O ministério pastoral da Igreja Metodista brasileira, além de assentar sua identidade na tradição bíblico-teológico-histórica do pastoreio, encontra suas raízes no metodismo histórico, instituído por João Wesley na Inglaterra do século XVIII. Neste sentido, há como afirmar que a compreensão de pastoral metodista está intimamente ligada à figura de João Wesley. Portanto, para compreender o ministério pastoral metodista brasileiro faz-se necessário estudar Wesley, seu tempo, práticas e escritos.
2.1.1.
Wesley e seu Tempo
João Wesley (1703-1784), o fundador do movimento metodista, era um clérigo da Igreja Anglicana, igreja oficial da Inglaterra, criada por Henrique VIII em 1534, motivado por uma série de questões de ordem pessoal e política78.
Deste modo, o metodismo foi um movimento renovador nascido no interior da igreja oficial. Deve-se destacar que a convivência com movimentos renovadores era uma realidade comum e constante na igreja da Inglaterra,
78A instituição da Igreja Anglicana na Inglaterra século XVI, por Henrique VIII, se deu de
maneira conturbada. Foi instituída depois da controvérsia do monarca com o Papa Clemente VII, por ocasião do fim de seu casamento com Catarina de Aragão (1485-1536), sobrinha do imperador Carlos V. Além disso, a Igreja Católica possuia inumeras terras e bens na Inglaterra, o rei encontrou nesta controvérsia uma forma de reaver as terras e riquezas da igreja romana à coroa britânica. Para aprofundamento do tema consultar: HEITZENRATER, Richard P. Wesley
e o Povo Chamado Metodista. São Bernardo do Campo: Editeo, 1996, p. 2-5. Este autor é
professor de História da Igreja e estudos wesleyanos na Faculdade de Teologia da Universidade de Duke, é um dos mais importantes biógrafos de Wesley na atualidade, foi responsável por decodificar o diário pessoal de Wesley, escrito em códigos: cifras e taquigrafias.
entre esses movimentos encontram-se as “Sociedades Religiosas”, que serviram de fonte de inspiração a Wesley na estruturação do metodismo.
A época na qual João Wesley viveu e desenvolveu seu ministério pastoral foi um período marcado por intensas mudanças, transformações e ambivalências. Nessa época a Inglaterra experimentou a Revolução Industrial, responsável por um enorme crescimento econômico – que permitiu a ascensão da nação britânica como potência mundial –, mas também por conseqüências profundas na vida social inglesa. Neste sentido afirma Souza:
A revolução industrial é uma alteração profunda na vida da Inglaterra. O setor de ponta é a indústria têxtil, que num primeiro momento tem como matéria-prima a lã. O produto é encontrado de forma abundante na própria Inglaterra e somente mais tarde é que se desenvolverá o têxtil de algodão, para, finalmente, ocorrer à própria industrialização dos meios de produção. No século XVIII a fabricação dos meios de produção ainda se dá de forma artesanal (máquinas, indústrias); no final do século XVIII é que serão usados ferro, carvão de pedra, e inicia-se um processo de automação do próprio maquinário, para que a revolução industrial fosse um fato, uma mudança fundamental na própria estrutura econômica agrária da Inglaterra.79
Para compreender essas alterações profundas salientadas por Souza é preciso retroceder historicamente ao século XVII, mais especificamente ao período da restauração de Cromwell80. É que nesta época ocorre na Inglaterra o incentivo à indústria de lã, o que provoca uma mudança intensa na estrutura agrária inglesa.
