7.3 Vurdering av Svanemerket og BREEAM
7.3.2 Klassifiseringsmetode
Como descrito acima, as sociedades contemporâneas estão organizadas em uma sociedade globalizada. Com isso cada vez mais cresce a inter-relação entre os países, povos, culturas do mundo, a difusão da tecnologia e conhecimento em escala mundial, bem como assiste a globalização da economia. No entanto, enquanto a humanidade experimenta este enorme progresso tecno-científico e econômico, cresce preocupantemente em nível mundial a globalização da pobreza, da exclusão e da desigualdade social, sintomas da globalização econômica, como destacado em outro momento desta pesquisa, e apontado abaixo:
A desigualdade social acentuou-se drasticamente nas últimas décadas. Milhares de pessoas lutam para sobreviver sob condições extremamente precárias, não só nos confins do mundo e entre as legiões de perseguidos e refugiados, mas também onde o capitalismo se apresentou como mais próspero. 65
Esta constatação de que a desigualdade, exclusão social e miséria, avançam drasticamente em diferentes partes do mundo e, juntamente com estas, a violação dos direitos humanos e injustiça institucionalizada é
65 CARDOSO, Miriam Limoeiro. “Ideologia da globalização e (des)caminhos da ciência social”.
In: GENTIL, Pablo (Org.). Globalização Excludente: Desigualdade, exclusão e democracia na
confirmada por inúmeros autores que estudam o fenômeno da globalização66.
Muitos testificam que esta realidade tem colocado em “xeque” uma das máximas da nova ordem mundial, ideologia globalista, a saber, a de que o crescimento econômico trará o progresso da humanidade e erradicará a pobreza e injustiça social67, que toma diferentes partes do planeta, como a América Latina, Ásia e África. Ribeiro denuncia o fim dessa “ilusão”.
A pobreza, porém, nunca está só. Por toda parte os pobres são acompanhados pela permanente violação dos Direitos Humanos (DDHM, são vítimas de injustiças Institucionalizadas, vivem oprimidos e reprimidos sistematicamente. Neste sentido, vai-se compreendendo acentuadamente ‘o fim de uma ilusão: a de que o crescimento econômico por si só seria capaz de erradicar a pobreza e os altos níveis de injustiça social, que historicamente têm caracterizado a América Latina, Ásia e África.68
Esta constatação de que “a pobreza nunca está só”, também é compartilhada por Bauman. Em seu livro “Globalização: as conseqüências
66 Entre estes estão: BAUMAN, Zygmunt. Globalização: As conseqüências Humanas. São
Paulo: Jorge Zahar Editor, 1999.; GENTIL, Pablo (Org.). Globalização Excludente:
Desigualdade, exclusão e democracia na nova ordem mundial. 3ª Ed. Petrópolis: Vozes, 2001.;
IANNI, O. A sociedade global. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1992; SANTOS, M. Por
uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. Rio de Janeiro: Record,
2001.
67 Segundo Cardoso, este discurso de desenvolvimento contínuo encampado pelos globalista
tomado na contemporaneidade, sobretudo na gênese da globalização, se assemelha muito aos discursos do projeto desenvolvimentista encampado nas décadas de 50 e 60. Esta autora afirma que “à diferença das afirmações correntes sobre a globalização, o desenvolvimento não era considerado como inevitável. No fundo, porém, o argumento era semelhante, porque as alternativas colocadas eram estas: ou a opção pelo desenvolvimento, o que significava esforço e sacrifício em prol de um futuro de prosperidade; ou a opção pela tradição e pelo atraso, o que implicava na manutenção da pobreza”. CARDOSO, Miriam Limoeiro. Ideologia da globalização
e (des)caminhos da ciência social. In: GENTIL, Pablo (Org.). Globalização Excludente: Desigualdade, exclusão e democracia na nova ordem mundial. 3ª Ed. Petrópolis: Vozes, 2001,
p. 116-117. Nesta mesma direção Held e McGrew confirmam esta interpretação de Cardoso sobre globalização e sua idéia de desenvolvimento cont ínuo. Estes autores afirmam que “a globalização econômica é associada a uma crescente prosperidade mundial: a pobreza extrema e a desigualdade global são vistas como estados transnacionais, que desaparecerão com a modernização global conduzida pelo mercado. A globalização econômica, afirma-se, cria as precondições para uma ordem mais estável e pacífica, uma vez que a interdependência econômica duradoura, como confirma as relações entre os Estados ocidentais, torna cada vez mais irracional o recurso à força militar ou à guerra e, portanto, torna-o cada vez mais improvável”. HELD, David e MCGREW, Anthony. Prós e Contras da Globalização. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor; 2001, p. 72-73.
