Workshop breakdown with reflective-journal comments
Workshop 1: 24 th September 13 Goal: Introduce group to project
Não encontramos, na literatura que aborda os aspectos históricos da divulgação científica e do jornalismo científico brasileiros (MEMÓRIA..., 1984; OLIVEIRA, 2002; MASSARANI; MOREIRA, 2002), registros sobre o início das pesquisas em comunicação sobre riscos no País. Podemos, no entanto, afirmar que sua prática – considerando-se o sentido restrito do termo – se localiza no campo da saúde humana, nos idos de 1903. Nessa ocasião, por influência do médico sanitarista Oswaldo Cruz, então Diretor-Geral de Saúde Pública do Instituto Soroterápico Federal, hoje Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o governo federal decretou a obrigatoriedade de vacinação e desenvolveu campanhas para erradicação da febre amarela e da varíola no Rio de Janeiro. A ação provocou manifestações contrárias da população que consideravam o ato uma invasão de suas casas. Tais manifestações ficaram conhecidas como a Revolta da Vacina, amplamente noticiada pela imprensa da época.
Figura 3
Capa da Revista da Semana sobre campanha de vacinação
Fonte: Revista da Semana (outubro de 1904) 61
De um modo geral, as atividades de divulgação científica empreendidas pelas organizações produtoras de ciência e tecnologia no Brasil estiveram voltadas, desde sua consolidação em meados do século XIX, para glorificar os benefícios oriundos do progresso da ciência – e não para questioná-los ou refletir sobre os mesmos. O objetivo era sensibilizar o público sobre a importância da ciência e influenciar o poder público a criar e manter instituições ligadas à ciência. É possível, entretanto, pela leitura do artigo de Massarani e Moreira, identificar o que se pode considerar como indícios da existência de uma outra abordagem da divulgação científica, na qual também os riscos tecnológicos estivessem sendo tornados públicos, no início dos anos 1950, embora o fato predominante ainda fossem as conquistas tecnológicas.
No início dos anos 50, além das discussões sobre o uso militar e civil da energia nuclear, o fato de o cientista brasileiro Cesar Lattes ter participado na descoberta e identificação do méson pi, nos anos 1947-1948, contribuiu para um interesse público generalizado pelas ciências físicas. Revistas de circulação geral, como O Cruzeiro e Manchete, trouxeram muitas matérias sobre essa área, enfatizando as atividades de instituições e pesquisadores brasileiros e os desenvolvimentos recentes no domínio da energia nuclear (op.cit.: 58-59).
Em outro trecho, os autores se referem às conseqüências que a explosão nuclear ocorrida em Hiroshima, em 1945, deixou na literatura brasileira dessa época. “Evidentemente
61 A Revista da Semana foi um semanário brasileiro editado de 1900 a 1962. Com enfoque político, nela colaboraram alguns dos principais intelectuais e artistas da época. Disponível em:
o espectro da bomba atômica e suas conseqüências deixaram também registros na literatura brasileira desse período, em particular na poesia de Carlos Drummond de Andrade e de Vinícius de Moraes.” 62 (ibid.). Não há, no entanto, um registro explícito dos autores sobre a existência de uma comunicação sobre riscos naquela ocasião.
As poucas manifestações dos pesquisadores que se dedicam a estudar a divulgação de ciência e tecnologia no Brasil a respeito da comunicação sobre temas que envolvem riscos limitam-se a julgar a maneira como a imprensa trata das questões científicas em geral.
Oliveira (2002) tenta esboçar uma crítica à falta de participação da sociedade nas decisões científico-tecnológicas durante o regime militar, ocasião em que surgiram os programas nuclear e espacial brasileiros, mas termina por reconhecer que foi um período de incentivo ao desenvolvimento tecnológico. “Ainda que a sociedade não fosse consultada, existia, de fato, um projeto nacional de desenvolvimento tecnológico com metas estabelecidas – e foi no bojo desse projeto que surgiram o programa nuclear, a indústria aeronáutica e de defesa e o programa espacial brasileiros” (op.cit.: 30-31), afirma.