Observa-se que “os campos que anteriormente produziam alimentos passam a produzir lã, as terras comuns são arrebatadas, há um processo de
79 SOUZA, José Carlos de. “Introdução a Wesley”. In: Wesley. São Paulo: Editeo, 1991, p. 9. 80 HILL, Christopher. O eleito de Deus: Oliver Cromwell e a revolução inglesa. São Paulo:
privatização da propriedade agrária”81, concentração fundiária. Por
conseguinte, como a exigência de mão de obra na pecuária é consideravelmente menor que na agricultura, ocorre um enorme êxodo rural, as cidades são tomadas por inúmeras famílias expulsas do campo, que passam a engrossar a massa de “proletariado nascente”. É o que indica Hinkelammert:
Como la producción de lana emplea mucho menos mano de obra por hectárea que la producción tradicional de alimentos, lleva a la expulsión de grandes masas de campesinos de sus tierras. Aparece entonces uma crisis social enorme que afecta a grandes partes de la población y que lleva al problema de la vagancia. El campesino que pierde su tierra empieza a vagar, busca dónde ubicarse em la ciudad, pero la dinâmica de esta producción industrial textil no es de ninguna manera capaz de absorberlo. Entonces, ese campesino echado del campo forma uma población sobrante, migrante y sumamente desarraigada. 82
Com esse avanço da população do campo para a cidade ocorre um grave problema social nesse período, a saber, o problema do desemprego – ou como se afirmava na época, a questão da vadiagem. Como a dinâmica industrial neste momento ainda não possui força suficiente para absorver toda a mão de obra sobrante, a solução encontrada pelo governo para tratar desta questão foi o endurecimento da lei, ou seja, coerção ao invés da promoção de políticas públicas para solucionar a questão do desemprego, conforme indicado na citação abaixo:
Na primeira metade do século XVIII nada menos que sessenta crimes foram acrescentados à lista dos punidos com pena capital na Inglaterra.
81 SOUZA. op. cit., p. 10.
82 HINKELAMMERT, Franz. Las condiciones econômico-sociales del Metodismo en la
Ingraterra del Siglo XVIII. In: DUQUE, José. La Tradición protestante en la teologia latinoamericana: Primer Intento: lectura de la tradición metodista. San José – Costa Rica: Dei,
1983, p.24. TRADUÇÃO LIVRE DO AUTOR: Como a produção de lã imprimia muito menos mão de obra por hectares que a produção tradicional de alimentos, leva a expulsão de grandes massas de campesinos de suas terras. Aparece então uma crise social enorme que afeta grande parte da população e leva ao problema da vagância. O campesino que perde sua terra começa vagar, buscar onde situar na cidade, porém a dinâmica dessa produção industrial têxtil não é de nenhuma maneira capaz de absolvê-lo. Então, esse campesino expulso do campo forma uma população sobrante, migrante e sumamente desarraigada.
O tratamento dispensado aos falidos e aos devedores era também extremamente impiedoso. Surrados e submetidos a uma dieta de fome pelos carcereiros, morriam aos milhares em prisões imundas.83
Apesar da rigidez da legislação o problema do desemprego não foi de todo resolvido, persistiria ainda por um longo período na Inglaterra durante grande parte do século XVIII, como se abordará em vários momentos desta pesquisa.
Voltando à discussão da transformação das terras agrícolas inglesas em pastos para pecuária, com este empreendimento a nação britânica se viu obrigada a importar alimento para abastecimento de sua população. A alternativa encontrada foi a importação de alimentos da Polônia e Rússia, pagos com lã e pequenas ferramentas.
Aliás, a escassez de alimentos foi outro sério problema enfrentado pela Inglaterra no século XVIII. Neste contexto, a população pobre foi a que mais sentiu os efeitos desta problemática, assim como o alto preço do alimento.
