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2 Theoretical framework

2.2 Collection development and management

Estudos que envolvam a dinâmica e a variabilidade dos sistemas ambientais devem ter o cuidado de interpretar as condições climáticas regionais para evitar o comprometimento dos resultados. No caso belo-horizontino, a dupla estacionalidade do clima exige que levantamentos ligados à dinâmica hidrológica sejam realizados ao menos duas vezes: no período seco e no período chuvoso.

O balanço hídrico (FIG. 7) mostra que de dezembro a março, há um excesso de água no ambiente, condicionado pelo período chuvoso que se inicia em setembro-outubro e se estende até o final de março. No período de abril a setembro, a evapotranspiração potencial supera a precipitação, o que caracteriza até junho uma fase de retirada de água do solo e de julho a

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A declividade foi calculada por triangulação no software ArcGIS, sendo que cinco classes foram determinadas pelo método estatístico de quebra natural. Foi considerada a classe de declividade resultante do modelo no triângulo em que o ponto correspondente à nascente se insere.

setembro uma típica deficiência hídrica. Com o aumento das chuvas, em outubro e novembro o balanço hídrico é positivo, realimentando os aqüíferos superficiais.

Sabendo-se que há uma relação direta da vazão dos corpos d’água com a dinâmica hidrológica regional (PINTO et al., 2004; KNIGHTON, 1984; CHRISTOFOLETTI, 1981), acredita-se que no período de dezembro a março, as nascentes, principalmente aquelas alimentadas pelos aqüíferos granulares superficiais, tendem a apresentar maior volume de água em exfiltração. Por outro lado, essa vazão tende a ser reduzida gradativamente até o período de mínimo fluxo, entre julho e setembro. As primeiras chuvas da primavera revertem o processo e as vazões tendem a aumentar a partir de outubro.

Assim, os trabalhos de campo foram organizados de forma que todas as nascentes estudadas fossem visitadas duas vezes: a primeira no período de excesso hídrico e a segunda no período de deficiência hídrica. O principal motivo desse procedimento é o de evidenciar os comportamentos sazonais das nascentes, elucidando possíveis modificações em termos de dinâmica ou mesmo da qualidade da água. Além disso, somente a visita no período de estiagem pode garantir a classificação de um curso d’água como perene, intermitente ou efêmero.

FIGURA 7 – Balanço hídrico e armazenamento de água no solo de Belo Horizonte (1961-1990). Fonte: http://www.inmet.gov.br/agrometeorologia/balanco_hidrico_climatico/. Acesso dia 29/09/2009.

Primeiramente foi realizado, em 14 de julho de 2008, um trabalho de campo piloto em duas nascentes com localização conhecida no município de Lagoa Santa-MG – norte de Belo Horizonte – com o intuito de testar os procedimentos metodológicos adotados. A escolha da localidade para o campo piloto deveu-se ao conhecimento prévio da área pelo autor, bem como à facilidade de localização das nascentes existentes. Verificou-se, que os procedimentos eram adequados para a realização da pesquisa, exceto aqueles previstos para o cálculo da vazão. Anteriormente, acreditava-se que a utilização de flutuadores para a medição da

velocidade do fluxo, associado ao cálculo da área do setor, fosse o melhor procedimento – método seção-velocidade. A lentidão dos fluxos e a pequena profundidade da lâmina d’água impossibilitaram esse procedimento. Assim, ficou estabelecido que a utilização de medidores graduados era o procedimento ideal para o cálculo de vazão em nascentes, tendo sido adotado na pesquisa.

Outros procedimentos também foram avaliados todos, porém, apresentando severos impedimentos a sua utilização. As “Calhas Parchall” apresentam problemas quanto à vazão mínima registrável – aproximadamente 2,7 l/s, valor superior ao de todas as nascentes estudadas –, além disso, as intervenções necessárias para a implantação do aparelho causariam considerável impacto na unidade de conservação. Outra possibilidade seria a utilização de “Placas de Orifício”; porém a necessidade de uma lâmina d’água com altura determinada, também a inviabiliza.