Seus questionamentos em relação à contribuição da divulgação científica para o esclarecimento da opinião pública sobre a importância e os reais benefícios da ciência ao país incidem sobre a imprensa e a cobertura que os jornais fazem das atividades especiais: “Em nosso entender, a cobertura jornalística nessa área não oferece ao público informações que o orientem, por exemplo, sobre como participar ou influir nas decisões políticas que são tomadas sobre investimentos e programas espaciais” (OLIVEIRA, op.cit.: 66-67).
Embora reconheçam a responsabilidade inerente à atividade dos cientistas e de suas organizações na ampliação da compreensão que o público tem sobre a ciência, Massarani e Moreira também responsabilizam a imprensa pela omissão de informações sobre riscos controversos, quando se trata de divulgar as atividades científicas:
De maneira geral, o jornalismo científico brasileiro ainda é, em grande parte, calcado em uma visão mistificada da atividade científica, com ênfase nos aspectos espetaculares ou na performance genial de determinados cientistas. [...] Raramente são considerados aspectos importantes na construção de uma visão realista sobre a ciência, como as questões de risco e incertezas, ou o funcionamento real da ciência com suas controvérsias e sua profunda inserção no meio cultural e socioeconômico (op.cit.: 63).
Para reverter essa situação, eles propõem a criação de um programa nacional de divulgação científica, a exemplo do que vem acontecendo em outros países.
62 “A rosa do povo” é um poema escrito por Carlos Drummond de Andrade, em 1945, sobre a bomba atômica. “Rosa de Hiroshima”, poema escrito por Vinícius de Moraes, posteriormente foi musicado por João Apolinário e Gerson Conrad e gravado por Ney Matogrosso.
No levantamento que realizou com o objetivo de mapear a presença da comunicação de risco na legislação nacional e internacional, Rinaldi (2007: 106) constatou que, no Brasil, “ainda que de maneira tímida”, a prática da comunicação de risco “começou a apontar” no início da década de 1970, no âmbito da segurança do trabalho. “[...] O foco era o da prevenção de acidentes quando o Capítulo V da Consolidação das Leis do Trabalho estabeleceu bases legais para a estruturação, normatização e fiscalização das condições de segurança e saúde no trabalho, criando as Normas Regulamentadoras”. Parte dessas normas, segundo a autora, “obriga” o empregador a informar e comunicar os trabalhadores sobre os riscos a que estão expostos; duas delas, no entanto, a NR-1 e a NR-9 estão especificamente relacionadas à comunicação de riscos industriais e ambientais. Ela, todavia, não tece comentários sobre como a comunicação de riscos foi implantada nem faz reflexões sobre as conseqüências dessa prática para as organizações que a adotaram.
A exemplo do que ocorreu nos demais países, tudo indica que o interesse do Brasil pela comunicação de riscos se consolidou a partir de 1980. Em consistente artigo no qual discute o papel da imprensa na circulação e consolidação da linguagem dos riscos, a psicóloga brasileira Mary Jane P. Spink e seus colegas (2002) concluíram que as matérias sobre risco começaram a aparecer nos jornais na década de 1980, tornando-se mais presentes na década de 1990. A análise tomou como base o acervo de exemplares do jornal Folha de S. Paulo, desde 1921 até 1997, cujas matérias contivessem a palavra “risco” no título. Elas também concluíram que saúde e economia foram as áreas temáticas onde mais cresceram as notícias sobre risco. Com relação aos riscos manufaturados que, segundo Giddens e Beck, marcam a chamada “sociedade de risco”, Spink et al. observaram que, embora, nos escritos acadêmicos, suas implicações para o meio ambiente venham sendo exploradas desde os anos sessenta, suas ressonâncias na mídia – a julgar pelas matérias da Folha de S.Paulo – são recentes. Além disso, Spink e seus colaboradores constataram que eles são “meramente descritos”, uma forma de uso que, segundo eles, remete à fase inicial do conceito de risco na epidemiologia, aquela em que o risco desempenha papel periférico de caráter quantitativo.
No âmbito das instituições que congregam pesquisadores em divulgação científica e jornalismo científico, pudemos verificar que a comunicação sobre riscos à saúde e ao ambiente, como área de pesquisa focalizada no sentido amplo de troca de informações e de opiniões entre os atores sociais começou a se consolidar após os anos noventa.
