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2.2 Chemical kinetics and Radical mechanisms

2.2.2 Hydrocarbon oxidation theory

Segundo Silva (2009, p. 191),

“De acordo com o que defendia a academia de Paris, tudo devia ser corrigido segundo os parâmetros da estatuária grega e romana. Considerava-se a Antiguidade mais fundamental para a criação de uma obra de arte perfeita do que a própria natureza,

pretendia-se uma superioridade em relação à natureza porque aos artistas cabia igualarem-se a Deus na criação.”

Charles Le Brun, pintor e diretor da academia de Paris, segundo o mesmo autor, privilegiava a razão e esse apego iluminista ao racionalismo estabeleceu um novo paradigma na academia. O artista não nasce com um dom, mas ganha-o através do esforço e dedicação à arte (Silva 2009). Moreira da Silva (2014) relata que o ensino em França se diferenciou do ensino italiano devido à imposição de regras que eram ditadas pelos interesses da realeza e afirma que

“Numa época dominada pelo absolutismo, o papel reservado às artes estava ligado à afirmação do poder político e a implementação das Academias possibilitou o controlo dos artistas e da sua

formação. Ao longo dos séculos seguintes, as Academias de Artes proliferaram por todo o mundo ocidental, tornando-se nos principais centros de ensino artístico.” (Moreira da Silva 2014,p.31)

Nos finais do séc. XVII verificou-se uma crise nas academias, dando origem a um debate entre os defensores dos ideais clássicos como valores supremos da perfeição e os modernos valores iluministas, historicamente designado por Querelle des Anciens et des Modernes. A ideologia antiga, baseada nos gregos e nos romanos, e que se estendia às artes em geral, incluindo a literatura, era contrária aos princípios de inovação dos modernos, que pretendiam uma evolução sem perda do crédito atribuído aos clássicos. Em Itália já tinha sido observada, com o argumento apologético de Piranesi, a pertinência de se reconhecer beleza a outras formas, como a egípcia e a toscana, reclamando-se a liberdade dos artistas de fazerem seus os ideais de beleza que lhes aprouvesse (Campos 2012). Em França, esta discussão articulava-se com a força do movimento das luzes, levando a que as fundações do belo fossem postas em causa, abrindo espaço a novas formas de entender a arte (Silva 2009).

[é realçado] e rejeita-se a uniformização dos gostos.” O público passa a ganhar opinião e permissão à crítica da obra.

Moreira da Silva (2014) refere que, após a revolução francesa, as academias estavam condenadas à extinção, mas o ensino do desenho perdurou, apesar de Silva (2009) mencionar que o absolutismo de Luís XVI deixa de existir assim como a pedagogia da época. No entanto, foi fundado o Institut de France e criada a Acádemie de Beaux-Arts que continuou a ministrar o mesmo tipo de ensino usado até esta época.

Durante o séc.XIX, “o ensino artístico não tinha por objetivo libertar a criatividade latente nos alunos” (Moreira da Silva 2014 ,p. 34), eram as matérias tidas por fundamentais no decurso de uma atividade artística profissional o conteúdo dos propósitos formativos. Foi no âmbito desta influência das academias francesas que se constituíram as primeiras academias portuguesas, as academias de belas-artes de Lisboa e do Porto, nascidas do arranque do liberalismo no séc. XIX, cujo ensino era baseado no desenho (Moreira da Silva 2014).

3.2. O Disegno

No Renascimento notamos que a palavra desenho é referida na maior parte dos tratados da época como disegno e é pertinente, além de interessante, percebermos a etimologia do termo. A palavra é florentina e segundo Paixão (2008, p. 37), este termo é “onde o desenho assume a aceção de ciência ou de teoria, deriva do denominativo designare, um verbo latino composto do prefixo de-, que lhe denota, precisamente, «proveniência», e signum, substantivo que corresponde a «rasura», «marca», «tipo», «grafo», «corte», «ferida».”

