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7.5 Propagation of the resonant effect

7.7.3 Motifs of neural mass models

Em 1933, com a criação da Escola de Sociologia e Política de São Paulo (ELSP); em 1934, com a criação do Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP) e em 1935 na Universidade do Distrito Federal (UDF), atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), são criados os primeiros cursos de Ciências Sociais no país. Nesse período, a Sociologia acadêmica48 inicia seu processo de institucionalização na universidade brasileira, consolidando-o com a implantação do sistema de pós- graduação a partir de meados da década de 1960.

No curso de Ciências Sociais e Políticas da USP, não havia nenhuma cadeira na área de educação, assim como no currículo do curso (de duração de três anos) também inexistia disciplina diretamente ligada à educação (Cf. O primeiro currículo do curso em FÁVERO, 2000, p. 217-218). Assim, quem ficava responsável pela formação de professores na USP era o Instituto de Educação, que participaria da universidade exclusivamente com sua Escola de Professores, (cf, artigo 5 do decreto estadual Nº 6.283/1934 em FÁVERO, 2000). Então, após os três anos cursados na FFCL, o estudante poderia cursar, por mais um ano, as disciplinas da licenciatura no Instituto de Educação, habilitando para lecionar no magistério secundário (modelo 3 + 1). Então, nesses termos a formação de professores era pensada em segundo plano, tanto no decreto de criação da USP, como principalmente na prática em que a formação se dava. A licenciatura se constituiu em apêndice do Bacharelado e foi criada como um “subproduto” da formação de pesquisadores, que para lecionar, precisavam de um “verniz pedagógico” (KRAHE, 2008).

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48 Utilizamos sociologia acadêmica para diferenciar do termo de sociologia escolar, segundo a classificação de disciplina acadêmica e disciplina escolar de Chervel (1990). Assim, para Chervel (1990) disciplina acadêmica ou de referência é uma designação para os diferentes estágios do ensino superior, são os saberes produzidos pelas pesquisas em instituições de ensino superior. Enquanto disciplina escolar é uma designação comum para os diferentes estágios do ensino escolar básico, são os conteúdos ensinados nas escolas de ensino fundamental e médio.

E se formos falar sobre a Escola Livre de Sociologia e Política (ELSP), fundada em 27 de abril de 1933, que foi a primeira instituição que criou o curso de Ciências Sociais, a formação de professores não era nem cogitada, já que seus idealizadores queriam criar uma instituição que formasse uma elite de agentes políticos e técnicos “instruídos nos métodos científicos mais atualizados”, (DEL VECCHIO, 2009) para ocupar os altos escalões do Estado e das empresas privadas (cf. LIMONGI, 2001). Essa formação se daria, sobretudo com a associação do ensino com a pesquisa aplicada. Seu principal fundador e mentor, o economista e deputado da Assembléia Constituinte de 1934, Roberto Simonsen “entendia que havia carência na formação de líderes políticos no país” (KANTOR, MACIEL e SIMÕES, 2009, p. 171). Muitos dos intelectuais, políticos, industriais que assinaram o manifesto de fundação da Escola Livre de Sociologia e Política também se fizeram presentes e atuantes na fundação da USP em 1934. Inclusive grande parte dos alunos da ELSP eram os mesmos que assinaram o manifesto, além de advogados, médicos, engenheiros, economistas.

Entretanto, diferentemente da USP, a Escola Livre de Sociologia e Política surgiu com o objetivo de produzir conhecimento interessado para fins de aplicação. Assim, o modelo adotado foi o norte-americano, já que foi “nos EUA que a Sociologia, ao ganhar estatuto de ciência universitária, não perdeu seu impulso originário de compromisso com a reforma social” (VIANNA, 2004, p. 198). No início, os principais professores eram os norte-americanos: Samuel Lowrie e Horace Davis vindos da Universidade de Columbia49 (EUA). Em 1939, o professor Donald Pierson, vindo da Universidade de Chicago, deixou um traço marcante na formação da primeira geração de sociólogos: a prática profissional da pesquisa aos moldes da “Escola de Chicago”, com investigações qualitativas e inquéritos sociais. Também na ELSP que foi instituído o primeiro mestrado em Sociologia e Antropologia, de inspiração norte-americana. Os graduados na Faculdade de Filosofia Ciência e Letras da USP em Ciências Sociais fizeram o mestrado na ELSP. Sendo que entre _____________

49 Segundo Del Vecchio e Diéguez (2009) é comum associar a fundação da ELSP à Escola de Chicago. Todavia isso se deve ao fato de Donald Pierson elevar o padrão científico da ELSP com a criação da Seção de Estudos Pós-Graduados e ter vindo desta universidade, porém a ELSP, inicialmente adotou o modelo da Universidade de Columbia. Para Garcia (2000) a Universidade de Columbia se impõe como modelo da concepção moderna de Sociologia. Posteriormente será criticada pelos Sociólogos da “Escola de Chicago”.

seus primeiros alunos estavam Florestan Fernandes e Darcy Ribeiro. E como é notório, Florestan Fernandes implantará o modo de fazer pesquisa no curso de Ciências Sociais da USP, sendo professor de uma geração de sociólogos brasileiros, entre estes: Fernando Henrique Cardoso e Octávio Ianni.

