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3 The Financial assistance programs as challenge to the pre-crisis constitution

3.3 The structure of the financial assistance mechanisms. Commitments and competences

3.3.3 The European Financial Stabilisation Mechanism (EFSM)

Vimos como a crítica ao substancialismo e o uso regulador do principio da cópia ligavam- se à afi aç oà daà dife e çaà o oà p i ípio:à todasà asà ossasà pe epç esà disti tasà s oà e ist iasàdisti tas .àAo atomismo das percepções corresponderá o associacionismo nas ideias. Não havendo substâncias, a objetividade dos objetos correlata à constituição de um sujeito provido de faculdades é efeito de princípios no dado: efeito do princípio hábito, efeito do princípio do prazer e efeito do princípio de associação de ideias. Se o que há é a absoluta distinção dos mínimos componentes da mente ou espírito – não estando nela contidos, nem sendo representações de um sujeito constituído -, o próprio processo de constituição do pensamento (ligação de ideias) e de apreensão do sensível como Mundo ou Natureza, como uma totalidade regulada por leis cuja existência independe do sujeito e em cujo ato de constituição o sujeito se constitui, crendo, é efeito de princípios. E à Hu e,à aà e teà u aà apreende qualquer conexão real entre e ist iasàdisti tas (DELEUZE, 2001, p. 16). As conexões entre as ideias vêm de fora – isto define o associacionismo. Neste plano de experiência pura, de nada nem de ninguém, como ponto de partida anterior à gênese do Mundo e do sujeito que, está privado de toda a consistência eà destituídoà deà suaà posiç oà do i a te ,à dizà á audà Bouaniche,

são as relações que passam ao primeiro nível de análise. Resulta desta supressão do sujeito como centro ou polo de referência, um mergulho nas multiplicidades moventes que entram em relação umas com as outras segundo uma lógica das relações. O empirismo tem, com efeito, duas vertentes: um atomismo segundo o qual não há senão termos, ideias e impressões, e um associacionismo segundo o qual as relações (causalidade, contiguidade, conjunção, etc.) são exteriores aos termos (BOUANICHE, 2007, p. 58).

Se as ideias são entidades independentes, relacionadas por princípios exteriores, e a mente ou o espírito não é mais que o movimento de sucessão entre elas, desprovido de qualquer necessidade intrínseca, como é possível ao eu apreender-se a si no decurso dos pensamentos? Como se encontra um sujeito lá onde o que há é pura exterioridade? Hume não soube como resolver o problema da identidade pessoal, impedido de renunciar ao atomismo e ao associacionismo e reconhece as contradições daí decorrentes. Bergson teria criticado as psicologias associacionistas justamente neste ponto. O associacionismo e o atomismo – seu e oà apital , oriundo da importação do objeto próprio às ciências, os átomos, à psicologia – impossibilitariam explicar tanto a continuidade característica da duração temporal como, nos

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p o essosàasso iati os,àaàseleç oàdeàdete i adasàideiasàeàle a çasàeà oàout as.à áà aio à parte das objeções feitas ao associacionismo reduzem-se ao segui te ,àresume Deleuze,à aà igo ,à os princípios de associação explicam a forma do pensamento em geral, não seus conteúdos si gula es;àaàasso iaç oàape asàe pli aàaàsupe fí ieàdeà ossaà o s i ia,à aà osta à(DELEUZE, 2001, p. 96).à áà osta da consciência - Bergson definia assim o objeto das psicologias e da psicofísica de sua época, reivindicando para a filosofia outro método para apreender duração. O associacionismo erra ao substituir o fenômeno concreto, que se passa no espírito, por sua reconstrução artificial pela filosofia; confunde, assim, a explicação do fato com o fato nele mesmo ,àdizàBe gso ,

O eu toca, com efeito, o mundo exterior por sua superfície; e como esta superfície conserva a impressão das coisas, ele associará por contiguidade os termos que terá percebido como justapostos: é com ligações deste gênero, ligações de sensação simples e por dizer, assim dizer, impessoais, que a teoria associacionista convém (BERGSON, 2007, p. 123; negrito nosso)

A tendência geral para associar-se permanece tão obscura, nessa doutrina, quanto as formas particulares da associação ,àatualizava Bergson sua crítica em Matéria e Memória.

