• No results found

Tests without oil circulation

3 Characterization of Liner Deposits 61

5.2 Inclined liner surface rig

5.2.5 Tests without oil circulation

Não poderíamos falar de domínio da manualidade no século XX sem abordar Sebastião Rodrigues, conhecido pela sua criatividade imediata e pela sua paixão pela cultura portuguesa, que o influenciava na altura de esboçar uma ideia. Sebastião Rodrigues nasceu em Lisboa a 28 de Janeiro de 1929. Com 12 anos iniciou um curso de serralheiro mecânico na Escola Industrial Marquês de Pombal e aí conhecu o professor de desenho Frederico George. Teve o seu primeiro contacto com o mundo do trabalho por volta de 1943, pois teve que deixar os estudos por motivos financeiros (Rolo 2015) .

Segundo Almeida (2009), Sebastião Rodrigues aproxima-se das artes gráficas devido a ter conhecido algumas personalidades que trabalhavam ou passavam pelo no jornal monárquico A Voz. Começou a trabalhar na APA (Agência de Publicidade Artística) em 1946. “Aí, no final da década de 1940, Sebastião Rodrigues toma contacto com a profissão, num processo de aprendizagem em tudo idêntico ao que acontecia com outros designers. A APA permitiu-lhe desenvolver os aspectos técnicos associados ao ofício” (Almeida 2009, p. 86).

Acabou por trabalhar apenas um ano na APA, mas conheceu personalidades suficientes para o inspirarem, como José Cardoso Pires. Após a APA, acabou por trabalhar com Manuel Rodrigues na Câmara Municipal de Lisboa e, de seguida, até 1974, trabalharam em conjunto com o SNI, nomeadamente em divulgações na área do turismo (Almeida 2009).

Em 1956 começou a trabalhar em edição de livros com as editoras Ulisseia e Europa-América e em 1957 participou na Exposição de Artes Plásticas (Fundação Calouste Gulbenkian). Ao longo dos anos, o designer viajou e conheceu várias culturas e produção gráfica estrangeira, incentivando-o a procurar “desenvolver o seu trabalho dentro de uma esfera intimista, tipicamente portuguesa, recuperando algum do imaginário cultural perdido” (Almeida 2009, p. 88).

O ano de 1959 tornou-se bastante relevante e importante na vida de Sebastião Rodrigues, pois foi o ano do nascimento da revista Almanaque, uma revista que viria a ter um impacto enorme na sua carreira, onde conheceu vários artistas e escritores (Rolo 2015).

É com Sebastião Rodrigues que trazemos à investigação um exemplo de como o desenho faz parte do processo de criação em design de comunicação:

“Sabe-se, por meio de testemunhos, que Sebastião Rodrigues, logo nas reuniões de briefing, começava a esboçar as primeiras ideias,

consoante aquilo que ia ouvindo do cliente. Quer fosse numa folha ou num envelope, o designer registava desde cedo as primeiras ideias. Ideias estas que iriam, em fases posteriores, constituir-se como matéria prima importante na obtenção do resultado gráfico final.” (Rolo 2013, p.1)

Atendendo à frase de Rolo, Sebastião Rodrigues imaginava de imediato como poderia resolver um problema, recorrendo ao esboço em vários suportes. Sebastião Rodrigues era também adepto do desenho como meio de auxílio nos seus processos de criação. O seu processo de trabalho caracterizava-se por ser demorado porque o designer sentia necessidade de investigar e conhecer o assunto que iria converter num objeto de comunicação. O seu processo de trabalho tinha ainda outra característica: o designer ao longo da sua investigação guardava todos os elementos gráficos que encontrava, mesmo que não os usasse. Esses elementos normalmente tinham um cariz popular e etnográfico (Rolo 2013).

Este tipo de pensamento começa a ser familiar no tema desta investigação. No capítulo II, abordámos a teoria do pensamento criativo de Edward de Bono, o pensamento lateral. Se olharmos para o trabalho de Sebastião Rodrigues, podemos dizer que o pensamento lateral está presente, pelas várias tentativas (múltiplos esboços) e pela criatividade ‘fora da caixa’ que é atingida. Rolo (2013, p. 1) partilha um exemplo deste tipo de pensamento em Sebastião Rodrigues:

“Um trabalho bem exemplificativo do que aqui afirmamos é o cartaz “Dia Internacional dos Museus” cujo motivo gráfico principal são dois pássaros. À primeira vista, o elemento ilustrativo não tem relação nenhuma com o conteúdo do objecto gráfico. Destina-se a anunciar o Dia Internacional dos Museus (18 de Maio), não tendo ligação nenhuma à ornitologia. Uma justificação possível para esta utilização pode estar no facto de os pássaros transmitirem alegria e música e, neste sentido, darem uma ideia de festividade e celebração. A imagem utilizada constitui, portanto, um recurso criativo fora do comum e revela um pensamento alternativo, lateral, àquilo que seria de esperar, evidenciando, deste modo, a

personalidade criativa distinta do designer.”