A Associação Brasileira de Jornalismo Científico (ABJC), criada em 1977, vem tentando incluir as controvérsias científicas em seus debates. Em 2004, durante a realização do VIII Congresso Brasileiro de Jornalismo Científico, em Salvador (BA), ficou estabelecido
que o tema “controvérsias científicas” balizaria os trabalhos do congresso seguinte, previsto para ocorrer em Belém (PA). No entanto, por motivos internos à entidade, o evento não aconteceu na data prevista. O IX Congresso foi realizado em novembro de 2007, em São Paulo, mas a temática foi outra. O programa de trabalho da atual diretoria da entidade, eleita para o período de abril de 2007 a março de 2009, e presidida pelo professor Wilson da Costa Bueno, “velho” defensor de um jornalismo científico mais crítico e reflexivo, reconhece a importância de a entidade contribuir para que a sociedade tenha uma visão mais clara sobre os benefícios e os riscos da atividade científica:
Entendemos que a Associação Brasileira de Jornalismo Científico tem um papel importante a desempenhar na organização e na representação profissional e política dos jornalistas brasileiros. Reconhecemos que é vital promover a democratização do conhecimento científico, contribuindo para o desenvolvimento de uma cultura científica e tecnológica que possibilite uma percepção clara da sociedade sobre os benefícios e riscos inerentes ao progresso. 63
Também criada em 1977, a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) tem abrigado pesquisas nas áreas de Comunicação Rural e de Comunicação Científica e Ambiental, desde o seu surgimento. Segundo Callou (2001), a sociedade “praticamente surgiu incorporando a temática da Comunicação Rural nos seus congressos anuais”, o que é “natural”, quando consideramos os aspectos históricos do desenvolvimento brasileiro e as preocupações manifestadas pelos acadêmicos em torno do assunto desde 1969. Ele lembra que muitos dos cursos de pós-graduação em comunicação no Brasil foram originados do interesse pela difusão de inovações tecnológicas para o meio rural
64. “Podemos dizer que a difusão de inovações na agricultura foi, durante alguns anos, o cerne
da produção acadêmica desses cursos de pós-graduação”, afirma.
Durante os anos de 1987 a 1990, a Intercom realizou três seminários voltados para a comunicação rural e, somente em 1990, houve uma aproximação desse assunto com a ecologia. O III Seminário Brasileiro de Comunicação Rural, realizado nesse ano, teve como tema “Comunicação Rural e Ecologia: um cruzamento inevitável nos anos 90”. Embora não tratasse especificamente sobre comunicação de riscos, pode-se perceber dos comentários de Angelo Brás Fernandes Callou que, junto com Maria Salett Tauk Santos, coordenou o evento, uma forte preocupação com o assunto tanto por parte dos coordenadores quanto de alguns dos pesquisadores que se dedicavam à temática da comunicação rural:
63 Disponível em: <http://www.abjc.org.br/menus/programas.html>. Acesso em: 1º jul. 2008.
64 O curso de pós-graduação da Universidade de Brasília, instituído em 1975, também continha essa linha de pesquisa.
As preocupações que nortearam a realização desse evento [...] estavam ligadas aos efeitos nefastos provocados no meio ambiente e nas populações rurais pela “modernização da agricultura”. Além disso, existia por parte dos pesquisadores uma necessidade de se incorporar o debate sobre a questão ecológica já desenvolvido pelas organizações não governamentais (ONGs) no meio rural. Os coordenadores do Seminário tinham em mente que a questão ecológica dentro da Comunicação Rural não podia se voltar apenas para a depredação da fauna e da flora e para os aspectos socioeconômicos aí embutidos, mas também para os impactos dessa depredação sobre o homem em termos de sua subjetividade, no sentido empregado por Félix Guatarri (1990) (CALLOU, op.cit.: 4).
Os resultados do seminário levaram à criação, em 1991, do Grupo de Trabalho (GT) sobre Comunicação Rural e Ecologia dentro dos congressos da Intercom. Esse GT funcionou até 1993, quando a expressão “ecologia” saiu do título e o grupo de trabalho foi transformado em GT Comunicação Rural, que se manteve até 2000, ocasião em que os grupos de trabalho foram transformados em núcleos de pesquisa. Na transformação, o tema Comunicação Rural foi incorporado ao Núcleo de Pesquisa (NP) sobre Comunicação Científica e Ambiental.
