Kapittel 3. Workshop som erfaringsrom
3.3. Om forarbeid av en workshop
3.5.1. Teaching artist som inspirasjon
O Relatório Analítico – análise quantitativa e qualitativa das citações em jornais e revistas – é um documento feito, mensalmente, desde 1997, por uma empresa de comunicação terceirizada. É usado pela Assessoria de Comunicação Social (ACS) da Embrapa para auxiliar a condução da política de comunicação social da empresa. Ele contém o levantamento quantitativo das matérias publicadas pelos jornais e revistas da grande imprensa, dos jornais de capitais, dos suplementos e veículos especializados, nas quais tenha havido citação do nome da Embrapa. As palavras “citação” ou “inserção” referem-se ao registro de reportagem, editorial, artigo, nota em coluna, entrevista, carta, charge ou foto em que o cliente – Embrapa – tenha sido citado. Em 2005, o relatório passou a considerar as notícias veiculadas em sites relacionados ao agronegócio.
O relatório traz também uma análise qualitativa do posicionamento da empresa nas matérias em que foi citada. A análise é feita somente em relação àquelas matérias nas quais a Embrapa seja o “agente do fato”, ou seja, a principal protagonista. Não são incluídas nas análises editais, avisos, notas de coluna de caráter pessoal (exceto político) ou matérias em que o cliente seja citado fora do seu contexto de atuação. Cada matéria é classificada como “positiva”, “negativa” ou “imparcial”. Essa classificação, segundo os autores do relatório, é a que “mais se aproxima da percepção do leitor, sendo adotada pelas principais empresas de análise do país”.
Ambas as análises – quantitativa e qualitativa – são feitas apenas em relação aos assuntos que geraram cinco ou mais matérias citando a Embrapa; por esse motivo, recebem o título de “top five”. Ainda como parte das análises, o relatório traz comentários sobre como a empresa deve agir para aproveitar situações que lhe são favoráveis e, principalmente, para reverter aquelas consideradas desfavoráveis para os seus interesses organizacionais.
Para a nossa pesquisa foram reunidos os relatórios produzidos entre julho de 1997 – o primeiro realizado pela empresa consultora – e dezembro de 2005, num total de 84 volumes. Não foram encontrados nos arquivos da ACS os relatórios de abril de 1998; dezembro de 1999; janeiro, fevereiro e março de 2000; de todo o ano de 2001; e de dezembro de 2005. Os dados referentes a 2000 foram retirados do relatório anual resumido.
Os dados constantes dos relatórios foram usados tanto na fase exploratória quanto, posteriormente, na pesquisa de campo.
1.2.3.2.1 A fase exploratória
O objetivo da pesquisa exploratória foi o de estabelecer os critérios usados para selecionar o material de análise com vistas à formulação de hipóteses precisas e exeqüíveis, considerando-se o fato de o tema ter sido pouco explorado (GIL, 1995: 44-45). Partiu-se do pressuposto que acontecimentos, assuntos e problemáticas identificados pela imprensa como importantes e interessantes (valores-notícia) são transformados em notícia, devendo, portanto, estar registrados nos relatórios analíticos. Procuramos, então, identificar, nos relatórios, notícias que tratassem de riscos ou de controvérsias para buscar nelas pontos de convergência ou de singularidade que nos ajudassem a compor o corpus da pesquisa.
No primeiro momento não foi considerada a origem da notícia, se demanda dos veículos ou se oferta da organização. No decorrer da exploração, entendemos que esse era um
critério importante para o desenvolvimento da pesquisa e passamos a levá-lo em consideração na análise.
