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4.5 Peer evaluation of a natural science research programme

4.5.3 The organisation of the peer evaluation

Vamos agora estimar a medida dos conjuntos de n´ıvel ∂Ω+𝐶1𝜀, onde Ω+𝐶1𝜀 := {𝑢𝜀 >

𝐶1𝜀}. Para isto, precisamos de dois lemas.

Lema 3.2. Fixado um subdom´ınioΩ′ ⋐Ω, existe constante universal 𝐶 = 𝐶(Ω) > 0 tal

que, se𝑥0 ∈ Ω′ ∩ ∂Ω+𝐶1𝜀e𝜇 > 3𝐶1𝜀, com 𝐶1 > 1 escolhida universalmente, ent˜ao

{𝐶1𝜀<𝑢𝜀<𝜇}∩𝐵𝜌(𝑥0)

∣∇𝑢𝜀∣2𝑑𝑥 ≤ 𝐶𝜇𝜌𝑁 −1,

Demonstrac¸˜ao. Recorde que𝑢𝜀 ´e soluc¸˜ao m´ınima para a equac¸˜ao

𝐹 (𝐷2𝑢

𝜀, 𝐷𝑢𝜀, 𝑥) = 𝛽𝜀(𝑢𝜀)

e𝐹 satisfaz (C1)-(C4). Por concavidade, o operador linear L𝑣 := tr (𝐹𝑖𝑗(0, 𝑥)𝐷𝑖𝑗𝑣) ≥ 𝐹 (𝐷2𝑣, 𝑥).

Na express˜ao acima,𝐹𝑖𝑗 representa a derivada de𝐹 com respeito a (𝑖, 𝑗)-´esima direc¸˜ao no

espac¸o 𝒮(𝑁 ). Vamos denotar 𝐹𝑖𝑗(0, 𝑥) = 𝑎𝑖𝑗(𝑥). ´E simples verificar que

𝜆Id ≤ 𝑎𝑖𝑗 ≤ ΛId.

Al´em disso, por hip´otese, 𝑎𝑖𝑗(𝑥) ∈ 𝐶𝜇 ∩ 𝑊1,𝑁. Vamos considerar a seguinte func¸˜ao

truncamento

𝜙 = 𝐶1𝜀 + min{(𝑢𝜀− 𝐶1𝜀)+, 𝜇 − 𝐶1𝜀}.

Por elipticidade e n˜ao-negatividade do termo de reac¸˜ao𝛽𝜀, temos, para q.t.p.,𝜌 > 0 e

0 ≤ ∫ 𝐵𝜌(𝑥0) 𝜙L𝑢𝜀𝑑𝑥 = 1 𝜌 ∫ ∂𝐵𝜌(𝑥0) 𝜙𝑎𝑖𝑗(𝑥)𝐷𝑗𝑢𝜀⋅ (𝑥𝑖− 𝑥𝑖0) 𝑑ℋ𝑛−1 − ∫ 𝐵𝜌(𝑥0) 𝑎𝑖𝑗(𝑥)𝐷𝑖𝑢𝜀𝐷𝑗𝑢𝜀𝑑𝑥 − ∫ 𝐵𝜌(𝑥0) 𝜙 [𝐷𝑗(𝑎𝑖𝑗(𝑥)) − 𝑏𝑖(𝑥)] 𝐷𝑖𝑢𝜀𝑑𝑥

Usando elipticidade uniforme, estimativa Lipschitz de𝑢𝜀 e controle 𝑊1,𝑁 de 𝑎𝑖𝑗, da de-

sigualdade acima, temos a seguinte estimativa ∫

𝐵𝜌(𝑥0)∩{𝐶1𝜀<𝑢𝜀<𝜇}

𝑎𝑖𝑗(𝑥)𝐷𝑖𝑢𝜀𝐷𝑗𝑢𝜀𝑑𝑥 ≤ 𝐶𝜇𝜌𝑁 −1+ 𝐶𝜇𝜌𝑁 ≤ 𝐶𝜇𝜌𝑁 −1,

para uma constante universal𝐶. Da elipticidade novamente, obtemos

𝜆 ∫ 𝐵𝜌(𝑥0)∩{𝐶1𝜀<𝑢𝜀<𝜇} ∣∇𝑢𝜀∣2𝑑𝑥 ≤ ∫ 𝐵𝜌(𝑥0)∩{𝐶1𝜀<𝑢𝜀<𝜇} 𝑎𝑖𝑗(𝑥)𝐷𝑖𝑢𝜀𝐷𝑗𝑢𝜀𝑑𝑥 ≤ 𝐶𝜇𝜌𝑁 −1,

e o lema est´a provado.

