5.2 Results
5.2.1 Thalamocortical circuit dynamics
No âmbito da relação família e trabalho observa-se que mesmo com práticas realizadas no coletivo de parentescos, a renda familiar de 46% dos discentes ribeirinhos é de 1 salário mínimo31, 27% de 1 a 2 salários mínimos, 10% de 2 a 3 salários e 10% com mais de 3 salários mínimos. Apenas 7% recebem menos de 1 salário mínimo.
Esses valores correspondem a uma única atividade profissional ou diversas, dependendo de cada família. Nesse sentido, como pode ser visto no gráfico 10 a seguir, existem trabalhos vinculados a/ao Prefeitura/Governo/Estado, mas também ações autonomas por meio da relação homem, natureza e produção de subsistência.
Gráfico 10 – Atividades de trabalho no dia a dia do discente ribeirinho.
Algumas dessas atividades são inerentes do cotidiano ribeirinho, transmitidas de geração para geração, outras como agente comunitário de saúde e educador, são pontuadas nesse contexto pela própria necessidade e abertura dessas funções nos municípios e nas ilhas, e que têm sido cada vez mais exigidas pelos povos do campo.
Quanto ao tipo de moradia dessas populações, dados demonstraram que há um percentual elevado em casas de mandeira (81%), modelo recebido pelo Projeto de
31 Em 2009 o valor do salário mínimo correspondia a R$465,00 e em 2011 o valor é de R$545,00.
4% 20% 9% 22% 15% 5% 6% 2% 4% 11% 2%
Agente Comunitário de Saúde Artesanato
Criação de pequenos animais Educador/a na escola Extrativismo do açaí Lavoura Pesca Produção de carvão Roça Outro Não informou
Assentamento Agroextrativista (13%) que também é de madeira, como vimos em fotos anteriormente, e 6% residem em casa de alvenaria.
Segundo os relatos feito pelos próprios discentes na disciplina de Metodologia e Prática Pedagógica em Comunidades Agrícola, acompanhada, existem vários benefícios em morar em casas feitas de madeira, o principal deles, é a temperatura, pois fica com calor ameno, sobretudo, quando são cobertas com folhas da palmeira. No entanto, os mesmos também destacaram que uma casa feita de alvenaria resiste mais ao tempo e não há necessidade de ficar sempre fazendo manutenção ou troca de folhas da palmeira e de tábuas. Ainda sobre a situação habitacional observou-se nas visitas às ilhas e comunidades ribeirinhas de Abaetetuba que o rio/furo/igarapé são fontes principais de abastecimento de água para lavar roupa, utensílios, tomar banho, fazer comida. A água para beber, geralmente, é comprada, ou em alguns casos fervida ou tratada com hipoclorito. Em algumas residências o banheiro não é interno e o lixo é queimado ou destinado a céu aberto. Essas informações atentadas durante a pesquisa de campo denotam uma grave condição sanitária nas ilhas, que podem ocasionar diversos problemas de saúde.
É necessário destacar ainda, que não há energia elétrica em todas as comunidades das 75 ilhas de Abaetetuba. Uma parte da população ribeirinha é atendida pelo Programa Luz para Todos32 do Governo Federal. Estudos do Plano de Energia e desenvolvimento sustentável para a Amazônia rural brasileira (DI LASCIO; BARRETO, 2009, p.21) revelam que nessa região ―[...] mais de dois milhões de pessoas não têm acesso à energia elétrica. A iluminação noturna é realizada por lamparinas alimentadas com óleo diesel, que, além de precárias, ainda provocam doenças respiratórias, principalmente nas crianças [...]‖. Essa é uma realidade no local estudado, com o acréscimo do uso de geradores.
Mesmo com esse cenário de dificuldades de acesso e consumo de energia, os ribeirinhos fazem uso de diversos aparelhos e/ou equipamentos domésticos em suas residências, na busca de conforto e de qualidade de vida. Os principais são: Televisão (13%), Fogão a gás (13%), Telefone celular (12%), Máquina de Açaí (11%), DVD (10%) e Rádio (10%). Utensílios como Fogão a Lenha (8%) e Filtro (4%), mesmo que em menor quantidade, ainda aparecem na pesquisa. O que pode ser conferido no gráfico 11 à frente:
32 Esse Programa foi lançado pelo Governo Federal em 2003 e tem como objetivo acabar com a exclusão elétrica
no país, com a meta de levar energia elétrica para mais de 10 milhões de pessoas do meio rural até o ano de 2010.
Gráfico 11 – Aparelhos e/ou equipamentos presentes na casa dos discentes.
