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SERVEI DE RECURSOS AUDIOVISUALS Adreça i telèfon

In document Memòria del curs acadèmic 2000-2001 (sider 153-170)

METODOLOGIA I VALORACIÓ DE L’ENTRENAMENT DE LA RESISTÈNCIA I LA VELOCITAT

LLIBRES EDITATS PEL SERVEI DE PUBLICACIONS I INTERCANVI CIENTÍFIC 2000-2001 Formentera: Història i realitat

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É interessante notar que os problemas ambientais pouco interferiram nos objetivos estratégicos, se limitando aos objetivos táticos. Ao contrário do que ocorreu quando os produtos eram oriundos do extrativismo, como o acontecido com a pesca do pirarucu, a qual foi praticamente abolida, ou mesmo com a pesca de outros peixes. A explicação, percebida por meio do comportamento das famílias, de tal fato é de que o abandono de determinada atividade financeira esteja na leitura que as famílias façam das condições do meio envolvente (preço, cadeia produtiva, política pública), campo onde são traçadas a maior parte das estratégias (escolhas) produtivas. Desta forma, pode-se afirmar que a definição do sistema produtivo, quando as famílias tradicionais se inserem no mercado, não é tão endógena quanto se é levado a imaginar.

Essa mudança, normalmente, foi acompanhada de uma maior inserção no mercado. Ou como prefere Sabourin (2009), as mudanças técnicas permitiram a mudança ou emergência de novas relações, qual seja, a substituição de relações de reciprocidade por relações de troca, que com o passar do tempo estão mais preponderantes. E se expandem, cada vez mais, na medida em que as necessidades de consumo aumentam, havendo, assim, maior necessidade de especialização em atividades com maior capacidade de gerar capital financeiro, ou seja, com

dinheiro em espécie. E, com isso, simultaneamente, elevando o nível de transformação do meio natural.

As constantes apropriações culturais e econômicas denotam a importância que o meio envolvente tem na relação de uma determinada sociedade com o meio natural em que vivem. Consequentemente, o sistema produtivo será, também, reflexo dessas mudanças. Como vivemos em uma sociedade de consumo, o qual orienta em grande parte os valores simbólicos das sociedades contemporâneas, a capacidade de geração de renda de uma dada atividade produtiva certamente será muito importante para determinar sua escolha. E neste quesito, sem sombra de dúvida, a pecuária é atividade que melhor remunera as famílias no caso estudado. Sendo a que melhor disponibiliza as condicionantes para que isso ocorra.

Portanto, para compreender a mudança estratégica que levou a escolha dessa atividade é preciso que tenhamos também uma visão sincrônica, onde as famílias por estarem envoltas por um meio que evolui, ofertando novas condições para seu desenvolvimento (cultural e econômico), interage com esta modificando a si própria como, simultaneamente, o meio em que está inserido.

Quadro 05: Elementos do meio envolvente que foram influentes na definição do sistema criação.

Elementos

de análise Antes Depois Ano de início da mudança Efeitos Motivação

Política pública (FNO especial) Rebanho com crescimento lento Acréscimo de animais e consequente aceleração do crescimento De 1998 a 2001 Expansão das pastagens cultivadas para comportar a nova quantidade Elevar a produção Cadeia produtiva Subordinação aos atravessadores Subordinaçã o aos preços de mercado A partir de 2001, quando começou- se a realizar os primeiros descartes de animais Definição do gado bubalino como principal atividade Melhor condição de barganha. Maior confiabilidade de retorno do investimento Preços Desvalorizaçã o da produção, a qual era trocada quase sempre sob condições de desvantajosas Preços tabelados e recebimento em dinheiro Essa situação se tornou mais relevante a partir de 2001, quando os búfalos começaram a ser vendidos em maior escala Aumento das áreas de pastagens nativas e cultivadas em terra firme, por as famílias do Tipo 3, Elevação da renda. Melhoria das condições de vida

Como se percebe (Quadro 05), os melhores fatores influenciadores para a escolha da família, oriundos do meio envolvente, após a “1ª Fase: Atividade Extrativista Hegemônica” são condizente com o desenvolvimento da atividade da pecuária bubalina. Sendo que, durante esta fase as condições não eram propícias, principalmente, por não existir uma cadeia produtiva segura, com compradores garantidos. Entretanto, as condições do meio somente começaram a melhorar na medida em que as famílias adquiriram os búfalos, passando a criar uma quantidade muito maior de animais. Fato que atraiu compradores, assim, movimentando a cadeia produtiva. Nesta condição o mercado local da pecuária surgiu estimulado pelo próprio aumento do rebanho na comunidade.

