Pelo explicitado alhures, o ministério pastoral da Igreja Metodista está sustentado nas bases bíblico-teológico-históricas do ministério120. Neste sentido, a Igreja Metodista reconhece o ministério pastoral, dentre os muitos ministérios, como um ministério especial e essencial à vida da Igreja, com respaldo apostólico, bem como, consagrado ao cuidado do “rebanho” e preservação da unidade do “Corpo de Cristo”. É o que se compreende da definição de pastorado a seguir:
O pastorado é um dentre os ministérios da Igreja. Mas, é um ministério especial e essencial à vida da Igreja. É uma instituição apostólica que consagra e ordena pessoas vocacionadas e reconhecidas pela Igreja. Esse ministério, desde o Novo Testamento, passando pela Reforma, até hoje, está voltado para a unidade do Corpo de Cristo, para a correta
119 Apesar da Igreja Metodista fazer distinção de seu corpo de clérigos entre “Presbíteros/as” e
“pastores/as”; “ordem presbiteral” e “ministério pastoral” como se verá mais adiante nesta pesquisa, a expressão “ministério pastoral” ou “ministério pastoral metodista” empregada neste ponto e em outras partes da pesquisa, salvo momento específico quando se tratará desta distinção, é tomado como termo unificador próprio definido pelo pesquisador para classificar o corpo pastoral metodista.
120 Desde muito cedo, na Igreja Primitiva, em meio a outros/as líderes carismáticos/as,
encontra-se a figura do pastor com um chamado especial para “apascentar o rebanho” de Cristo. Esta assertiva fundamenta-se na seguinte leitura do livro de Efésios: E ele deu uns
como apóstolos, e outros como profetas, e outros como evangelistas, e outros como pastores e mestres... (Ef 4.11). Porém, com o passar do tempo, lentamente a figura do/a pastor/a vai se
ministração dos sacramentos, para o zelo na pregação da Palavra, além de outras tarefas pastorais121.
Como se observa o ministério pastoral metodista está intimamente ligado à figura tradicional do pastoreio: o de guiar, liderar, supervisionar, nutrir, ministrar os sacramentos, apascentar o rebanho para o exercício do ministério no Corpo de Cristo e cuidar da unidade da igreja.
Outro aspecto importante de se frisar nesta pesquisa é que na Igreja Metodista, o pastorado pela sua dimensão apostólica é entendido como um mandato da igreja, não como uma qualidade individual. Isto significa que quem vocaciona e confere o carisma pastoral é a igreja e não a pessoa vocacionada. É o que afirma o documento metodista Plano Nacional Missionário:
O carisma pastoral não é apenas individual. Ele precisa do reconhecimento e de sua integração ao carisma da Igreja como uma dimensão de sua apostolicidade. Esse fato é assinalado de modo visível quando a Igreja ordena o ministério pastoral. Por isso, a tradição protestante reconhece no ministério pastoral um mandato da Igreja, e não apenas uma qualidade individual. No ministério pastoral, não se pode sobrepor carismas ou qualidades pessoais ao carisma ministerial da Igreja. 122
Fora estes aspectos bíblico-teológico-históricas do ministério pastoral metodista, esse ministério assume, em solo brasileiro, algumas características próprias. Assim sendo, buscar-se-á delinear a seguir alguns elementos constitutivos do ministério pastoral na Igreja Metodista brasileira:
121 IGREJA METODISTA. COLÉGIO EPISCOPAL. Plano nacional: ênfases e diretrizes. São
Paulo: Cedro, 1997. p. 20.
