Kapittel 3. Workshop som erfaringsrom
5.4. Ivaretagelse av det performative
5.4.5. Øvelser som fremmer performativitet
No início da década de 1990, um grupo de cientistas britânicos publicou o livro The
new production of knowledge, onde defenderam a idéia de que “um número de atributos identificados na maneira como o conhecimento é produzido atualmente permite-nos afirmar que um processo de mudança no modo de produção do conhecimento está ocorrendo” (GIBBONS et al., 1994). Sem emitirem qualquer juízo de valor sobre essa nova maneira de produzir conhecimento, o que eles observaram é que essas tendências ocorrem mais
33 Informações sobre as iniciativas do governo brasileiro no campo da bioética podem ser encontradas em texto produzido pelo Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) (Bioética, a ética da vida), disponível em:
<http://mct.gov.br/index.php/content/view/6483.html>. Acesso em: 31 mar. 2008.
34 A íntegra da Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos está disponível em: <http://mct.gov.br/upd_blob/0008/8685.pdf>. Acesso em: 2 abr. 2008.
freqüentemente nas áreas de fronteira do conhecimento e entre aqueles profissionais considerados líderes em seus campos de atuação. Nesse sentido, mesmo reconhecendo que elas afetam apenas 5% da população de cientistas, o fato de envolver uma liderança intelectual justifica, segundo eles, a atenção que deve ser dada ao assunto.
O modelo tradicional de produção do conhecimento – que eles chamam de Modo 1 - refere-se a um conjunto de idéias, métodos, valores e normas que se fortaleceu na difusão do modelo newtoniano de pesquisa científica e que hoje é considerado como modelo dominante da ciência (sound science). Em oposição a ele, o Modo 2 possui características que o tornam diferente o suficiente para sugerir a emergência de uma nova forma de produção do conhecimento.
Em síntese, os autores identificam as seguintes diferenças entre um e outro modo. No Modo 1, a definição dos problemas de pesquisa e sua solução restringem-se ao âmbito dos interesses da comunidade científica; no Modo 2, isso é feito dentro do que eles chamam de “contexto de aplicação” do conhecimento. De acordo com essa perspectiva, quem produz e quem irá aplicar aquele determinado conhecimento “negocia” desde o momento inicial da pesquisa, de forma que os interesses dos vários atores envolvidos sejam incorporados no processo de aplicação dos resultados. Ainda segundo essa ótica, a separação entre pesquisa básica e pesquisa aplicada torna-se mais fluida, uma vez que, ao definir-se a necessidade de uma pesquisa, está implícito que os resultados serão úteis para alguém – indústria, governo, sociedade em geral. Esse é o entendimento do que significa o “contexto de aplicação” de uma pesquisa, na visão dos autores, e não aquele, usualmente adotado, de “levar” uma idéia para o mercado depois de pronta. Exemplos de áreas onde isso está acontecendo são a engenharia química, a engenharia aeronáutica e, mais recentemente, a ciência computacional.
Outra diferença é a transdisciplinaridade característica do Modo 2, enquanto no Modo 1 o conhecimento é monodisciplinar. Isso significa mais do que reunir num mesmo time um grupo de especialistas de origens diversas para solucionar um problema. O resultado final não pertence a nenhuma disciplina em particular ou a uma instituição em particular; ele é também transdisciplinar. A comunicação dos resultados é feita não apenas por meio de canais institucionais como jornais e revistas científicas, mas principalmente por canais informais (redes, comunidades, fóruns) utilizados pelos participantes da equipe à medida que os resultados vão sendo obtidos.
A terceira diferença entre os dois modos de produção do conhecimento é a heterogeneidade e a diversidade organizacional características do Modo 2. Diferentemente do chamado Modo 1, a equipe de especialistas envolvidos na solução de um problema é
altamente mutável. Novos integrantes vão sendo agregados à equipe (e outros vão deixando-a) de acordo com o perfil profissional e as habilidades exigidas para a continuidade do processo. Além disso, o conhecimento deixa de ser produzido apenas em universidades para ser criado em inúmeros outros lugares, como institutos de pesquisa, instituições governamentais, empresas multinacionais, programas de pesquisa internacionais, laboratórios de indústrias, por exemplo, que interagem por meio de redes de comunicação. Apesar do caráter temporário dos grupos, uma espécie de matriz de organização e de comunicação é estabelecida e acionada sempre que surge um novo problema para ser resolvido.
Segundo Gibbons e sua equipe, o crescimento do Modo 2 de produção do conhecimento tem sido estimulado pelo aumento da atenção dada pelo público a questões relacionadas ao meio ambiente, à saúde humana, a novas formas de reprodução e de comunicação. “A crescente preocupação quanto às diferentes maneiras como o avanço da ciência e da tecnologia podem afetar o interesse do público tem aumentado o número de grupos que querem influenciar o resultado dos processos de pesquisa” (GIBBONS et al., op.cit.: 7). Ao lado da “prestação de contas financeira” (financial accountability) surge a necessidade de “prestar contas socialmente” (social accountability), exigida pelos grupos de interesse da sociedade civil que demandam participação na formulação da agenda política bem como nos subseqüentes processos de decisão. Esta seria, segundo os autores, a quarta diferença entre os modos 1 e 2 de produção do conhecimento: reflexividade e responsabilidade social. Preocupações com questões culturais e filosóficas, antes restritas ao campo das Humanidades, hoje estão presentes no cotidiano de empresários, engenheiros, médicos, agências reguladoras e de um vasto público que necessita de diretrizes éticas para a prática de uma série de questões.
A última diferença diz respeito aos critérios de avaliação utilizados para o controle de qualidade no Modo 2. Enquanto no Modo 1 a qualidade do que é pesquisado é determinada essencialmente pelo julgamento dos pares, no Modo 2 outros critérios passaram a ser incluídos nessa avaliação, tais como interesses sociais, econômicos e políticos da aplicação dos resultados. Perguntas sobre a competitividade da solução eventualmente encontrada no mercado, a compatibilidade de seu custo e sua aceitação social passam a integrar o processo de controle de qualidade do conhecimento produzido. Quanto à crítica de alguns cientistas de que essa “abertura” pode vir a “enfraquecer” o resultado final do trabalho, Gibbons e sua equipe argumentam que a ampliação das expertises na avaliação da qualidade, ao contrário, robustece socialmente o conhecimento produzido (op.cit.:8).