83 VV.AA. História da Civilização Ocidental : Do Homem das Cavernas às Naves Espaciais. 28ª
Ed. Vol.2. Porto Alegre-RS/Rio de Janeiro-RJ: Editora Globo, 1968, p. 464. Souza confirma esta informação: “a questão (da vadiagem) é solucionada através de uma legislação extremamente rígida e severa, onde, às vezes, um simples roubo é punido com a pena de morte; muitas vezes há notícias de que juízes inocentaram o indivíduo para não aplicar a pena capital. A questão não é resolvida discutindo o problema do desemprego, a questão é resolvida na base da repressão”. SOUZA, José Carlos de. “Introdução a Wesley”. In: Wesley. São Paulo: Editeo/Cedi, 1991, p. 11. Fazendo uma avaliação do sistema carcerário inglês, Bastos tece os seguintes comentários: “O sistema carcerário inglês não era outra coisa senão uma das muitas formas com que a brutalidade da exclusão social se revelava no quotidiano da vida dos mais pobres. A insalubridade dos cárceres, onde se amontoavam homens, mulheres e crianças, faziam proliferar doenças as mais diversas. Ali não havia alimentação adequada, nem cobertores, sendo os presos obrigados a dormirem em chão frio. Na verdade, não parece ser acertado denominar de cárcere àquelas dependências destinadas à reclusão de ‘criminosos’, uma vez que, não raramente se tratavam de porões, casas abandonadas, tendo pouca ou nenhuma ventilação. Os vigias, por não receberem um salário regular do poder público, viam como fonte alternativa de sustento a prática da extorsão aos presos e seus familiares. Aqueles que não pudessem pagar as ‘taxas’ exigidas pelos guardas eram às vezes torturados até a morte.” BASTOS, Levy da Costa. “Justificação e justiça em John Wesley”. In: RIBEIRO, Cláudio de Oliveira; RENDERS, Helmut; SOUZA, José Carlos de; JOSGRILBERG, Rui de Souza (Orgs). Teologia e Prática na Tradição Wesleyana: Uma leitura a partir da América Latina e
Bastos afirma que neste período muitas famílias inglesas experimentaram a fome:
Os salários, por serem tão baixos, acabavam por obrigar os operários a empregarem todos os integrantes da família como força produtiva a fim de não morrerem de fome. Fome que campeava pelas ruas e casas das cidades industriais inglesas. Incessante documentação a respeito está em dois jornais publicados à época: O ‘London Daily Post’ informa na edição de maio de 1742 que ‘... a miséria é quase incrível (...) As pessoas estão todas desempregadas e necessitadas dos meios mais elementares de sobrevivência’. O segundo relato é da ‘Norwich Gazete’, em sua edição janeiro de 1741, segundo a qual ‘Não menos de que 10.000 estão morrendo de fome por necessidade de ocupação’.84
Apesar destas “contradições sociais”, o certo é que a Inglaterra no século XVIII experimentou progressivamente sua ascensão como uma grande potência mundial na indústria têxtil. Alguns fatores concorreram para isso, a saber, a aquisição do comércio monopolista de escravos (1703), pois permitiu a interação comercial da Inglaterra com Portugal e sua colônia – Brasil –, assim como a circulação de ouro no país; e a conquista das Índias, fator decisivo para a nação britânica alcançar a auto -suficiência e controle mundial do mercado têxtil. Qual o impacto que isto tem na Inglaterra? Hinkelammert tem opinião sobre esta realidade:
La producción textil inglesa aumenta, pero este aumento no es más que sustituto de otra producción que se pierde, es decir, no aumenta la producción mundial pero sí la inglesa. Por eso Inglaterra puede tener tantos contratos y tasas de crecimiento sumamente altas: es un mercado fácil, un mercado de sustitución. Esto da la característica de toda la segunda mitad del Siglo XVIII: um mercado fácil para el textil de algodón – que no es um textil de alta calidad, como el de lana, sino um textil muy corriente para gente de escasos recursos – que no necessita
que la gente tenga nuevos ingresos, pués com los que tiene puede comprar el nuevo textil inglês.85
Todavia a conquista do mercado têxtil mundial inglês a partir da segunda metade do século XVIII não foi capaz de atenuar os problemas e as diferenças sociais, pelo contrário, eles aumentam mais. É o que permite pensar a reflexão abaixo de Souza:
É possível constatarmos o seguinte fato; há um auge na produção têxtil inglesa e, ao mesmo tempo, um processo de pauperização da população. Não é preciso aumentar os salários da população porque existe o mercado externo de substituição; alem disso o tecido de algodão é muito mais barato que a de lã, compatível com os baixos salários. Nesse momento, tanto os novos proletários (classe proletária que começa a surgir) quanto à população (exército de reserva) incham as cidades. A economia inglesa, que era agrária e artesanal, passa por um processo de transformação acelerada. A pauperização não inviabiliza o mercado porque o produto de algodão é para quem tem poucos recursos; o artesão é transformado em proletário ou, se dispôs de algum capital, em empresário. 86
Duque acompanha esse raciocínio de Sousa e acrescenta que juntamente com os problemas do desemprego, fome, aparecem neste período outros males, como a violência, decadência moral e alcoolismo:
La precariedad social se podía observar en el desempleo, el hacinamiento habitacional, el alcoholismo, el hambre y la conducta social violenta. Es decir, era un contexto socio-económico caracterizado por la discriminación, la opresión, la sobre explotación obrera, la violencia, el sin sentido de la vida y la degradación viciosa. En una
85 HINKELAMMERT, op. cit., p.27. TRADUÇÃO LIVRE DO AUTOR: A produção têxtil inglesa
aumenta, porém este aumento não é mais que substituto da outra produção que se perde, quer dizer, não aumenta a produção mundial, porém sim a inglesa. Por isso a Inglaterra pode ter tantos contratos e taxas de crescimento sumamente altas: é um mercado fácil, um mercado de substituição. Esta é a característica de toda a segunda metade do Século XVIII: um mercado fácil para o têxtil de algodão – que não é um têxtil de alta qualidade, como o da lã, senão um têxtil muito corrente para gente de poucos recursos – que não necessita que a gente tenha novos ingressos, pois com os que têm pode comprar o novo têxtil inglês.