122 IGREJA METODISTA. COLÉGIO EPISCOPAL. Plano Nacional Missionário. São Paulo:
2.2.2.1. Um Ministério exercido por homens e mulheres
O ministério pastoral metodista é exercido por homens/mulheres que se entendem vocacionados/as por Deus, o que tendo reconhecido seu “carisma”123, isto é, “dom pastoral” pela Igreja, recebe a devida preparação para o exercício do ministério, passando a figurar entre os membros clérigos da Igreja Metodista, como descrito nos Cânones da Igreja124, em seu artigo 22:
Membro clérigo é pessoa que a Igreja Metodista reconhece chamada por Deus, dentre os seus membros, homens ou mulheres, para a tarefa de edificar, equipar e aperfeiçoar a comunidade de fé, capacitando-a para o cumprimento da Missão125.
Um destaque significativo é o fato de que a Igreja Metodista foi a primeira denominação protestante histórica no Brasil a eliminar a distinção de sexos no ministério ordenado e, assim abrir a possibilidade para o exercício do ministério pastoral feminino na Igreja126. Isto aconteceu na década de setenta (1970/71), após um longo diálogo, conscientização e reivindicações das mulheres junto à Igreja no que concerne ao caráter indistinto do ministério pastoral, como indica Reily.
Na constituição da Igreja Metodista do Brasil (1930), foi proposta sem sucesso, a admissão de mulheres à ordem do presbiterado. Só em 1954 é que se criou a Ordem das Diaconisas, que se extingui no concílio de 1970/71, oportunidade em que também foram eliminadas a distinção de sexo no ministério ordenado da igreja.127
123 Carismas são dons, habilidades.
124 Livro de Leis da Igreja da Igreja Metodista
125 IGREJA METODISTA. COLÉGIO EPISCOPAL. Cânones 2007. São Paulo: Cedro, 2007. p.
167.
126 Considerações valiosas sobre tema do ministério pastoral feminino na Igreja Metodista
podem ser melhor compreendidas nas obras a seguir: CAVALHEIRO, Jussara Rother. O
ministério Pastoral Feminino na Igreja Metodista. Dissertação de Mestrado. São Bernardo do
Campo: UMESP, 1996.; PINTO, Elena Alves Silva. O Carisma Social nas Pastoras Metodistas. Dissertação de Mestrado. São Bernardo do Campo: UMESP, 2002.
127 REILY, Duncan. A. Historia Documental do Protestantismo no Brasil. São Paulo: ASTE,
Esta conquista das mulheres na década de setenta (1970) resgata a experiência histórica metodista da participação das mulheres na missão. Pois no século XVIII o movimento metodista também inovou com a inclusão em seus quadros de pregadores, líderes femininas, que foram muito valiosas à obra metodista na Inglaterra.128
2.2.2.2. Um ministério marcado por uma formação teológica
Os/As pastores/as metodistas são pessoas devidamente preparadas em Instituições Metodistas Superiores de Ensino, especialmente no curso de bacharel em teologia129, a fim de que possam exercer o ministério pastoral segundo as normativas da Igreja Metodista. Neste sentido, desde a década de quarenta (1946), a Igreja tem como seu principal centro de formação teológica uma Faculdade de Teologia localizada em São Bernardo do Campo-SP, faculdade esta, ligada na atualidade a Universidade Metodista de São Paulo130.
Em média, o processo de formação do candidato ao ministério pastoral
dura quatro anos131, e ele/a pode escolher cursar teologia em regime regular ou
por extensão. Aqueles/as que optam por realizar seu processo de formação em regime regular, ao final do curso recebem o diploma de teologia, bacharelado, reconhecido pelo Ministério de Educação e Cultura (MEC). No
128 HEITZENRATER, Richard P. op. cit., 1996.
129 Segundo os cânones da igreja metodista “para ingressar no Curso de Bacharel em Teologia,
programa de formação de presbítero/a, é indispensável que o/a candidato/a seja membro da Igreja Metodista por, pelo menos, 03 (três) anos consecutivos com participação efetiva e cumpra mais 1 (um) ano de Programa Pré-Teológico oferecido por instituição teológica regional. Cânones da Igreja Metodista. 2007 Art 25, § 1º
130 Além desse centro principal de formação teológica, a Igreja Metodista possui outra
faculdade de formação teológica, localizada na cidade do Rio de Janeiro-RJ, no Centro Universitário BENNETT.
