3 The Financial assistance programs as challenge to the pre-crisis constitution
3.5 Summary. Areas of possible conflict with the pre-crisis constitution
3.5.2 The commitments of the Member States in light of Article 125 (1)
O problema do inconsciente é primeiramente posto no primeiro caso literário de Deleuze em 1961, o caso Léopold von Sacher-Masoch em artigo De Sacher-Masoch ao masoquismo, escrito sob encomenda de Axelos para um periódico dedicado ao Amor problema . No momento da voga sadiana na França, era preciso tirar das sombras este escritor que fora, tão bem quisto e reputado nos meios intelectuais e artísticos. Maso h era em suma um escritor muito
conveniente,à oàse tidoà aisàpu oàdaà o e ç oàso ial.àNe à as ,à e àpo (MICHEL, 2007, p. 6), diz Michel. Conveniente, até Krafft-Ebbing fazer de seu nome uma doença: o masoquismo. Uma década posterior à publicação deste artigo dedicado a pensá-lo, Deleuze dirige duras críticas à psicanálise em O Anti-Édipo, fruto de sua parceria com Félix Guattari. Denunciam como falhas sua incapacidade em pensar as psicoses e, pior, a produção por meio de sua terapêutica de discursos (e sujeitos a estes assujeitados) bem assimilados ao capitalismo; a interpretação como seu dispositivo sobrecodificaria os sofrimentos individuais no interior deste sistema socioeconômico a partir do código edipiano próprio à família burguesa. Encontramos esta crítica em Deleuze antes mesmo deste livro a dois. De Sacher-Masoch ao masoquismo já acusava a clínica de Freud de ser tão-só uma clínica das neuroses: a literatura a abrir-lhe uma brecha na compreensão das histerias, mostrando-se insuficiente o modelo do projeto135, é Sófocles; nem Sade, nem Masoch. De sorte que se é de Édipo que ele parte, a Édipo – e a Ele apenas – Freud chega –, quando não constitui sintomatologias e etiologias distintas para o sadismo e para o masoquismo, ao inflacionar, por exemplo, em seu texto sobre a fantasia de punição, Bate-se
numa criança, o papel paterno na etiologia desta perversão: é causalmente determinada como
um escape fantasmático pelo menino da homossexualidade de seu amor pelo pai 136.
135 Para Geyskens, a análise de Apresentação de Sacher-Masoch por Deleuze representaria uma renovação do todoàf eudia o,à ueà à i pe s elàse àaàt a siç oàdasà i iasàs iasà sàest ias à(GEYSKENS, 2010, p. 105), depe de teàdaà atu ezaàdeàseuào jeto.àEleà itaàF eud:à a descrição detalhada dos processos mentais que estamos acostumados a encontrar em trabalhos de escritores imaginativos permitiu-me, com o uso de poucas f ulasàpsi ol gi as,àte àalgu àtipoàdeàideiaàso eàoà u soàdestasàafe ç es à “Eà ,à -161) próprias à histeria, para a qual os diagnósticos locais e as reações elétricas não levaram a lugar algum . Mas o à ualàtipoàdeà literatura e com qual tipo de clínica Freud e Deleuze lidam? (GEYSKENS, 2010, p. 105), concluindo que Freud parte de Édipo Rei de Sófocles na clínica das neuroses, Deleuze, de escritores como Masoch e Sade.
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Também contra as concepções freudianas de prazer e desejo presentes desde O esboço para
uma psicologia científica, Deleuze dirige seu ataque de Apresentação de Sacher-Masoch a Mil Platôs. Igualada à descarga energética, ao apaziguamento de um quantum incômodo ao
psiquismo no satisfatório encontro da pulsão com um objeto, esta concepção de prazer postula um termo transcendente a por termo ao incômodo, um objeto condicionando a experiência de prazer e o próprio desejo. Esta transcendência do objeto é correlativa ao sujeito constituindo-se como faltante, na radicalização de Lacan segundo a qual o objeto não é senão véu do nada (RAMBEAU, 2006, pp. 58-59). Desvincular desta negatividade o desejo, como do prazer e da dor (masoquistamente vivida como prazer), é o um dos efeitos da discussão promovida por Deleuze sobre o papel da dessexualização nas perversões. O que quer no masoquista, o desejo que nele se expressa por via dos rituais contratados com a mulher sadicizante, é a atualização de uma
espera aisà p i aà dasà fo tesà daà idaà eà daà o te (DELEUZE, 1967, p. 62), a liberação da
experiência do tempo de uma cronologia, a circulação de uma energia neutra, espécie de CsO. É preciso, então, falar do fantasma, desde De Sacher-Masoch ao masoquismo definido como a característica essencial do masoquismo.
