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Basic Theory

2.2 Optical microscopy

2.2.4 Microscope Resolution

Este item tem como objetivo trazer uma reflexão crítica sobre a questão do gerenciamento de idosos com patologias crônicas, que como vimos, estão presentes de forma significativa na etapa da velhice.

Normalmente os idosos, sobretudo aqueles em idade mais avançada, possuem mais de uma patologia que, em sua maioria, são crônicas, exigindo assim, um contínuo acompanhamento clínico e medicamentoso (VERAS; CALDAS, 2009).

Em alguns casos o idoso evolui da patologia crônica para uma condição terminal e são encaminhados aos cuidados paliativos, definidos pela World Health Organizacion (WHO) (2002) como “abordagem que aprimora a QV dos pacientes e famílias que enfrentam problemas associados com doenças ameaçadoras de vida.” O objetivo não é prolongar ou reduzir a vida, mas proteger e amparar os pacientes que não possuem tratamentos medicinais para cura e reversão do quadro de saúde.

Em nosso país, segundo o § 1º do art. 230 da Constituição Federal de 88, “os programas de amparo aos idosos serão executados preferencialmente em seus lares” (BRASIL, 1990a). Mas apenas em 1994, com a Política Nacional do Idoso / Lei 8.842, passaram a ser regulamentadas as modalidades de atendimentos não asilares, sendo elas: centro de convivência, centro de cuidados diurnos, casa lar,

oficina abrigada de trabalho, atendimento domiciliar e outras formas de atendimento (BRASIL, 1997).

Dentre as diversas modalidades regulamentadas destaca se o atendimento domiciliar destinado a idosos dependentes, que passam a ser atendidos por serviços prestados por profissionais da saúde ou por membros da comunidade. E segundo Barry e Robinson (2001) podem inclusive substituir a assistência hospitalar, além de ser uma preferência da maioria dos idosos. Para Albuquerque (2003) o atendimento em domicílio ou em ambiente institucional às pessoas doentes, incapacitadas e/ou crônicas, tem por finalidade auxiliar no tratamento e/ou funcionamento efetivo da saúde.

Em 2006, a RDC nº 11 propôs os requisitos mínimos de segurança para o funcionamento de Serviço de Atenção Domiciliar (SAD) no Brasil, regulamentando as técnicas de funcionamento de serviços que prestam atendimento domiciliar, composta por instituições responsáveis pelo gerenciamento e operacionalização de assistência e/ou Internação Domiciliar (ID), sendo do âmbito público ou privado.

De acordo com a resolução supracitada, é obrigatória a elaboração de um documento que contemple as medidas, orientação e atuação de todos os profissionais envolvidos na assistência de cada paciente em seu domicílio, desde sua admissão até a alta, conhecido como Plano de Atenção Domiciliar (PAD).

O Caderno de Atenção Básica de Saúde – no 19 apresenta a importância do conhecimento técnico assistencial e da capacidade de resolução de problemas no gerenciamento do cuidado das pessoas idosas portadoras de patologias crônicas. Demonstra também a necessidade da criação de espaços de discussão da equipe, da rede social e dos envolvidos no cuidado do idoso, que atuam de forma inter relacionada no desempenho das atividades conforme as demandas (BRASIL, 2006b).

Através da Portaria nº 738/2002 o MS implantou a AD Geriátrica realizada pelos centros de referência em assistência à saúde do idoso, no SUS (BRASIL, 2002). Ainda neste âmbito foi implementada em 2006 a Portaria nº 2.529 instituindo a ID enquanto conjunto de atividades prestadas às pessoas clinicamente estáveis, mas com demanda de intensos cuidados em domicílio e amparadas por equipe de saúde. Ressaltando se no art. 6º a garantia e retaguarda no período da noite e finais de semana em domicílio apenas para as pessoas sob cuidado das equipes de ID (BRASIL, 2006d).

O SAD é um termo genérico que envolve ações de PS, prevenção, tratamento de doenças e reabilitação desenvolvidas em domicílio. Sendo importante salientar a diferença entre ID ou Home Care, que são as atividades prestadas em tempo integral ao paciente com quadro clínico complexo e que necessita de tecnologias especializadas, e a AD, composta por atividades de caráter ambulatorial, programadas e continuadas (BRASIL, 2006f). O GCC é um programa de AD.

No âmbito das políticas públicas e em ações da esfera privada há diversos programas de prevenção e promoção, mas neste estudo será focado o programa GCC que objetiva apoiar, acompanhar e orientar portadores de patologias crônicas e seus respectivos familiares/cuidadores, através de visitas de equipe interdisciplinar em domicílio. Esse programa acompanha pessoas de todas as idades, mas neste estudo foram avaliados apenas os pacientes maiores de 60 anos.

