METODOLOGIA I VALORACIÓ DE L’ENTRENAMENT DE LA RESISTÈNCIA I LA VELOCITAT
ACTIVITATS DE RECERCA
9.6 SERVEI LINGÜÍSTIC
Abaixo (Quadro 03) seguem exemplos de fatores diacrônicos influentes, os quais devem ser tratados para se poder compreender a dinâmica evolutiva do sistema de criação. Estes elementos refletem a estrutura social do grupo e como estes percebem e tratam dos recursos disponíveis. A análise destes elementos se torna, também, interessante por possibilitar observar o sistema de criação de modo singular, ou seja, possuindo uma identidade particular, segundo a ordem sociocultural local. Os elementos, vistos no quadro abaixo, são marcadamente influenciados por esta ordem (sociocultural) por isto conferem ao sistema produtivo da comunidade característica de permanência ou de imutabilidade. Vistos que são elementos estruturantes do modo de vida local.
No entanto, por mais fixos que sejam, estes também são dinâmicos, e como Sahlins (1999) coloca, mantém uma relação dialética com o seu entorno, sendo que na medida em que se transformam modifica-se também a forma de uso de determinados recursos naturais. Assim, esta afirmativa, concorda com a crítica que Adams (2000) faz para os autores neofuncionalistas e diacrônicos. Para a autora, o fato dos povos tradicionais manterem estruturas sociais que conformam certa identidade, criadas muitas das vezes com base no
ecossistema local, não é suficiente para conferir-lhes um caráter de sociedades harmônicas para com a natureza.
Com isso, quando se observa alguns dos elementos estruturais que regem o funcionamento do uso dos recursos naturais da comunidade analisada, nota-se, claramente que, no decorrer da história da comunidade, a base da estrutura diacrônica transformou-se modificando seriamente as formas de se utilizar os recursos naturais entre seus pares. Consequentemente, alterando características que conferem singularidade ao grupo social.
Mas, é interessante destacar que as modificações internas, de cunho estrutural, nem sempre tiveram influência sincrônica, influenciada por alguma mudança da economia de mercado, como Adams (2000) destaca em seu trabalho. No caso em questão, a principal mudança, que se verá abaixo, que é a da organização social, se deu ocasionada por motivos internos ao grupo social, no caso a morte e envelhecimento dos primeiros chefes de famílias.
Quadro 03: Elementos do campo social que foram influentes na definição do sistema criação.
Elementos de análise
Antes Depois Ano de
início da mudança Efeito da mudança Causas características organizacionais do grupo Patriarcado Família
nuclear Primeira metade da década de 1980 Livre iniciativa; surgimento de novos Tipos. Logo, novas formas de uso dos recursos
Morte e
envelhecimento dos patriarcas
normas sociais Normas orais e hierárquicas, baseadas em um poder assimétrico Regimento formal (escrito) e democrático A partir de 1996 Exclusão inconsciente de atividades extrativistas Conflitos agrários e busca da afirmação como sujeitos ambientais conscientes organização do
espaço Famílias organizadas uma ao lado da outra Famílias organizadas em espaços delimitados Por volta
de 2000 Individualização das atividades e do uso dos recursos. Logo, novas formas de uso dos recursos
Aumento do rebanho e limitação das pastagens
uso dos recursos Uso comum dos recursos, mas sob coerção e com favorecimento aos patriarcas Restrição ao recurso pastagem e liberdade de uso aos demais Por volta de 2000 Definição bubalinocultura da como principal atividade; demarcação das propriedades Aumento da importância do búfalo para a vida das famílias Fonte: Pesquisa de campo, 2012.
Pelo quadro tratado acima os elementos sociais mais importantes para a transformação do sistema de criação têm dois momentos (antes e depois). Por ele nota-se que houve uma
transformação gradual em que os elementos que condicionaram a reprodução do grupo no passado eram baseados em uma rede de “relações de reciprocidade assimétrica”, observados na segunda coluna do quadro, foram substituídas por um conjunto de elementos que permitiram transformar a antiga organização social, para uma baseada em uma rede de “relações de reciprocidade simétricas”, na terceira coluna do quadro (SABOURIN, 2009).
Com base na organização social do grupo propiciou-se diferentes formas de uso dos recursos. Sendo que, houve pelo menos dois tipos de organização social, um mais centralizado na figura do patriarca da família e ou outro mais descentralizado, em que os núcleos familiares detinham maior autonomia. No primeiro, havia ainda muita influência do sistema econômico da borracha, com as relações entre os comunitários fortemente baseada em um sistema patriarcal, condicionada pela existência de grandes grupos familiares centralizados na figura do primeiro herdeiro da terra.