Não estruturada em termos edípicos, Deleuze recusa a gênese da fantasia proposta por Freud em Bate-se numa criança, retomando a noção de fantasma de Reik, explicitamente, e, implicitamente, alguns pontos da teoria lacaniana. Limitar-nos-emos a apontá-los, insistindo, ainda, na forte influência de Jung explícita no texto de 1961. Freud, o à u à ala a is o , teria atribuído ao pai na cena masoquista um papel que ele não tivera; ainda, quando perto de conceber um masoquismo originário, concebeu-o de forma demasiado real, como um retorno ao inorgânico. Sua teoria permitiria pensar as neuroses, mas não as neuroses próximas das psicoses, como seria o caso do masoquismo. Após afastar-se de Freud, aqueles que Deleuze convoca para pensar o fantasma neste texto de 1963 são Reik e Jung. Também Lagache e Lacan serão posteriormente citados no texto de 1967. Discutiremos as referências a Jung em ambos os textos na reconfiguração de uma etiologia do masoquismo e na constituição do inconsciente como uma instância composta por símbolos e imagens, em particular, ao conceito de arquétipo (ao qual as referências datam desde Nietzsche e a filosofia a Proust os signos). Problematizaremos a referência a Lacan no interior deste segundo texto, a fim de avaliar as influências desta teoria psicanalítica sobre as perversões no texto de Deleuze.
Não pensaremos as produções de Deleuze como se elas visassem aplicação clínica, a proposição de uma terapêutica – o que não invalida a pertinência da crítica por Deleuze dirigida
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a Freud, taxada de irrelevante pa aà aà o p ee s oà lí i aàdoà aso uis o à Lapla he,à ,à 297 apud GEYSKENS, 2010 p. 103) por psicanalistas como Laplanche. É preciso avaliar o que quer Deleuze ao redefinir a sintomatologia do masoquismo daí depreendendo uma teoria sobre a gênese das perversões137. Se descartamos a prática clínica como seu horizonte, seria seu i te esseà à faze à u aà íti aà daà ultu a?à à )ou a i hi illià p e isouà oà se tidoà doà p og a aà deà
Apresentação de Sacher-Masoch, que começa como uma pesquisa literária e termina numa
filosofiaàt a s e de tal .àDeleuzeàe pli a
que o masoquismo tem dois elementos: estético e jurídico. Estético: é o procedimento romanesco da espera e do suspense. Jurídico: é a forma do contrato, que determina uma certa relação à Lei. Por aí, se reintroduz duas vezes o desejo, na estética e no direito. A filosofia crítica se reorganiza em torno de uma tríade: Arte-Desejo-Direito. Ou ainda: Arte-Medicina-Direito, já que o `médico da civilização` concerne antes de tudo ao desejo, tratando os fenômenos culturais tanto como sintomas, como formações culturais que implicam um investimento libidinal coletivo.... Vê-se que o masoquismo é, em Deleuze, bem mais que uma ocasião para refletir sobre a ligação entre a crítica e a clínica a fim de reavaliar uma clínica mal feita... O objetivo não é somente o de fazer justiça ao masoquismo. Mas, se aí é particularmente indicado fazê-lo, é porque Deleuze encontra na obra
de Masoch as fontes para uma renovação da questão crítica, ou seja, de um
agrupamento entre a clínica e a cíti a à(ZOURABICHIVILLI, 2006, p. 95).