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7 Discussion

7.2 Discussion related to classification

Impermeabilização do solo

Aumento da quantidade e da velocidade do escoamento superficial. Redução da recarga dos aqüíferos. Intensificação dos processos erosivos, aumento da carga sedimentar para os cursos d´água, assoreamento e inundações.

Descaracterização. Redução da vazão. Desaparecimento.

Resíduos líquidos e sólidos (combustível, esgoto, lixões, etc.)

Poluição das águas subterrâneas. Redução na qualidade da água.

Retirada de água subterrânea Rebaixamento do nível freático. Redução da vazão. Desaparecimento.

Retirada da cobertura vegetal

Intensificação dos processos erosivos, assoreamento, inundações.

Diminuição da retenção de água. Aumento da energia dos fluxos superficiais.

Descaracterização. Redução da vazão. Desaparecimento.

Construções Drenagem de nascentes. Aterramento.

Descaracterização. Desaparecimento.

Canalização de rios

Aumento da velocidade e da energia dos fluxos.

Alteração no padrão de influência/efluência dos rios.

Descaracterização. Redução da vazão.

Ilha de calor Alteração no padrão de chuvas.

Alteração no padrão de recarga. Alteração da vazão. Fonte: Elaboração do autor.

Assim, acredita-se que as principais conseqüências das intervenções urbanas na dinâmica das nascentes são as alterações de vazão. Em casos extremos, a redução do fluxo pode significar o desaparecimento da nascente, sua transformação em nascente temporária ou sua migração para jusante. Isso se explica pelo fato dos sistemas hidrológicos envolverem uma cadeia de processos interconectados, nos quais a ruptura dos fluxos de energia e matéria altera sua dinâmica e as características das nascentes.

Em Belo Horizonte, sabe-se que a substituição de matas e capoeiras nas margens das nascentes por loteamentos é um processo complexo, inerente à metropolização, porém com conseqüências graves. Segundo Genrich (2002), em 1994 todas as nascentes da alta porção da bacia do córrego Vilarinho – região de Venda Nova, no norte de Belo Horizonte – apresentavam cursos d’água em canais naturais com margens vegetadas, porém, em 2001, verificou-se que várias nascentes foram canalizadas ou mesmo extintas.

Como afirmado anteriormente, os fluxos de água em subsuperfície são de suma importância na manutenção do equilíbrio hidrológico e determinantes na configuração espacial das nascentes. Por isso, intervenções nos processos de infiltração e percolação tendem a modificar os padrões dos fluxos subterrâneos e, conseqüentemente, a exfiltração em zonas de descarga – baixo potencial hidráulico. Intervenções diretamente nos aqüíferos como drenagem subterrânea para construções ou retirada de água para consumo, alteram os volumes de água do nível freático, impactando as nascentes.

Deste modo, proteger pontualmente as áreas de nascentes não garante a manutenção do equilíbrio hidrológico, já que elas são o resultado de uma dinâmica complexa da água que envolve desde a recarga até a descarga, promovida por processos superficiais e subsuperficiais. Alterações nos volumes de água subterrânea e nas áreas superficiais à montante das nascentes são potencialmente impactantes às nascentes, nesse sentido, a bacia hidrográfica ganha importância como unidade de gestão.

7.2. Aplicação do Índice de Impacto Ambiental em Nascentes – IIAN

Apesar da notável importância das unidades de conservação na manutenção do equilíbrio ambiental e na minimização das interferências antrópicas, não se pode ignorar a existência de impactos no seu interior. A delimitação dessas unidades não impede a influência do entorno, tampouco seus usos podem ser desconsiderados na alteração da paisagem.

No caso de parques urbanos, o entorno configura-se como um espaço construído complexo, onde a densidade – de pessoas, serviços, bens materiais e imateriais, etc. – é chave de interpretação. Nesse sentido, é praticamente inevitável que as unidades de conservação reflitam conseqüências ambientais das alterações promovidas em seus entornos. Porém, ainda assim, nessas áreas verdes encravadas na metrópole se encontram as maiores manifestações de equilíbrio ambiental.

Considerados como um conjunto de modificações no meio promovidas pelas atividades humanas, com efeito ecológico, econômico e social (SINGER, 1985 apud GENRICH, 2002), os impactos ambientais foram avaliados neste trabalho a partir da interpretação visual e subjetiva das nascentes. Como técnica, utilizou-se o Índice de Impacto Ambiental em Nascentes – IIAN –, apresentado por Gomes et al (2005a).

Gomes et al (2005a) elaboraram uma classificação do grau de impacto de nascente simples, prática, didática e com resultados satisfatórios. Segundo os autores, a proposta baseou-se na Classificação do Grau de Impacto de Nascente do Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos de Portugal e no Guia de Avaliação da Qualidade das Águas da Rede das Águas44.

O objetivo deste procedimento foi de verificar de forma qualitativa o grau de proteção em que as nascentes se encontram. Para tanto, o Índice de Impacto Ambiental em Nascentes – IIAN – foi relido criticamente, de forma a adaptar suas variáveis às necessidades e objetivos deste trabalho, sem, entretanto, ferir os pressupostos metodológicos originais45. A técnica consiste na avaliação sensorial – macroscópica – e comparativa de alguns elementos-chave na identificação de impactos ambientais e suas conseqüências sobre a qualidade das nascentes.

Assim, os onze parâmetros escolhidos para avaliação são qualificados de acordo com o QUADRO 4. O atributo definido – bom, médio ou ruim – é convertido em um escore. O somatório dos escores creditados a cada parâmetro consiste no índice. Como não há pesos, o máximo valor do índice neste trabalho é 33 – quando todos os parâmetros são considerados “bons” – e o mínimo 11 – quando todos os parâmetros são considerados “ruins”. Por fim, o QUADRO 5 apresenta a interpretação desses valores.

Considerando que todas as nascentes avaliadas pelo IIAN encontram-se no interior de unidades de conservação, pode-se afirmar que os resultados obtidos foram preocupantes e reiteram a complexidade da proteção ambiental em áreas metropolitanas. Apesar de uma análise friamente quantitativa guiar para uma resposta otimista em relação ao grau de proteção das nascentes nos parques estudados, a espacialidade dos IIAN demonstra que a realidade de cada um dos parques é consideravelmente distinta.

44

Para maiores informações sobre os órgãos: <http://snirh.pt>; <http://www.rededasaguas.org.br>.

45 As adaptações realizadas foram motivadas pelo fato de as nascentes deste estudo encontrarem-se em unidades

QUADRO 4: METODOLOGIA DO ÍNDICE DE IMPACTO AMBIENTAL MACROSCÓPICO EM