2. PREVIOUS RESEARCH
2.5 SUMMARY OF FINDINGS
A temperatura, umidade e pressão são os elementos fundamentais do clima que, por sua vez, formam os sistemas atmosféricos. Esses sistemas trazem intrínsecas as características atmosféricas da região onde se formaram. Porém, na medida em que se deslocam e interagem com “fatores geográficos regionais e locais” (MENDONÇA, 1994, p. 99), perdem as características de origem. Ainda de acordo com esse autor, dentre as diversas obras que assinalam as principais características da circulação e dinâmica atmosféricas do continente sul-americano, que originam e controlam a movimentação das massas de ar e ainda definem os diferentes tipos climáticos, encontram-se os centros de ação do Anticiclone Migratório Polar, os Anticiclones Semi-fixos do Atlântico e do Pacífico, o sistema de baixas pressões da Amazônia e o Anticiclone dos Açores, além da Depressão do Chaco e da Depressão do Mar de Weddel.
A formação dos tipos climáticos no Brasil Meridional de acordo com Mendonça (1994) recebe influência de quatro sistemas atmosféricos que ao interagir com os fatores geográficos definem os climas no âmbito regional. São eles: Massa Polar Atlântica (MPa), originária do Anticiclone Migratório Polar, Massa Tropical Atlântica (MTa|), originária do Anticiclone Semi-fixo do Atlântico, Massa Equatorial Continental (MEc), originária do Anticiclone da Amazônia e Massa Tropical Continental (MTc), originária da Depressão do Chaco. Dentre esses sistemas, o Tropical Atlântico (STa) tem maior participação na formação dos tipos climáticos no Brasil. “Entretanto, SPa exerce grande influência na determinação climática da área” (op. cit. p. 101) pois o [...] “mecanismo de circulação bem como o encadeamento da sucessão dos estados atmosféricos é regulado pelo dinamismo de Frente Polar Atlântica, resultante do choque entre os sistemas inter e extra-tropicais” (MONTEIRO, 1962:31, apud op. cit.).
Monteiro (1951) com o trabalho “Notas para o estudo do clima do Centro-Oeste” foi um dos pioneiros sobre o estudo do clima do cerrado, organizando-os segundo a
classificação climática internacional de Koppen (1948). Esta região insere-se na classificação Aw, caracterizado como clima das savanas tropicais, relacionada às baixas altitudes, estação seca bem definida e verão chuvoso, próprios de clima semi-úmido.
O Centro-Oeste, para o geógrafo Aziz Ab`Saber (1970) apud Mendonça (2001) pertence ao “Domínio Morfoclimático do Cerrado”. Segundo Mendonça (op. cit.) os sistemas atmosféricos tropicais e equatoriais são os atuantes nessa região, levando a diversidade de tipos de tempo no decorrer do ano, embora haja predomínio de tempo quente e úmido no verão e quente e seco no inverno.
Nimer (1989) ressalta que, no inverno, o anticiclone polar é mais forte e invade esta região com mais freqüência transpondo a Cordilheira dos Andes nas latitudes médias. Durante as estações de verão, outono e inverno, o setor norte é atingido pelas chuvas de norte da Convergência de Instabilidade Tropical (CIT), porém, sua freqüência é pequena não influenciando de forma muito significativa nos valores térmicos e pluviométricos. Nimer (op. cit. p. 397) considera para o Centro-Oeste três sistemas de circulação determinantes das condições de tempo e de clima: “sistema de circulação estável do anticiclone do Atlântico Sul, o sistema de correntes perturbadas de W a NW das IT3 e o sistema de correntes perturbadas de S a SW da FPA4, sucedida pelo anticiclone polar, com tempo 'bom, seco e temperaturas amenas e frias”.
Em Goiás, de acordo com Campos et. al (2002, p. 103-104), junho, mês que indica a estação de inverno, “as temperaturas médias mensais se encontram entre 20 e 26º C, sendo que predominam na maior parte do estado temperaturas entre 20 e 23º C, especialmente nas áreas sul, sudeste e sudoeste”. Para esses autores, a ligeira queda de temperatura neste mês é influenciada pela entrada da massa polar atlântica, pelas peculiaridades latitudinais e relevo. Por encontrar-se na faixa de latitude 15º é possível
3 Entre o final da primavera e o início do outono, a região Centro-Oeste é invadida por ventos de oeste e noroeste
trazidos por linhas de instabilidade tropical (IT), [...] o ar em convergência acarreta chuvas e trovoadas, [...] fato comum durante o verão. (NIMER, 1989, p. 394)
4 O sistema de correntes perturbadas de S é representado pela invasão do anticiclone polar. A penetração deste
anticiclone na Região Centro-Oeste possui comportamento bem distinto conforme se trata do verão ou do inverno. Durante o verão, o aprofundamento e expansão do centro de baixa do interior do continente [...], dificulta ou impede a invasão do anticiclone polar (provocador de chuvas frontais e pós frontais) ao norte da Região centro-oeste. Nesta época a FP, após transpor a cordilheira dos Andes [...], avança para NE, alcançando a Região Centro-Oeste pelo sul e sudeste de Mato Grosso. Aí em contato com a baixa do Chaco, a FPA entra em FL (frontólise, isto é dissipa-se) ou recua como WF (frente quente), mantendo-se, porém, em FG (frontogênese, isto é, em avanço) ao longo do litoral. Só raramente a FPA consegue vencer a barreira imposta pela baixa do Chaco. [...] no verão, as chuvas frontais ficam praticamente ausentes, do centro ao norte da Região Centro-Oeste. (NIMER, 1989, p. 396)
[...] a atuação das frentes frias provenientes do sul do país, as quais penetram no território goiano através [...] das depressões interplanálticas do Rio Paranaíba e à depressão do Pantanal Mato-Grossense.
