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Esta questão buscou catalogar dentre os participantes, quantos estavam para se aposentar e quantos já estavam aposentados.

Tabela 8 - Tempo restante para a aposentadoria na Educação Básica e na educação Superior

TEMPO PARA A APOSENTADORIA

EDUCAÇÃO BÁSICA EDUCAÇÃO SUPERIOR

PÚBLICA PRIVADA PÚBLICA PRIVADA

A APOSENTAR-SE 9 4 8 4

APOSENTADO 6 11 7 11

Os dados da Tabela 8 e do Gráfico 8 demonstram que entre os respondentes da Educação Básica da Rede Pública se encontravam 9 para aposentar-se, o que corresponde a 60% e 6 professores já estavam aposentados, o que corresponde a 40%.

Gráfico 8 - Status do Respondente em Relação à Aposentadoria - Educação Básica Pública

Gráfico 9 - Status do Respondente em Relação à Aposentadoria - Educação Básica Privada

Quanto à situação dos professores da Educação Básica da Rede Privada, apontada no Gráfico 10, percebe-se que, durante a pesquisa, 4 se encontravam prestes a aposentar-se, o que corresponde a 27% e, 11 já se encontravam aposentados, o que representa 73%.

Gráfico 10 - Status do Respondente em Relação à Aposentadoria - Educação Superior Pública

Gráfico 11 - Status do Respondente em Relação à Aposentadoria - Educação Superior Privada

A referida Tabela também mostra que na Educação Superior da Rede Pública 8 respondentes se encontravam próximos da aposentadoria, o que corresponde, como aponta o Gráfico 10, a 53% e 7 professores já se encontravam aposentados, o que representa 47%.

O Gráfico 11 aponta que na Educação Superior da Rede Privada, durante a pesquisa, 4 professores se encontravam prestes a aposentar-se, o que corresponde a 27%, e 11 já se encontravam aposentados, o que representa 73%.

3.6 CONTINUIDADE DOS DOCENTES NA PROFISSÃO APÓS A APOSENTADORIA

A pergunta do questionário era bastante direta e objetiva e buscava saber se o docente pretendia continuar na profissão após a aposentadoria. Isso permitiu apenas três alternativas: sim, não ou não tenho certeza. Isso se deve ao fato de que dentre os respondentes existem professores preparando-se para se aposentar e que podem ainda não ter

se decidido. Existem os que já estão aposentados e já tomaram a decisão de permanecer, ou não, na profissão.

Tabela 9 - Continuidade na área de docência

CONTINUIDADE NA ÁREA DE DOCÊNCIA

EDUCAÇÃO BÁSICA EDUCAÇÃO SUPERIOR

PÚBLICA PRIVADA PÚBLICA PRIVADA

SIM 4 11 13 12

NÃO 10 3 2 2

NÃO TEM CERTEZA 1 1 0 1

A Tabela 9 e o Gráfico 12 representam os dados da questão em que se buscava saber se o professor continua(rá) ou não na profissão após a aposentadoria e, nesta questão, a pesquisa encontrou dados relevantes: dentre os 30 respondentes da Educação Básica, no geral, 50% pretendem continuar, ou seja, 15 responderam que continuarão; 43% deles responderam que não continuarão atuando na docência, o que representa 13 docentes e 2 que não têm certeza, o que significa que 7% não sabem se continuarão.

CONTINUIDADE NA DOCÊNCIA APÓS A APOSENTADORIA - EDUCAÇÃO BÁSICA

50% 43%

7%

SIM NÃO NÃO TEM CERTEZA

Gráfico 12 - Continuidade na Docência Após a Aposentadoria – Educação Básica

Quando se separa a Educação Básica da Rede Privada da Educação Básica da Rede Pública, o cenário modifica-se. Na Educação Básica da Rede Pública, dentre os 15 respondentes, 10 não continuam(rão), o que representa 67%; 4 professores declaram que continuam(rão), o que corresponde a 27 % e apenas 1 professor não tem certeza se continuará, o que corresponde a 6%.