Enquanto o poder foi centralizado na figura do patriarca o sistema produtivo da comunidade como um todo era mais coeso e homogêneo, servindo, no que toca a cobertura vegetal, para conservá-la, por mais 90 anos. Isto era possível devido às regras sociais, até mesmo coercitivas, criadas pelo patriarca limitar as ações das pessoas (SIMÃO, 2012). Muitas dessas regras eram reforçadas pelo sistema econômico vigente, onde o patriarca mantinha as famílias numa relação paternalista, por meio do sistema de aviamento. Em relação a isto, é preciso levar em conta que este poder era legitimado por o mesmo ser considerado o herdeiro das terras, portanto, possuindo o direito de impor regras.
Nesta condição, o patriarca definia as formas de uso dos recursos restringindo as atividades que as famílias poderiam praticar. Assim, o sistema de criação, como também de outras atividades, eram sujeitas às condições impostas. No caso da atividade da pecuária, a quantidade de animais era limitada por família, os quais eram adquiridos, junto com o direito de construir uma casa na área, no momento do casamento. Esta doação, no entanto, determinava, inconscientemente, que os animais adquiridos pelo novo casal deveriam ser criados junto com os do patriarca. Assim, o novo núcleo familiar continuava sob os mesmo ditames e ainda obrigados a realizar trabalho extra. Qual seja criar o seus animais ao mesmo tempo em que criava os do patriarca.
Sob estas circunstâncias a gestão do recurso natural pastagem era comunitária. Sendo que, todas as famílias que possuíam algum grau de parentesco tinham o direito de fazer uso da mesma, entretanto, a gestão do recurso era baseada em um sistema de reciprocidade
assimétrica centralizada, onde as pastagens e o número de animais eram limitadas pelo patriarca (SABOURIN, 2009).
Mas, quando o poder foi descentralizado com a morte do patriarca e com o aumento do número de famílias e, também, com o envelhecimento das figuras mais centrais do grupo, as famílias puderam interagir mais livremente, principalmente, com o mercado local. Confirmando o que diz Adams (2000), para a qual as populações tradicionais tendem a interagir com as economias de mercado. Mas, no caso, destaca-se que isto está diretamente relacionado a mudanças no sistema de relações de poder que regem o grupo, o qual evoluiu para uma situação de reciprocidade simétrica.
Com a descentralização do poder as famílias passaram viver sem a rigidez das normas sociais impostas pelo patriarca. Novas normas, inclusive formais, de uso recursos foram estabelecidas na forma de regimentos, os quais condicionam o uso dos recursos. Apesar de serem baseadas nas normas sociais ditadas pelo patriarca, agora estas não eram ditatoriais, mas sim democráticas, deliberando os mesmos direitos de uso dos recursos a todas as famílias da comunidade. Todavia, esses regimentos continuaram limitando a exploração desenfreada dos recursos.
Nota-se, observando as medidas práticas que as famílias passaram a adotar, como o aumento da área de pastagem e do rebanho, que após o fim do regime do patriarcado, as famílias, agora com maior liberdade de ação, iniciaram um processo de mudança do sistema de produção. Em que, a pecuária, ao invés do extrativismo, se tornaria a principal atividade, principalmente, por as famílias observarem que as condições conjunturais estavam mais favoráveis para esta atividade. Esta afirmação pode ser referendada quando se lê os regimentos, neles ficam claras as restrições para as antigas atividades, como caça, pesca e extração madeireira. Sendo que, o que resta é um apoio, indireto, para outras atividades oriundas da agricultura e pecuária. Mas, no caso, a que estava em melhores condições para se desenvolver, até mesmo, por as famílias possuírem maior know-how, era a atividade da pecuária bubalina.
Desta forma, a fala de Shanim (2005) quando diz que, os agricultores possuem capacidade de realizar uma leitura da realidade e se posicionar de maneira mais favorável a seus interesses é bastante elucidativa desta situação vivida na área da comunidade. Chegando ao ponto de modificarem seu sistema econômico, saindo de um modo mais autônomo, onde as relações de reciprocidade eram preponderantes, para outro que, por enquanto, aponta para uma maior preponderância das relações de troca. Visto que, a produção voltada para
satisfação interna do grupo está regredindo em prol de uma produção voltada ao mercado. Em que as famílias do Tipo 3 praticamente abandonaram agricultura de excedente e as atividades extrativistas voltadas para a troca. Fato que tem gerado aumento da renda e maior consumo de produtos, destinados à reprodução, de fora da comunidade.
Em relação à criação do búfalo, a democratização do poder representou um maior crescimento da quantidade de animais entre as famílias, ao ponto de equipararem-se as quantidades possuídas pelos patriarcas. Entretanto, o crescimento da quantidade de animais esbarrou no limite da área da comunidade, gerando a necessidade de divisão da mesma. Com isso, cada família pode criar de forma proporcional o tamanho do rebanho com o tamanho da área de pastagem que cada família dispõe. Divisão que já havia acontecido desde a morte do patriarca, mas que não tinha se tornado prática, até o crescimento do número de animais ultrapassar em média a quantidade 50 – 80 cabeças/família.