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Composition of deposits found near deposited liners

3 Characterization of Liner Deposits 61

3.4 Composition of deposits found near deposited liners

“A capacidade de elaborar um sketch está diretamente relacionada com a construção do pensamento visual, aquele que precede a própria formação do conceito de projeto.” (Hartmann et al 2016, p.1)

O sketch — ou esboço — ajuda o designer no projeto, auxiliando-o na análise do problema, utilizando materiais como o papel ou um meio digital ou até mesmo uma combinação dos dois (Olofsson e Sjolen 2005).

No contexto português as palavras sketching e sketch nem sempre foram usadas, mas actualmente é comum um estudante de design usar a palavra sketching para designar o ato de esboçar e sketch para referir o esboço. A palavra sketch é bastante utilizada em design para descrever um desenho rápido, simples e de aparência inacabada que auxilia o designer no processo

3. Terminologias

de criação, sendo a ferramenta que explora e esquematiza ideias (Guerreiro 2014, p. 10).

De acordo com Olofsson e Sjolen (2005) o termo sketch vem da palavra italiana schizzo que vê a sua origem na palavra grega skhedios. O sketching ou ato de esboçar é caracterizado pelo processo de desenvolvimento de um dado projeto em design (ou em outras áreas criativas) com a finalidade de elucidar rapidamente o designer e apoiá-lo na resolução de problemas ao longo do processo, precisamente porque traduz objetivamente a ideia do designer (Craft & Cairns 2009).

Considerando a frase de Craft e Cairns (2009, p. 65), “In its most general form, sketching is a way of playing with ideas”, o ato de esboçar pode caracterizar-se pela atividade que permite ao designer criar e eliminar, modificando e melhorando ideias, explorando sempre a criatividade com a finalidade de criar o melhor objeto de comunicação possível.

Para Goldschmidt (1994), o objetivo do esboço é representar os pensamentos que já estejam na mente do ser humano. Embora possamos reconhecer que existem sketches (ou esboços) que não se limitam a mostrar apenas a ideia, mas sim tentam encontrar uma, esta situação continua a ser o espelho do pensamento, no caso um pensamento ainda indeciso. Este tipo de desenho é o que representa mais o visual thinking. Se procurarmos a definição de esboço no dicionário português reparamos que a palavra tem diversos significados como “delineamento inicial de um desenho ou obra,” “resumo ou síntese,” “plano sumário,” “sinopse de uma obra literária,” “príncipio ou ínicio,” “ação iniciada mas não completada,” “estádio inicial de algo que pode ser aperfeiçoado e desenvolvido” e “noções gerais” (Infopédia 2019). Podemos afirmar então que esboço é o inicio de um projeto.

Não podemos deixar de referir que na língua portuguesa existem vários sinónimos para esboço tais como croquis, debuxo, ou projeto, o que nos parece confuso pois um croquis deveria ser definido como um desenho mais rápido que o esboço, onde a linha é fundamental e os detalhes são quase inexistentes. No croquis a ideia a projetar ainda não está assente, trata-se de traçar as ideias de uma forma mais livre. O esquisso (que provém igualmente da palavra italiana schizzo) é também definido pelo dicionário

como “primeiros traços de uma obra” ou “esboço”. Esquisso deverá ser então sinónimo de esboço. A palavra projeto também não deveria de ser, na nossa visão, sinónimo de esboço pois o projeto, além de ter implícito o sentido de antever, é algo mais completo e mais detalhado, que segue um processo, tendo já um conceito bem definido adjacente; segundo o dicionário da língua portuguesa Infopédia, uma das suas definições é desígnio, como referido no capítulo III [p.52]. Acerca da palavra debuxo, Martins (2007) relembra que a língua portuguesa a deixou cair em esquecimento embora a tenha herdado do espanhol dibujo, com influência do francês:

“No nosso caso, esse esquecimento parece justificável não só pela lamentável sonoridade e conotações que esta propicia, como pela existência do termo correlato e com a mesma raiz, bosquejo, mas, principalmente, por essa palavra ter conservado os mesmos significados que damos para desenho, sem as especificidades que individualizaram o termo hispânico correspondente. Se, de um lado, debuxo é um “desenho que se representa pelos seus

contornos gerais” também é obra projetada. Se debuxar é “delinear, desenhar, traçar os contornos de”, também é “representar na idéia, figurar, imaginar” ou “planear, determinar os tópicos e a disposição geral, formar o esqueleto de”. Trata-se, enfim, de um termo que pouco se diferencia do de desenho.” (Martins 2007,p.3)

Em Martins notamos que debuxar é sinónimo de desenhar. É de ressaltar outra palavra existente na nossa língua, o estudo. O estudo já abordado nesta dissertação quando mostramos exemplos dos estudos de Leonardo Da Vinci e Michelangelo, é referido como uma “observação” ou uma “análise” (Infopédia 2019). É um desenho com a finalidade de estudar o objeto em todas as suas posições.

O designer gera vários desenhos em várias fases de forma a incentivar a mente a conceber novas imagens e novas ideias. É um processo cíclico, onde o designer vai continuar a esboçar ou debuxar até que encontre a melhor solução e esteja pronto para a realização do projeto.

“Pensar o desenho numa situação de projeto é assumi-lo a ele próprio como projeto.” (Simões 2012,p.34)

Após a compreensão de alguns conceitos, consideremos o desenho como transmissor do pensamento no âmbito do projeto. Ao longo do capítulo III tivemos a oportunidade de observar que o ato de traçar é, tradicionalmente, um recurso dos artistas e inspira outros na criação ou no encontro da melhor ideia. De acordo com Simões (2012, p. 34),

“Através da prática e da reflexão, estamos não só a pensar o desenho como instrumento, mas como linguagem que abarca um conjunto de componentes como a linha, a mancha, o ponto, que são também eles, a luz do território do projeto, trabalhados, de forma que a própria linguagem do desenho seja instrumento ao serviço da criatividade.”

Inferimos que o desenho faz parte do processo criativo quando o designer precisa de projetar, dando incentivo e espaço à criatividade para se manifestar. Atendendo às quatro etapas do processo criativo de Wallas podemos afirmar que o desenho intervém em duas fases: na iluminação e na verificação. Como referido no ponto 2.2. do capítulo II, através da interpretação de textos de Lubart (2007) e Kneller (1992) entendemos que a fase da iluminação é o surgimento da ideia na consciência e a verificação é a fase de esboçar a ideia de forma a testá-la e aperfeiçoá-la, querendo com isto dizer que o desenho pode e deve intervir nestas duas fases.

O objetivo de quem desenha é determinar um problema e resolvê-lo, encontrando respostas através do gesto. O desenho em projeto traz mais objetivos como encontrar estratégias por meio da imaginação, do desenvolvimento e apresentação de uma solução criativa ao problema proposto (Simões 2012).

Na educação o desenho no projeto não pode ser apenas visto como a procura de soluções mas também como uma disciplina onde os alunos “se sirvam dele para criar percursos, desvios que lhes proporcionem novas abordagens, novos caminhos e novos conhecimentos” (Simões 2012, p.40). Simões (2012) diz-nos que é nesta fase que podemos falar do pensamento vertical de Bono, descrito como o lado racional. Este tipo de pensamento surge de forma mais clara quando o designer necessita de tomar decisões, passando por um processo de seleção de ideias.