O GCC tem como primeiro objetivo atender a população crônica aumentando valor agregado da OPS, auxiliando os pacientes na conquista de melhores cuidados com a saúde e reduzindo internações e atendimentos ambulatoriais (CHAVES; COSTA, 2008). Este programa pode ser desenvolvido pelas OPS através da parceria com corporações de AD, consultores particulares, serviços de managed care, outros fornecedores de assistência ou implantação de equipe própria dentro da OPS (BARRY; ROBINSON, 2001).

Para Diogo e Duarte (2006) faz se necessário observar seis pontos quando se trata de AD gerontológica:

O Idoso: pessoa única, inserida num contexto familiar e social com o qual interage continuamente;

A família: condição básica para o sucesso de qualquer intervenção domiciliar; O contexto domiciliar: o domínio do ambiente é das pessoas que nela residem, por isso a equipe tem que ter autorização para entrar;

O cuidador: é de fundamental importância na concretização do um programa; A equipe interdisciplinar: a colaboração mútua de todos os profissionais conduz ao alcance das metas do PAD;

A Fonte pagadora: em caso de programas que não sejam fornecidos como benefício por OPS ou pelo SUS, o paciente e familiares devem ser comunicados sobre as despesas da AD.

Ao compreender esses seis pontos sobre a AD gerontológica salienta se que o foco principal é o idoso, mas para que as metas sejam alcançadas é fundamental a interação entre todos os envolvidos no cuidado.

A proposta do GCC é prestar suporte e orientação ao idoso, familiares/cuidadores, através da equipe interdisciplinar, composta por médico, enfermeiro, assistente social, nutricionista, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, psicólogo e terapeuta ocupacional. As visitas são previamente programadas para realização de procedimentos específicos pelos membros da equipe interdisciplinar. A periodicidade das visitas depende da complexidade física, social e mental do idoso, estabelecidas no PAD.

Os profissionais da equipe devem trabalhar em conjunto em prol do idoso com doenças crônicas (GALLO et al., 2001). No caso do GCC, além do apoio da equipe, o familiar/cuidador é o grande elo entre profissionais e o idoso, pois este é responsável pela atenção em domicílio, em período integral.

Direcionar a atenção bio psico social aos idosos portadores de patologias crônicas auxilia nas conquistas individuais e coletivas. Fundamentando se nas diretrizes da PS e nas leis e regulamentações, pode se promover o empoderamento e incentivar se a autonomia e a independência da pessoa idosa.

Engler (2007) afirma a necessidade de intervenções para melhorar todos os aspectos da QV dos idosos, além disso, o início tardio dessas ações impacta diretamente no valor financeiro a ser desembolsado para realizá las. Apostando nessa idéia, as OPS desenvolvem programas de PS vislumbrando a redução de custos assistências, através do efetivo monitoramento dos clientes crônicos.

A Disease Management Association of America (DMAA) (2004) estruturou metodologias de avaliações de programas como o AD e apresentou alguns critérios que auxiliam no resultado financeiro, como: incluir clientes no programa que tenham no mínimo seis meses de contrato com a OPS; excluir das medidas de impacto clínico as pessoas com: Insuficiência Renal Crônica (IRC) em Hemodiálise, HIV/AIDS, Transplantes, Cânceres com tratamentos ativos e hemofilia, pois os tratamentos para essas patologias são considerados em sua maioria de alto custo.

Quanto aos custos, Barry e Robinson (2001, p. 520) afirmam que “continua controverso se os custos da AD em geral são compensadores.” Por isso, os programas desenvolvidos para uma população sem perfil, têm menores chances de alcançar os resultados desejados, em termos de custo. Inclusive no GCC avaliado

no presente estudo, são incluídas apenas as pessoas que preenchem todos os critérios de inclusão, sendo eles: ser portador de patologia crônica, possuir o plano de saúde que lhe proporcione este programa de benefício, morar na região de abrangência do programa, ter no mínimo um cuidador e um médico assistente de referência.

São escassas as pesquisas que avaliam a relação da eficácia dos programas de AD e o custo benefício para OPS, mas com o aumento dos serviços de saúde fornecidos em domicílio, os profissionais devem estar capacitados a fornecer uma atenção especializada e adequada, a fim de minimizarem os custos e maximizarem a QV dos envolvidos, por isso pesquisas nesta área devem ser elaboradas.