O associacionismo é obrigado a supor entre esses objetos atrações misteriosas, das quais não se saberia sequer dizer, de antemão, como da atração física, através de quais fenômenos irão se manifestar. Com efeito, por que uma imagem, que por hipótese basta a si mesma, buscaria agregar-se a outras, ou semelhantes ou dadas em contiguidade com ela (BERGSON, 1999, p. 193).

Deleuzeà e ate:à Oà í i oà ueà seà podeà dize à à ueà Hu eà foià oàp i ei oàaàpe sa à isso à (DELEUZE, 2001, p. 96), prosseguindo:

Diz-se a Hume que o dado não é um conjunto de átomos ou que a associação não pode explicar o conteúdo singular de um pensamento. O leitor, então, não tem por que surpreender-se ao encontrar no próprio texto que lê [de Hume] a refutação literal de todas essas objeções, que são, todavia, posteriores (DELEUZE, 2001, p. 120).

Nesta fragilidade acusada por Bergson no associacionismo, Deleuze vê a potência de Hume: a substituição da lógica de atribuição (isto é aquilo) ancorada numa metafísica das essências por uma lógica conjuntiva (isto e aquilo) (característica de seu conceito posterior de síntese disjuntiva) instaura de um plano de imanência ou plano radical de experiência pura - a demência ou o dado como fundo do espírito. Ainda, ao dizer que encontraríamos no texto humiano refutações às objeções colocadas, dentre outros, por Bergson, Deleuze mira a teoria humiana das paixões presente no Tratado.à áà es aà pessoaà podeà a ia à seuà a te à eà disposição, as suas impressões e ideias, sem perder a sua identidade ,àdiziaàHu e.à

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Quaisquer que sejam as mudanças que sofra, as suas várias partes continuam ligadas pela relação de causação. E, desta perspectiva, a nossa identidade com

relação às paixões serve para corroborar a nossa identidade com relação à imaginação, fazendo que as nossas percepções distantes se influencinumas às outras, dando-nos uma preocupação presente com as nossas dores e prazeres

passados ou futuros (HUME, 2010, p. 310; grifos nossos).

2.1.3.1. A Crítica em Matéria e Memória de Bergson ao atomismo e ao associacionismo

Deleuzeàdefi eàoàato is oà o oà aàteo iaàdasàideiasà ua do se considera as relações o oà e te io esà aà elas à eà oà asso ia io is oà o oà aà teo iaà dasà elaç esà ua doà estasà s oà o side adasà o oàe te io esà sàideias,àistoà ,à ua doàdepe de àdeàout asà ausas à DELEU)E,à 2001, p. 99). Justamente sobre esta dependência deà out asà ausas ài idiuàaà íti aàdi igidaàpo à Bergson ao associacionismo. Se em química eram os átomos os objetos privilegiados de conhecimento, concebidos como os menores elementos individuais, indivisíveis, unitários, exteriores uns aos outros e justapostos num espaço homogêneo (próprio à matemática), aspirando à cientificidade própria às ciências duras, a psicologia e a psicofísica teriam importado o atomismo, fazendo da consciência uma justaposição de estados mentais individuais, exteriores uns aos outros, e da própria percepção uma composição de elementos indivisíveis.

Outro erro, oriundo do atomismo, seria a perda do caráter pragmático ao considerarem aà pe epç o.à Naà filosofiaà e gso ia a,à elaà e o taà oà eal ,à o stitui do-o segundo as possibilidades de ação do homem: a objetividade dos objetos constitui-se junto à inscrição de certas lembranças úteis no ato perceptivo, respondendo a interesses vitais. A percepção das múltiplas sensações numa unidade objetiva deve-se a uma síntese temporal, a um mecanismo de seleção das lembranças voltado a possibilitar a melhor ação sobre as coisas. “e àisto,à veríamos nelas senão as sensações aglomeradas que a colorem; desconheceríamos as imagens e e o adasà ueàfo a àseuà ú leoào s u o (BERGSON, 2006, p. 277). Se entre lembranças e percepções existem apenas diferenças de graus, maior ou menor vivacidade (a única coisa que em Hume permite diferenciá-las), a memória é somatória de pálidas impressões, não é senão um depósito. Escapar-nos-ia a atividade das lembranças, o modo como investem a percepção, tornando-a útil. Pensar a passagem dos estados mentais de uns aos outros pela sucessão (o feixe

de percepções humiano) é justapô-los espacialmente; não se reconstrói a experiência da duração

