Method and materials
3.6 The microscope setup
A satisfação com a vida representa QV e também permite avaliar o estado de saúde dos idosos (PASCHOAL, 2006) por isso, foi utilizado neste estudo o questionário genérico SF36 para avaliar a percepção dos idosos acompanhados pelo GCC sobre a própria QV através de domínios que referenciam a capacidade funcional, limitações por aspectos físicos, dor, estado geral de saúde, vitalidade, limitações por aspectos emocionais, saúde mental e aspectos sociais.
Os idosos da amostra perceberam uma melhora significativa no aspecto saúde, após a inclusão no programa GCC, o que se relaciona positivamente com a hipótese colocada. Para esta constatação, foi utilizado a questão 1 e 2 do SF36, a primeira questiona sobre a saúde atual (±0,57) e a segunda sobre a saúde há um ano atrás (±1,42).
Os valores dos domínios do SF36 variam de 0 a 100, quanto maior o valor, melhor a percepção de QV para os idosos da amostra. Os aspectos foram discutidos por ordem de melhor à pior percepção da QV (Tabela 3), além de vincular a algumas respostas do QPIF para justificar alguns resultados.
O aspecto “saúde mental” analisou o bem estar psicológico, humor, ansiedade, depressão e alterações do comportamento da amostra; neste estudo foi o domínio com melhor percepção no nível de QV (69,0 ± 17,27). Campolina, Dini e Ciconelli (2011) em estudo com idosos portadores de patologias crônicas também
constataram valores similares no aspecto saúde mental (66,49 ± 28,28). Singer, Hopman e Mackenzie (1999) confirmam os achados citados acima através do SF36 aplicado à população geral e em doentes crônicos, constataram que há declínio da capacidade funcional com o avançar da idade e há também a preservação do aspecto saúde mental.
Nos “aspectos sociais” foram avaliados os impactos das condições de saúde dos idosos nas atividades sociais, representando 64,89 (± 39,16). Através do QPIF os idosos quando questionados sobre o relacionamento familiar, classificaram como excelente ou muito bom, 81% da relação com o conjugue, 92,5% a relação com os filhos e 96,4% a atenção da família na situação atual de saúde. Todos os idosos informaram ter amigos, sendo eles vizinhos, cunhado(a), da igreja, do trabalho, irmão(ã) e dos locais de tratamento (como hemodiálise e quimioterapia).
Em confirmação ao domínio acima, os idosos ao serem questionados sobre o que é mais importante em sua vida 79,3% responderam que é a “Convivência com a família e amigos”: “Ver minha família feliz e sem problemas.” (MIGS, 66), “Viver em paz com todo mundo.” (MPF, 71). Faz se importante citar que 6,3% quando perguntados sobre o que mais faz falta dizem ser as “consequências da solidão”: “Sinto falta do meu filho que mora em outra cidade perto de mim, apesar de saber que ele está muito bem. Também é difícil estar perdendo meu marido para a Alzheimer a cada dia.” (LMSF, 68). No estudo de Castro et al. (2003), com portadores de IRC e DM os aspectos sociais também representaram 64 (± 29) da QV dos avaliados. Ainda que haja convivência com amigos, vizinhos e profissionais de saúde, a relação com a família é fundamental para o idoso.
A “vitalidade” demonstra a disposição dos idosos em desempenhar as atividades do cotidiano (60,18± 21,71). Apesar de em alguns casos os idosos não possuírem capacidade funcional favorecida, o desejo dos avaliados foi de continuar a desenvolver suas rotinas. Em alguns casos os familiares/cuidadores privam o idoso de executarem algumas atividades no intuito de prevenir possíveis acidentes, tais como: cortar e/ou queimar as mãos (atividades na cozinha), quedas em pisos molhados (cuidados com a casa e roupa), entre outros. Nesses casos, a equipe do GCC orienta o cuidado e sugere a manutenção das atividades que não ofereçam risco à saúde do idoso.
No aspecto “dor” (58,43±28,54) foi avaliado o nível e o impacto no desempenho das AVD’s em decorrência da dor. Campolina, Dini e Ciconelli (2011)
em estudo verificaram que este domínio representou 59,6 ± 16,30 da QV de idosos portadores de patologias crônicas. Ainda favorecendo os achados, Mendonça et al. (2008) constataram que idosos com fratura de quadril – colo do fêmur, apresentaram uma queda brusca da QV neste aspecto, na primeira aplicação do SF36 o valor foi de 51,0 ± 21,79 e após quatro meses 14,7 ± 24,77. Apesar da existência de instrumentos que buscam dimensionar a dor, esta é subjetiva. Inclusive sendo um dos principais fatores que interferem na QV do idoso, em decorrência das limitações, desconforto, irritabilidade e até isolamento social (CELICH; GALON, 2009; ANDRADE; PEREIRA; SOUSA, 2006).
