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TESIS DOCTORALS DIPOSITADES EL CURS 2000-2001

In document Memòria del curs acadèmic 2000-2001 (sider 105-108)

Carmen Touza Garma (curs 2000-2001)

DEPARTAMENT DE QUÍMICA Cursos organitzats pel Departament

5. ACTIVITAT DE RECERCA

5.2 TESIS DOCTORALS DIPOSITADES EL CURS 2000-2001

Por ser uma pesquisa do tipo qualitativa o tamanho das amostras não foi definido a partir de critérios estatísticos. Procurou-se escolher estabelecimentos e elementos de análise que representassem a diversidade das práticas locais, sendo que a diversidade prática que mais interessou foi aquela relacionada aos sistemas produtivos agropecuários, especialmente no que se refere à atividade bubalina.

Portanto, as amostras foram dirigidas de forma a obter a máxima heterogeneidade dos sistemas produtivos da comunidade São João do Cupari. Estas foram obtidas por meio de investigações via perguntas orais sobre a existência de sistemas produtivos diferentes desde o primeiro entrevistado. Uma vez identificado um sistema produtivo novo analisava-se sua trajetória e os fenômenos que colaboraram para tanto (procedimento discutido mais adiante). Como se observou que o grupo era relativamente homogêneo, principalmente, em relação ao sistema produtivo, considerou-se que não seria necessário um número elevado de amostras para identificar a realidade do grupo. Dessa maneira, foram realizadas um total de 16 entrevistas.

É interessante comentar que ao levar em consideração a diversidade do sistema produtivo para a definição das amostras, simultaneamente, outros fatores passaram a fazer parte das amostras. Pois, ao se ter a diversidade dos sistemas produtivos como meta, conjuntamente, considerou-se as diferenças do meio biofísico, diferenças socioespaciais (na forma em que as famílias estão distribuídas e como se organizam) e diferenças econômicas entre as famílias.

Para a captura da máxima diversidade da comunidade foram entrevistados todos os patriarcas dos grupos familiares, um total de seis e mais alguns casais pertencentes a um determinado grupo familiar, formando a família extensa. Houve um caso especial, de um grupo familiar, na qual a coesão já não era mais tão perceptível, como nos outros casos: neste o patriarca era muito idoso e não pôde realizar a entrevista, que foi feita com todos os seus filhos. Entre estes há um processo de formação de novos grupos familiares, portanto, os laços de união entorno do patriarca já havia enfraquecido.

4.2.3 Levantamento de campo

4.2.3.1 Cronograma de entrevista

O levantamento de campo foi realizado no período de maio a julho de 2012. Durante esse período foram efetuadas três idas a campo, de 15 dias, com intervalos também de 15 dias, totalizando 45 dias de levantamento na comunidade e 30 dias em um ponto de apoio, na cidade de Altamira. No período passado no ponto de apoio foram realizadas as primeiras sistematizações das informações e (re) adequação dos instrumentos de levantamento.

As entrevistas foram conduzidas pelo pesquisador49, por meio de um questionário. A entrevista foi também gravada, com o consentimento do entrevistado. Além das perguntas existentes no questionário foram feitas outras complementares quando surgiam elementos, no discurso dos entrevistados, importantes para os objetivos do trabalho, mas que não estavam contempladas no mesmo. As entrevistas duraram, em média, uma hora e meia.

4.2.3.2 Instituições entrevistadas

Para levantamento dos fatos relevantes que aconteceram ao longo da história da comunidade foram realizadas entrevistas com instituições que atuam na localidade. O objetivo destas entrevistas foi o de identificar os acontecimentos importantes que ocorreram e que influenciaram a dimensão técnica. Com base nessas informações foi formulado o questionário de entrevistas e montado um organograma com as datas dos principais acontecimentos. Com ele pode-se indagar os entrevistados em pontos específicos da história, contribuindo para os fatores de origem externa a comunidade e até mesmo questioná-los com relação ás contradições identificadas.