Na Educação Básica da Rede Privada, dentre os 15 respondentes, 11 declaram que continuam(rão), o que significa um percentual de 74% e apenas três declaram que não têm intenção de continuar, o que perfaz um percentual de 20%. O que coincide nesta comparação

é o número de indecisos quanto à permanência, ou seja, apenas 1 declara que não sabe se continua(rá), o que corresponde a 6% dos respondentes.

Isto indica que, mesmo diante do cenário complexo e desafiante, a maioria dos professores continuam(rão) ativos. Dentre os que continuam(rão) trabalhando, observa-se que a grande maioria trabalha na Educação Básica da Rede Privada, o que poderia indicar que pode haver uma relação direta entre o fato de que os mesmos tenham mais incentivo para continuar e também que necessitem complementar sua renda, pois, diferentemente dos Professores da Educação Básica da Rede Pública, eles não têm uma aposentadoria integral.

CONTINUIDADE NA DOCÊNCIA APÓS APOSENTADORIA - ENSINO SUPERIOR

84% 13% 3%

SIM NÃO NÃO TEM CERTEZA

Gráfico 13 - Continuidade na Docência Após a Aposentadoria – Educação Superior

Os dados do Gráfico 13 mostram que, de forma muito acentuada, os docentes do Ensino Superior, indiferentemente de trabalharem em Instituição Pública ou Privada, pretendem continuar trabalhando após a aposentadoria.

Das entrevistas com os docentes da Educação Superior percebe-se que a continuidade na docência após a aposentadoria é uma expectativa natural. Para eles continuar não representa dificuldade e não deveria causar espanto, pois a docência é entendida como fonte de constante renovação.

3.7 FATORES MOTIVACIONAIS

Esta questão buscava saber quais eram os fatores que motivavam os professores na decisão de continuidade ou não na docência após a aposentadoria.

A análise dos fatores motivacionais foi realizada através da agregação de respostas semelhantes, após seleção e categorização das mesmas, para, ao final, concluir quais são os fatores que influenciam na permanência, ou não, do docente na atividade após a aposentadoria.

Tabela 10 - Fatores motivacionais apontados pelos docentes da Educação Básica

PÚBLICA PRIVADA

POS PERMANECER POS PERMANECER POSNÃO PERMANECER POS PERMANECER NÃO

1 Complementação de renda 1 Esgotamento mental e físico 1 Complementação de renda 1 Esgotamento mental e físico 2 Satisfação pessoal 2 Falta de incentivo e valorização 2 Satisfação pessoal 2 Mudar de profissão

3 Sentir-se útil 3 Não acredita na educação como está posta 3 Manter a saúde física e mental

4 Indisciplina dos alunos 4 Sentir-se útil

POS - Posição de prioridade que aparece na maioria dos respondentes da pesquisa

Nesta Tabela 10, os respondentes da Educação Básica, tanto da Rede Pública de Ensino quanto da Rede Privada, declaram que têm como motivação para continuar, em primeiro lugar, o fator complementação de renda, ficando em segundo lugar a satisfação pessoal obtida no trabalho, e em terceiro e quarto planos estão a necessidade de sentir-se útil e a manutenção da saúde física e mental, respectivamente.

Isto remete à reflexão de que a docência na Educação Básica ainda está distante de oferecer salário compatível com a importância do trabalho desempenhado, obrigando o docente a continuar trabalhando para complementar a aposentadoria.

No relatório da UNESCO (2008) “Uma visão dentro das escolas primárias”, que comparou dados entre 11 países da América Latina, Ásia e Norte da África e entre eles o Brasil, os dados apontam que 83% dos professores do Ensino Primário do país estão insatisfeitos com o salário que recebem. Esse índice é o segundo maior dentre os países pesquisados, sendo superado apenas pelos Uruguaios.

Quanto aos que optam por não permanecer na profissão após a aposentadoria, os motivos são variados, porém observa-se que o motivo que mais foi apontado é o esgotamento físico e mental, vindo, após, os fatores: desvalorização profissional, intenção de mudar de profissão e a descrença na educação e a indisciplina dos alunos.

Os dados acima reiteram a conclusão de alguns autores como Codo e Vasquez- Menezes (1999), de que o estresse caminha paralelamente ao trabalho docente, e a Síndrome de Burnout está presente na carreira de muitos professores, tornando-os sem estímulo para continuar trabalhando.