Vamos relembrar a seguinte notac¸˜ao: para qualquer conjunto𝐸 ⊂ ℝ𝑁, 𝒩𝛿(𝐸) := {𝑥 ∈ ℝ𝑁 dist(𝑥, 𝐸) < 𝛿}.

Vamos agora estabelecer uma estimativa chave no estudo da limitac¸˜ao uniforme para a medida de Hausdorff ℋ𝑁 −1das𝜀-superf´ıcies de n´ıvel.

Lema 3.3. Fixado um subdom´ınio Ω′ ⋐ Ω, seja 𝑥0 ∈ Ω′ ∩ ∂Ω+

𝐶1𝜀, 𝑑𝜀(𝑥0) ≤

Δ

6 e𝜇 >

3𝐶1𝜀. Existe constante 𝐶∗ = 𝐶∗(Ω′), tal que, se 𝐶∗𝜇 ≤ 2𝜌 ≤ 16Δ ent˜ao, para𝜇, 𝜀 > 0

suficientemente pequenos,3𝐶1𝜀 < 𝜇 ≪ 𝜌, temos

∣{𝐶1𝜀 < 𝑢𝜀< 𝜇} ∩ 𝐵𝜌(𝑥0)∣ ≤ ¯𝐶𝜇𝜌𝑁 −1

onde ¯𝐶 = ¯𝐶(Ω′) ´e uma constante universal.

Demonstrac¸˜ao. Seja{𝐵𝑗} uma cobertura finita por bolas de centro em pontos do conjunto

∂Ω+𝐶1𝜀∩ 𝐵2𝜌(𝑥0) e raios 𝐶★𝜇. Vamos escolher uma constante universal suficientemente

grande𝐶★a posteriori. Do Lema de Heine-Borel existe uma constante dimensional𝑚 tal

que ∑ 𝜒𝐵𝑗 ≤ 𝑚. Vamos definir 𝑤𝜀 = min{(𝑢𝜀− 𝐶1𝜀)+, 𝜇 − 𝐶1𝜀} + 𝐶1𝜀, isto ´e, 𝑤𝜀(𝑥) = ⎧ ⎨ ⎩ 𝐶1𝜀 in 0 ≤ 𝑢𝜀(𝑥) ≤ 𝐶1𝜀 𝑢𝜀(𝑥) in 𝐶1𝜀 < 𝑢𝜀(𝑥) < 𝜇 𝜇 in 𝑢𝜀(𝑥) ≥ 𝜇. (3.3.1)

Vamos denotar𝛿 := dist(Ω′, ∂Ω). Note que

𝑗

𝐵𝑗 ⊂ 𝒩𝛿/8(Ω′) ∩ 𝐵4𝜌(𝑥0).

Afirmamos que ´e poss´ıvel encontrar uma fam´ılia de bolas{𝐵𝑗1} e {𝐵𝑗2}, ambas contidas em{𝐵𝑗}, satisfazendo as seguintes condic¸˜oes:

(1) Os raios de𝐵1

𝑗, 𝐵𝑗2 ∼ 𝜇 (por constantes dependendo de Ω′)

(2) 𝑤𝜀 ≥ 34𝜇 em 𝐵𝑗1 e𝑤𝜀≤ 23𝜇 em 𝐵𝑗2

Para provarmos esta afirmac¸˜ao, observe inicialmente que, pela n˜ao-degenerescˆencia forte, podemos encontrar um ponto𝑥1 ∈ 14𝐵¯𝑗 tal que

𝑢𝜀(𝑥1) = sup 1 4𝐵𝑗 𝑢𝜀 ≥ 𝐶 𝐶★𝜇 4 ,

para uma constante universal𝐶 = 𝐶(Ω′). Agora, se 𝜇 ´e suficientemente pequeno, pode-

mos escolher𝐶★ suficientemente grande de modo que

𝐶★𝐶 > 4, e 𝐾 := sup 𝒩𝛿 8(Ω ′)∣∇𝑢 𝜀∣ > 1 𝐶★.