131 Sem contar o período de preparação do candidato, denominado de pré-teológico, que tem a
entanto, aqueles/as que optam por concluir seus estudos teológicos em regime de extensão, recebem ao final do curso um certificado de bacharelado sem o reconhecimento do MEC. Ambos os processos dão condições para o candidato postular o ingresso na ordem religiosa chamada presbiteral e tornar-se um/a presbítero/a,132 após um tempo de avaliação e exame aplicado por instâncias próprias da Igreja133. É o que afirma o artigo 24 dos Cânones da Igreja
Metodista:
“Ordem Presbiteral é a categoria eclesiástica clériga, na qual a Igreja Metodista, com a autoridade e direção do Espírito Santo, acolhe, em nome de Deus, sem distinção de sexo, os membros que ela reconhece vocacionados para o santo ministério da Palavra e dos Sacramentos e outros ministérios por ela reconhecidos, ordenando-os para o desempenho da Missão” 134.
Quanto à avaliação e o exame, os Cânones da Igreja Metodista em sua parte geral explicita:
Art. 19 - Os que completam os requisitos para a admissão à Ordem Presbiteral são chamados à presença do Concílio Regional a fim de que respondam às perguntas regulamentares e o concílio vote sobre sua admissão.
Parágrafo único - Como preparação para o solene ato da admissão à ordem, os candidatos são exortados ha dedicar o dia anterior ao jejum e à oração.
Art. 20 - Eleito um candidato à Ordem Presbiteral, é ordenado presbítero ou presbítera em solenidade pública135.
A Igreja Metodista, a partir de uma educação teológica básica ou média, oferecida por instituições Teológicas de suas respectivas regiões – os chamados Seminários Regionais – abrem a possibilidade de uma pessoa
132 O/A presbítero/a é um/a clérigo/a que possui deveres e direitos específicos segundo os
Cânones da Igreja Metodista. Neste sentido, os Cânones define Ver: IGREJA METODISTA COLÉGIO EPISCOPAL. Cânones 2007. São Paulo: Cedro, 2007, p.169-177.
133 Para análise detalhada destes e outros processos correlacionados, é recomendado o exame
dos Cânones da Igreja Metodista.
134 Segundo os cânones da Igreja metodista em seu artigo 24. IGREJA METODISTA. COLÉGIO EPISCOPAL. Cânones 2007. op. cit., p.169.
tornar-se pastor/a metodista. Estes/as pastores/as que possuem educação teológica básica ou média, pela sua especificidade e caráter da formação, figuram após o período de avaliação e exame, não na ordem presbiteral, mas no chamado ministério pastoral136.
Ministério Pastoral é a categoria eclesiástica clériga na qual a Igreja reconhece, dentre seus membros, homens ou mulheres, pessoas vocacionadas para o exercício do pastorado e, após sua formação e experiência probatória, os consagra para a missão. O padrão mínimo de formação para o ingresso no Ministério Pastoral é o Curso Teológico de Formação Pastoral, oferecido pelas instituições teológicas metodistas.137
A Igreja Metodista reconhece ainda a possibilidade de pessoas que concluíram seus cursos teológicos em outras instituições de ensino teológico, a oportunidade de se tornarem pastores/as metodistas, desde que essas instituições sejam ligadas a Associação de Seminários Teológicos Evangélicos138 - ou seus cursos sejam reconhecidos pelo MEC. Para tanto, tais candidatos/as terão que fazer algumas complementações nos seus estudos, em especial, de disciplinas ligadas ao metodismo.
