• No results found

SERVEI DE BIBLIOTECA I DOCUMENTACIÓ Relació de caps del Servei de Biblioteca i Documentació

In document Memòria del curs acadèmic 2000-2001 (sider 134-139)

METODOLOGIA I VALORACIÓ DE L’ENTRENAMENT DE LA RESISTÈNCIA I LA VELOCITAT

2. ACTIVITAT ASSISTENCIAL

9.3 SERVEI DE BIBLIOTECA I DOCUMENTACIÓ Relació de caps del Servei de Biblioteca i Documentació

Na Figura 26 está organizado como as famílias do Tipo 2 distribuem suas atividades ao longo de um ano (ciclo curto). Pela mesma notam-se diferenças em relação ao Tipo 1. Neste tipo as famílias não praticam venda de diárias, e a agricultura de cultivos anuais é realizada apenas esporadicamente, e quando efetuada é geralmente destinada ao consumo. As práticas deste Tipo em relação ao Tipo 1 só se equipara em relação a atividade da pesca comercial, mas mesmo assim existem diferenças acentuadas, visto que este Tipo atua como intermediário.

Nestas famílias as condições de vida é bem mais próximas dos padrões de vida comuns ao “modo de vida moderno”, com televisão, bomba d’água, motor de energia, casa na cidade, filhos estudando na cidade e mais de um barco por estabelecimento. Outra característica deste Tipo são a dos núcleos familiares que, apesar de serem muito próximos, com uma casa do lado da outra, geralmente, com a dos anciãos no centro, como ocorre com o Tipo 1, possuem somente um casal e os filhos em cada casa. Contudo, o sistema de produção ainda é, como no Tipo 1, totalmente integrado, em que a produção e realizada com base na força de trabalho do conjunto do grupo familiar a que pertença a família, por isso ainda é considerado como família extensa.

Figura 26: Calendário agropecuário das famílias do Tipo 2.

Fonte: Pesquisa de campo, 2012

Neste Tipo o sistema de produção não é tão dependente do extrativismo, com isso a pesca, apesar de variar conforme a família em grau de importância, é secundarizada frente ao sistema de criação, principal fonte de receita do sistema de produção.

Como pode ser observado na Figura 26, o Tipo 2, assim como o Tipo 1, também chega a despender até seis meses do ano nas atividades voltadas à pesca. Entretanto, o normal é que apenas três meses sejam destinadas a essa atividade, que vai do mês de junho a setembro, período de vazante do rio, em que os cardumes se concentram em áreas menores, tendendo a voltarem para os grandes rios. A pesca fora de época ocorre quando são identificados grandes cardumes de peixes, normalmente no período de cheia. Caso bem expressivo ocorreu esse ano, quando um grande cardume de tambaqui foi notado, o que promoveu a efetivação da atividade pesqueira fora de época. Assim, a pesca se concentra nos períodos em que há maior produtividade88

.

88

Ou seja, as famílias intensificam tempo e forças disponíveis neste trabalho somente nos períodos em que a produção apresenta um ótimo rendimento. Caso contrário, a pesca comercial não é praticada, dando preferência para outras atividades, já previamente consideradas.

A famílias deste Tipo tem maior capacidade de pesca por possuírem maior capital, sendo donos de embarcações voltadas para este fim e de caixas térmicas com gelo adquirido na geleira de Porto de Moz, para o armazenamento do peixe. Por essa capacidade de armazenamento para pós-venda, este Tipo negocia com as famílias do Tipo 1 o peixe pescado por elas, atuando, assim, como intermediário na negociação do peixe com as geleiras ou no próprio comércio do município.

Em relação ao sistema de criação este Tipo pratica uma pecuária de dupla aptidão, com produção de gado de corte e de leite para o fabrico de queijo. Aqui o sistema de criação, diferentemente do Tipo 1, tem capacidade de gerar renda, superando todas as outras fontes como aposentadoria, pesca, e trabalhos esternos ao sistema produtivos.

As famílias deste Tipo articulam as atividades oriundas da bubalicultura com as atividades oriundas do extrativismo. Assim, em períodos de maior escassez de peixe, no verão até o início do inverno, as famílias concentram esforços na produção de queijo e, simultanemente, do gado voltado ao corte. A produção de queijo durante os meses de setembro a fevereiro os animais se encontram próximos à casa, isto viabiliza a produção de pequenas quantidades de queijo, quando comparado com o Tipo 3, 49 kg em média. Produção que é encerrada quando o gado e direcionado à terra firme, pois a distância inviabiliza a retirada de leite, devido a pouca quantidade.