Um outro grupo de trabalho se dedicava a pesquisas sobre os processos de divulgação da ciência para a sociedade. Criado em 1991, sob a denominação de GT Pesquisa em Jornalismo Científico, o GT Comunicação e Ciência abrigou - até o ano de 2000, quando foi incorporado também ao NP Comunicação Científica e Ambiental -, trabalhos sobre os seguintes temas: a importância da divulgação científica; os discursos da ciência e da divulgação científica; as implicações da evolução tecnológica na divulgação científica; a relação entre ciência, mídia e sociedade; os processos de geração e difusão do conhecimento científico; o relacionamento entre cientistas e jornalistas, com vistas à divulgação científica; e a situação da pesquisa sobre comunicação e ciência no Brasil (GOMES, 2001).
Também nesse GT observa-se certa atenção às questões ambientais, porém de maneira bem mais tímida do que no GT Comunicação Rural. Em artigo onde resgata o percurso do GT, desde sua criação até sua extinção, Gomes (op.cit.) faz um levantamento dos trabalhos apresentados entre 1991 e 2000. Em nenhum momento é possível perceber-se um interesse explícito em questões de risco seja para a saúde humana ou para o meio ambiente. O tema de maior interesse dos pesquisadores, segundo o levantamento realizado, é o de Estudos do Discurso (19%), que trata da análise das notícias publicadas na imprensa sobre questões de ciência e tecnologia. Em seguida estão: Educação (13%), que trata da importância da preparação profissional para divulgar ciência; Institucional (12%), que analisa as experiências de divulgação científica feitas pelas instituições públicas; Reflexões Teóricas (11%), que abordam a relação ciência-sociedade; Mídia Digital e Impressa e Pesquisadores (9% cada).
Meio Ambiente, Saúde e Comunicação Rural são os temas menos enfocados pelos trabalhos apresentados, com 8%, 7% e 3%, respectivamente, em geral concentrados no tratamento dado pela imprensa à cobertura de um determinado evento ou, no caso da comunicação rural, na crítica ao modelo difusionista adotado na transmissão de informações para o homem do campo.
Em 2000, assim como o GT Comunicação Rural, o GT Comunicação e Ciência passou a integrar o Núcleo de Pesquisa Comunicação Científica e Ambiental. O novo NP abrangia as seguintes seções temáticas: Divulgação Científica; Comunicação para a Saúde; Comunicação Rural e Comunicação Ambiental. Em 2006 esse núcleo de pesquisa mudou sua denominação para NP Comunicação Científica, passando a incluir também trabalhos científicos em comunicação e esporte.
No que diz respeito à Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação (COMPÓS), fundada em 1991, ela congrega os programas de pós-graduação em nível de mestrado e doutorado de instituições de ensino superior públicas e privadas no Brasil. Hoje conta com 12 grupos de trabalho, mas nenhum direcionado especificamente para a comunicação de ciência e tecnologia.
Na área acadêmica, é na Universidade Metodista de São Paulo (Umesp) que se encontra o núcleo mais representativo de pesquisas abordando questões de risco para a saúde e o meio ambiente. Professores como Isaac Epstein, Wilson da Costa Bueno e Graça Caldas têm orientado dissertações e teses abordando esse assunto. Criado em 1975, o programa de pós-graduação da Umesp totalizava, em dezembro de 2007, 492 dissertações e 87 teses. Das pesquisas cadastradas no site da instituição, verifica-se, pela análise dos títulos, que cerca de 14% das pesquisas de mestrado e 18% das de doutorado tratam de temas relacionados à saúde, ao meio ambiente e à comunicação rural. Dessas, somente cinco deixam claro, pelo título, que se trata de uma pesquisa sobre comunicação de riscos, o que tornaria leviana qualquer afirmação sobre o percentual de trabalhos sobre o tema, sem o exame do conteúdo de todas elas ou sem o acesso ao resumo ou ainda às palavras-chave.
