Unit Vector Compression
4.7 Parameter Quantization and Error Analysis
4.8.8 Surplus Bits
A povoação São João do Abade foi elevada a esta categoria no dia 06 de julho de 1895, pela Lei nº 324 (FERREIRA, 2005), não possuindo documentos quanto a sua demarcação. A ponte do Abade é o limite (de acordo com seus habitantes) para separar a povoação do centro do município de Curuçá. Para os abadienses se está em Abade, quando se ultrapassa a ponte. A origem da povoação é portuguesa e indígena, posteriormente chegaram os africanos, ela é considerada como um dos principais exportadores de pescado do nordeste paraense, atendendo a população local, além de outros municípios (como Castanhal, Bragança e Belém) e estados como Maranhão e Ceará (FIGUEIREDO, 2007).
Para chegar à povoação, segue-se a PA-136 que inicia no Município de Castanhal e termina em Abade (64 km), ou pode-se vir por outros municípios como Bragança, São Caetano de Odivelas e Vigia de Nazaré, de barco pelo rio Muriá. Segundo Figueiredo (2007), a formação desta população está ligada também à criação do Núcleo Suburbano de Curuçá (Núcleo Magalhães), autorizado pela Lei nº 284 de 15 de julho de 1895, que dispõe de 44 lotes, localizados na PA-136, próximos ao terminal rodoviário de Curuçá, até depois da ponte. A esses lotes foram mandados, até o ano de 1900, 33 brasileiros e 57 espanhóis, o que revelaria a aparente fisionomia indígena e europeia do abadiense à qual acrescentamos a africana, presença forte no município.
Fonte: Pesquisa de campo, fotografias da autora, 2014.
Quando a maré enche, chegam os barcos abarrotados de peixe, o povo já está esperando para comprá-los, vendê-los ou colocá-los em caminhões frigoríficos que os levam para serem vendidos em outros locais. No seu cotidiano, Abade convive com canoas próximas ao porto, redes de pesca em casas, pessoas passando com cambadas de peixe, grudes33 que estão ao sol para secarem e serem vendidas, peixes sendo assados em barracas próximas ao trapiche, barcos e balsas que atravessam pessoas, bicicletas, motocicletas e carros para a Ilha de Fora (Pedras Grandes, Mutucal, Iririteua, Algodoal de Fora...). Por ser, em sua maioria, de uma vila de pescadores, a povoação realiza no dia 29 de junho a procissão fluvial em homenagem ao dia de São Pedro (santo de devoção dos pescadores), pedindo-lhe proteção e boa pesca.
Abade teve como um dos seus grandes benfeitores, o Sr. Raymundo Júpiter Maia, comerciante que construiu a Igreja Católica de São João Bosco, em homenagem ao santo para pagar a promessa de o filho haver nascido com vida, depois de um parto difícil34. Um morador ilustre da Povoação é o Tenente da Marinha, o Sr. Nazaire Cordovil Barbosa, ex- combatente da 2ª Guerra Mundial, com medalha de guerra de três estrelas e reformado da Marinha do Brasil (BARBOSA, 2012), ele é um grande incentivador da Educação, estando à frente da ASCOM (Associação Comunitária Muriá), escola de ensino fundamental que incentiva também o ensino de música através da Banda de Fanfarra da escola.
33 Grude: feito da bexiga de alguns peixes, possui alto valor comercial no Oriente e Europa. 34 O filho de Júpiter Maia é médico e reside em Belém, na capital do Estado.
FIGURA 20: Mapa da povoação São João do Abade e fotografias de alguns locais.
Mercado Municipal Praia do Amor (Orla do Abade) Igreja São João Bosco
Cruzeiro do Abade Praça dos Santos Reis (Tralhoto) Ponte sobre o Rio Grande (ponte do Abade)
Fonte: Pesquisa de Campo, mapa confeccionado pela Agente Comunitário de Saúde, Simone Soares, 2013. Fotografias dos locais na Povoação (da esquerda e acima) 2,3,4 da autora e 1,5,6 de Derick Saffer, 2014.
No mapa da povoação é possível localizar os lugares importantes para o abadiense, indicando seus locais de moradia, trabalho e interação social, tais como igrejas, praças, ruas, mercado, orla, escolas e um local de divisão territorial, a Ponte do Abade (ponte sobre o Rio Grande), em que moradores de todo o município podem percorrer para comprar peixe, trabalhar, ir para casa (Abade, Ilha de Fora), participar do Concurso Garota Verão (mês de julho), Círio Fluvial de Nossa Senhora do Rosário (setembro), Festa de Santos Reis (madrugada do dia 06 de janeiro), Festividade de São João Bosco (31 de janeiro), ir à praia da Romana.
Uma característica marcante da povoação é a inexistência de um cemitério, seus moradores acreditam que Abade é lugar para viver e não para morrer! Uma das tentativas de se fazer um cemitério no local foi do ex-vereador Oscar Pedro de Araújo, que obteve aprovação do seu Projeto de Lei (de acordo com o parecer da Câmara Municipal de Curuçá35, do dia 28 de abril de 1984), pedindo à Prefeitura de Curuçá, um terreno para a construção do mesmo, cujo projeto se encontrava em perfeita ordem e constitucionalmente legal, conseguindo uma área de no mínimo um hectare para a construção. Entretanto, quando a população soube o que seria feito, invadiu o terreno, que hoje é um bairro chamado Sertão.
A construção de um cemitério na povoação é polêmica, em uma conversa no ano de 2012 com o ex-vereador Oscar Araújo, este me disse que queria o bem da população do Abade, diminuindo a caminhada de 5km que fazem para o cemitério, levando a urna nos braços. Outro fato relevante seria a super lotação do cemitério no centro de Curuçá, porém seus argumentos não foram aceitos pela população e até o ano de 2014 não há cemitério no local, o que lembra o acontecimento que se deu na Bahia no dia 25 de outubro de 1836, a Cemiterada, quando as irmandades não aceitaram a construção de um cemitério, o Campo Santo, pois queriam continuar com os sepultamentos de seus irmãos na igreja católica, por acreditarem estar mais próximos de Deus, do Céu e dos Santos. (REIS, 1991). Na Cemiterada houve a destruição do cemitério, em São João do Abade, nem deixaram construir um na Povoação, pois o local santo para os abadienses é São Bonifácio, como as igrejas eram para as irmandades.
Em um ofício do ano de 198636, o Deputado Hermínio Calvinho Filho, através da Assembleia Legislativa do Estado do Pará, informa ao prefeito de Curuçá, Osvaldo Félix Nauar, que tramitava naquele legislativo o Projeto de Lei nº 17/85, do Deputado Célio
35 Documento que consta nos anexos desta dissertação com o Título: Parecer da Câmara Municipal de Curuçá sobre o projeto da construção de um cemitério na povoação São João do Abade.
36 Ofício nº 1692/SEC-86, de 14/08/1986, de autoria do Deputado Hermínio Calvinho Filho ao prefeito de Curuçá Osvaldo Félix Nauar. Arquivo Público Municipal de Curuçá-PA.
Sampaio, objetivando a elevação da povoação São João do Abade à categoria de distrito do Município de Curuçá, mas que para isso, necessitava saber se existia prédio para instrução pública e área para cemitério. Não encontramos documento com a resposta da prefeitura de Curuçá para o ofício em questão, mas encontramos o motivo pelo qual São João do Abade continua Povoação e não Distrito, a falta de um cemitério.