Grande parte das famílias ribeirinhas possui algum tipo de transporte próprio para utilização nos rios e/ou para deslocamento nas comunidades. O gráfico 12 abaixo demonstra que 36% utilizam embarcações motorizadas e 36%, também, fazem uso das embarcações motorizadas e a remo, pois num momento de baixo orçamento para compra de óleo, o barco a remo é uma alternativa; para 16% a embarcação a remo é a única opção. Existem também os que têm embarcações motorizadas, a remo, bicicleta e moto, com 3% do total.
Gráfico 12 – Tipos de Transporte próprio da família do discente ribeirinho.
7% 2% 10% 5% 4% 13% 8% 2% 11% 10% 12% 13% 2% 1% Aparelho de som Computador DVD Ferro Filtro Fogão a gás Fogão a Lenha Geladeira Máquina de Açaí Rádio Telefone celular Televisão Ventilador Outro 16% 3% 36% 3% 36% 3% 3% Embarcação a remo
Embarcação a remo e bicicleta Embarcação motorizada Embarcação motorizada e bicicleta Embarcação motorizada e Embarcação a remo Embarcação motorizada, Embarcação a remo e bicicleta Embarcação motorizada, Embarcação a remo e moto
Fonte: Questionário da Pesquisa, 2009.
Na caracterização das comunidades, dos 31 respondentes do questionário, todos afirmaram que na sua comunidade há Igreja, Escola (20%), Centro Comunitário (19%), Associação (16%), Colônia de Pescadores (12%), Sindicato (10%) e Cooperativa (3%).
Quando indagados sobre beneficiamento de algum projeto do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) nota-se um entendimento distorcido dos alunos, pois, para estar num Curso do PRONERA há necessidade de ser assentado da reforma agrária. Porém, 10% responderam que não são beneficiados pelo INCRA, apenas 16% afirmam que sim, 48% enfatizam que sim, Projeto de Assentamento Agroextrativista; ainda nesse cenário, 13% dizem que sim, pelo PRONERA e 3% PRONERA e Projeto de Assentamento, o que deveria ter maior proporção. Logo, não há uma noção clara, por parte dos discentes do Curso, sobre os programas/projetos que recebem. Alguns destacam também o PRONERA e o Fomento (7%) e apenas o Fomento (3%). Sobre o Fomento pode-se dizer que o dado faz referência ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar33 (PRONAF) do Governo Federal.
Aos que não conseguem crédito pelo PRONAF, buscam financiamento em outros bancos, como é a situação de 16% dos respondentes; 84% afirmam não ter nenhum tipo de vínculo com financiamento em bancos.
Apenas 6% dos discentes ribeirinhos apontam que recebem apoio de órgãos de Assistência Técnica para Produção Familiar da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará34 (EMATER) e da Cooperativa de Fruticultores de Abaetetuba35 (COFRUTA). Enquanto 94% negam ter suporte dessas organizações.
Os principais impactos ambientais ocorridos nas comunidades dos discentes do Curso Pedagogia das Águas são: a Poluição de rios e/ou igarapés (21%), falta de saneamento básico (20%), lixo (19%), extinção de animais (14%), desmatamento (10%), assoreamento de rios e/ou igarapés (9%), degradação do solo (6%) e áreas de pastagens (1%), como pode ser visto no gráfico 13:
33 Foi criado em 1995 com intuito de financiar pequenos e grandes projetos, individuais ou coletivos, que gerem
renda aos agricultores familiares e assentados da reforma agrária (PORTAL MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO, 2011).
34A EMATER presta serviços específicos nas áreas de ciências agrárias e humanas para desenvolvimento
sustentável do meio rural, com representação em todo o Estado do Pará, por meio da contribuição à agricultura familiar.
35 Fundada em Março de 2002 é originária da experiência associativista da Associação de Desenvolvimento
Agrícola dos Mini e Pequeno Agricultores de Abaetetuba – ADEMPA, que possui atualmente 530 sócios, divididos em 65 comunidades, 15 na região da estrada e 50 na região das ilhas, no município de Abaetetuba, distante 110 km de Belém, a qual estimulou a sua criação, hoje com 127 sócios. Como se trata de uma Cooperativa, a COFRUTA , baseia-se nos princípios e doutrinas cooperativistas (Disponível em: http://www.cofruta.kit.net/, 2011).
Fonte: Questionário da Pesquisa, 2009.
Gráfico 13 – Principais impactos ambientais que ocorrem nas comunidades dos discentes.
3.5.3 Realidade Sociocultural e Educacional de moradores da residência dos discentes