptadas pela unidade, de modo a verificar se correspondem a preocupações reais de gestão; avaliar a consciência e opinião sobre a relevância da legislação em relação ao turismo e a assistência do governo; caracterizar o tipo de turistas; avaliar a percepção dos promotores de actividades turísticas relativamente à actividade turística em geral e às mudanças esperadas, de modo a compreender o seu posicionamento face ao futuro da actividade.
Os inquéritos aos estabelecimentos turísticos foram realizados em seis aldeias da área de estudo de Bardez, localizadas junto ao mar, e nas quais a actividade turística é mais intensa: Anjuna, Assagao, Arpora, Calangute, Candolim e Reis Magos (Figura 3.3). De salientar que esta última está localizada junto à foz do rio Mandovi e o principal impacte é causado pela relativa proximidade de Panjim, capital do Estado de Goa, permitida pela existência de uma ponte que liga Reis Magos à cidade.
As seis aldeias onde se realizaram entrevistas foram classificadas de acordo com a sua “maturidade” em relação ao turismo. A existência de infra-estruturas ligadas ao turismo foi o critério usado para classificar as aldeias de acordo com a sua “maturidade” turística. Assim, as aldeias com um turismo “maduro” são Anjuna, Calangute and Candolim. Estas caracterizam-se por ter mais alojamentos e mais restaurantes. As licenças governamentais necessárias à construção de cabanas foram atribuídas apenas em Calangute e Candolim (TERI, 2001). Estas duas aldeias eram as que apresentavam melhores infra-estruturas do ponto de vista qualitativo – tinham todo o tipo de infra- estruturas – e quantitativo – tinham mais infra-estruturas comparativamente com as outras.
As aldeias com um turismo em crescimento eram Arpora, Assagao e Reis Magos. Em Assagao não existia nenhum restaurante (TERI, 2001), possivelmente por esta aldeia estar mais afastada do mar. Reis Magos era a aldeia mais pobre em termos de infra- estruturas turísticas.
Figura 3.3 Distribuição das infra-estruturas entrevistadas por aldeia
Fonte: Adaptado a partir de TERI, 2002.
As infra-estruturas inquiridas correspondem a dois tipos: alojamentos (residenciais, hotéis) e alimentação e bebidas (restaurantes e cabanas). Para efeitos de construção da amostra dos alojamentos, a informação fornecida pelos organismos locais sobre o número de quartos permitiu criar quatro categorias base e outra para os casos em que o número de quartos é desconhecido. Finalmente, mais duas para restaurantes e cabanas (Tabela 3.1) 10.
Tabela 3.1 Número de infra-estruturas turísticas e construção da amostra
Aldeias
Unidades de alojamento por número de quartos
Restaurantes Cabanas <6 6-25 26-75 >75 informação sem Anjuna nº unidades 193 12 4 0 0 30 0 amostra 86 4 2 0 0 10 0 Arpora nº unidades 6 1 2 1 41 22 0 amostra 2 1 1 1 13 7 0 Assagao nº unidades 0 1 0 0 67 0 0 amostra 0 1 0 0 21 0 0 Calangute nº unidades 176 53 17 1 86 138 68 amostra 54 16 6 1 27 43 20 Candolim nº unidades 38 17 6 4 55 79 25 amostra 12 6 2 2 17 25 10 Reis Magos nº unidades 0 1 2 0 2 9 0 amostra 0 1 1 0 1 3 0 Total nº unidades 413 85 31 6 251 278 93 amostra 154 29 12 4 79 88 30
Fonte: Accommodation Directory, 1997 e Panchayats das aldeias (TERI, 2001).
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TERI (2001). Second Year Progress Report, Annex II.1 Survey Methodology and Some Preliminary Results.
A amostra de hotéis, restaurantes e cabanas foi construída para uma margem de erro máxima de 5% e um nível de confiança de 95% (Tabela 3.2).
No caso dos estabelecimentos que servem alimentos e bebidas, e dada a inexistência de um levantamento exaustivo organizado, optou-se por inquirir um estabelecimento, de três em três, seleccionados a partir de um mapa de estradas11. A duração média de cada entrevista foi de 20 minutos.
Atendendo à diversidade de características dos restaurantes e das cabanas, bem como ao aumento destas infra-estruturas entre 1997 e 2000, os investigadores do TERI optaram por reforçar a dimensão da amostra relativamente a estes estabelecimentos, de modo a assegurar a margem de erro calculada inicialmente. A Tabela 3.3 apresenta o número alojamentos da amostra, por dimensão, que foram igualmente ajustados aos dados mais recentes12.
Tabela 3.2 Número de infra-estruturas turísticas entrevistadas
Aldeia Infra-estruturas turísticas Total
Alojamentos Cabanas Restaurantes
Anjuna 88 0 25 113 Arpora 17 0 15 32 Assagao 21 0 0 21 Calangute 108 33 35 176 Candolim 29 27 23 79 Reis Magos 2 0 6 8 Total 265 60 104 429
Fonte: Inquérito às unidades turísticas, 2000.
Tabela 3.3 Número de quartos dos alojamentos da amostra
Aldeia
Número de quartos dos alojamentos Total <6 6-25 26-75 >75 Anjuna 49 13 2 0 64 Arpora 6 2 1 4 13 Assagao 7 5 0 0 12 Calangute 46 41 4 3 94 Candolim 4 14 5 2 25 Reis Magos 0 1 1 0 2 Total 112 76 13 9 210
Fonte: Inquérito às unidades turísticas, 2000.
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Alguns hotéis tinham também restaurante e cabana.
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De salientar que a informação sobre o número de quartos não foi recolhida para todos os alojamentos, ou seja, apesar da Tabela Indicar um total de 265 alojamentos, na Tabela 3.3 apenas se registaram o número de quartos para 210 unidades de alojamento.
Em 2007, numa nova fase de trabalho de campo, foram realizadas entrevistas em profundidade em toda a região de Goa, utilizando guiões semi-estruturados, com perguntas abertas. Com estas entrevistas procurou-se aprofundar a análise das decisões, das práticas, das opiniões e das atitudes dos actores sociais sobre as mudanças do território e a utilização e qualidade dos recursos naturais.
As entrevistas em profundidade realizaram-se junto de 22 interlocutores. Estes foram seleccionados de acordo com critérios definidos a partir da caracterização dos diferentes tipos de actores sociais que têm uma acção importante na região. Esta caracterização resultou da análise dos dados dos inquéritos. Deste modo, foram entrevistados chefes de agregados domésticos com diferentes actividades económicas, ligadas ou não ao turismo (agricultura, pesca, serviços); responsáveis por unidades hoteleiras ou outras infra-estruturas turísticas; e imigrantes.
As entrevistas em profundidade visaram igualmente os actores institucionais, tendo sido realizadas sete a responsáveis de organismos do governo regional de Goa: duas a directores do Department of Tourism; duas a directores do Department of Forestry,
Ecotourism and Wildlife e do Forestry Development Corporation; uma ao director do Department of Fisheries e duas no Town and Country Planning Department. Realizou-
se ainda uma entrevista ao responsável do Goa Chambre of Commerce, que constitui uma influente organização de representação e apoio à actividade económica em Goa.