humanas”, ele apresenta uma análise sobre este assunto, como demonstrado no trecho abaixo:
O que a equação ‘pobreza = fome’ esconde são muitos outros aspectos complexos da pobreza – ‘horríveis condições de vida e moradia, doença, analfabetismo, agressão, famílias destruídas, enfraquecimento dos laços sociais, ausência de futuro e de produtividade’ – aflições que não podem ser curadas com biscoitos superprotéicos e leite em pó. Kapuscinski lembra que perambulou por vilas e aldeias africanas, encontrando crianças ‘que imploravam não pão, água, chocolate ou brinquedos, mas uma esferográfica, pois iam à escola e não tinham com o que escrever as lições’. 69
Held e McGrew levantam a questão da problemática do Estado nesta nova configuração mundial.
À medida que se intensifica a composição global, os governos tornam- se cada vez mais incapazes de manter os níveis existentes de proteção social, ou os programas estatais de bem-estar-social, sem minar a posição competitiva das empresas nacionais e impedir investimentos estrangeiros muito necessários.70
Para se defender das críticas anti-globalistas, que denunciam o fracasso das políticas desenvolvimentistas para os países subdesenvolvidos, os globalistas afirmam que o fracasso nos índices de desenvolvimento nesses países, e conseqüentemente o aumento da pobreza, da injustiça e exclusão social é resultado do não cumprimento de suas orientações políticas- econômicas. Outro argumento muito usado pelos globalistas para justificar o crescimento da miséria e da pobreza no mundo, enquanto uma pequena minoria desfruta dos benefícios das riquezas produzidas, é que estas realidades representam os “efeitos colaterais” do sistema ou que o “sacrifícios humanos são necessários”71 para regular o mercado. Com isso, a conclusão
69 BAUMAN, Z. op. cit., p.81-82 70 HELD, D e MCGREW, A. op. cit.,
que se chega é que a globalização da indiferença está institucionalizada, como salienta Espeja:
Nossa sociedade é insolidária. A ideologia da dominação e da própria segurança a custa dos outros, é normativa, e para ela encaminham os mecanismos sociais. Enquanto o desejo de ‘ter’ impõe suas leis, parados e indefesos, humilhados e ofendidos, ficam aí como escórias, onde os direitos humanos, somente são reconhecidos, quando muito, em teoria.72
Nessa sociedade, injusta e insolidária, a globalização da indiferença é tamanha que a pobreza, nesta nova fase da humanidade, regido pela economia globalizada, passa descabidamente a ser creditada como uma responsabilidade dos próprios pobres. É o que indica o sociólogo polonês Bauman:
... o noticiário sobre uma epidemia de fome – supostamente a última razão que restou para romper a indiferença rotineira – vem em geral acompanhada de um enfático lembrete de que as terras distantes onde as pessoas ‘vistas na TV’ morrem de fome e doença são as mesma dos ‘tigres asiáticos’, esses beneficiários exemplares da nova maneira imaginativa e admirável de fazer as coisas. Não importa que todos os ‘tigres’ juntos reúnam apenas 1 por cento da população da Ásia. Supõe- se que eles demonstram o que era preciso provar – que o lamentável sofrimento dos famintos e indolentes é opção sui generis deles próprios, que as alternativas estão disponíveis e podem ser alcançadas, mas não são adotadas por falta de diligência ou determinação. A mensagem subentendida é que os próprios pobres são responsáveis por seu destino; que eles poderiam, como fizeram os ‘tigres’, perceber que a presa fácil não satisfaz o apetite dos tigres. 73
Sung salienta que esta justificação da pobreza no presente encontra, inclusive, explicações religiosas, conforme visto abaixo.