Pode-se afirmar que, o sistema de criação saiu de uma situação em que era mais voltado para relações como as de “poupança viva”, “autoconsumo”, e viabilizador de “ritos” (como casamentos) para outra, já na “3ª Fase: Atividade de criação hegemônica”, em que se tornou a principal atividade comercial, geradora de renda, conectando as famílias ao mercado, logo a sociedade englobante. Fato que modificou sensivelmente a relação com a natureza, mais especificamente, sobre a cobertura vegetal. Modificação que como vimos se deu pelo desflorestamento e implantação de pastagens em área de transição (embora já não executem mais essa prática) e na terra firme. Como pode ser verificado na coluna dos efeitos (Quadro 05).

Mas, é preciso considerar que a importância do meio envolvente (principalmente, no que toca a dimensão econômica) só ganhou destaque quando as famílias deixaram de ser submissas ao sistema de organização social patriarcal. Portanto, quando as famílias passaram a viver sem os ditames gestacionais do patriarca é que é possível perceber o crescimento desta atividade, assim como a diversificação dos Tipos produtivos. As famílias, então, com maior liberdade de ação passaram a interagir com o meio envolvente, permitindo assim a transformação, em nível estratégico, dos sistemas produtivos.

O sistema de criação evoluiu, principalmente, por influência da emergência do mercado pecuarista bubalinocultor e pelo surgimento de políticas de crédito, como o FNO, FNO especial e SUDAM. Como foi discorrido no capítulo anterior foram as estruturas de mercado que se formaram paralelamente com a chegada de políticas públicas, oriundas dos programas de desenvolvimento econômico do Estado, que possibilitaram que as famílias organizassem seus objetivos estratégicos em torno da atividade bubalina.

Com isso, as famílias seguiram, basicamente, os mesmos princípios de criação utilizados em áreas de fronteira, como o da Transamazônica. Ou seja, elas se aproveitaram de

nichos marginais de mercado, normalmente, com menor margem líquida de ganhos, para se inserirem e obterem ganhos (condição, que como ver-se-á adiante, será alterada). Especificamente no caso estudado, as famílias passaram a atender a demanda do mercado local, de queijo e de carne, visto que a grande produção era voltada para exportação.

Um fato interessante é que, com a falência da fazenda Aquiqui, e das suas subfazendas, os estabelecimentos familiares, da várzea e da zona de transição, assumiram o papel de principal criador de gado. Inclusive, acessando mercados de outros estados, por meio de atravessadores que chegam pelo rio Amazonas. Condição que contribui ainda mais para a especialização na pecuária. Com a formação do mercado bubalinocultor as famílias puderam participar de uma rede de negociações onde o poder de barganha não era demasiado assimétrico, como ocorria com as trocas dos produtos derivados do sistema extrativista, via marreteiros e regatões. Fato que contribuiu para que as famílias elevassem seus ganhos econômicos e melhorassem sua qualidade de vida.

Nesta última fase, período em que foi criada a RESEX, certamente o produto mais favorável para o atendimento das necessidades das famílias é a criação de búfalo. Atualmente é este produto que pode gerar os melhores rendimentos e que pode ser trocado imediatamente na medida de uma necessidade urgente. E é também este produto que tem se mantido com preços estáveis há pelo menos 20 anos, permitindo o seu uso como poupança viva. Atualmente, este produto tem possibilitado o alcance de objetivos fundamentais para família como a construção de casas na cidade, viabilizando moradia dos filhos para estudar ou atender a qualquer infortúnio, assim, como fornecer renda líquida suficiente para os habitantes viverem dignamente.

Todavia, a melhor condição para geração de renda que a atividade bubalina dispõe tem gerado um círculo vicioso, onde a maior renda obtida pelas famílias tem propiciado o aumento do consumo. O que gera, novamente, maior necessidade de renda e, consequentemente, o aumento da produção. E como o aumento da produção se dá sobre as bases técnicas, mencionadas no capítulo 4, há, cada vez mais, uma maior pressão sobre os recursos naturais. Necessariamente, isto implica em dizer que haverá novos desflorestamentos. Concordando, assim, com Lima e Pozzobon (2005, p. 54) para os quais “o envolvimento das populações tradicionais com a economia de mercado elevam as taxas de exploração dos recursos naturais”.

Por isso os problemas ambientais são mais intensos quando as famílias deixam de praticar as atividades para o autoconsumo, ou melhor, quando as atividades econômicas

deixam de ser regidas internamente, pelas necessidades do grupo. Quando as famílias se inserem no mercado há uma maior condição de transformação do meio, pois os novos objetivos são formulados não mais em conformidade com as condições locais, mas sim com as condições externas. Pode-se dizer que, a nova condição cultural criada a partir da apropriação de elementos externos leva a alteração do ecossistema para que este se adeque a novos símbolos, alienígenas. Assim, alterando o antigo estilo de vida, a qual tinha co- evoluído juntamente com ecossistema local.

In document Memòria del curs acadèmic 2000-2001 (sider 153-170)