De acordo com Martins (2007) a palavra disegno surge por volta dos anos 1400 e dá origem a palavras semelhantes a ‘desenho,’ porém com amplitudes distintas, em várias línguas, como o português, o espanhol, o francês e o inglês (Desenho, Diseño, Dessein, Design).

“As palavras em italiano e português conservaram, basicamente, um sentido mais amplo ligado ao conceito originário, aquele que se referia não só a um procedimento, um ato de produção de uma marca, de um signo (de-signo), como também, e principalmente, ao pensamento, ao desígnio que essa marca projetava.”

(Martins 2007,p.1)

Note-se que o termo, em francês, deu origem a dois étimos: dessein, no sentido projetivo, relativo ao desenho como processo de pensar e decidir, como desígnio, e dessin, que corresponde ao desenho como imagem visual traçada sobre um suporte. Na língua inglesa, na qual este último desenho se traduz para drawing, a palavra design, que significa desígnio, passou a estar estreitamente ligada à produção de artefactos que exigem uma prática discriminada do desenho em todos os seus níveis (conceção, informação à execução, transmissão, etc.), o que se intensificou com a revolução industrial. Martins (2007, p. 1) descreve

“a necessidade do desenho (...) e o consequente desenvolvimento de práticas específicas para essa atividade também contribuirão para essa divisão pela necessidade de terminologias específicas. Esse processo acabará por influir, com a disseminação de uma prática manufatureira economicamente decisiva, para a adoção do termo, na grafia original inglesa, design, em muitas outras línguas.” (Martins 2007,p.1)

O termo em inglês vem colocar uma maior distância entre as palavras drawing e design e enfatizar o significado do termo disegno que é definido como o ato de projetar e conceptualizar ou de pensar visualmente. A palavra em inglês traz demasiados significados na nossa língua e a maior parte nem sequer estão relacionados com a nossa aceção de desenhar (Martins 2007). Constatamos a diferença entre ‘draw’ e ‘design.’ Se procurarmos pela palavra draw no Cambridge Dictionary observamos que existem de facto inúmeros significados em português da mesma palavra além do verbo desenhar, como por exemplo ‘atrair,’ ‘mover-se,’ ‘aproximar-se,’ ‘abrir’ ou ‘fechar’ (por exemplo ‘draw the curtains’) ou ‘empatar.’ A palavra design, no mesmo dicionário, refere-se ao ato de projetar, de pensar, de planear e, claro, de desenhar, mais uma vez. Como conclui Martins (2007, p. 2),

“no entanto, nem mesmo a palavra drawing pode deixar de se referir, de alguma forma, a um projeto ou seja a um desígnio, a um ato de pensamento, mesmo porque essa é a natureza do ato de desenhar (...) Ao mesmo tempo, a palavra design, com um campo semântico um pouco mais direcionado, mas de uso vasto, em todo tipo de expressão nas mais variadas circunstâncias, nunca deixou, por seu lado, de significar esboço, desenho, delinear, traçar, descrever, evidenciando a origem de um procedimento intelectual mais amplo e que se origina desta forma de representação gráfica,

il disegno.” (Martins 2007,p.2)

O autor fala-nos também da palavra italiana designare, que até aos dias de hoje significa trabalhar a ideia, o projeto ou o desenho, e que, consequentemente, influenciou o aparecimento da palavra desenho em português. Também Silva (2009, p. 43) aborda esta questão e afirma em relação à palavra desenho, “Assim, desenhar é ao mesmo tempo acção e intenção, pensamento e meio, resolução do entendimento e registo da racionalidade humana.”.

Conclui-se que a palavra ‘desenho’ nasce da palavra disegno e que consiste num método ou processo de representação visual de coisas ou seres observados ou imaginados. Por ser desígnio, de acordo com a definição etimológica, contém a noção de projeto e de intenção. Assim, o desenho encarna o sentido próprio do design.