Comentando sobre a Educação Teológica139, o “Plano para a Vida e Missão da Igreja” (PVMI), documento norteador da caminhada missionária da igreja, como indicado alhures, evoca várias questões relevantes a este tema, dentre essas, que a Educação Teológica além de ter relação com a vida e
136 De acordo com os Cânones em seus artigos 34 e 35. IGREJA METODISTA. COLÉGIO
EPISCOPAL. Cânones 2007. p. 180.
137 IGREJA METODISTA. COLÉGIO EPISCOPAL. Cânones 2007. op. cit. p.180. 138 A sigla da Associação de Seminários Teológicos Evangélicos é ASTE.
139 A Igreja afirma que a “Educação Teológica é o processo que visa à compreensão da história
em confronto com a realidade do Reino de Deus, à luz da Bíblia, e da tradição cristã reconhecida e aceita pelo metodismo histórico como instrumentos de reflexão e ação para capacitar o povo de Deus, leigos e clérigos, para a vida e missão, numa dimensão profética”. IGREJA METODISTA. COLÉGIO EPISCOPAL. Plano Para a Vida e Missão da Igreja. São Paulo: Editora Cedro, 3ª edição, 2001, p. 28.
dinâmica da igreja deve promover a relação com o contexto social brasileiro. Segundo o documento, essa relação deve se dar na perspectiva do oprimido, objetivando sua libertação. É o que indica o PVMI quanto ao recrutamento e seleção dos professores de teologia:
No recrutamento e seleção dos professores de Teologia se observará não apenas a sua adequada qualificação aos cursos a serem ministrados, mas também, a sua vivência pastoral e a consciência que tenham de que a tarefa teológica deve ser feita a partir da revelação, no contexto do povo brasileiro e tendo em vista o atendimento de suas necessidades.140
Bem como ainda, no que tange a formação propriamente dita dos/as candidatos/as ao ministério pastoral.
Relacionamento com o contexto social: a metodologia do trabalho teológico, em todos os níveis, terá relação direta com a realidade da sociedade brasileira, na perspectiva do oprimido, visando o processo de sua libertação. 141
2.2.2.3. Um ministério exercido em regime integral ou parcial
O pastorado na Igreja Metodista pode ser exercido em regime integral ou em regime parcial. O/A pastor/a com dedicação integral é alguém que oferece atendimento exclusivo a Igreja, não dividindo suas atividades com nenhuma outra. Já o/a pastor/a de tempo parcial, como o próprio nome indica, dedica apenas parte de seu tempo à Igreja, conciliando suas tarefas pastorais com outras atividades particulares ou profissionais, é o que explicita os Cânones da Igreja Metodista em seu artigo 23:
140 IGREJA METODISTA. COLÉGIO EPISCOPAL. Plano Para a Vida e Missão da Igreja. op.
cit., p.50.
§ 2º A nomeação episcopal estabelece o regime de tempo parcial ou integral e o respectivo ônus, respeitadas as normas pertinentes.
§ 3º Por regime de tempo integral entende-se tempo exclusivo para as ações pastorais para as quais o/a presbítero/a ou pastor/a é nomeado/a, além de outras funções atribuídas por órgãos superiores da Igreja.
§ 6º A nomeação de presbítero/a ou pastor/a, cujo regime seja o de tempo parcial, deve observar os critérios estabelecidos no regime regional de nomeações pastorais.142
O/A presbítero/a ou pastor/a que é nomeado para exercer o pastorado em tempo integral, tem a garantia de receber seu respectivo subsídio pastoral, conforme direitos previstos nos cânones. Já o/a pastor/a nomeado por tempo parcial, pode receber ou não sustento pastoral, ficando submisso aos critérios estabelecidos pelas regiões eclesiásticas.143
2.2.2.4. Um ministério Itinerante e Conexional
A Igreja Metodista, fiel a sua tradição histórica, conserva dentre as marcas de seu ministério pastoral o princípio da itinerância e conexidade. Por itinerância entende-se que o/a pastor/a metodista não tem nomeação vitalícia, ele/ela como parte de sua vocação e serviço à Igreja Metodista, se submete à nomeação de tempos em tempos, de acordo com a indicação e critérios episcopais.144
Em relação à conexidade145, afirma-se que o/a pastor/a metodista é chamado a exercer seu ministério de forma integrada no sistema metodista,