Tomando𝑟1 𝑗 = 8𝐾1 𝜇 e 𝑟 2 𝑗 = 3𝐾1 𝜇 temos, 𝑢𝜀 ≥ 3 4𝜇 > 𝐶1𝜀 em 𝐵 1 𝑗 = 𝐵𝑟1 𝑗(𝑥1) e 𝑢𝜀≤ 2 3𝜇 < 𝜇 em 𝐵 2 𝑗 = 𝐵𝑟2 𝑗(𝑥0)

e a afirmac¸˜ao est´a provada.

Vamos agora definir a seguinte quantidade:

𝑚𝑗 = 1 ∣𝐵𝑗∣ ∫ 𝐵𝑗 𝑤𝜀.

Da construc¸˜ao acima, ∣𝑤𝜀− 𝑚𝑗∣ > 𝜎𝜇 em pelo menos uma das sub-bolas 𝐵𝑗1, 𝐵𝑗2, com

𝜎 > 0 universal. De fato, caso contr´ario, existiria sequˆencia 𝑥𝑛∈ 𝐵𝑗1, 𝑦𝑛∈ 𝐵𝑗2 tal que,

∣𝑤𝜀(𝑥𝑛) − 𝑚𝑗∣ 𝜇 < 1 𝑛 ∣𝑤𝜀(𝑦𝑛) − 𝑚𝑗∣ 𝜇 < 1 𝑛 ∀𝑛. Portanto, ∣𝑤𝜀(𝑥𝑛) − 𝑤𝜀(𝑦𝑛)∣ 𝜇 → 0,

o que gera uma contradic¸˜ao com a propriedade (2) acima. Agora, pela deisgualdade de Poincar´e cl´assica 𝜎2𝜇2 1 ∣𝐵𝑗∣ ∫ 𝐵𝑗 ∣𝑤𝜀− 𝑚𝑗∣2𝑑𝑥 ≤ 𝐶𝜇2 1 ∣𝐵𝑗∣ ∫ 𝐵𝑗 ∣∇𝑢𝜀∣2𝑑𝑥.

Segue da estimativa acima, que ∫ 𝐵𝑗∩{𝐶1𝜀<𝑢𝜀<𝜇} ∣∇𝑢𝜀∣2𝑑𝑥 = ∫ 𝐵𝑗 ∣∇𝑤𝜀∣2𝑑𝑥 ≥ 𝑐∣𝐵𝑗∣.

Pela n˜ao-degenerescˆencia, como𝜇 ≪ 𝜌, podemos escrever 𝐵𝜌(𝑥0) ∩ {𝐶1𝜀 < 𝑢𝜀< 𝜇} ⊂ 𝒩𝜇/𝐶2(∂Ω

+

𝐶1𝜀∩ 𝐵2𝜌(𝑥0)),

para constantes universais. Portanto, se𝐶∗ ´e tomado suficientemente grande,

𝐵𝜌(𝑥0) ∩ {𝐶1𝜀 < 𝑢𝜀 < 𝜇} ⊂

Finalmente, aplicando o Lema 3.2, temos a estimativa 𝐶𝜇𝜌𝑁 −1 ∫ 𝐵4𝜌(𝑥0)∩{𝐶1𝜀<𝑢𝜀<𝜇} ∣∇𝑢𝜀∣2𝑑𝑥 ≥ ∫ ∪ 2𝐵𝑗∩{𝐶1𝜀<𝑢𝜀<𝜇} ∣∇𝑢𝜀∣2𝑑𝑥 ≥ 𝑚1 ∑ ∫ 2𝐵𝑗∩{𝐶1𝜀<𝑢𝜀<𝜇} ∣∇𝑢𝜀∣2𝑑𝑥 ≥ 𝑐 𝑚 ∑ ∣𝐵𝑗∣ ≥ 𝑚𝑐∣𝐵𝜌(𝑥0) ∩ {𝐶1𝜀 < 𝑢𝜀< 𝜇}∣,

e a prova do lema est´a completa.

Vamos agora discutir a propriedade de𝛿-densidade das superf´ıcies de n´ıvel das soluc¸˜oes minimais𝑢𝜀da Equac¸˜ao(𝐸𝜀). Para este fim, lembramos a seguinte definic¸˜ao:

Definic¸˜ao 3.1. Seja 𝐴 um subconjunto de um dom´ınio Ω. Diremos que 𝐴 possui a pro-

priedade de𝛿-densida-de (0 < 𝛿 < 1) se existe 𝜏 > 0 tal que ∣𝐵𝛿(𝑥) ∩ 𝐴∣

∣𝐵𝛿(𝑥)∣ ≥ 𝜏, ∀𝑥 ∈ ∂𝐴 ∩ Ω.

