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The Address Book - Portrait in Absentia

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4. Å gjøre seg selv til objekt

4.4 The Address Book - Portrait in Absentia

É indubitável que o papel das novas tecnologias influenciou e continua a influenciar o mercado discográfico. A Internet assume um papel extremamente relevante na decisão de compra, quer seja pelo seu lado positivo, em que actua como meio de locomoção para difusão, recomendação e promoção musical para/entre todos os seus usuários, ou por outro lado, num âmbito mais negativo, onde possibilita a partilha ilegal de conteúdo alimentando desta forma práticas de pirataria digital de música, que irão repercutir-se na prestação de vendas, influenciando o negócio oficial.

Com o intuito de obter uma ideia generalizada de um considerável numero de consumidores regulares de música, foram apresentadas uma quadro de hipóteses justificativas das causas da partilha de música na Internet através de questionário e constatou-se que:

 85% dos respondentes acha a partilha de música como sendo uma boa forma de conhecer material de novos artistas, um parecer bastante explicativo;

 67% considera bastante explicativo o parecer de que a partilha pode ser uma força de promoção musical para artistas musicais. Trata-se portanto de um bom indicador do papel da partilha como fonte de enriquecimento de divulgação e promoção de conteúdo musical.

Uma politica de promoção que incentive novos consumidores a descobrir nova música através de alguém que lhes é próximo é sem dúvida recompensador, uma vez que o factor familiaridade é crucial para a motivação de compra. Medidas de incentivo ao consumo, como um sistema de recompensa de recomendações musicais, onde os usuários podem ser privilegiados por recomendarem determinado artista aos seus pares, poderão ser boas tácticas de planeamento de lançamento de novos artistas.

Em síntese, uma potenciação do sector discográfico poderá passar por implementação de práticas de marketing viral.

Mais de metade dos questionados afirmou que a partilha de música na Internet pode ser vista como uma boa estratégia de marketing, que pode alavancar as vendas de música.

Na prossecução de uma análise de comportamentos de influência ao consumo, aferiu-se que 89% da amostra vê na Internet (sítios online de música e afins) uma boa fonte de influência e difusão de música. Constata-se assim que este meio age como o agente primordial difusor de informação e promoção musical contemporaneamente, colocando num plano mais inferior, a imprensa tradicional, que assume menos de metade das preferências totais (48%). Uma substancial margem distingue estes dois meios informativos, revelando que cada vez mais as audiências estão a aderir à informação e divulgação de conteúdo por via digital. Comodidade, rapidez e actualização consistente da base informativa poderão ser alguns dos factores explicativos para este caso.

Já a rádio revelou resultados ainda mais baixos, com 36% das escolhas.

Constatou-se também que duas novas condicionantes de influência assumem significantes preferências. O “passa-palavra” de amigos ou familiares e as redes sociais (Hi5, Myspace, entre outros) com 74% e 35% das escolhas dos respondentes, respectivamente, tomam especial importância. O “passa-palavra”, sendo uma importante forma de influência e recomendação de um artista e do seu trabalho, remete ao factor “familiaridade” da fonte, que, aliado às novas tecnologias (que permitem criar redes de comunidades ou até mesmo grupos de fãs de determinado artista musical), revela-se extremamente vantajoso nas estratégias de

difusão e promoção musicais. O facto do usuário poder ser recomendado musicalmente por um amigo, ou familiar, através da Internet, torna bastante atractiva a base de influência, destaca-se a singularidade de ser um meio de confiança e credibilidade notória (por vir de uma pessoa próxima). Adicionalmente, existe fácil acessibilidade a uma amostra de material do artista musical, uma vez que sítios online como o Myspace já são amplamente usados por vários artistas musicais.

Muitos artistas musicais vêem mesmo nesta recente estruturante digital, uma chance para divulgarem no mercado o seu próprio negócio, por meios próprios, gravando e distribuindo a sua própria música. Este método revela-se bastante mais barato e de maior lucro directo para o artista, pois ao cortarem-se vários passos interinos à distribuição tradicional, o artista obterá vantagens económicas. Contudo, supondo que no futuro, este seria o cenário idealizado para a indústria, é presumível constatar que o panorama da oferta discográfica poderá sofrer alterações. Como foi analisado por determinado autor, na indústria dos vídeos digitais, mais uso da produção digital e tecnologias de distribuição podem resultar em redução de custos significantes através da cadeia de valor. Contudo, a longo prazo, a digitalização de produção de filmes pode causar reestruturação na indústria de filmes.