O relatório da UNESCO, citado acima, também aponta que 29% dos professores brasileiros trabalham em mais de uma escola e isto os torna mais insatisfeitos e susceptíveis a adoecer.

No Distrito Federal também existe uma preocupação com o número de licenças. O Correio Braziliense, jornal de grande circulação local; apresentou, no último dia 11 de março do corrente ano, uma reportagem intitulada “Depressão afasta nove educadores por dia no Distrito Federal”.

A reportagem aponta que a desmotivação, o excesso de trabalho e a infra-estrutura precária são alguns dos motivos apontados pelos professores da rede pública de Ensino do Distrito Federal para tantos afastamentos. Segundo o jornal, é alarmante o número de licenças concedidas aos professores no DF por questões de saúde.

No ano de 2007, segundo a reportagem, 3 515 educadores pediram afastamento. Uma média de nove por dia, o que certamente demonstra que algo não vai bem. O alerta já é antigo, pois, segundo a mesma reportagem, em 2002, o Sindicato de Professores do Distrito Federal (SINPRO) apontava o grande número de casos de depressão no quadro de professores da rede pública de ensino. Na época, 38,7 % dos professores que pediam licença por motivos de saúde apresentavam estresse, depressão e problemas emocionais, contra 21,9% que apresentavam queixas por problemas nas articulações e 17,8% nas cordas vocais. (SALLUM, 2008).

Aparentemente, as questões emocionais superam as questões físicas, o que demonstra que há um acentuado desgaste da saúde do docente.

Ainda segundo o Sallum (2008), foram entrevistadas 124 pessoas que passaram pela perícia durante o mês de Fevereiro, que ainda é o primeiro mês do ano letivo. Destas, 86% eram professores, 12 % auxiliares de educação e 2% de especialistas da área educacional. Observou-se que, entre os docentes, há uma tendência acentuada a problemas emocionais, geralmente relacionados com o ritmo de vida e o ambiente de trabalho inerentes à própria profissão.

Também foi destacado pelo Correio que uma das causas é a jornada tripla de trabalho dos docentes: 92% dos casos aparecem em mulheres e, desse montante, além do trabalho realizado, 76% são responsáveis pelos serviços domésticos, o que nos leva a acreditar que há

uma relação muito direta entre o nível de estresse e o ritmo de vida empreendido por estes profissionais.

Tabela 11 - Fatores motivacionais apontados pelos docentes da Educação Superior

EDUCAÇÃO SUPERIOR

PÚBLICA PRIVADA

POS PERMANECER POS PERMANECER POSNÃO PERMANECER POS PERMANECER NÃO

1

Manutenção da saúde física e

mental 1

Trabalhar em

outra área 1 Realização pessoa l 1 Dever cumprido 2 Dar continuidade ao trabalho de pesquisa 2 Pouco reconhecimento do trabalho 2 Manutenção da saúde física e mental 2 Dar oportunidade aos mais jovens 3 Satisfação pessoal 3 Necessidade de atualização 3 desvalorizado Sentir-se 4 Complementação de renda 4 Complementação de renda

5 Sentir-se útil

POS: Posição de prioridade que aparece na maioria dos respondentes da pesquisa

Os dados da Tabela 11 mostram que, quanto às motivações para a permanência do docente na profissão após a aposentadoria, foram destacadas na Educação Superior da Rede Pública a manutenção da saúde física e mental como primeira grande motivação, ficando, em segundo lugar, a necessidade de dar continuidade ao trabalho de pesquisa e, em terceiro, a satisfação pessoal obtida com o trabalho docente, complementação de renda e, por fim, sentir-se útil.

Parece haver um enorme desvelo dos docentes pelo trabalho que realizam. Fica evidente que se sentem muito motivados a continuar desenvolvendo suas pesquisas, que parecem ser fontes de realização e de manutenção da saúde.

Mesmo durante a coleta de dados, ficou evidente que a sala de aula e o trabalho desenvolvido com as equipes de pesquisa organizadas e comandadas pelos docentes são fonte de muita satisfação. Nelas, existe a possibilidade de troca de que nos fala Demo (2007), no qual o professor aprende a aprender e isso o renova e, conseqüentemente, renova sua prática.