O melhor procedimento seria a utilização de “Turbinas Pelton”; por serem adaptadas às baixas vazões, haveria a possibilidade da aplicação em nascentes, porém, são construídas para mensurar intervalos de vazões muito restritos, por exemplo, entre 0,0015 a 0,0125 l/s. Tal característica demandaria a obtenção de uma série de turbinas para contemplar todas as magnitudes de vazões encontradas, o que ocasionaria um aumento considerável dos custos do trabalho. Além disso, essas turbinas, devido ao pequeno tamanho de seus aparatos mecânicos, só podem ser utilizadas em líquidos isentos de sólidos em suspensão, variável incontrolável em campo (INCONTROL, 2005). Com isso, considerou-se que para os fins deste trabalho, o procedimento mais adequado para mensurar a vazão era, de fato, a utilização de medidores graduados. Além do baixo custo, as limitações existentes nos demais procedimentos, os inviabilizam.

No verão, o primeiro parque a ser visitado para a identificação de nascentes foi o Mangabeiras, de acordo com os critérios de seleção acima descritos. Neste parque, havia um trabalho anterior que orientou a elaboração de um mapa das nascentes existentes (BERTACHINI, [s.d.]). Essas informações, juntamente com aquelas obtidas por procedimentos de sensoriamento remoto foram as bases para a identificação de pontos para visitação no parque, os quais teriam alta probabilidade de ocorrência de nascentes.

As visitas ocorreram nos dias 09 e 11/12/2008, 20, 21, 22, 27, 28 e 29/01/2009. Com o auxílio de monitores do parque, a equipe de campo percorreu diversas trilhas e seguiu os principais

cursos d’água existentes para a localização das nascentes. Além das informações trazidas de gabinete, o conhecimento dos funcionários do parque foi essencial para a catalogação de nascentes que ainda não haviam sido estudadas e que os métodos remotos não permitiram antever.

Após a organização e sistematização dos dados em meio digital, verificou-se algumas lacunas que foram preenchidas por novas campanhas realizadas nos dias 05 e 19/03/2009. Todo o trajeto foi percorrido a pé, o que possibilitou o estudo de diversas nascentes desconhecidas, inclusive, pelos funcionários do parque. Dessa forma, totalizou-se um percurso de aproximadamente 120km no interior do Parque das Mangabeiras. Por fim, foram identificadas 60 nascentes, um número consideravelmente maior do que às 21 cadastradas no estudo anterior (BERTACHINI, [s.d.]).

Os outros dois parques, devido à menor extensão territorial, demandaram um menor número de campanhas de campo. Assim como o Parque das Mangabeiras, o Parque Lagoa do Nado também possui estudos anteriores que, ainda que não tivessem esse objetivo, identificaram a existência de três nascentes (MOURA; SAADI, 1989). As visitas de verão foram realizadas nos dias 03, 04, 05, 10, 12 e 25/03/2009. Novamente o auxílio dos funcionários do parque foi imprescindível para a localização das nascentes. Com isso, foram identificadas 12 nascentes após um percurso total de aproximadamente 35km pelas trilhas do parque. As poucas lacunas restantes após os trabalhos de campo no Parque Lagoa do Nado foram sanadas em uma última visita de campo realizada no dia 04/04/2009.

O Parque Primeiro de Maio, de menor extensão territorial, foi visitado para os trabalhos de campo de verão nos dias 16, 18, 20 e 23/03/2009. O parque foi recentemente inaugurado, já tendo sido catalogadas todas as nascentes. Muitas delas, inclusive, possuem placas de identificação para a visualização pelos usuários. Com isso, a distância percorrida foi consideravelmente menor – aproximadamente 12km – e a localização das nascentes, facilitada. Todavia, não foi encontrado qualquer trabalho acadêmico ou mesmo de origem pública que versasse sobre as nascentes no interior desse parque. Por fim, sete nascentes foram estudadas no Parque Primeiro de Maio.

Devido a um problema com o equipamento de campo, houve a necessidade de retorno no Parque Primeiro de Maio no dia 04/04/2009 para a medição do pH de uma das nascentes.