O “estado geral de saúde” (55,89±19,34), demonstra a percepção subjetiva do estado geral de saúde. As doenças crônicas podem ser controladas através de contínuo acompanhamento com profissionais médicos e não médicos, porém a tendência com o passar do tempo é de picos de instabilidade, pois não existe tratamento curativo para estas doenças. Inclusive encontrou se correlação da idade com este aspecto do SF36, r= 0,39 e p = 0,04, demonstrando que quanto menor a idade, pior a percepção do estado geral de saúde, em detrimento da dificuldade de aceitar as condições advindas das patologias instaladas assim que são diagnosticadas. Santos (2006) constatou através do SF36 que há correlação entre o estado de saúde geral e a idade r= 0,245 e p=0,01, porém verificou se que quanto maior a idade, pior a percepção deste aspecto entre renais crônicos hemodializados, ao contrário do presente estudo.
A “capacidade funcional” (46,61±26,74) demonstra a necessidade dos idosos em ter um cuidador para apoiá los, gerando, segundo Lehmann e Rabins (2001) a mudança de papéis sociais na estrutura familiar e, consequentemente, a demanda de orientação à estes familiares/cuidadores, desempenhada pela equipe do GCC. Constatou se correlação entre idade e este aspecto, r = 0,39 e p = 0,04, relacionado principalmente às doenças degenerativas, nas quais existem uma progressão da capacidade funcional, dependência e autonomia. Giacomin (2008) confirma em estudo com idosos que a incapacidade funcional é progressiva com a idade. Alves et al. (2007) corrobora afirmando que há influência das patologias crônicas de idosos na capacidade funcional, tais como: a HAS que aumenta em 39% a chance do idoso em ser dependente nas AIVDs, as doenças cardíacas que aumentam 82%, a artropatia 50% e as doenças pulmonares 50%. Okuma (1998)
também ressalta a importância de desenvolver ações para a manutenção do bem estar funcional dos idosos portadores de patologias crônicas.
As “limitações por aspectos físicos” indicam o impacto da saúde física no desempenho das AVD’s. Em comparação aos demais aspectos do SF36, este apresentou o maior valor de desvio padrão (42,86 ± 49,00) desencadeado em alguns idosos em decorrência de patologias degenerativas como o Alzheimer, outras demências, AVC, fraturas, entre outras. Este mesmo domínio atingiu o valor de 54,4±17,70 na pesquisa de Campolina, Dini e Ciconelli (2011) com portadores de patologias crônicas. Em contra partida, no estudo desenvolvido por Rodrigues (2011), o índice da média de QV entre diabéticos com amputação de membros inferiores foi de 13,2, em decorrência do impacto da perda de um dos principais membros do corpo humano responsável pela deambulação do indivíduo.
As “limitações por aspectos emocionais” (27,39±44,51) são reflexos das condições emocionais no desempenho das atividades do cotidiano. Esse foi o aspecto com menor valor entre os demais domínios do SF36 e o segundo com maior desvio padrão, vindo ao encontro do grau de dependência de alguns idosos. Apesar disso, quando perguntados no QPIF sobre o que mais faz falta em suas vidas, apenas 9% informaram ser a autonomia: “Dirigir o caminhão com independência.” (JF, 60), “Poder ir às missas da igreja de Belo Horizonte sozinha.” (MCT, 71). Coutinho et al. (2011) demonstram o comprometimento deste domínio do SF36, em três diferentes grupos: idosos (86,67), idosos com DM (74,67) e idosos com DM e neuropatia (60,00), demonstrando o impacto negativo e gradativo nos aspectos emocionais de idosos com patologias crônicas. Um dos temores da velhice tem sido ao fato de depender do outro, por isso os familiares/cuidadores juntamente com a equipe de saúde devem contribuir para evitar ou ao menos adiar que isso aconteça (BRASIL, 2006c). o cuidador é muitos casos é capaz de suprir as necessidades geradas pela incapacidade funcional/dependência.
Não foi constatado em todos os domínios correlação com idade, apenas na “capacidade funcional” e o “estado geral de saúde”.
Enfim, constatou se com a amostra deste estudo que o idoso que permanece no domicílio tende a ter uma saúde mental e social preservada, mas isso não impacta positivamente nas limitações por aspectos emocionais, pois o fato de estar no ambiente domiciliar remete às lembranças das atividades que conseguia fazer com autonomia e independência.