‘O pobre merece a sua pobreza, como o rico/competente merece a sua riqueza’; ‘Deus sabe o que’, ‘está pagando os pecados da encarnação passada’; ‘não há salvação da alma sem sacrifícios ou sem carregar as cruzes que Deus nos dá; ‘problemas econômicos fazem parte da nossa missão religiosa’, ‘estes problemas são tão difíceis... e eu/nós
72 ESPEJA, J. op. cit., p. 1052. 73 BAUMAN, Z. op. cit., p.81.
tenho/temos tantas outras coisas importantes a fazer...’; “Deus saberá dar um jeito nesses problemas...”. Estas são algumas das inúmeras explicações que encontramos na nossa sociedade para justificar o desviar os olhos dos sofrimentos dos/as excluídos/as.74
Todo este embrutecimento humano, essa indiferença e insolidariedade, reclama desafios éticos, no sentido de reverter essa dura realidade e a insensibilidade humana frente à nova ordem mundial, como afirma Apel:,
Para Apel, a situação atual da humanidade constitui o desafio de uma nova ética: o que caracteriza essas situações é a expansão planetária e a integração internacional, cada vez mais profunda, possibilitada pelo desenvolvimento, também planetário, da civilização técnico-científica. Ora, os efeitos das ações humanas, mediadas pelas ciências, se situam, em grande parte, no âmbito dos interesses vitais comuns da humanidade.75
Pelas discussões suscitadas, bem como pelos apontamentos de Apel, observa-se que a situação atual desafia de fato o desenvolvimento de uma nova ética, não assentada meramente em códigos de regras, mas fundada na percepção ontológica do outro, como sujeito de direitos inalienáveis, como visto em determinado momento desta pesquisa. Nesta direção, um dos caminhos possíveis para o alcance do êxito nesta empreitada passam pelo despertamento no ser humano da sensibilidade solidária, como afirma Sung:
A palavra sensibilidade quer mostrar que a solidariedade como ato ético-subjetivo radical só acontece quando entram em jogo os ‘sentidos’, como a percepção empática do sofrimento e angústia dos/as outros/as. O ver e o ouvir, alterando a sensibilidade da nossa pele. Ao mesmo tempo, a sensibilidade é a condição a priori para que o/a outro/a possa irromper no meu mundo como outro/a. 76
Sung aponta, ainda, a importância de compreender sensibilidade solidária, como conhecimento, como indicado abaixo:
74 SUNG, Jung Mo. Sujeitos e Sociedades Complexas. Petrópolis: Vozes, 2002, p.161. 75 Apud OLIVEIRA, Manfredo Araújo. Globalização, Ética e Justiça. op. cit., p. 279 76 ASSMANN e SUNG. op. cit. p. 98.
Valorização da Sensibilidade como conhecimento. Sensibilidade no sentido de experiências físicas da visão, audição, tato. A relativização da nossa capacidade racional e das nossas teorias reacionais deve vir acompanhadas da valorização das nossas experiências sensitivas, do nosso contato visual ou físico com os presos, que são sempre realidade mais complexas e portadoras de mistérios que transcendem a nossa capacidade racional. Também é preciso valorizar a sensibilidade no sentido da ‘sensibilidade humana’, a capacidade de sentir a empatia e a compaixão, de se deixar tocar pelas vidas, sofrimentos e alegrias, esperanças e desejos das outras pessoas. 77
Concluindo, há de se afirmar que não se pode desconsiderar que o esforço por despertar a sensibilidade solidária entre as pessoas, neste momento histórico, não resolverá de todo os dramas da humanidade contemporânea. Os problemas que tocam as sociedades atuais são complexos e ambivalentes, todavia isto não é motivo para a desistência da busca por horizontes utópicos que ofereçam sentido à vida humana, na construção de um mundo mais justo é solidário.
Encerrada a exposição de discussões sobre a temática da Globalização e Solidariedade deste capítulo, examinar-se-á no próximo capítulo as fundamentações bíblico-teológico-históricas do ministério pastoral metodista para o desenvolvimento de uma práxis solidária neste contexto de globalização.