(3.3.2)

Se (3.3.2) vale para todo0 < 𝛿 < 1, diremos que 𝐴 possui densidade uniforme em Ω

ao longo de∂𝐴.

Abaixo, provaremos um lema que fornece informac¸˜oes sobre propriedades de𝛿-densidade. A prova segue por argumentos padr˜oes e ser´a omitida.

Lema 3.4 (Propriedade de Densidade). Seja𝐴 ⋐ Ω. Ent˜ao,

(a) Se existe𝛿 tal que 𝐴 possui a propriedade de 𝛿-densidade, ent˜ao existe uma con-

stante𝐶 = 𝐶(𝜏, 𝑁 ) de modo que:

∣𝒩𝛿(∂𝐴) ∩ 𝐵𝜌(𝑥0)∣ ≤

1

2𝑛𝜏∣𝒩𝛿(∂𝐴) ∩ 𝐵𝜌(𝑥0) ∩ 𝐴∣ + 𝐶𝛿𝜌𝑁 −1

quando𝑥0 ∈ ∂𝐴 ∩ Ω e 𝛿 ≪ 𝜌.

(b) Se𝐴 possui densidade uniforme em Ω ao longo de ∂𝐴 ent˜ao ∣∂𝐴 ∩ Ω∣ = 0.

Um coment´ario sobre a prova do lema anterior: a propriedade(𝑎) segue por argumento de cobertura, e(𝑏) ´e consequˆencia do teorema de diferenciac¸˜ao de Lebesgue. Vamos agora provar um importante resultado sobre a geometria fraca das𝜀-superf´ıcies de n´ıvel.

Teorema 3.4. Dado um subdom´ınioΩ′ ⋐ Ω, existe constante universal 𝐶5 = 𝐶5(Ω′) tal que ∣𝒩𝜇(∂Ω+𝐶1𝜀) ∩ 𝐵𝜌(𝑥0)∣ ≤ 𝐶𝜇𝜌 𝑛−1, quando𝑥0 ∈ Ω′∩ ∂Ω+𝐶1𝜀,𝑑𝜀(𝑥0) ≤ Δ 16 e𝜌 ≫ 𝜇 > 3𝐶1𝜀 e 𝐶𝜇 ≤ 2𝜌 ≤ Δ 16. Em particular, ℋ𝑛−1(∂Ω+𝐶1𝜀∩ 𝐵𝜌(𝑥0)) ≤ 𝐶𝜌𝑛−1.

Demonstrac¸˜ao. Como𝐶3 > 1 (𝐶3como no Corol´ario 3.2), temos

𝒩𝜇(∂Ω+𝐶1𝜀∩ 𝐵𝜌(𝑥0)) ⊂ 𝒩𝐶3𝜇(∂Ω + 𝐶1𝜀∩ 𝐵𝜌(𝑥0)) Tomando𝛿 = 𝐶3𝜇 no Corol´ario 3.2 ∣𝐵𝛿(𝑥) ∩ Ω+𝐶1𝜀∣ ∣𝐵𝛿(𝑥)∣ ≥ 𝐶4 se𝑥 ∈ ∂Ω+𝐶1𝜀. Al´em disso, para𝐶 > 1 como no Corol´ario 3.2,

Pelo Lema 3.3, existe constante𝑀 = 𝑀 (𝐶4, 𝑁 ) tal que

∣𝒩𝛿(∂Ω+𝐶1𝜀) ∩ 𝐵𝜌(𝑥0)∣ ≤ 1 2𝑁𝐶 4∣𝒩𝛿 (∂Ω+𝐶1𝜀) ∩ 𝐵𝜌(𝑥0) ∩ Ω+𝐶1𝜀∣ + 𝑀𝛿𝜌 𝑛−1

Pela continuidade Lipschitz, existe𝐷 = 𝐷(𝐶3, Lip(𝑢𝜀∣𝒩Δ/8(Ω′))) tal que

𝒩𝛿(∂Ω+𝐶1𝜀) ∩ 𝐵𝜌(𝑥0) ∩ Ω+𝐶1𝜀⊂ {𝐶1𝜀 < 𝑢𝜀< 𝐷𝜇} ∩ 𝐵𝜌(𝑥0)

Para𝜇 ≪ 𝜌, invocamos o Lema 3.3 mais uma vez para concluir que ∣𝒩𝛿(∂Ω+𝐶1𝜀) ∩ 𝐵𝜌(𝑥0) ∩ Ω