86 SOUZA, José Carlos de. op. cit., p. 12-13. Seguindo esta compreensão, Camargo afirma: “A
Revolução Industrial havia trazido consigo uma abominável exploração dos trabalhadores, que se amontoavam, em número crescente, em bairros em que a aglomeração e o abandono tornavam insalubres e moralmente corrompidos.” CAMARGO, Báez. Gênio e Espírito do
palabra, la nueva economia que surgía en Inglaterra era una ‘fábrica’ de miséria.87
Segundo Hinkelammert esse conjunto de problemas sociais enfrentados pela Inglaterra são reflexos da adaptação da nação inglesa às novas dinâmicas do capitalismo nascente. Em sua visão, em todos os lugares onde o capitalismo foi implantado, as nações experimentaram esses desafios de adaptação a um novo sistema de vida trazido pelo capitalismo.
Concluindo este tópico, faz-se a observação de que diferentes historiadores, entre eles alguns metodistas88, que fazem uma análise social e histórica das inúmeras alterações pelas quais passou a Inglaterra no século XVIII, consideraram que Wesley e os metodistas ajudaram de algum modo na adaptação das classes pobres inglesas a esse novo modo de vida capitalista. Feitas estas considerações, no próximo tópico analisar-se-ão algumas dessas ações pastorais de Wesley e dos metodistas neste período.
2.1.2.
A Prática Pastoral Solidária de Wesley
Wesley possuía uma compreensão global da religião, concebia a experiência religiosa cristã não como uma experiência intimista, particular e
87 DUQUE, José. El mundo es mi parroquia porque otro mundo es posible. In: RIBEIRO,
Cláudio de Oliveira; RENDERS, Helmut; SOUZA, José Carlos de; JOSGRIBERG, Rui de Souza (Orgs). Teologia e Prática Na Tradição Wesleyana: Uma leitura a partir da América Latina e
Caribe. São Bernardo do Campo: Editeo, 2005, p.207. TRADUÇÃO LIVRE DO AUTOR: A
precariedade social se podia observar no desemprego, o aglomerado habitacional, o alcoolismo, a fome, e a conduta social violenta. Isto é, era um contexto socioeconômico caracterizado pela discriminação, a opressão, a alta exploração operária, a violência, a falta de sentido da vida e a degradação viciosa. Em uma palavra, a nova economia que surgiu na Inglaterra era uma “fábrica” de miséria.
individualista, mas como uma realidade ampla e integral que deveria contemplar em sua vivência a dimensão íntima e exterior: atos de piedade89 e obras de misericórdia90. Por isso afirmava aos metodistas de seu tempo: “O cristianismo é essencialmente uma religião social e torná-lo em religião solitária, é destruí-lo.91” Neste sentido esclarecia ainda:
Quando digo que esta religião é essencialmente social, quero não só afirmar que ela não pode subsistir normalmente, mas que não pode subsistir de modo nenhum à margem da sociedade, sem viver e tratar com outros seres humanos. 92
Esta consciência de que a religião deve ser vivida integralmente, sem secção, de que o cristianismo não é uma religião condenada aos “porões” do individualismo e da indiferença social, fez com que Wesley se envolvesse profundamente no esforço de minorar alguns dos sérios problemas de seu tempo. Assim, seu ministério ao lado dos metodistas, ficou profundamente marcado por uma práxis pastoral solidária. Neste sentido resumia a missão dos metodistas: “reformar a nação, particularmente a Igreja, e espalhar a santidade bíblica sobre toda a terra93”.