A pesquisa exploratória constou de duas fases. Na primeira, foi feita uma leitura flutuante (BARDIN, op.cit.: 96) ou leitura polissêmica literária (PORTO, 1999: 75-78), para estabelecer contato com os relatórios e conhecer o que eles diziam, deixando-nos “invadir” por orientações e impressões. Na segunda fase, partindo das noções de “vácuo de informações” (momento em que o cientista sabe do risco e o comunica para a opinião pública), tipo de linguagem usada para comunicar riscos para o público (técnica ou leiga) e tipo de argumentação utilizada nas mensagens (autocrática ou democrática), desenvolvidas por especialistas em comunicação sobre riscos (POWELL; LEISS, 2005; PETERS, 2005), procuramos delimitar a área sobre a qual nos debruçamos em nossa análise a respeito dos debates públicos sobre soja transgênica noticiados pela imprensa e registrados nos relatórios analíticos entre 1997 e 2004.17
A primeira leitura dos relatórios analíticos deixou impressões em relação aos tipos de risco abordados pelas notícias e à forma como eram abordados. Algumas observações foram, depois, aprofundadas na pesquisa; outras, por serem muito afetas à área de análise e gestão de riscos, foram deixadas de lado.
Percebemos que havia notícias que tratavam de pesquisas que investigavam as causas dos riscos e a probabilidade de ocorrência; outras buscavam mecanismos para minimizar ou eliminar os riscos; outras, ainda, abordavam as controvérsias entre especialistas. As notícias tanto eram dirigidas ao produtor rural como ao público urbano, com prioridade para o primeiro.
Observamos também que, quando a situação não era de risco e certeza, as matérias tendiam a ser provenientes de releases produzidos pela Embrapa; no entanto, quando era de risco e incerteza, as matérias tendiam a ser originadas de outras fontes. Esse ponto foi aprofundado posteriormente, apenas em relação aos transgênicos, levando-nos a investigar os movimentos de retração e de visibilidade institucional na mídia e sua relação com as lógicas de funcionamento dos campos institucional-científico e mediático.
Outro ponto identificado na fase exploratória e explorado no decorrer da pesquisa foi a influência de fatores externos como, por exemplo, a época de plantio e de colheita ou a época
17 Os resultados dessa segunda fase estão explicitados no artigo “O cientista, a imprensa e a comunicação pública da ciência”, apresentado no grupo de trabalho Comunicação, Tecnologia e Desenvolvimento, na reunião da Associação Latino-Americana de Investigadores em Comunicação – ALAIC, realizada em julho de 2006, e publicado no volume 3 da revista Comunicación, tecnologia y desarollo. Discussiones del siglo nuevo, compilado por Gustavo Cimadevilla. 1.ed. Rio Cuarto: Universidad Nacional de Rio Cuarto, 2006.
de chuvas e de seca, e o aumento de matérias sobre os riscos de perdas por infestação de pragas e doenças, por falta ou excesso de chuvas etc. Esse fato despertou nossa atenção para verificar se havia alteração entre o número de matérias publicadas sobre transgênicos e outros fatores.
Na medida em que avançamos no manuseio dos relatórios, passamos a nos deter mais nas notícias que abordavam os transgênicos. Os relatórios continham, além das análises quantitativa e qualitativa das notícias publicadas, comentários sobre como a empresa deveria agir em determinadas situações e que tipo de comportamento deveria adotar diante da imprensa. O levantamento das fontes institucionais identificadas nas notícias registradas pelos relatórios deixou clara a posição defendida pela Embrapa, favorável aos transgênicos. Apesar de nosso interesse não se ater à discussão sobre a posição assumida pela empresa em relação aos OGM, consideramos interessante analisar como ela se movimentou publicamente e qual a influência, nesses movimentos, dos comentários contidos nos relatórios.
A segunda fase da pesquisa exploratória ateve-se especificamente às notícias sobre transgênicos. Observamos que o crescimento do número de notícias coincidia com os momentos de intervenção do Estado, ao tentar regulamentar a questão, o que nos levou a considerar a hipótese de que alguns riscos – como os transgênicos – são questões mais políticas do que efetivamente científicas, e a Embrapa, querendo ou não, estava envolvida nelas.
A essa altura, algumas observações foram incorporadas à pesquisa e outras não. Aprofundamos nossa investigação quanto aos fatores que influenciaram a demora da Embrapa em fornecer informações para o público (“vácuo de informações”) e abandonamos as análises referentes à linguagem (técnica ou leiga) e à argumentação usada pelos especialistas para a divulgação dos transgênicos.