+

𝐶1𝜀∣ ≤ ¯𝐶𝐷𝛿𝜌

𝑛−1,

Cap´ıtulo 4

O problema de fronteira livre limite

Neste cap´ıtulo, iniciaremos a an´alise do problema de fronteira livre obtida fazendo o parˆametro𝜀 → 0 no problema de Dirichlet

(𝐸𝜀){ 𝐹 (𝐷

2𝑢, 𝐷𝑢, 𝑥) = 𝛽

𝜀(𝑢) emΩ

𝑢 = 𝜑 em∂Ω, com𝜑 ≥ 0 em ∂Ω. Empiricamente, iremos encontrar

𝐹 (𝐷2𝑢, 𝐷𝑢, 𝑥) = 𝛿 0(𝑢)

𝑢𝜈 = 𝑓 (𝑥) ao longo ∂{𝑢 > 0},

para uma func¸˜ao 𝑓 a ser determinada. Contudo, como estamos trabalhando com ope- radores n˜ao-variacionais, n˜ao est´a dispon´ıvel na literatura a linguagem te´orica adequada para interpretar a equac¸˜ao acima. Retornaremos com esta quest˜ao nas sec¸˜oes posteriores.

4.1

Problema limite

Dedicamos esta sec¸˜ao para estabelecer os primeiros resultados sobre a func¸˜ao limite 𝑢0 := lim𝜀→0𝑢𝜀, onde𝑢𝜀 s˜ao soluc¸˜oes minimais para o problema (𝐸𝜀). Em particular,

estamos interessados nas propriedades geom´etricas fracas da fronteira livre∂{𝑢0 > 0}∩Ω.

Inicialmente, como∥𝑢𝜀∥𝐿∞( ¯Ω) ≤ supΩ¯ 𝜑 e 𝐷𝑢𝜀 ´e uniformemente limitado (Teorema

2.3), existe func¸˜ao localmente Lipschitz𝑢0tal que, a menos de subsequˆencia,

(1) 𝑢𝜀→ 𝑢0 localmente na topologia𝐶𝛼 para todo𝛼 < 1;

A func¸˜ao𝑢0 ´e nossa candidata natural para resolver o problema (0.0.3). Vamos intro-

duzir as seguintes notac¸˜oes: Ω0 := {𝑥 ∈ Ω

𝑢0(𝑥) > 0} e 𝔉(𝑢0) := ∂Ω0∩ Ω.

Em toda a sec¸˜ao, vamos fixar um subdom´ınioΩ′ ⋐Ω e denotar Δ := dist(Ω′, Ω). Teorema 4.1. Seja{𝑢𝜀}𝜀>0fam´ılia de soluc¸˜oes minimais para o problema(𝐸𝜀) e 𝑢0 seu

limite. Ent˜ao𝑢0 ∈ 𝐶loc0,1(Ω) e satisfaz

𝐹 (𝐷2𝑢0, 𝐷𝑢0, 𝑥) = 0 em Ω0 (4.1.1)

no sentido da viscosidade. Al´em disso, existe constante universal ¯𝐶 dependendo de Ω, tal

que, para todo𝑥 ∈ Ω∩ Ω0 comdist(𝑥, {𝑢0 = 0}) ≤ Δ4 vale

𝐶2dist(𝑥0, {𝑢0 ≡ 0}) ≤ 𝑢0(𝑥) ≤ ¯𝐶dist(𝑥0, {𝑢0 ≡ 0}),

onde𝐶2 ´e a constante universal que aparece no Corol´ario 3.1.

Lipsch itz E stim ate Linear G rowth

Free Bn

dy

Figura 4.1: Crescimento Linear (linear Growth)

Demonstrac¸˜ao. Da convergˆencia uniforme e continuidade uniformemente Lipschitz de𝑢𝜀,

conclu´ımos que𝑢0 ´e localmente Lipschitz emΩ. Fixe um ponto 𝑥0 ∈ Ω0 e considere o

seguinte n´umero𝑢0(𝑥0) = 𝛾 > 0. Por continuidade, 𝑢0 ≥ 12𝛾 em 𝐵𝜅(𝑥0) para algum raio

𝜀 ≪ 1, 𝑢𝜀 ≥ 14𝛾 em 𝐵𝜅(𝑥0). Portanto, como o termo de reac¸˜ao 𝛽𝜀est´a suportado em[0, 𝜀],

se𝜀 ≤ 18𝛾, as soluc¸˜oes minimais 𝑢𝜀para a Equac¸˜ao(𝐸𝜀) resolve

𝐹 (𝐷2𝑢𝜀, 𝐷𝑢𝜀, 𝑥) = 0 em𝐵1 2𝜅(𝑥0).