89 Os atos de piedade referem-se a participação na Ceia do Senhor, leitura devocional da
Bíblia, prática de oração, jejum, participação nos cultos, etc.
90 As obras de misericórdia reapresentam a solidariedade ativa junto aos pobres, necessitados
e marginalizados socais.
91 WESLEY, João. Sermão do Monte – Discurso IV. In: Sermões. Vol I. 2ª Edição. São Paulo:
Impressa Metodista, 1981, p. 501. Um olhar acurado na história é capaz de revelar inúmeros exemplos de pessoas e grupos cristãos que condenaram sua vivência religiosa a experiência individualista, na desculpa de que cultivar a piedade íntima fosse mais importante do que se envolver com as duras realidades que afligiam a humanidade. Wesley quase caiu neste perigo, ao se dedicar à leituras dos autores místicos de seu tempo, todavia logo equilibrou sua fé.
92 Wesley, João. Sermão do Monte – Discurso IV –. op. cit., p. 502.
93 É oportuno esclarecer que a compreensão de santidade em Wesley passa também pela
compreensão de religião como uma experiência que contempla o social, como se tem assinalado nesta pesquisa. Assim afirmava: “O Evangelho de Cristo não conhece religião, que não seja religião social; não conhece santidade, que não seja santidade social” (Obras, VIII, 593).
Wesley afirmava sempre que as marcas distintivas de um metodista não eram um esquema especial de religião ou um conjunto de idéias particulares, para ele as balizas constitutivas de um metodista eram simplesmente o amor a Deus e o amor ao próximo. Estes princípios o acompanharam por toda sua vida, vivência religiosa e práxis pastoral. Foi esse amor por Deus e pelo próximo que orientou seu envolvimento social – como exemplo, o combate à pobreza que assolava a Inglaterra:
Chamei a atenção das sociedades unidas para o fato de que muitos de nossos irmão e irmãs necessitavam de comida; de que muitos não tinham roupa; de que muitos não tinham emprego, e isso não era culpa sua; e muitos estavam doentes e corriam o perigo de morrer; de que eu tinha feito o possível para alimentar os famintos, vestir os nus, empregar os que estavam sem emprego e visitar os doentes; mas tudo o que tinha feito não era suficiente e, portanto, queria que todos aqueles cujo coração estava com o meu procurassem: 1o ) trazer toda a
roupa que pudessem dar para ser distribuída entre os mais necessitados. 2o) Dar um penny por semana, ou o que pudessem dar,
para atender às necessidades dos pobres e doentes. Meu intuito, disse- lhes eu, é empregar, por enquanto, todas as mulheres desempregadas, e os homens que desejarem, no fabrico de meias. Vender o produto ao preço do dia e depois suplementar aquilo que faltasse para atender à suas necessidades. Doze pessoas estão nomeadas para fiscalizar esse serviço, visitar os doentes e fornecer-lhes o que for preciso. Cada uma dessas doze pessoas têm de visitar, de dois em dois dias, os doentes do seu distrito, e reunir-se na quinta-feira para relatar o que fizeram e planejar o que ainda pode ser feito94.
Como fora mencionado, a solução encontrada por Wesley para o problema da fome, doença e desemprego nesta ocasião indica sua sensibilidade pastoral à esses temas. Muitas outras ações foram empreendidas ao longo de seu ministério nessa direção com vistas ao combate da pobreza institucionalizada em seu tempo. A seguir examinar-se-ão algumas delas:
94 BUYERS, Paul Eugene. João Wesley: Avivador do Cristianismo na Inglaterra. 2ª Ed. São
Wesley buscou inúmeras alternativas para a falta de emprego entre aqueles que participavam das sociedades metodistas. Heitzenrater afirma que, na busca por atenuar o problema da falta de emprego que assolava grande parte da população inglesa e, em particular, muitos integrantes da sociedade. Wesley criou o Fundo de Empréstimos, no intuito de ajudar as pessoas desempregadas no desenvolvimento de seus próprios negócios.
As cinqüenta libras assim coletadas entre seus amigos foram dadas a dois Stewards da sociedade, que foram à Fundição na terça-feira de manhã e fizeram empréstimos de vinte shillings (uma libra) para aqueles que necessitam ‘de um suprimento imediato’ de dinheiro para propósito