Fig.46 Esboços de Sebastião

Rodrigues, Arquivo pessoal de José Brandão, fotocopiado por Elisabete Rolo.

Fonte: http://convergencias. esart.ipcb.pt/?p=article&id=156

Podemos afirmar então que Sebastião Rodrigues é um bom exemplo do que podemos considerar um designer criativo. O seu pensamento é um exemplo excecional do pensamento lateral. Sobre o mesmo cartaz, o designer reflete sobre o assunto, investiga e de seguida associa um símbolo (um animal, neste caso) de modo a transmitir de forma clara a mensagem ao público. E tudo isto através do estudo intenso por esboços, acabando também o objeto final por deixar transparecer essa mesma manualidade. As experiências que vai fazendo ao longo do seu processo de trabalho e os primeiros esboços, onde são riscadas as primeiras ideias, são características importantes a salientar em Sebastião Rodrigues. Segue-se outro exemplo, mencionado pela mesma autora, que nos parece relevante mostrar nesta investigação. A capa da Almanaque de Agosto de 1960 foi construída a partir de inúmeros esboços em torno da ideia, através de caneta sobre papel. O designer aproveita-se da técnica para conseguir gerar mais ideias criativas. A geração da ideia produz-se através de várias tentativas para chegar a uma solução com o auxílio do traço. É visível neste exemplo na figura 48 como os esboços prévios conseguem ajudar o designer a chegar a uma solução criativa e o auxiliam até mesmo na respetiva concretização.

Fig.48 Esboços de Sebastião

rodrigues,“Material de apoio à realização da exposição “Sebastião Rodrigues designer”. Arquivo pessoal do designer José Brandão. Fotocopiado por Elisabete Rolo

Fonte: http://convergencias. esart.ipcb.pt/?p=article&id=156

Fig.47 Cartaz “18 de Maio Dia

Internacional dos Museus”. Fonte: http://convergencias. esart.ipcb.pt/?p=article&id=156

Nascido a 3 de Setembro de 1930, Daciano, à semelhança de Sebastião Rodrigues, teve como professor de Desenho Frederico George, em quem se inspirou e foi buscar influências, na Escola Industrial Marquês de Pombal em 1941. Em 1944 entrou na Escola António Arroio e frequentou o curso de pintura decorativa, tendo Lino António como professor de pintura, em cujo atelier de pintura colaborou em 1945 (Moreira da Silva 2014).

Dois anos mais tarde, começou a colaborar no atelier de Frederico George, o que o levou a participar em exposições, feiras, etc. Desta colaboração surgiram também várias viagens, onde adquiriu diversos contactos importantes para a sua carreira (Almeida 2009; Moreira da Silva 2014). Segundo Almeida (2009, p. 90),

“Estes anos de longo tirocínio de Daciano da Costa são passados a aprender com a “primeira geração de designers portugueses”, a qual integra um vasto grupo de artistas que, sobretudo por razões de sobrevivência económica, encontravam na ilustração, na paginação, na realização de selos, nos cartazes, na publicidade, nas montras, na decoração de stands e de interiores e no mobiliário uma alternativa à exigente atividade artística.”

Nesta altura, Lino António e Frederico George influenciavam Daciano da Costa no que respeita ao desenho: “a disciplina de Desenho era aquela que, na perspetiva de Frederico George, melhor corresponderia às necessidades de articulação do pensamento crítico com a produção material” (Almeida 2009, p. 90). Através da carreira de docente na Escola Sena da Silva, juntamente com Jorge Vieira e Rocha Correia, transmitiu estes mesmos valores ao incorporá-los na educação em design (Almeida 2009).

De acordo com Moreira da Silva (2014), em 1959 abriu o seu próprio atelier, localizado em Belém, e em 1961 terminou o curso superior de pintura na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa. No ano de 1962 abriu um curso de Design Básico no seu atelier, que decorreu até 1964, e deu formação a designers que mais tarde viriam a ser reconhecidos, como por exemplo Cristina Reis e José Brandão. Entre os anos de 1967 e 1969 lecionou Design no Curso de Formação Artística de Belas Artes, o que lhe permitiu “alargar e enriquecer esta ‘teia cultural’ ” (Moreira da Silva 2014, p.175) 23 .

Para Almeida (2009), após a abertura do seu atelier Daciano afastou-se do seu passado. O autor menciona que

“no contacto com a sua obra (projetos e textos), com os modos