Kapittel 3. Workshop som erfaringsrom
5.4. Ivaretagelse av det performative
5.6.1. Teaching artist-eksempler
As primeiras manifestações da divulgação da ciência para o público leigo de que se tem notícia ocorreram no século XVII, quando Henry Oldenburg, secretário da Royal Society for the Improvement of Natural Knowledge, criada na Inglaterra em 1662, deu início em março de 1665 à publicação Philosophical Transaction, periódico daquela entidade. Por dominar vários idiomas, Oldenburg pode traduzir textos de diversas fontes para publicação em inglês e latim. Muito do que era publicado podia ser compreendido por qualquer das pessoas pouco letradas da época. Por esse motivo, ele é considerado o “inventor” do jornalismo científico (BURKETT, 1990: 28).
Moreira e Massarani (2002: 43-64) localizam, no início do século XIX, as iniciativas mais organizadas de difusão da chamada ciência moderna no Brasil, com a transferência da Corte portuguesa e as importantes transformações então ocorridas na vida política, cultural e econômica do país. É, todavia, a partir da segunda metade do século que, segundo os autores, as atividades se intensificam, refletindo a onda de otimismo em relação aos benefícios do progresso científico e técnico que percorria o mundo, e que se manteve em alta na Europa e na América do Norte até o final da Segunda Guerra Mundial, quando testes com armas nucleares realizados pelos Estados Unidos, em julho de 1945, e as explosões atômicas ocorridas em Hiroshima e Nagasaki, em agosto do mesmo ano, começaram a despertar no público atitudes ambivalentes em relação aos cientistas e aos usos da ciência.
Apesar das desconfianças mundiais, foi somente depois dos anos 1970, com a proliferação das usinas nucleares, o crescimento da preocupação com a poluição industrial e o questionamento sobre o uso dos recursos naturais, advindo com a crise do petróleo, que a ciência passou a incorporar estudos técnicos e quantitativos de pesquisadores americanos e europeus sobre o nível aceitável de risco35 de uma tecnologia quando comparado a seus benefícios. Junto com a avaliação e a administração de riscos, as instituições científicas viram surgir a necessidade de comunicar esses riscos à sociedade. Isto representou o primeiro divisor de águas entre uma divulgação voltada apenas para enaltecer os benefícios e as maravilhas advindas da ciência e outra em que se identificassem também suas conseqüências e implicações.
35 O artigo de Starr, C. Social benefit versus technological risk: what is our society willing to pay for safety?, publicado na Science, 165, p. 1.232-8, em setembro de 1969, representa um divisor de águas no que poderia ser considerado o nível de “risco aceitável” pelo público.
Foi justamente nessa época quando se ampliaram as experiências de divulgação científica no Brasil. De início associada à possibilidade de “superação do subdesenvolvimento e das mazelas sociais” e, após 1980, um pouco mais distanciada de preocupações com as dimensões críticas e a qualidade do que estava sendo difundido, a ciência tornou-se mais acessível aos leigos, passando a ocupar espaços privilegiados nos meios de comunicação, nos centros e museus dedicados à vulgarização cientifica e nos planos de trabalho das assessorias de imprensa das instituições públicas de ciência e tecnologia. Mas a intenção, observam Moreira e Massarani (2002, op.cit.: 60-63), era “aproximar a comunidade científica brasileira do público”, raramente considerando “aspectos importantes na construção de uma visão realista sobre a ciência, como as questões de risco e incertezas, ou o funcionamento real da ciência com suas controvérsias e sua profunda inserção no meio cultural e socioeconômico”.
A preocupação com os riscos e com os problemas relacionados à percepção pública da ciência, à cultura científica e à participação dos cidadãos em questões relativas a ciência e tecnologia levou pesquisadores de diversos países, incluindo o Brasil, a formar redes de estudos e pesquisas cujos resultados tornaram-se referência para os organismos oficiais definirem suas políticas de divulgação de conhecimentos e produtos. Respaldados pelas práticas de governança vigentes nos últimos 15 anos, dois pontos consolidaram-se nas discussões e nas propostas de democratização da ciência: i) toda a sociedade deve participar das conquistas da ciência; e ii) toda a sociedade deve estar em condições de discutir os dilemas que a investigação científica suscita (VOGT; POLINO, 2003: 45).
No Brasil, o Livro Branco: Ciência, Tecnologia e Inovação, lançado pelo governo federal em 2002, propõe diretrizes estratégicas para ampliar, para toda a sociedade, os benefícios dos conhecimentos científicos e tecnológicos como forma de melhorar as condições de participação da sociedade nas decisões que dizem respeito às alternativas e aos limites éticos para pesquisa, desenvolvimento e inovação e de explicitar “adequadamente” as demandas sociais nessa área. O documento propõe, ainda, que se reconheça a prioridade de “elevação da qualidade e do interesse da cobertura dos meios de comunicação nos assuntos de Ciência, Tecnologia e Inovação” (BRASIL, 2002: 67-69).
O governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva também tem dado atenção à divulgação da ciência. A inclusão de um item específico relacionado à Difusão e Popularização do Conhecimento Científico e Tecnológico, no Plano Plurianual – PPA 2004- 2007 -, e a criação, em abril de 2004, de um departamento voltado à difusão e à popularização da ciência, na Secretaria de Inclusão Social do MCT, demonstram o interesse do governo federal em relação ao assunto. Para o departamento, “é importante que os brasileiros tenham a
oportunidade de adquirir um conhecimento básico sobre a ciência e seu funcionamento que lhes dê condições de entender o seu entorno, de ampliar suas oportunidades no mercado de trabalho e de atuar politicamente com conhecimento de causa”, devendo a divulgação científica e tecnológica para a sociedade processar-se por meio de “instrumentos variados como os meios de comunicação, os centros e museus de ciência, eventos públicos, programas de extensão universitários, entre outros”.36
Paralelamente às iniciativas governamentais visando ampliar a compreensão pública da ciência, esforços empreendidos por outros segmentos sociais no mesmo sentido começam a incluir, em suas pautas de discussão, o risco que certas tecnologias comportam e como se posicionar perante as controvérsias que a investigação científica produz. O interesse por esses temas parece estar ligado a episódios como o da “vaca louca”, que atingiu o auge na Europa, em 1996; dos transgênicos, iniciado nessa mesma ocasião; da gripe asiática, cujas previsões em relação ao seu desenvolvimento e medidas controle ainda estão em estudos; e, mais recentemente, de outros, como a nanotecnologia, que começa a despontar como uma controvérsia pública. Nesses episódios, membros do governo e entidades representativas de grupos de interesse expressam, aos jornalistas, opiniões divergentes, sustentadas, na maioria dos casos, por argumentações científicas.
Observa-se que as discussões incluem, além das questões científicas em si, aspectos sociais, econômicos, éticos, culturais e ambientais. Essa diversidade de pontos de vista, aliada ao medo do desconhecido inerente ao ser humano, tem incentivado o consumidor a buscar maiores esclarecimentos sobre os riscos e as vantagens das novas tecnologias que chegam ao mercado, recorrendo, para tanto, particularmente aos meios de comunicação.
O ano de 2004 foi profícuo de encontros onde esses assuntos estiveram presentes. Em abril, o III Seminário Internacional de Estudos Interdisciplinares “Tecnologias, Riscos e Incertezas: desafios para uma democratização da ciência”, promovido em Florianópolis-SC, pela UFSC e Embrapa, com apoio do Conselho Britânico, tratou da questão da participação social nas decisões sobre riscos e incertezas tecnológicos. A questão foi ainda abordada durante a 56ª Reunião da SBPC, em Cuiabá-MT (julho), na palestra sobre “A percepção pública da ciência”, proferida pelo vice-presidente da entidade e presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Carlos Vogt. O próprio presidente da SBPC, Ennio Candotti, durante conferência feita no MCT, em Brasília-DF, no mesmo mês,
36 Mais informações sobre as ações de divulgação e popularização da ciência executadas ou coordenadas pelo governo federal estão disponíveis em: <http://www.mct.gov.br/index.php/content/view/2137.html>. Acesso em: 7 nov. 2006.
propôs a realização de debates sobre ciência nos meios de comunicação, para aproximar a produção científica brasileira dos mais pobres e, numa espécie de provocação aos cientistas, sugeriu que eles parassem de “pensar só em revistas científicas” e passassem a “escrever em jornais aos quais a população mais carente tenha acesso”.37 Em agosto, a VII Conferência Brasileira de Comunicação e Saúde, promovida pela Cátedra Unesco/Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), e realizada em Olinda-PE, discutiu a participação da imprensa na divulgação das controvérsias científicas sob o título “Mídia, Saúde e Alimentação”. No final do ano, em dezembro, novamente a Embrapa e a UFSC, dessa vez com o apoio do Centro de Gestão de Estudos Estratégicos (CGEE), vinculado à Presidência da República, e da Fapesp, realizaram novo seminário “Ciência, Tecnologia e Sociedade: novos modelos de governança”, para discutir as possibilidades e os limites de transformação dos processos decisórios sobre “temas altamente controversos”, incluindo-se nesses processos o papel da mídia e tomando-se como referências iniciativas nacionais e internacionais que contemplassem o direito à informação e à participação da sociedade como um requisito fundamental para o exercício da cidadania (CGEE, 2005: 7-13).