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3 Characterization of Liner Deposits 61

4.2 Liner lacquer in domestic ferry

4.2.8 Observations

diversas épocas e propósitos.”

19 T.A.: “A arte como pesquisa no campo da estética pura é a alma que mantêm viva e refresca

continuamente a fonte de todos as produções de desenhos.”

Fig.37 Massironi 2002, p.3.

A tree diagram of graphic productions

Fonte: Massironi 2002,

The Psychology of Graphic Images: Seeing, Drawing, Communicating.

decide pegar no papel e, utilizando o que lhe está mais próximo, esquissa as primeiras ideias. O momento torna-se íntimo, entre o designer e o seu pensamento. Para o autor, fazer um esquisso vai desencadear sempre outro esquisso e as ideias tornam-se novas ou melhores.

Pipes (2007) refere três funções do desenho do designer de produto, que acreditamos que se aplicam também aos desenhos dos designers de comunicação. A primeira função refere que o desenho é um meio de revelar pensamentos e de simplificar vários problemas com o objetivo de os tornar mais nítidos; a segunda função fala do desenho ser um modo para convencer o cliente e garantir que o seu pedido está a ser cumprido e a terceira função do desenho é dirigida a quem vai montar ou fabricar o objeto idealizado, sendo conhecida também como desenho técnico ou ilustração técnica. Ao longo da investigação explorou-se assim a primeira função do desenho do designer, a etapa onde ocorre o ‘momento eureka’ e o designer vai tornar a ideia tangível e transmissível, esquissando de forma recorrente até entender que a ideia está bem representada, passando pelo esboço e finalizando com o estudo. De acordo com Tavares (2009) o desenho e o projeto devem ser como duas peças de um puzzle, complementando-se uma à outra. Todavia, ressalva:

“Apesar da sua relevância artística ser secundária, enquanto instrumento, não podemos deixar de referir que entendemos a intervenção do desenho manual no desenvolvimento do projeto como o momento criativo por excelência, a componente

gráfica explorada pelo individuo que usa o lápis (caneta, marcador, ou outro) confere ‘poesia’ ao projeto, uma vez que quem

desenha, quem regista e investe contra o papel dando forma às coisas, imprime o seu cunho. Transporta consigo as suas experiências, as suas hesitações e certezas. O desenho dá ao projeto a oportunidade de transgressão e crescimento.” (Tavares 2009,p.16)

Também Rolo (2015), apoiada em textos se Pam Schenk e Jorge Spencer na sua tese de doutoramento, aborda o desenho no projeto e em design gráfico. Embora o estudo se concentre na era pré-digital, é relevante mencionar e perceber nesta investigação que antes do aparecimento do computador o designer gráfico cumpria uma série de tarefas apoiadas pelo desenho. Citando Rolo (2015, p. 135) acerca desta questão:

“Nesta época, e segundo o estudo de Schenk, um processo de design gráfico era constituído por uma sucessão de tarefas, que se podem enumerar por receção do briefing, recolecção de material de referência, análise do problema de design, desenvolvimento das primeiras ideias, síntese dessas ideias, desenvolvimento de soluções de design, apresentação dessas soluções, avaliação, revisão das soluções, e posteriormente, encomenda das artes finais e preparação para impressão. Em todas estas tarefas foi referida, pelos inquiridos do estudo, a importância do desenho enquanto elemento adjuvante e facilitador.”

A autora vem reforçar então a importância que o desenho tem quando falamos no processo criativo em design de comunicação. Isto, segundo Rolo (2015, p. 137), “deve-se ao facto de este meio de registo ser estruturante na formação do pensamento e na criação de novas ideias. A estes desenhos destinados a perseguir raciocínios e a alcançar a novidade, dá-se o nome de desenhos de estudo.”. Como visto anteriormente, a palavra estudo nesta dissertação refere-se a uma análise ou observação que resulta em desenhos sobre o objeto que o designer quer produzir de forma a melhorá-los e Rolo (2015) baseada na tese de doutoramento de Spencer (2000) vem reforçar esta ideia utilizando agora a conjugação de palavras ‘desenhos de estudo’ —cuja definição será verificada adiante — e referindo o papel que o desenho tem no projeto em design. Um dos argumentos usados por Rolo (2015) reporta-se ao suporte operativo. O suporte operativo é um meio que auxilia uma dada disciplina criativa a comunicar ou a ser compreendida pelo ser humano. Os exemplos que a autora menciona são

“… na música, a notação musical, na literatura o texto manuscrito ou dactilografado, e na coreografia um sistema de notações gráficas indicativas dos movimentos. No design gráfico, bem como em outras áreas de projeto, o suporte operativo é o desenho.” (Rolo 2015,p.137)

A ideia de que as áreas de projeto estão ligadas ao desenho é também apresentada por Moreira da Silva (2014) quando aborda a metodologia de ensino do desenho em design implementada por Daciano da Costa na FA. Ao percorrermos o texto, ficamos a conhecer os objetivos da disciplina de desenho na licenciatura em design e compreendemos a ligação que Daciano faz entre o projeto e o desenho. Segundo a autora, apesar da licenciatura ter

sido pensada para se dirigir ao design industrial, existe a entrada do design gráfico na disciplina de desenho III. Citando a autora:

“Durante o primeiro ano, num contexto mais básico ou elementar, o aluno é orientado no sentido de poder adquirir os princípios para o entendimento do pensamento visual através das potencialidades da expressão gráfica. Durante o segundo ano a metodologia é canalizada num sentido eminentemente crítico. Finalmente no terceiro ano, a disciplina de Desenho III faz a transposição do ensino fundamental do 1º Ciclo para a Comunicação Visual.” (Moreira da Silva 2014,p.324)

Acrescentando também,

“Nesta metodologia que implementa para ensino de Desenho em Design, Daciano continua, como já o tinha feito em Arquitetura, a fazer compreender o Desenho como fundamento das atividades projetuais, estabelecendo uma relação cada vez mais estreita entre Desenho e Projeto.” (Moreira da Silva 2014,p.326)

Também Leonor Ferrão no seu texto O pensamento teórico de Daciano da Costa e o ensino de design 20 afirma que “Daciano entende o desenho

como uma maneira de ver, compreender, imaginar, refletir, experimentar, representar e validar, um “torso” comum a todas as disciplinas projetuais” (2013,p.43) e Francisco da Silva Dias mostra, através do seu texto Daciano da Costa, Mestre dos ofícios do desenho 21, algumas experiências onde se

cruzou com o designer e o desenho, como por exemplo na construção do complexo portuário-industrial de Sines, ou na reconstrução de um edifício com história, os Paços do Concelho. Após a descrição da forma como Daciano trabalhava nos vários projetos, o autor afirma “Porque projetar é dizer mil nãos e um só sim (…)” (2013, p.115), levando-nos à conclusão de que através do desenho e do estudo sistemático do projeto consegue-se chegar a uma melhor solução final mesmo que para isso tenham de existir inúmeras opções de soluções intercalares. É a procura do ver mais e chegar além que