Aos poucos a comunicação sobre riscos está se firmando como área de pesquisa no Brasil. Em consulta à página eletrônica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), identificamos, mediante o uso de palavras-chave, os seguintes grupos de pesquisa cadastrados naquela entidade: Comunicação para a Saúde – 120; Comunicação Científica – 69; Comunicação Ambiental – 61; Gerenciamento de Risco – 29; Comunicação Rural – 18; Comunicação de Riscos (no plural) – 16; Comunicação de Risco (no singular) – 3. Desses, o que parece ser mais voltado para a comunicação sobre riscos é o Grupo de Estudos
Avançados em Comunicação de Risco (Riscare) vinculado à Fiocruz. Pelo trabalho que vem desenvolvendo ao longo dos anos, o grupo de pesquisa sobre Práticas Discursivas e Produção de Sentidos, liderado pela psicóloga Mary Jane P. Spink, da Pontifícia Universidade Católica (PUC), de São Paulo, também se dedica à questão da comunicação sobre riscos. Mas o que se observa a partir de toda essa análise é que o tema ainda se encontra disperso entre as várias áreas de conhecimento, o que, talvez, seja um indicativo de sua natureza multidisciplinar como, aliás, é o próprio campo da comunicação.
Considerando-se o sentido amplo da definição de comunicação sobre riscos – troca de informações e de opiniões entre os vários atores –, pode-se afirmar que, no Brasil, o marco inicial no âmbito de riscos controversos foram as pesquisas sobre organismos geneticamente modificados, a partir de 1999. Nesse primeiro momento, dois estudos são identificados: “As sementes da discórdia: o debate sobre os transgênicos em seis importantes jornais brasileiros”, apresentado pelo professor Wilson da Costa Bueno, no Congresso Brasileiro de Comunicação em Agribusiness e Meio Ambiente, em São Paulo; e “Práticas Sociais e Ideologia: os transgênicos na mídia”, de M.V. Veronese e F. Felippe, apresentado durante o X Encontro Nacional da Associação Brasileira de Psicologia Social (Abrapso), também em São Paulo. Ambos foram publicados em livros posteriormente.
Depois desse período, os transgênicos tornaram-se assunto de várias pesquisas em nível de mestrado e de doutorado, destacando-se cronologicamente: Alimentos transgênicos:
discurso e polêmica – análise do discurso da mídia sobre os produtos transgênicos
(ÁVIDOS, 2002); Alimentos transgênicos e imprensa: um estudo do discurso jornalístico de
divulgação científica (BELDA, 2003); Conflitos, Trajetórias e Engajamento dos Jornalistas
na Produção de Notícias Ambientais no Rio Grande do Sul (PETRARCA, 2003);
Transgênicos, mídia impressa e divulgação científica: conflitos entre a incerteza e o fato
(OLIVEIRA, 2004); Transgênicos: a qualidade da informação nos jornais brasileiros (MEDEIROS, 2004); As percepções dos agricultores que cultivam soja transgênica no
município de Não-Me-Toque – RS, Brasil: um estudo de caso mediante metodologia “Q”
(LIMA, 2005); Significações dos transgênicos na mídia do Rio Grande do Sul (HEBERLÊ, 2005); e A qualidade da informação jornalística: uma análise da cobertura da grande
imprensa sobre os transgênicos (BENEDETI, 2006).
Verifica-se, nessas pesquisas, um interesse predominante em relação à forma como os
media tratam a questão dos transgênicos. À exceção da pesquisa realizada por Lima (2005), sobre as percepções dos agricultores gaúchos, os demais estão voltados para o trabalho da imprensa e dos jornalistas, embora com preocupações diversificadas, como a produção de
significados, a tradução do discurso científico para o jornalístico e o papel do jornalista em questões de conflito.
Talvez pela dificuldade de acesso às organizações – públicas ou privadas - que produzem organismos geneticamente modificados; ou, nos casos em que existe facilidade de acesso, pelo desconforto de se ver diante do desafio de analisar cientificamente a divulgação de notícias sob a ótica da organização; ou, ainda, pela possibilidade de não se interessar pelo assunto, o fato é que não foram identificadas, até o momento, pesquisas que abordassem a produção de notícias sobre riscos controversos, em geral, e sobre os organismos geneticamente modificados, em particular, sob a perspectiva da instituição científica como fonte de informação para o público leigo.