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2 Theoretical framework

2.1 Role of libraries

2.1.3 The importance of libraries to minorities

A elaboração de uma matriz de características ambientais baseia-se na premissa de que para compreender a dinâmica dos processos que configuram um sistema ambiental é necessário, em princípio, reconhecer os elementos que o constituem, bem como os sub-processos que o estruturam (TROPMAIR, 2004; PASSOS, 1988). Com isso, o estudo da paisagem5 e a verificação dos elementos físicos, biológicos e antrópicos que se interagem no espaço é essencial para a avaliação dos condicionantes ambientais das nascentes.

5 Utilizando-se aqui o conceito apresentado por Bertrand (2004, p. 141) em que a paisagem “é, em uma

determinada porção do espaço, o resultado da combinação dinâmica, portanto instável, de elementos físicos, biológicos e antrópicos que, reagindo dialeticamente uns sobre os outros, fazem da paisagem um conjunto único e indissociável, em perpétua evolução”.

Dessa forma, a matriz emerge como uma eficiente forma de organização dos dados – primários e secundários – levantados em função de um determinado sistema ambiental, neste caso, as nascentes. Além de facilitar a interpretação das relações intra-sistêmicas essa ferramenta permite a comparação quase imediata das diferenças entre os elementos que estruturam as nascentes.

A matriz elaborada a partir do estudo das nascentes dos Parques das Mangabeiras, Primeiro de Maio e Lagoa do Nado é apresentada como APÊNDICE A. Os parâmetros escolhidos para compor a matriz foram aqueles relatados na bibliografia consultada como importantes para compreensão da dinâmica e tipologia das nascentes. Além disso, foram incorporadas, também, variáveis fisiográficas que permitissem interpretar a qualidade ambiental, bem como indicadores de qualidade das águas. No APÊNDICE A, as linhas da matriz correspondem às nascentes identificadas; as colunas correspondem às características levantadas de forma primária ou secundária, as quais são:

ID: código identificador atribuído à nascente;

X, Y e Z: respectivamente, longitude, latitude e altitude da nascente – UTM-SAD 69 –,

calculados a partir da média de três pontos obtidos em equipamento GPS – modelo Garmin GPSMAP 76CSx – com o intuito de reduzir a imprecisão do aparelho6;

Parque: unidade de conservação na qual a nascente se encontra;

pH: potencial hidrogeniônico da água das nascentes medido diretamente em campo

com pHmetro. A medição foi realizada o mais próximo possível das nascentes, desde que a profundidade da lâmina d’água permitisse a inserção da sonda – aproximadamente 2 cm;

Coliformes: número mais provável de coliformes totais e fecais encontrados na água

das nascentes. A medição foi realizada pelo kit microbiológico;

Si, Fe e Al: concentração de silício, ferro e alumínio, respectivamente, na água das

nascentes nos períodos de verão e inverno. O método consistiu na coleta de amostras de água e posterior análise laboratorial em fotocolorímetro;

6 Buscou-se auferir os pontos quando o aparelho apresentava imprecisão abaixo de 5 metros, sendo poucos os

Morfologia: padrão morfológico da nascente, verificado empiricamente em campo no

verão e no inverno com o auxílio de análises morfométricas;

Exfiltração: tipo de passagem da água subterrânea para a superfície, verificada

empiricamente no verão e no inverno;

Contato: tipo de superfície de contato existente no local de exfiltração da água.

Cabeceira: inserção – ou não – das nascentes em cabeceira de drenagem, verificada

empiricamente;

Canal: inserção – ou não – das nascentes em canais de drenagem, verificada

empiricamente;

Largura, profundidade e área do setor: características morfométricas do canal –

quando este existe – no qual se insere a nascente. Medidas diretamente por trena – em centímetros. A área do setor consiste na área ocupada pela água no canal em um setor de corte transversal do mesmo;

Área alagada: área – cm² – ocupada pela água superficial em nascentes que

apresentam feições brejosas ou pequenos lagos. Medida em campo, com raras exceções medidas em imagens de satélite – quando a medição em campo era impossível pelo grande tamanho da área;

Vazão: calculada em l/s no verão e no inverno, medida de forma direta através da

coleta da água – mais próximo possível dos pontos ou áreas de exfiltração – em sacolas plásticas adaptáveis ao substrato do fluxo, e medição do tempo em cronômetro digital. A água coletada é transportada para um medidor graduado, sendo realizada a leitura do volume7;

Razão de vazão: relação matemática entre a vazão de verão e de inverno da nascente. Migração: distância – cm – calculada entre a posição da nascente no verão e no

inverno;

7 Para minimizar os possíveis erros de coleta, foram feitas de três a cinco medições em cada nascente. A vazão é,

então calculada pela fórmula: Q = Σ (v/t) / n. Em que: Q é a vazão média observada (l/s); v é o volume de água (em litros); t é o tempo (em segundos); e n é o número de medições (PINTO et al., 2004).

Antrópica: existência – ou não – de indícios de gênese antrópica da nascente;

Vegetação: tipo – mata, capoeira, cerrado, etc. – e densidade – aberta, fechada, denso,

etc – de vegetação ocorrente na nascente e em seu entorno imediato;

Manto de intemperismo: espessura mensurável – cm – do manto de intemperismo na

nascente no verão e no inverno;

Lixo (resíduos sólidos superficiais): qualificação da magnitude de dejetos existente

nas nascentes no momento da visitação;

IIAN: índice de impacto ambiental macroscópico em nascentes, adaptado de Gomes et al. (2005a), que possibilita uma interpretação comparativa da qualidade ambiental e do

grau de proteção das nascentes;

Afloramentos rochosos: ocorrência – ou não – e posição dos afloramentos de rocha sã

em relação à nascente, verificado empiricamente;

Cor: cor do solo ou dos horizontes do solo, verificada em campo, a partir de tradagem

realizada nas imediações da nascente;

Textura: proporção das frações granulométricas do solo, averiguada em campo de

acordo com Santos et al (2005). As concentrações das frações granulométricas de amostras coletadas também serão analisadas em laboratório;

Dureza: consistência do solo seco, averiguada em campo de acordo com Santos et al

(2005);

Friabilidade: consistência do solo úmido, averiguada em campo de acordo com Santos et al (2005);

Plasticidade: capacidade de deformação do solo, averiguada em campo de acordo com

Santos et al (2005);

Pegajosidade: capacidade de aderência do solo, averiguada em campo de acordo com

Usos (atividades humanas – usos do solo e da água): tipo de uso verificado nas

nascentes, verificado empiricamente com o auxílio de entrevistas com funcionários dos parques;

Impactos ambientais: estágio de degradação refletido em transformações ambientais

nas proximidades das nascentes estudadas, verificado empiricamente com o auxílio de entrevistas com funcionários dos parques;

Substrato geológico: formação geológica na qual se insere a nascente. Obtido de

forma secundária a partir das informações de SILVA et al (1995);

Estrutura geológica: existência – ou não – de lineamentos estruturais nas

proximidades das nascentes, segundo mapeamento de SILVA et AL (1995);

Declividade: classe de declividade da vertente na qual se insere a nascente8. Obtido pelo Modelo Digital de Terreno gerado a partir de curvas de nível de eqüidistância de cinco metros, fornecidas pela PBH;

Bacia: unidade hidrográfica na qual se insere à nascente, identificada pela carta

topográfica e numerada devido à inexistência de denominações.