É importante frisar que o custo/benefício da prática de retirada do leite é relativizado mais por fatores como penosidade do trabalho frente à renda liquida produzida do que o custo monetário frente à receita líquida (como ocorre sob a perspectiva de um capitalista). Pois, o custo monetário para este Tipo é mínimo, tendo em vista que, a mão de obra é, na maioria das vezes, familiar, ao contrário do Tipo 3, no qual o custo de produção é diretamente influenciado pela renda líquida, devido, principalmente, a produção ser proveniente de mão de obra contratada.

A prática do gado de corte por essas famílias, ao contrário dos estabelecimentos familiares rurais da transamazônica, não é restrito somente a etapa de cria, mas atuam no processo completo, ou seja, cria, recria e engorda (SIMÃO, 2003). Portanto, as famílias, geralmente, vendem os animais na fase adulta, quando estão pesando por volta de 400 kg. Essa prática é comum entre os bubalinocultores da comunidade, sendo praticada por todos os Tipos.

A quantidade de cabeças que o Tipo 2 possui é bem maior do que a do Tipo 1, sendo que o número de cabeças varia entre 50 – 100 cabeças, frequentemente, ao atingir o máximo

de 100 animais é feita a venda. Geralmente, a venda é realizada todo ano com uma quantidade que chega até 50 cabeças, situação em que o número de animais começa a crescer novamente. Isto faz com que a participação da atividade bubalina no modo de vida das famílias seja diferente da do Tipo 1 (o Extrativista).

Assim, a reprodução da família, pelo menos em parte do ano, é garantida pela conjugação da produção de queijo e a atividade pesqueira. A bubalinocultura, como gado de corte, responde às necessidades da família nos meses em que não são práticados nehuma das outras atividades. Neste sistema produtivo não há sobreposição de atividades, cada uma ocupa seu lugar específico no tempo, há uma articulação com as condições do meio, aproveitando os recursos naturais disponíveis em cada período do ano.

Em relação ao manejo do búfalo, sua produção em quantidades que atingem no máximo 100 animais por família permite que os animais sejam criados sob os pastos nativos nas proximidades das casas, sendo conduzidos ainda nos limites de pastagem que cada grupo familiar detém. Com isso, a criação dos grupos familiares deste Tipo se dão nas áreas da comunidade. No entanto, por a criação bubalina ser na área da comunidade o número de animais neste Tipo é limitado, tornando obrigatório a realização do descarte para não interferir na capacidade de criação de outras famílias.

O sistema de pastoreio (Figura 27) é realizado seis meses do ano em terra firme, nas pastagens cultivadas, e seis meses na área de transição, próximas às ilhas. Na terra firme, segundo os moradores, até este momento, a pastagem não atinge o ponto de definhamento do capim, o que forçaria o translado dos animais para outras pastagens, como ocorre com o Tipo 3.

Figura 27: Rota de pastejo do Tipo 1 e 2.

Fonte: Pesquisa de campo, 2012.

Pastoreio nas ilhas no verão.

Pastoreio na terra firme no inverno.

É importante salientar que, segundo conhecimentos agronômicos, uma Unidade Animal (UA), equivalente a 450 kg, em condições de produção extensiva ocupa 1 ha/ano. No caso deste Tipo cabe lembrar que os animais ficam apenas seis meses do ano sobre o capim, portanto, se este estiver com sua lotação máxima a área necessária para ocupação e de 50 ha. Essa área pode diminuir ainda mais quando se tem em vista que, devido a técnica implementada, normalmente, somente as vacas e os bezerros ficam durante todo o inverno pastorando as forragens de terra firme, os animais adultos e solteiros raramente ficam durante todo ou a maior parte do tempo nas áreas de várzea.

Sintetizando, a relação do Tipo 2 com a paisagem é a que mais apresenta tendência de estabilização, esta condição lhe propicia um baixo impacto nas áreas de terra firme e baixo impacto na várzea, isso com um padrão de vida muito próximo da do Tipo 3, que é o Tipo com maior renda monetária. Outro fato interessante é que as famílias, no geral, comentam não ter interesse, pelo menos neste momento, de aumentarem a quantidade de animais, tendo como fator principal a penosidade do trabalho, que se elevaria em demasiado caso a

Terra firme Ilhas Várzea 1 2 1 2 Sentido de deslocamento dos animais

quantidade de animais ultrapassasse às existentes hoje. Esta estabilização na quantidade de animais é confirmado tendo em vista que o sistema de criação deste foi iniciado ao mesmo tempo que o sistema de criação do Tipo 3, atualmente, com uma quantidade de animais bem maior.

In document Memòria del curs acadèmic 2000-2001 (sider 134-139)