142 IGREJA METODISTA. COLÉGIO EPISCOPAL. Cânones 2007. op. cit., p.168-89. 143 Ibidem, p.168.
144 Cf. IGREJA METODISTA. COLÉGIO EPISCOPAL. Cânones 2007.
145 O Metodismo afirma que o sistema conexional é característica fundamental e básica para a
sua existência, tanto como movimento espiritual, quanto como instituição eclesiástica. (Ef 1.22- 23). Deus lhe deu essa forma de articulação unificadora para cumprir a vocação histórica de “reformar a nação, particularmente a Igreja, e espalhar a santidade bíblica sobre toda a terra” (Wesley) (At 17.4-6; Jo 17.17-19). Cânones – PVMI, p. 38
não de modo personalista. Isso indica que o/a pastor/a metodista vivencia seu ministério pastoral em conexão com os documentos da igreja, normativa dos bispos e decisões conciliares objetivando manter e contribuir para a unidade da igreja em sua ação pastoral. É o que afirma e se pode compreender a partir do regulamento do regimento de nomeações pastorais editado pelo Colégio Episcopal:
O ministério pastoral é desenvolvido pelos presbíteros e pelas presbíteras, pastores e pastoras, sob mandato recebido para servir, zelar pela doutrina e disciplina na vida da Igreja. Nesse sentido, o carisma é da Igreja e não isoladamente do/a presbítero/a ou pastor/a146.
Nesta mesma direção afirma o Código de Ética Pastoral da Igreja Metodista: “O pastor e a pastora consideram o seu ministério integrado e em harmonia com a tradição e costumes metodistas devidamente estabelecidos nos documentos oficiais/ou Concílios Gerais e/ou Regionais”147.
2.2.2.5. Um ministério exercido em uma igreja conciliar
A Igreja Metodista é uma igreja conciliar. O concílio é a assembléia máxima da Igreja, o órgão deliberativo onde os fiéis têm a oportunidade de participar juntamente com o/a pastor/a das decisões da igreja, conforme expressa os Cânones da Igreja Metodista em seus artigos 126 e 127:
O Concílio Local é o órgão deliberativo e administrativo da Igreja Local. O Concílio Local compõe-se dos membros leigos inscritos no Rol de Membros da Igreja Local.148
146 IGREJA METODISTA. COLÉGIO EPISCOPAL. Regulamento do Regime de Nomeações
Pastorais. São Paulo: www.metodista.br, abril 2007.
147 IGREJA METODISTA.COLÉGIO EPISCOPAL. Código de ética pastoral. São Paulo: Cedro,
1998, p. 8.
148 IGREJA METODISTA. COLÉGIO EPISCOPAL. Cânones da igreja Metodista 2007. op. cit.
Quanto a seu caráter, composição, periodicidade, assim expressa ainda outro documento da Igreja:
O concílio local é a assembléia da igreja local. Compõe-se dos leigos e leigas inscritos no rol de membros da igreja local. Reúne-se, ordinariamente, quatro vezes por ano, por convocação do/a pastor/a, e extraordinariamente às vezes necessárias, por iniciativa dele/a, da Coordenação Local de Ação Missionária ou de 1/3 dos membros arrolados na igreja local149.