Quanto às motivações para a permanência dos docentes da Educação Superior da Rede Privada, é destacada, em primeiro lugar, a realização pessoal, ficando em segundo plano a manutenção da saúde física e mental, em terceira posição aparece a necessidade de atualização e, em último lugar, a complementação de renda.

Nesta etapa educacional, observa-se que a questão da complementação da renda aparece em último lugar, sendo que na Educação Superior da Rede Pública ela nem foi citada e na Educação Superior da Rede Privada aparece como último fator motivacional.

Este dado leva a refletir que a Educação Superior tem exigências maiores de formação e exige do docente constante participação em pesquisas e projetos, porém, oportuniza aos docentes uma melhor remuneração e a obtenção de realização quando vislumbram os resultados de seus projetos e pesquisas.

No quesito motivações para a não permanência, a Educação Superior tem uma porcentagem pequena de docentes que não pretende continuar na profissão após a aposentadoria e, dentre estes, os da Educação Superior da Rede Pública declaram que os motivos são a vontade de trabalhar em outra área e o fato de se sentirem sem o reconhecimento que almejavam; na Educação Superior da Rede Privada, os motivos apontados foram: o fato de acharem que o dever já foi cumprido, a crença de que é preciso dar oportunidade aos mais jovens e, por último, o fato de se sentirem desvalorizados.

3.8 IMPORTÂNCIA DA FORMAÇÃO CONTINUADA PARA O PROFESSOR APOSENTADO

A pergunta buscava saber se os docentes achavam que a formação continuada é importante para os docentes aposentados.

Seguramente, nesta questão foram encontradas respostas contundentes, pois, supostamente, a concepção de formação continuada associada à aposentadoria apenas se concebe para os professores que pretendem se manter em atividade, porém, foram encontrados respondentes que, mesmo não continuando a exercer a atividade, pretendem continuar sempre cultivando seus saberes e mantendo-se em desenvolvimento, principalmente porque esta é uma forma de manter a memória ativa e estarem atualizados.

Tabela 12 - Importância da formação continuada para o professor aposentado

EDUCAÇÃO BÁSICA

PÚBLICA PRIVADA

CONCORDA NÃO CONCORDA CONCORDA NÃO CONCORDA

13 2 14 1 EDUCAÇÃO SUPERIOR

PÚBLICA PRIVADA

CONCORDA NÃO CONCORDA CONCORDA NÃO CONCORDA

14 1 14 1

A Tabela 12 apresenta que a resposta a esta questão foi analisada apenas sobre ser ou não afirmativa. Assim, além de analisar estatisticamente os dados, foi possível obter respostas significativas que fizeram emergir a opinião de professores que concordam que a formação continuidade não só é importante, mas imprescindível a qualquer profissional que queira se manter atuante.

Nesta questão foi interessante que uma grande maioria dos docentes declarou que concorda com a importância da formação continuada para o professor aposentado, porém os que não concordam são coincidentemente os que não pretendem continuar na profissão após a aposentadoria.

Mesmo assim, vale salientar que, além da concordância ser grande tanto na Educação Básica quanto na Educação Superior, são destacadas pelos professores justificativas interessantes para a manutenção de sua contínua formação, mesmo se não fossem permanecer na docência.

Dentre os relatos mais interessantes encontram-se: “a formação continuada é a busca pela compreensão das atuais e futuras gerações”; “ela me dá segurança para atuar em sala de aula”, “acredito que quem ensina tem que amar estudar”, “a troca de experiências é fantástica para o trabalho e para a vida”, “a atualização me dá a sensação de estar vivo”, “quem pára de se aperfeiçoar, sofre de falta de perspectiva”, “quando se para de estudar, de se sentir desafiado a realizar algo, é o primeiro sinal que se dá aos neurônios para que parem”; “quem não é bom aprendendo, não é bom ensinando” “penso que se pararmos diante do conhecimento, ele nos atropela”; para o professor, a atualização constante é penhor de sobrevida.”

3.9 OPORTUNIDADES DE FORMAÇÃO CONTINUADA AO LONGO DA