4.2.3.3 Pessoas entrevistadas

Para um primeiro registro da situação da área a primeira conversação foi iniciada com um morador da comunidade indicado por outros pesquisadores que já haviam realizado pesquisas na área em questão. Por meio dele foram obtidas informações mais gerais, importante para organização da logística e cronograma de pesquisa. Esse também indicou

49 Na integra o método Análise Retrospectiva sugere que a entrevista seja feita por duas pessoas, porém foi

alguns interlocutores que poderiam interessar à pesquisa, além de colaborar para as idas à comunidade, comunicando às famílias e de certa forma “abrindo as portas”.

Nos estabelecimentos as entrevistas se dirigiram, na maioria das vezes, para o chefe de família, com exceção de alguns casos, em que houve maior receptividade, devido a um maior tempo de contato, foram realizadas conversações com mulheres e filhos.

Segundo Moulin et al (2005), são necessárias duas entrevistas, pois algumas informações podem estar faltando ou não ficarem bem claras na primeira entrevista. Nas primeiras entrevistas foram aplicados os questionários e com as repostas realizou-se uma pré- sistematização, iniciando os primeiros esboços das crônicas e também a descrição da história de cada ator. Neste momento foi identificado falhas e as incoerências nas histórias. Com a identificação das lacunas e incoerências foi feito um novo formulário e no ato do retorno pode-se, assim, dirimir as dúvidas com os entrevistados.

4.2.3.4 Roteiro da entrevista

Segundo Moulin et al (2005) a diversidade de formas de exploração dos ecossistemas se explica pela história conjunta das transformações ecológicas, das relações sociais e das técnicas agrícolas. Portanto, tem-se como objetivo nas entrevistas, além de estabelecer uma cronologia dos fatos ecológicos, técnicos e sociais relatados, sobretudo estabelecer relações de causa e efeito entre estes fatos (MOULIN et al., 2005).

Portanto, segundo o interesse do próprio método da Análise Retrospectiva o entrevistado foi conduzido a contar sua história desde o momento da chegada à comunidade e como se processou a formação do modo de vida atual, enfatizando as diferentes formas de uso do espaço, manejos, atividades que surgiram e desapareceram, alterações nos elementos naturais, etc. Para isso o roteiro foi organizado em duas partes, o que os autores desta proposta metodológica chamam de “tempo longo” e “tempo redondo”.

A entrevista, portanto, teve duas etapas: a primeira tratou da organização atual da propriedade; e a outra parte tratou das mudanças que aconteceram no longo prazo.

- 1ª etapa do roteiro de entrevista, a organização atual da propriedade (tempo redondo):

Nesta etapa, seguindo as orientações de Moulin et al, (2005), foi enfocada a composição da família e suas ocupações respectivas, inclusive, com atividades extras50, a organização do sistema de produção, a distribuição das atividades entre a família e durante o decorrer do ano, verificação da existência de outras atividades econômicas ou aspectos específicos na propriedade.

- 2ª etapa do roteiro de entrevista, as mudanças no longo prazo (tempo longo):

Nesta etapa foram identificados os elementos - ecológicos, técnicos e sociais - históricos de maior repercussão que determinaram as transformações no sistema de produção e que culminaram na sua situação atual. Estes elementos apontaram: alterações de potencialidades e os limites dos ecossistemas; mudanças ecológicas (inundações, desgastes dos solos, desmatamento,...); evolução da estrutura fundiária; evolução das técnicas ou dos instrumentos de produção; criação de infraestruturas (posto de saúde, escolas, estradas e etc.); expansão e retração dos mercados; migrações; crescimento demográfico; mudanças na legislação.

Ainda seguindo as orientações de Moulin et al, (2005) identificou-se os eventos importantes na vida da pessoa, da família, do estabelecimento. Nesta etapa correlacionou-se os eventos importantes com a atividade de criação bubalina, com especial atenção para o reconhecimento dos processos evolutivos, no que diz respeito a mudanças de práticas, crescimento/retração da atividade, utilização do espaço, entre outros aspectos.

Além disso, realizaram-se comparações com os vizinhos questionando quando havia diferenças, porque não fez o mesmo que ele. E também, “de onde vieram essas ideias de mudança? Quais são as redes de relacionamento sobre as quais ele se apoiou, para tomar a decisão dele? Na base de quais saberes ele decidiu?” (MOULIN et al, 2005, p. 6).

50 Atividades, geralmente, remuneradas realizadas por algum integrante da família e que não fazem parte do

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