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4 Financial assistance before the Court of Justice

4.7 Financial assistance conditionality and the Charter of Fundemental Rights

Um feiticeiro, um conjurador das forças. O esquizofrênico é assim apresentado, em O

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vivo (DELEUZE & GUATTARI, 1972, p. 26). Algo desta descrição da psicose proposta por Deleuze e Guattari já se encontrava no livro Jung de ruptura com Freud, Transformações dos símbolos da

libido, de 1912 (traduzido como Psicologia do inconsciente). São criticadas por Jung a etiologia

freudiana das psicoses, pensada no caso Schreber como perda do princípio de realidade devido à regressão da libido à fase sádico-anal, e a compreensão da libido como sexual, os desejos e prazeres infantis estando evolutivamente agrupados em fases (oral, anal, genital), tendo no narcisismo seu telos. Para Jung, as psicoses seriam ocasião que nos força a pensar não apenas a

perda do princípio de realidade, mas como este é possível, isto é, como se dá a constituição de

uma realidade para o sujeito. Quanto à libido, ao invés de postulá-la como se ual,àJu g,à u aà eiaà e gso ia a ,àsuge eàKe slake,àsu su eàoà o eitoàdeàe e giaàpsí ui aàaoà aisàa ploàdeà e e giaà ital .à

À fase pré-sexual ut iti a ,à p i ei oà o e toà doà dese ol imento biológico do organismo na qual é imperativa a reprodução do corpo individual, se seguiria a fase de sexualização da libido, em que o instinto de reprodução não do corpo, mas da espécie – o instinto sexual –, é sentido, psicologicamente, como desejo. Esta descrição do desenvolvimento do organismo e de suas funções ancorada seja num evolucionismo, seja numa metafísica, fica vaga no texto junguiano, segundo Kerslake160. E se Freud, analisando Schreber, atribuía a gênese da psicose à regressão da libido a uma fase anterior no desenvolvimento psíquico, devido à falha da fixação do desejo num objeto heterossexual após o narcisismo (isto é, após a unificação das pulsões antes polimorfas na eleição do eu como próprio objeto); se o problema da origem da perda da realidade para o psicótico, Freud o resolve decretando sua fuga da homossexualidade161, Jung aí vê a ocasião para pensar a constituição da realidade nas neuroses, articulando desenvolvimento psíquico individual e desenvolvimento do pensamento na espécie, neste livro de subtítulo: Uma contribuição à História da evolução do pensamento.

Indagar-se pela gênese do princípio de realidade no processo de individuação, conceito central a Jung, é indagar-se paralelamente pela evolução do pensamento na espécie, neste livro bizarramente estruturado no qual oscilam descrições históricas e escavações mitológicas e etimológicas. Na espécie humana, do abandono das primevas simbolizações, mágicas e

animistas, povoadas por associações fantasiosas características dos sonhos, ter-se-ia seguido

desenvolvimento do pensamento moderno marcado pela objetividade: a realidade foi progressivamente desanimizada na relação do homem ao mundo. Mas qual a origem deste

160

Cf. KERSLAKE, 2007, p. 75. 161 Cf. KERSLAKE, 2007, p. 72.

160

pensamento mágico, da animização do mundo com símbolos? A repressão da libido sexual vinculada à imagem materna.

N oà pode iaà jaze à aà o ige à doà fogo ,à e e plifi aà Ke slake,à oà edi e io a e toà daà libido incestuosa reprimida na perfuração ritmada de buracos na madeira, ou no ato de esfregar osàgalhosàu à o t aàoàout o,àp oduzi doàoàfogoà o oàu àsu p oduto? (KERSLAKE, 2007, p. 77). Descobrir os poderes da realidade, friccionando sexualmente a matéria encontrada por não fazê- lo com a mãe, tem como efeito a emergência dos símbolos a esta imagem vinculados. “eà aà

ealidadeà o igi al e teà apa e eà o oà a i ista ,à dotadaà deà pode esà íti os,à istoà seà de eà aoà fatoà deà de i a à daà ep ess oà daà i age à daà e ,à o e taà Ke slake:à áà ealidadeà à e t oà imediatamente simbólica, e é um subproduto da libido incestuosa represada (KERSLAKE, 2007, p. 77). Diferentemente de Freud, a constituição de um princípio de realidade para Jung, originariamente animista, não se explica pela sublimação da sexualidade infantil num período de latência seguido à interdição do incesto: não há latência, nem sublimação após a repressão da libido sexual voltada à mãe; há transformação desta energia pela projeção do símbolo materno na Natureza.à áà t a sfo aç oà daà li ido ,à dizà Ke slake,à p oduzà u aà t a sfo aç oà correspondente no modo como o mu doà apa e eà pa aà oà se à hu a oà p i iti o (KERSLAKE, 2007, p. 76). Diferentemente da regressão freudiana a um estágio já sexual na infância, a perda do princípio de realidade nas psicoses lança o sujeito numa etapa prévia da individuação na espécie, num outro modo de pensar – sua herança filogenética. Reprimida quando imediatamente sexual, a libido transforma-se dotando a natureza de símbolos, de um espaço transcendente ou de uma consistência ontológica, na qual se constitui a realidade para aquele que nela se individua.

Derivar a função de realidade, que, no homem, faz sua simbólica humanidade, da repressão do desejo sexual incestuoso e da consequente transformação da libido, nada tem a e à o àaài age àp e o eituosaàdeàu àJu gà espi itualista ,à o oàaponta Kerslake (idem). O porquê desta repressão – ainda que haja ambivalência no texto de Jung ao explicá-lo, como nota Kerslake162 -, não decorre da proibição do incesto, como em Freud.

Da presença histórica do tabu nas diferentes culturas, da lei como um fato a interditar o incesto em todas as associações humanas, Freud prova que o conteúdo interditado pela lei, o desejo do incesto, a precedia. Tendo derivado da lei o desejo, supostamente anterior, que a condicionaria, o segundo movimento é identificar a aplicação da lei à repressão. Endereçando- seàe à a taàaoàpsi a alista,àJu gàdiz:à Oài estoà àp oi idoà ãoàpo ueà àdesejado , ou seja, não

162àCf.àKE‘“LáKE,à ,àp.à .

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descobrimos por detrás da Lei o conteúdo do desejo precedente. O incesto é proibido por que a ansiedade livre flutuante ativa regressivamente o material infantil e transforma-o numa cerimônia de expiação (como se oà i estoà ti esseà sidoà ouà pudesseà te à sidoà desejado à JUNGà

apud Cf. KERSLAKE, 2007, p. 77). O incestuoso no desejo não está necessariamente presente no

material infantil, mas u aà a siedadeà li e à ati aà esteà ate ial reprimindo-o sob a forma correntemente disponível de um tabu. O mesmo argumento é repetido em O Anti-Édipo, brilhantemente citado por Kerslake:

A lei nos diz: você não deve casar com sua mãe, e você não deve matar seu pai. E sà do e e teà sujeitosà dize osà aà sà es os:à e t oà e aà issoà ueà euà ue ia!…à age-se como se fosse possível de concluir diretamente da repressão psíquica a natureza do reprimido, e das proibições, a natureza do proibido (DELEUZE e GUATTARI apud KERSLAKE, 2007, p. 204)

Perder a noção da realidade, psicotizar, é regredir não a uma fase anterior da sexualidade infantil, mas, a um outro momento da individuação, um primeiro nível da realidade simbólica, esvanecida, pois completamente internalizada no inconsciente. O psicótico, acessando-a, reanima a natureza: em seu devir bruxo, em sua coincidência com a matéria.