7.1 Sammenligning av regelverket for energi i Norge og Sverige
7.1.3 Energirammer
O termo práxis (p?a???), de longa tradição na filosofia, encontra sua origem na Grécia Antiga e parece designar freqüentemente a ação entendida no campo das relações humanas, no âmbito da intersubjetividade, da moral e da política. É o que afirma Konder:
A palavra práxis provém do grego antigo: p ?a???. O termo, ao que parece não era muito preciso; comumente, designava a ação que se realizava no âmbito das relações entre as pessoas, a ação intersubjetiva, à ação moral, a ação dos cidadãos. Era, com certeza, diferente da poiésis, que era a produção material, a produção de objetos.40
As considerações de Konder vêm de encontro aos apontamentos acima. Nelas ficam entendidos que a práxis em sua origem possui uma história fundada nas atividades que se realizam entre os seres humanos em suas
40 KONDER, Leandro. O Futuro da Filosofia da Práxis: O pensamento de Marx no Século XXI.
diferentes manifestações, diferentemente de poiésis, atividade ligada à produção humana de objetos.41
Apontada a origem histórica da palavra práxis, se faz necessário neste momento examinar como esta expressão é usada na atualidade, depois de longo desenvolvimento histórico e filosófico. Uma primeira aproximação do tema é oferecida por Konder:
A práxis é a atividade concreta pela qual os sujeitos humanos se afirmam no mundo, modificando a realidade objetiva e, para poderem alterá-la, transformando-se a si mesmos. É a ação que, para se aprofundar de maneira mais conseqüente, precisa da reflexão, do auto- questionamento, da teoria; e é a teoria que remete à ação, que enfrenta o desafio de verificar seus acertos e desacertos, cotejando-os com a prática42.
Pelo exposto, observa-se que a práxis, mantendo de certo modo seu sentido originário, as múltiplas dimensões do relacionamento humano, adquire na contemporaneidade, a partir da crítica marxista, um caráter revolucionário, de ação humana transformadora do mundo. Tal visão é compartilhada por Floristan:
A partir, pues, de ciertas aportaciones marxianas, completadas con otras corrientes pragmáticas o existencialistas, la práxis es cambio social y compromiso militante, transformación de estructuras y actitud crítica, renovación del sistema social y emancipación personal.43
As contribuições de Floristan para a compreensão do termo práxis não param por aí. Em seu livro Teologia Prática, discutindo a respeito da natureza
41 Aristóteles, o famoso filósofo clássico, é o autor grego que com maior freqüência usa a
palavra práxis em seus textos. Ele também faz esta diferenciação do termo práxis e poiésis.
42 KONDER, Op. cit., p. 115.
43 TRADUÇÃO LIVRE DO AUTOR: A partir, pois, de certos apontamentos marxistas,
completadas com outras correntes pragmáticas ou existencialistas, a práxis é mudança social e compromisso militante, transformação de estruturas e atitude critica, renovação do sistema social emancipação pessoal. FLORISTAN, Casiano. Teologia Práctica: Teoria Y Práxis la
desta, afirma que a práxis é constituída por quatro (04) elementos, a saber:44
1. “A práxis é ação criadora e não meramente reiterativa – Para que a ação seja criadora é necessário um certo grau de consciência crítica no agente que atua e um certo nível de criatividade que reflita no criado. A práxis criadora e inovadora frente a novas realidades ou novas situações. O homem há de criar ou inventar; não basta ele imitar o resultado”.
2. “A práxis é ação reflexiva e não exclusivamente espontânea – A práxis criadora exige uma elevada atividade de consciência crítica. Para superar o nível espontâneo de prática é necessário um alto grau de reflexão. Necessitamos ser críticos: saber o que buscamos e aonde vamos, porém cautelosos nos passos que damos. Por isso, a transformação dos muitos aspectos não poderá ser as vezes nem todo rápido, nem todo radical como se espera.”
3. “A práxis é ação libertadora e de nenhum modo alienante – A ação humana é práxis na medida que se conforma a um projeto de libertação. O fim de toda atividade prática ou de toda práxis é a transformação real do mundo natural ou social, cuja realidade deve ser uma nova realidade mais humana e mais livre.”
4. “A práxis é ação radical e não meramente reformista – A práxis intenta transformar a organização e direção da sociedade, mudando as relações econômicas, políticas e sociais. Como a sociedade esta dividida em classes sociais, nasce uma luta de classes entre si. Assim emerge a atividade política, que é luta objetiva além da ideológica. A práxis política alcança sua forma mais elevada na práxis radical, a saber, a que intenta transformar a raiz das bases econômicas e sociais em que se assenta o poder das classes dominantes para construir uma sociedade nova.” 45
Assim, compreende-se a partir das considerações de Floristan que a práxis é uma atividade humana que cria, reflete, liberta e transforma. Neste sentido, a práxis – na visão de Floristan – possibilita a criação do homem novo e modifica a ação humana radicalmente possibilitando transformações profundas em diferentes campos do existir: social, político, econômico, cultural, etc.46
Outra observação importante a fazer é que Floristan não dissocia práxis e teoria. Ele compreende práxis e teoria como algo que se incluem
44 FLORISTAN, Casiano. op. cit., p. 179-180. 45 Ibidem, p. 179-180
mutuamente, ação e reflexão. Para ele entre práxis e teoria existe uma relação dialética, um binômio que tem sua relação estabelecida mediante uma interação entre um modo de pensar e um exercício ou ação.47 Neste sentido comenta Floristan:
Entre a teoria e a práxis há uma relação dialética, permanentemente dinâmica, às vezes conflitiva, porém que deve resolver-se em forma de sínteses ao modo de superação. Sem esquecer a primazia da práxis sobre a teoria e que a teoria está em função da práxis48.
Ao contrário do que muita gente imagina, apesar de sua semelhança, práxis e prática49 não são termos sinônimos, mas distintos. Práxis como visto, na tradição filosófica, adquire na modernidade o sentido de atividade social transformadora do mundo. A Prática, não deixa de ser também uma atividade, todavia é uma atividade diferente da práxis, ela se refere à atividade pela atividade, tem a ver com o repetitivo, não objetiva nenhuma transformação, como é próprio do caráter da práxis. No dizer de Vázquez, “toda práxis é atividade, mas nem toda atividade é práxis”50. E por fim, afirma este autor, a
“prática se basta a si mesma, e o ‘senso comum’ situa-se passivamente, numa atividade acrítica, em relação a ela”51.
Compreendido o uso do termo práxis, tomado aqui em unidade com a palavra solidariedade pela sua relevância para esta pesquisa, examinar-se-á adiante o entendimento do termo solidariedade.
47 FLORISTAN, Casiano. op. cit.,p. 176-177. 48 Ibidem, p. 177.
49 Uma informação importante, segundo FLORISTAN, na língua espanhola práxis e prática são
termos sinônimos. KONDER, afirma que na língua alemã os dois termos comportam também o mesmo sentido.
50 VÁZQUEZ, S. O. Filosofia da Práxis. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997. p. 185. 51 Ibidem, p. 210.