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seus estados mentais. Entre eles, o que há é interpenetração, processo de atualização de lembranças puras ou virtuais nas percepções, e sua transformação em imagens-lembranças

processo descrito por Bergson em Matéria e Memória.

O método da intuição bergsoniano parte da imagem e do modo como o senso comum a compreende, prescindindo da oposição entre materialismo e idealismo, chegando a três termos: pe epç o ,à i age -le a ça à te oà i te edi io à eà le a çaà pu a .à H à p ofu daà solida iedade àe t eàeles;à ài possí elàaoàho e àe pe i e ta àu aàpe epç oàpu aàdasà oisas:à o real é recortado em vistas da ação, é investido por lembranças. As lembranças atualizadas em imagens (imagens-lembranças) são já outras coisas do que quando tomadas em sua pureza, no estado virtual de pura intensidade. Sendo possível à lembrança atualizar-se em imagem, é impossível à percepção virtualizar-seàe àle a ça:àaà i agem pura e simples não me reportará aoà passado (BERGSON, 1999, 158). A seta do tempo não vai do presente ao passado, por

enfraquecimento das impressões tornadas memória, como em Hume; o passado está todo lá, preservado, num imenso cone: diferentemente do presente, que, quando o tentamos agarrar, já

passou, o passado É. O presente próprio à atualidade de uma consciência é o vértice do cone, ponto máximo de contração, constituído pela utilidade. Conceber a passagem da imagem à lembrança por perda de vivacidade é desconhecer a diferença de natureza entre os diferentes graus de contração constitutivos do presente e o passado, o virtual e o atual.

Po à ueàoàasso ia io is oà colocou todas as lembranças no mesmo plano ao distinguir somente percepção e lembrança, ele perde de vista seu processo de atualização, tomando-as o oà oisas , acabadas ,à oaguladas .ààáàpe epç oàto aà oàluga àdaàimagem-lembrança e a imagem-lembrança o da lembrança pura. É porque a lembrança pu aàdesapa e eàtotal e te à (BERGSON, 2006, p. 277). Ainda, se a lembrança fosse cópia da percepção, perda de vivacidade, poder-se-ia inferir que a diminuição da intensidade de uma sensação a converteria em lembrança: uma dor deixando de doer estaria se transformando em lembrança de dor, o que não ocorre – é apenas uma dor, atualmente percebida como mais fraca. Estabelecidas entre elas apenas diferenças de graus, termina-se por materializar a lembrança e intelectualizar a percepção: se a percepção é da ordem da matéria, a lembrança tem de prestar tributos à sua origem (a percepção), e não se chega a concebê-la com um estatuto ontológico próprio. O passado torna-seàape asàse saç oàf a a,à ate ialidade àe f a ue ida.àPo àseàte à istoàapenas diferenças de grauàl ào deàasàdife e çasàs oàdeà atu eza,àoàout oàladoàdestaàpe daàdeà p e is oà o eitual à aà o p ee s oà daà le a çaà à aà pe daà deà p e is oà aà a a te izaç oà daà percepção: se a lembrança, por que respeita ao passado, não é localizável no corpo, não se

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imprime nos nossos aparelhos perceptivos (visão, tato, olfato, etc.), esta falta de aderência aos sentidos será um traço também marcante das percepções, consideradas por estas psicologias como estados flutuantes e inextensos, encarnados apenas por acidente.

Bergson aponta, portanto, a impossibilidade do associacionismo em explicar: 1) a aderência da lembrança à percepção, 2) que a associação de ideias se dê por contiguidade ou semelhança e não por outras causas e 3) a eleição de determinada lembrança e de não outra numa sucessão de estados mentais.