Desse modo, a história do curso de Ciências Sociais no Brasil se estruturou e se consolidou pelo viés da pesquisa e não do ensino, ainda que a introdução da sociologia escolar no Brasil no currículo do ensino secundário tenha sido operacionalizada pela educação e pelo ensino. Contudo, os objetivos principais dos fundadores dos cursos de Ciências Sociais na USP e na ELSP não era a formação de professores para ensino secundário e, sim, uma formação de novos líderes políticos, para o técnico especializado (ELSP) e para o pesquisador (USP) que iriam ocupar os altos escalões do Estado e contribuir para intervir na vida política do país (ver LIMONGI, 2001). Esses dois cursos de Ciências Sociais são paradigmáticos para os demais cursos de Ciências Sociais do país, pois a “Escola Paulista de Sociologia” irá imprimir sua marca na maneira de ensinar, no desenho curricular e, principalmente, no modo de fazer pesquisa e na definição dos temas de investigação, uma vez que os primeiros cursos de pós-graduação em nível de mestrado e doutorado50 em Ciências Sociais no Brasil iniciaram na ELSP e na FFCL da USP e uma parte dos cientistas sociais e professores dos cursos de Ciências Sociais do Brasil cursaram mestrado e doutorado nestas instituições51.

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50 O mestrado na ELSP iniciou em 1941. Florestan obteve o título de mestre em Sociologia e Antropologia na ELSP em 1947, (KANTOR, MACIEL e SIMÕES, 2009, p. 21). A primeira tese de doutorado em Ciências Sociais na FFCL/USP foi defendida em 1942. Florestan Fernandes obteve o título de doutor em sociologia pela FFCL/USP em 1951 (ARRUDA, 1995). No Rio de Janeiro, apesar do curso de Ciências Sociais ter sido criado em 1935, a primeira pós-graduação na área ocorre apenas em 1968 no Museu Nacional, ou seja, fora da Universidade Federal do Rio de Janeiro. É somente na década de 1980 que foi implantada a pós-graduação em Ciências Sociais (cf. VIANNA, 2004).

51 É claro que não queremos afirmar com isso que não houve contribuições e influências de outras universidades brasileiras, de outros estados brasileiros, como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Pernambuco entre outros. Já que para Gilberto Freyre citado por Del Vecchio e Diéguez (2000), a primeira Cátedra de Sociologia no Brasil surge em Pernambuco em 1929. Assim, não queremos supervalorizar a experiência da “escola paulista” e nem com isso dizer que a história dos cursos de Ciências Sociais no Brasil segue um único padrão, já que na realidade ela possui uma variedade intra-regional e regional como bem afirma Oliveira, M. (2006), mas apenas reconhecer a influência social e simbólica desta “escola” no processo de desenvolvimento dos cursos de Ciências Sociais e nas Ciências Sociais do país.

Handfas (2009) afirma que os cursos de Ciências Sociais das Universidades Federais no Brasil oferecem três modelos distintos de formação de professor. O primeiro modelo conhecido por “3 + 1” em que o aluno cursa o bacharelado em seu instituto de origem e no quarto ano cursa as disciplinas pedagógicas da licenciatura. O segundo modelo que integra o bacharelado e a licenciatura, em que o aluno necessariamente, ao colar grau, obtém duas habilitações em seu diploma. E, finalmente, um terceiro modelo que possui dois cursos distintos: o bacharelado em Ciências Sociais e a Licenciatura em Ciências Sociais, em que geralmente a escolha se dará no momento do ingresso na universidade via vestibular.

Vale ressaltar que mesmo nos cursos de Ciências Sociais onde há integração do Bacharelado e Licenciatura, ainda assim há uma forte valorização da formação do pesquisador em relação à do docente, pois o desenho curricular possui mais disciplinas ditas do bacharelado e poucas delas voltadas para a licenciatura (esse é o caso do curso da UFPA). Em decorrência disso, as disciplinas priorizadas e valorizadas pelos professores e pelos alunos continuam sendo as vinculadas à Antropologia, Ciência Política e Sociologia.

Na próxima seção discutiremos o processo histórico do curso de Ciências Sociais no Estado do Pará, dando ênfase particular ao curso da UFPA.