• No results found

Effect of using a fuel additive

3 Characterization of Liner Deposits 61

4.4 Bore glaze formation in an offshore supply vessel

4.4.7 Effect of using a fuel additive

Começamos os nossos casos de estudo com Stuart Carvalhais. Esta escolha prende-se com o facto de o artista utilizar o desenho tanto para estudar as ideias como para as concretizar, o que traz à investigação um maior valor. O seu nome completo era José Herculano Stuart Torrie de Almeida Carvalhais e nasceu dia 7 de Março de 1887 em Vila-Real. Parte da sua infância foi passada em Espanha, mas em 1893 a sua família decidiu voltar a Portugal, desta vez passando a residir em Lisboa. Passado dois anos, instalaram-se no Alentejo (Olímpio 2013; Simões 2015).

Em Évora frequentou o liceu, começando por ganhar paixão pela caricatura, e em 1902 acabou por regressar a Lisboa onde ingressou no Real Instituto de Lisboa. Stuart tinha como ambição entrar na Escola de Belas-Artes, mas na altura em que decidiu inscrever-se já era tarde de mais. A sua idade e currículo não permitiram o ingresso e, assim, começou a trabalhar com Jorge Colaço no seu atelier (Olímpio 2013).

“Iniciou aqui o seu trabalho artístico, mostrando o seu talento como caricaturista, apresentou desde logo um traço e uma expressividade muito original e autónoma, quando foi envolvido

pelo movimento modernista, transformou-se num dos artistas da vanguarda.” (Olímpio 2013,p.51)

Foi em 1906, através de Jorge Colaço, que Stuart viu o seu primeiro desenho publicado num jornal. Stuart Carvalhais foi então o novo colaborador e repórter fotográfico do jornal O Século, onde introduziu caricaturas sobre políticos e a austeridade que se fazia sentir na época. Colaborou com jornais como O Século Cómico, A Ilustração Portuguesa, O Pardal, Diário de Lisboa e Diário de Notícias. Em 1915 Stuart veio introduzir uma nova abordagem à banda desenhada com a publicação de Quim e Manecas (Olímpio 2013). [Fig.39]

João Paulo Paiva Boléo fala-nos de Stuart Carvalhais e da sua banda

desenhada numa entrevista à RTP em 2015 e diz-nos que “ele não é daqueles que tornaram a coisa mais geométrica, não é um Almada. Ele tem sempre um certo realismo estilizado, embora ele tenha essa linha modernista” (João Boléo para a RTP 2015). Na mesma entrevista é dito que Stuart Carvalhais foi

dos primeiros artistas a introduzir o balão na banda desenhada e, reiterando as palavras do ilustrador Nuno Saraiva, “penso que hoje Stuart foi um dos pioneiros não apenas da banda desenhada, ou pelo menos no seu estilo discursivo da utilização do balão sistemático. Não foi apenas um percursor dessa linha, foi também um percursor da ilustração editorial” (Nuno Saraiva para a RTP 2015).

Seguiu-se a Implantação da República e Stuart Carvalhais definia cada vez mais o humor no seu traço. Rapidamente se interessou pela vida boémia, desenhava costumes e o dia-a-dia de pessoas utilizando o fator drama como fundo. Em 1912 teve a oportunidade de ir para França, mas um ano mais tarde retornou a Lisboa, desiludido (Olímpio 2013).

Continuou a trabalhar para o jornal O Século e chegou a ilustrar para diversas publicações como o Diário de Notícias, ABC,o Diário de Lisboa, o ABCzinho e A Ilustração Portuguesa (Simões 2015). Dentro do design de comunicação foi na ilustração e na caricatura que revimos Stuart Carvalhais. O artista recorria ao traço para representar e criar memórias do que via para mais tarde conseguir humorizar nas suas obras. Numa breve descrição da vida do artista, Simões (2015) revela que:

Fig.39 Quim e Manecas de

Stuart Carvalhais. Fonte: https://www.publico. pt/2015/08/07/culturaipsilon/ noticia/quim-e-manecas-fa- zem-100-anos-e-dao-o-mo- te-para-o-festival-amado- rabd-1704345

Fig.40 O fado do Cigarro.