Deste modo, o/a pastor/a metodista não exerce o governo da igreja em âmbito local de forma autônoma, mas compartilhada. Logo, suas decisões mais importantes são todas elas referendadas pelo concílio, salvo em casos particulares ou em interregno deste, quando a apreciação destas matérias ficam a cargo da Coordenação Local de Ação Missionária.150
Além do nível local, a Igreja Metodista é orientada por concílios em suas diferentes áreas de organização: distrital, regional e geral. A citação abaixo resume de modo geral o sentido dos concílios para a Igreja:
Somos e cremos numa Igreja conciliar, na qual, após discernir os sinais dos tempos, centrados nas Escrituras Sagradas e na herança metodista e cristã, estabelecemos objetivos e metas para o exercício da missão, convictos/as de que “pareceu bem ao Espírito Santo e a nós”
Como se percebe, os concílios na Igreja Metodista, como na história da Igreja mundial, possui um valor muito grande. Os/as pastores/as estão sujeitos às determinações conciliares de todos esses níveis.
149 IGREJA METODISTA.COLÉGIO EPISCOPAL. A Igreja Metodista e sua Organização: em
nível local, distrital, regional e geral. São Paulo: Cedro, 2002, p.11.
150 A Coordenação Local de Ação Missionária (CLAM) é um órgão local da igreja, que congrega
2.2.2.6. Um ministério orientado por documentos e obediente ao governo episcopal
O pastor e a pastora metodista exercem seu ministério debaixo das orientações documentais elaboradas pelo Colégio Episcopal, “órgão responsável pela supervisão da ação missionária e pastoral da Igreja metodista”, constituído de “bispos/ e bispas eleitos/as pelo Concílio Geral, bem como dos/as bispos/as eméritos/as e honorários/as”151. Abaixo se encontra
uma definição sobre qual a compreensão da figura do Bispo e Bispa para a Igreja Metodista:
Os bispos e bispas são presbíteros/as ativos/as eleitos/as para zelar pela unidade doutrinária da Igreja, supervisionar as atividades pastorais, ministeriais e administrativas, e demais funções estabelecidas nos Cânones (art. 71).152
É importante afirmar que os documentos elaborados pelos bispos e bispa não são elementos cerceadores da ação pastoral, mas referencial de conduta, prática e doutrinas do/a pastor/a em suas atividades diárias, isto é, fazendo cumprir as orientações dos documentos da Ig reja, bem como as normativas episcopais. Neste sentido afirma o código de ética pastoral:
O pastor e a pastora seguem, em sua prática e planejamento pastoral, os princípios e ênfases decididas em Concílios. A pastora e o pastor adotam, em seu Plano de Trabalho e Plano de Ação da igreja local, as orientações pastorais emanadas do Colégio Episcopal e/ou Bispos ou Episcopisas e sua Região Eclesiástica. 153
Pode-se afirmar que estes documentos balizadores, oriundos do colégio episcopal, além de fornecer um hori zonte prático e doutrinário da Igreja
151 IGREJA METODISTA.COLÉGIO EPISCOPAL. A Igreja Metodista e sua Organização: em
nível local, distrital, regional e geral. São Paulo: Cedro, 2002, p.28.
152 Ibidem, p.28
para o/a pastor/a em sua práxis pastoral, ajuda-os em sua disciplina ministerial e pessoal, alertando para certos desvios, como por exemplo, o personalismo ministerial, autoritarismo, conduta ética deplorável, entre outros.
2.2.2.7. Um ministério exercido em uma igreja de dons e ministérios
A Igreja Metodista é uma Igreja de governo episcopal, unida pelo princípio da conexidade e organizada em “Dons e Ministérios”, como abordado em outro momento nesta pesquisa. Nessa organização, o/a pastora/a exerce um papel primordial, como se verá mais adiante.
Conforme indicado algures, esta estruturação em “Dons e Ministérios” privilegia a vivência e a participação ministerial de cada fiel na vida comunitária da igreja, com vista ao pleno exercício da missão, é o que se depreende da citação abaixo:
A igreja Metodista chama seus membros a exercerem os Dons por meio de Ministérios. Isso significa que a organização da igreja local é estruturada pelas vocações nela existentes e, principalmente, pelos desafios e necessidades da comunidade onde ela está. Os ministérios são os serviços que a igreja local realiza contando com os dons de seus