Neste novo patamar de acção, o papel de recomendação amigo-a-amigo torna-se especialmente importante, e é aqui que a conduta comunitária toma especial relevância na medida em que age segundo meios de marketing viral pro-activos, e isto, em termos absolutos, pode tornar possível a criação de sistemas de recomendações musicais entre consumidores, que, a seu termo, poderão gerar um elo coeso de revitalização do entusiasmo direccionado ao consumo pago, revigorando o mercado, aumento vendas substanciais.

Planeadas maioritariamente com o intuito de disseminar conteudo apoiado num espirito de comunidade, as estratégias de cariz viral vêem no usuário, o interlocutor central que pode tornar outros usuários em agentes difusores, criando deste modo uma comunidade que sensibiliza directamente interesses potenciais de usuários que poderão vir a ser futuros consumidores.

Uma adequada estratégia de marketing poderá segmentar a identidade de espírito comunitário musical, aproveitando o entusiasmo gerados pelos fãs, de modo a utilizá-lo como um veículo para criar relações pessoais e rentáveis com mais potenciais fãs.

Torna-se necessário direccionar uma estratégia de estimulação à acção para determinado nicho ou segmento alvo, tomando especial atenção à sua sensibilidade de consumo.

Necessidades, desejos e vantagens, são algumas palavras-chave a ter em conta aquando do planeamento e definição de uma estratégia que estimule empatia e agrado dos indivíduos, que os faça recomendarem-na por livre vontade, sem princípios de cariz comercial, e assim, por consequência, uma óptima disseminação de conteúdo de sucesso.

Contudo, num espectro do marketing de carácter técnico, denota-se que o marketing viral envolve potenciais factores estratégicos intrínsecos, como oferecer produtos ou amostras que estimulem o consumo. Assim, mesmo que algumas técnicas de “passa-palavra” venham a tornar-se uma importante locomotiva de difusão e/ou propagação comunicativas, nem sempre poderão assumir o formato completo em que o marketing viral se rege.

Os princípios do marketing viral já são, hoje em dia, aplicados aos livros digitais, onde se oferece um estrato do livro juntamente com informação adicional relativa ao autor e afins, de modo a atrair um potencial público, que não só possa estar interessado em comprar o livro, como ainda divulgar esta mesma amostra a outros potenciais interessados.

São estes mesmos princípios que podem ser emulados ao formato de música MP3, uma vez que este formato permite suportar informação acerca da canção, banda ou mesmo o endereço de sítio de internet da banda, factores estes que servem de cartão-de-visita chave para divulgação promocional de negócio. A oferta de um single como plataforma de locomoção divulgativa pode, a seu termo, potenciar negócio, ou pelo menos divulgar um artista, com baixos custos, ou até mesmo nenhuns.

Como se apurou anteriormente, o sítio de venda de produtos online Amazon registou no primeiro lugar do top de álbuns digitais mais vendidos de 2008, um álbum lançado inicialmente de forma gratuita na Internet.

Adicionalmente, é conhecido que, a credibilidade e relevância do estatuto do artista musical repercute-se nas vendas do seu conteúdo. A estimação de resultados de análise quantitativa de vendas de um estudo comprovado na primeira parte deste trabalho estipula inclusive que, a importância do status “superstar” de um artista é relevante para o sucesso nos tops de vendas pois estima-se que um álbum de um artista”superstar” sobreviva 35% mais, face a outros artistas. Contudo uma manobra de oferta de uma amostra do produto que o amante de música pode potencialmente vir a gostar e comprar posteriormente, define-se como um estimulante método de tentadora atractividade para o potencial consumidor, sendo portanto uma mais- valia para o artista que anseia boa recepção aquando da divulgação do seu material discográfico.

Outra determinante emergente contemporaneamente é a potencialidade de uma aliança entre o artista musical e uma determinada marca comercial, actuando esta como uma agente de gestão da carreira e trabalho do artista profissional. Alguns artistas têm vindo a aderir a esta possibilidade, e deste modo, com o intuito de testar o parecer á viabilidade desta manobra de gestão, observou-se que mais de metade da amostra de consumidores de música angariada, (52%) mostra-se indiferente relativamente ao lançamento de conteúdo musical com o selo de marcas comerciais, contudo 19%, mostra-se relativamente satisfeito a esta possibilidade. Já no que toca a uma análise mais minuciosa, 22% dos compradores menos habituais, mostrou-se aberta a este tipo de acção, constatando-se assim potencialmente Constata-se assim algum sinal de oportunidade de negócio, onde factores de valor da oferta musical, como o preço e promoções comerciais intrínsecas a estas parcerias comerciais podem-se tornar bastante atractivos.

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