Fonte: http://artdecoblog. blogspot.com/2010/12/stuart- -de-carvalhais-fado-do-cigarro. html

“Tal como os artistas da sua geração, Stuart apresenta um trabalho essencialmente caracterizado pela representação do quotidiano lisboeta, com os seus lugares (ruas, bairros típicos, cafés, teatros) e personagens (mendigos, bêbados, prostitutas, ardinas, varinas, costureiras, burgueses, vamps) reveladores do olhar atento e crítico do artista, que este transpõe para o desenho fazendo uso frequente da ironia. O recurso à mancha de cor e à rapidez do traço revelam o caráter instantâneo do seu desenho, muitas vezes economizador na forma, mas sempre expressivo e eficaz.” (Simões 2015,p.1)

Acrescentando que a revolução de Maio de 1928 22 foi a responsável pela

mudança de atitudes que Stuart Carvalhais representava com os seus desenhos, este deixou de desenhar coisas com teor politico para passar a desafiar a censura imposta, escolhendo assim a sátira social como principal fonte de expressão. Quanto aos materiais que Stuart utilizava, a autora refere:

“Frequentador assíduo da boémia lisboeta, a vida atribulada de Stuart, marcada pelo alcoolismo e constantes dificuldades financeiras, leva a que produza desenhos com uma enorme facilidade e rapidez, utilizando frequentemente suportes e materiais pouco convencionais – papel de embrulho, cartão, guardanapos, graxa, borra de café, fósforos queimados e vinho – criando centenas de trabalhos que foram sendo dispersos, apresentando, por isso, a sua obra uma dimensão incalculável.” (Simões 2015,p.1)

Cada linha carrega um peso próprio do pensamento de Stuart Carvalhais. O domínio do desenho transferia-se assim para os seus cartazes, como no exemplo da figura 40 intitulado “O fado do cigarro”. Podemos observar que Stuart também estudava composições através do desenho, por exemplo num estudo para a capa da revista ABC de 1920 [Fig.41 e 42]. A cor e a letra eram

também integradas manualmente no do desenho.

Fig.41 Estudo para capa da

Revista ABC 1920. Fonte: https://gulbenkian.pt/ museu/works_cam/estudo-pa- ra-capa-da-revista-abc-150854/

Fig.42 Estudo para capa da

Revista ABC 1920. Fonte: https://gulbenkian.pt/ museu/artist/stuart-carvalhais/

Trazemos também o exemplo de Maria Keil a esta dissertação. Apesar da sua formação em Pintura, a artista tem uma vasta obra na área da ilustração e da publicidade nas quais o estudo através do desenho está na génese dos resultados. Nasceu em Silves no dia 9 de Agosto de 1914. Frequentou a Escola Elementar de Comércio e Indústria João de Deus e, segundo Mantas (2012), esta escola terá sido bastante importante no seu percurso, pois foi lá que encontrou Samora Barros, pintor e professor de desenho.

“De acordo com Maria Keil, o seu pai foi aconselhado por Samora Barros no sentido de a enviar para a Escola de Belas-Artes de Lisboa” (Mantas 2012, p. 34). Com 15 anos Maria Keil veio morar em Lisboa e, anos mais tarde, ingressou na Escola de Belas-Artes de Lisboa. Frequentou durante três anos um curso geral e depois optou pelo curso de pintura, que não chegou a acabar pois abandonou as Belas-Artes, tendo casado em 1933 com o arquiteto Francisco Keil do Amaral. Deste casamento e do convívio com o seu companheiro surgiu a oportunidade de Maria Keil conhecer novas pessoas, como artistas e intelectuais. Foi através da influência de Francisco Keil do Amaral, que a artista foi construindo a sua identidade (Mantas 2012):

“Numa tentativa de analisar a influência exercida por

Francisco Keil do Amaral sobre o trabalho de Maria Keil, destaca-se a clara aproximação à arquitetura, através das artes aplicadas que a artista explorou de forma inovadora, com recurso a uma linguagem moderna; e a influência de um

modo de ver arquitetónico, matemático e geométrico que adquiriu com o marido ao longo dos quarenta e dois anos de casamento.”

(Mantas 2012,p.40)

À semelhança de quase todos os artistas do séc. XX, Maria Keil produziu trabalhos para o SPN/SNI por volta dos anos 30 e 40. Participou também em várias exposições como a Exposição internacional de Paris ou a Exposição de Nova Iorque (Mantas 2012; Sabino 2015). A artista desenvolveu também trabalho na área do design gráfico — cartazes, selos e ilustrações no atelier ETP (Estúdio Técnico de Publicidade) —, na área do design de equipamento — mobiliário para a pousada da Serra da Estrela— e até na área da cenografia, acabando em 1941 por receber o prémio revelação Souza-

Cardoso (Sabino 2015). Segundo Mantas (2012) foi em 1941, com este prémio, que a artista viu o seu trabalho publicamente reconhecido através de um autorretrato,