Na revisão de literatura discutimos os principais fatores que influenciam a percepção de QV do idoso, além de conhecer: a realidade da saúde brasileira, a necessidade do desenvolvimento de programas de promoção da saúde, tal como o GCC; os impactos do envelhecimento na vida do sujeito e as mudanças geradas por um ente idoso e portador de patologias no âmbito familiar.

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Desenvolver uma pesquisa não significa se apropriar do senso comum, ao contrário, é preciso embasar teoricamente todos os processos a serem percorridos. Não menos importante, os resultados também precisam estar pautados nos métodos validados de avaliação.

Segundo Hartz (1997) o âmbito da saúde desenvolve estudos a partir de indicadores, e Pereira (1995) reforça a necessidade de desenvolver indicadores positivos, que avaliem níveis de bem estar, QV, satisfação e não apenas negativos (mortalidade, morbidade, entre outros).

O poder público brasileiro possui uma gama de indicadores de saúde que podem ser divididos em dois tipos de registros: os contínuos, dados coletados e atualizados com maior frequência, como o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan), entre outros, e os periódicos ou ocasionais, que apresentam informações dos recenseamentos decenais, as pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a PNAD, investigações esporádicas e outros (PEREIRA; REBOUÇAS, 2006).

Em decorrência da necessidade de produção e disponibilização de informações dirigidas à formulação, gestão e avaliação de políticas e ações públicas de saúde, foi instituída pelo Ministério da Saúde (MS) em cooperação com a Organização Pan Americana da Saúde (OPAS), em 11 de dezembro de 2006, através da portaria 2.390, a Rede Interagencial de Informações Para a Saúde (RIPSA) (RISI JUNIOR, 2006)

A Matriz de Indicadores Básicos da RIPSA apresenta o conjunto de aproximadamente 100 indicadores selecionados pelos critérios de: a) relevância para a compreensão da situação de saúde, suas causas e consequências; b) validade para orientar decisões de política e apoiar o controle social; c) identidade com processos de trabalho na gestão do SUS; e d) disponibilidade de fontes de dados: bases, sistemas ou estudos nacionais (RISI JUNIOR, 2006, p.1051).

A RIPSA também contribui para a elaboração de indicadores, promovendo e disponibilizando dados básicos, analisando as questões de saúde e auxiliando na formulação, gestão e avaliação de políticas e ações públicas (RIPSA, 1996).

Os fatores que influenciam a saúde não devem ser analisados isoladamente, devido à multiplicidade de condicionantes e à complexidade de suas articulações (HARTZ, 1997). Dessa forma, esta pesquisa buscou atender aos seguintes indicadores:

Índice da percepção do idoso atendido pelo GCC sobre a própria QV. Para Albuquerque (2003), “o sistema de indicadores de QV fundamenta se em um esquema teórico de desenvolvimento baseado no homem e na satisfação de suas necessidades.”

Índice de sobrecarga da família/cuidador do idoso atendido pelo GCC. Para Lievre (2002), o contexto no qual uma ação está sendo desenvolvida deve ser analisado.

Índice de economia gerada pela OPS, através do acompanhamento dos idosos pelo GCC. O indicador, em geral, é um dado estatístico e há diversas formas de expressá lo (PEREIRA, 2006).

6.1DELINEAMENTO DA PESQUISA

Esta pesquisa é empírica de natureza quantitativa e qualitativa (mista), pois foram utilizados métodos e instrumentos das duas naturezas. Para Minayo e Sanches (1993, p. 245) “o material primordial da investigação qualitativa é a palavra que expressa a fala cotidiana, seja nos discursos intelectuais, burocráticos e políticos.” Esse método aprofunda a complexidade de fenômenos, fatos e processos particulares e específicos do indivíduo e do coletivo. O método quantitativo traz à luz dados, indicadores, e tendências observáveis (MINAYO; SANCHES, 1993).

Segundo Pondé (2003) alguns cientistas buscam compreender melhor a realidade do objeto de estudo, através da utilização de múltiplos métodos. A partir da visão mista foi utilizada a metodologia de estudo de triangulação, que utiliza métodos diferentes em um mesmo estudo com o objetivo de sanar os erros de cada método.

Para Clark (1951 apud FLICK, 2009, p. 61) “a triangulação é o método de localização de um ponto a partir de dois outros cuja distância entre si é conhecida, dados os ângulos do triângulo formado pelos três pontos.” Desta forma, em uma ponta estão os dados quantitativos, na outra os dados qualitativos e na terceira o pesquisador que analisa as duas vertentes, a fim de unir as informações relevantes e encontrar um resultado pautado nas duas visões.

O estudo partiu de uma hipótese, buscando avaliar a realidade vivida pela amostra da pesquisa.