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8 Conclusion

8.1 Limitations and further studies

A interpretação da qualidade das águas é essencial para a qualidade ambiental latu senso. Primeiramente, pelo fato dos meios hídricos configurarem-se como importantes ecossistemas, necessários para o equilíbrio ambiental. Em segundo lugar, pela peculiaridade que os recursos hídricos possuem de sintetizar a dinâmica ambiental de um espaço, em função de sua extrema sensibilidade a impactos.

A literatura acadêmica relata uma série de parâmetros utilizados para qualificar as águas. Em meio urbano, as principais fontes de poluição dos ambientes hídricos são associadas a deficiências no saneamento (CARMO, 2002). Nessas condições, microorganismos patogênicos existentes nos efluentes podem entrar em contato com os corpos hídricos, alterando sua qualidade. Além disso, o risco de contaminação vulnerabiliza a população que utiliza a água.

Nesse sentido, a qualidade das águas deve ser, inevitavelmente, atrelada ao uso que é feito – ou pretende-se fazer – do recurso (VON SPERLING, 2005). No contexto brasileiro, a Resolução CONAMA no 357 estipula níveis toleráveis de alteração de diversos parâmetros de qualidade de água para diversas finalidades (BRASIL, 2005). Resumidamente, pode-se afirmar que usos mais nobres – como abastecimento doméstico ou lazer – exigem qualidade das águas superior; por outro lado usos menos nobres – como diluição de efluentes ou navegação – permitem maior nível de alteração dos parâmetros de qualidade.

Dentre os parâmetros biológicos de qualidade da água, destacam-se os microorganismos patogênicos. Sendo que

os microorganismos desempenham diversas funções de fundamental importância, principalmente as relacionadas com a transformação da matéria dentro dos ciclos biogeoquímicos. (...) [Porém] Outro aspecto de grande relevância em termos da qualidade biológica da água é o relativo à possibilidade de transmissão de doenças (VON SPERLING, 2005. p. 43).

Em termos biológicos, a presença de microorganismos patogênicos na água é essencial na interpretação de seu nível de poluição/contaminação. Doenças veiculadas pela água respondem por 70% das ocorrências médicas no mundo (BARBOSA; BARRETO, 2008), sendo que as principais patogenias são a cólera, febre tifóide e paratifóide, gastrenterite, salmonelose e diarréias (MORMUL et al, 2006; VON SPERLING, 2005).

Considerando que os agentes patogênicos de veiculação hídrica têm em comum sua origem nas fezes de indivíduos doentes ou portadores de doenças, uma alternativa para a avaliação da qualidade microbiológica da água é o exame de indicadores de contaminação fecal (MORMUL et al, 2006. p. 37).

Todavia, há uma grande dificuldade metodológica – relacionada aos custos da pesquisa – de mensurar de forma direta os microorganismos patogênicos presentes em uma amostra de água (VON SPERLING, 2005). Assim, a possibilidade de transmissão de doenças pela água pode ser avaliada de forma indireta, através de organismos indicadores de contaminação fecal. Estes não são necessariamente patogênicos, mas sua origem – intestino de animais de sangue quente – aponta para a presença de outros microorganismos entéricos, porém, patogênicos (MORMUL et al, 2006; VON SPERLING, 2005).

Para tanto, as bactérias do grupo Coliformes tem sido os principais indicadores biológicos de contaminação fecal e risco de presença de organismos patogênicos (VON SPERLING, 2005). Diversos gêneros de bactérias pertencem ao grupo Coliformes, sendo que nem todos são indicativos de contaminação fecal (MORMUL et al, 2006; GOMES et al, 2005b). Nesse sentido, sobretudo os chamados Coliformes fecais46 são de extremo interesse, ao englobar os gêneros entéricos Escherichia, Enterobacter e Klebisiella.

Outro gênero de bactérias potencialmente causadoras de doenças e com veiculação hídrica é o

Salmonella sp. Da mesma forma que os Coliformes fecais, a Salmonella possui ciclo de vida

entérico, sendo indicativo de poluição por fezes. Ademais, é causadora de patogenias consideravelmente perigosas à saúde humana.

Segundo Brasil (2004), bactérias do grupo coliformes não podem estar presentes na água destinada ao consumo humano, incluindo fontes individuais como poços, minas, nascentes, dentre outras. Todavia,

Em amostras individuais procedentes de poços, fontes, nascentes e outras formas de abastecimento sem distribuição canalizada, tolera-se a presença de coliformes totais, na ausência de Escherichia coli e, ou, coliformes termotolerantes, nesta situação devendo ser investigada a origem da ocorrência, tomadas providências imediatas de caráter corretivo e preventivo e realizada nova análise de coliformes. (BRASIL, 2004. Art. 11, § 9º).

Porém, essa realidade não é verificada nos trabalhos de Mormul et al (2006) e Gomes (2005b), realizados respectivamente nas cidades de Campo Mourão-PR e Uberlândia-MG,

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Também chamados na literatura mais recente de Coliformes Termotolerantes, devido à característica do seu ciclo de vida de tolerância a temperaturas mais elevadas. Neste trabalho, utiliza-se ambas denominações indiscriminadamente, em concordância com as definições apresentadas por Von Sperling (2005).

nos quais em todas as nascentes estudadas foram encontrados indivíduos do grupo

Coliformes, inclusive do tipo fecal – termotolerante.

No intuito de qualificar a água das nascentes estudadas em parques urbanos de Belo Horizonte, neste trabalho, foi verificada a presença e contabilizado o número de Unidades Formadoras de Colônias – UFC – para Coliformes totais, Coliformes fecais e Salmonella sp. em todas as nascentes perenes identificadas. A metodologia utilizada foi do kit microbiológico da Alfakit, que mensura a presença de microorganismos a partir da formação de colônias em fita indicadora incubada entre 36 e 37oC por 15 horas.

As coletas foram realizadas nos trabalhos de campo de inverno, nos meses de junho e julho de 2009. Por isso, somente 58 nascentes tiveram seus parâmetros microbiológicos avaliados, justamente aquelas que mantinham fluxos no período de estiagem pluviométrica. Todas as coletas foram realizadas com o mínimo de contato possível na água das nascentes, tendo sido, em todos os casos, o primeiro procedimento realizado no local de estudo.

Os resultados obtidos nas análises, juntamente com os dados de pH medido nas nascentes, são apresentados na TAB. 3.

TABELA 3 - PARÂMETROS MICROBIOLÓGICOS E