Portanto, segue da estabilidade de soluc¸˜oes de viscosidade sob limites uniformes (veja Cap´ıtulo 1 ou Proposic¸˜ao 2.9 em [7]), que𝑢0 ´e soluc¸˜ao de (4.1.1) .

Quanto ao crescimento linear, segue da seguinte forma: nas condic¸˜oes acima, seja 𝑢0(𝑥0) = 𝛿. Para 𝜀 ≪ 1, 𝑢𝜀(𝑥0) ≥ 2𝛿 ≥ 𝐶1𝜀. Portanto, 𝑑𝜀(𝑥0) ≤ Δ8 e, pelo crescimento

linear ao longo das superf´ıcies de n´ıvel (Corol´ario 3.1), temos que

𝑢𝜀(𝑥0) ≥ 𝐶2𝑑𝜀(𝑥0). (4.1.2)

Seja𝑦𝜀 ∈ ∂Ω𝜀 tal que ∣𝑦𝜀 − 𝑥0∣ = 𝑑𝜀(𝑥0). Passando a uma subsequˆencia se necess´ario,

podemos assumir que𝑦𝜀 → 𝑦0. Como𝑢𝜀(𝑦𝜀) = 𝜀, ent˜ao 𝑢0(𝑦0) = 0. Tomando o limite

em (4.1.2), conclu´ımos que:

𝑢0(𝑥0) ≥ 𝐶2∣𝑥0− 𝑦0∣ ≥ 𝐶2dist(𝑥, {𝑢0 ≡ 0}).

A estimativa por cima segue da regularidade Lipschitz de𝑢0.

Vamos agora estabelecer propriedade de n˜ao-degenerescˆencia forte para 𝑢0 ao longo

do conjunto de positividade.

Teorema 4.2 (N˜ao-degenerescˆencia forte). A func¸˜ao limite𝑢0 ´e fortemente n˜ao-degenerada,

isto ´e, para qualquer ponto𝑥0 ∈ Ω′∩ (Ω0∪ 𝔉(𝑢0)), dist(𝑥0, 𝔉(𝑢0)) ≤ Δ6 existe constante

universal𝑐0 = 𝑐0(Ω′) tal que

sup 𝐵𝑟(𝑥0) 𝑢0 ≥ 𝑐0𝑟, 𝑟 ≤ Δ 12. Demonstrac¸˜ao.

(1) Sejam𝑥0 ∈ Ω′∩ Ω0 e𝑦0 ∈ 𝔉(𝑢0), tais que

∣𝑥0− 𝑦0∣ = dist(𝑥0, 𝔉(𝑢0)) ≤

Δ 6.

Assuma que𝑢0(𝑥0) = 𝛿. Como 𝜀 → 0, para 𝜀 ≪ 1, 𝑢𝜀(𝑥0) ≥ 𝛿2 ≥ 𝐶1𝜀. Usando

continuidade, existe𝑦𝜀 ∈ (𝑥0, 𝑦0) tal que 𝑢𝜀(𝑦𝜀) = 𝜀. Assim, 𝑑𝜀(𝑥0) < Δ6. Agora,

pelo Teorema 3.3, existe constante𝑐0 = 𝑐0(Ω′) (independe de 𝜀) tal que:

sup

𝐵𝑟(𝑥0)

𝑢𝜀≥ 𝑐0𝑟 para 𝑟 ≤

Δ 12.

Como𝑢𝜀 → 𝑢0 uniformemente em𝐵𝑟(𝑥0), obtemos:

sup

𝐵𝑟(𝑥0)

𝑢0 ≥ 𝑐0𝑟 para 𝑟 ≤

Δ 12.

(2) Se𝑥0 ∈ 𝔉(𝑢0), usaremos o resultado anterior. Seja 𝑟 a especificar. Tomando 𝑦0 ∈

∂𝐵𝑟/4(𝑥0) ∩ Ω0, 𝐾 = 𝒩Δ/12(Ω′) e aplicando (1) a 𝐾, garantimos a existˆencia de

uma constante universal𝑐0 = 𝑐0(Ω′) tal que:

sup 𝐵𝑟(𝑥0) 𝑢0 ≥ sup 𝐵𝑟/4(𝑦0) 𝑢0 ≥ 𝑐0 𝑟 4.