O ar denso e frio da massa polar atlântica é conduzido através desses eixos e atinge principalmente as áreas sudeste, sul e sudoeste de Goiás, com menor influência nas áreas noroeste, norte e nordeste, o que se deve à presença da massa equatorial continental, que ainda opera nessa região e dificulta a entrada da massa polar atlântica, e o segundo, à presença dos contrafortes do Planalto Central Brasileiro, que atuam como anteparos físicos regionais na contenção dos avanços da massa polar atlântica nessa direção, inibindo sua ação em menores altitudes [...]. (CAMPOS et al. 2002 p. 104-105).
Concomitante ao enfraquecimento da massa polar atlântica durante a estação de primavera, a massa tropical atlântica se fortalece no litoral brasileiro. Assim, os ventos alísios ganham força e passam a atuar no estado influenciando nos valores térmicos, com o aumento generalizado da temperatura na região de Goiás. A influência dessa massa é pequena dada às feições de relevo, exercendo aí o papel de controlador dessas massas, diminuindo a velocidade do vento e perdendo umidade ao interagir com áreas continentais.
O município de Caldas Novas, em zona tropical continental do hemisfério sul, atinge 23º C de temperatura média anual, portanto segue os padrões sazonais típicos da região onde se encontra inserido. As médias mensais entre os anos de 1999 a 2009, da Estação Meteorológica de Morrinhos, distante 59 km de Caldas Novas, apontam 24 ºC no verão, época em que ocorrem elevações de temperaturas aliado a alta umidade relativa do ar, ocasionando chuvas. Com a entrada do outono há uma diminuição no volume de chuvas e um declínio gradativo da temperatura. No inverno são registradas as menores temperaturas, (média, 20 ºC). Com a mudança desta estação, inicia-se um acréscimo paulatino, culminando com os maiores valores térmicos na primavera, onde essas médias se aproximam dos 26,0 ºC (Figura 6). Dentre os resultados apontados, a sequência analisada em Caldas Novas para este trabalho não foi um ano atípico, encontrou-se dentro dos padrões estabelecidos para essa região.
O período seco oscila entre 5 e 6 meses (abril a setembro) e o chuvoso vai de outubro a março, sendo dezembro e janeiro os de maior intensidade pluviométrica (Figura 7). Nesse período é comum a ocorrência de veranicos associados à alta radiação solar e elevado potencial de evaporação. Assim, é a dinâmica atmosférica, em conjunto com aspectos geográficos, que determinam os estados habituais dos tipos de tempo (numa escala local).
Variação média mensal da temperatura do ar em Morrinhos (GO) - Período: 1999 a 2009 15,0 17,0 19,0 21,0 23,0 25,0 27,0 29,0 jane iro feve reiro mar ço abril maio junho julho agos to sete mbr o outu bro nove mbr o deze mbr o Meses T e m p e ra tu ra d o a r ( o C)
Gráfico das Médias Mensais de Chuva dos anos de 1993 a 2007
0 50 100 150 200 250 300 350
Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro
Meses do ano
mm
Gráfico das Médias Mensais de Chuva dos anos de 1993 a 2007
0 50 100 150 200 250 300 350
Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro
Meses do ano
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Figura 7 – Médias mensais de chuva dos anos 1993-2007. Fonte: Estação Corumbá – UHE de Corumbá, 2007.
Figura 6 – Médias mensais de temperatura dos anos de 1999 a 2009 Fonte: INMET de Morrinhos-Goiás
Dados da EMBRAPA (1982, apud COSTA, 2008) indicam que a variação da precipitação média anual neste município está entre 1300 a 1700 mm, enquanto na área urbana esse regime pluvial varia entre 1720 e 1750 mm, determinado principalmente pelo orografismo (Figura 8).
A compartimentação do relevo regional tem papel fundamental na variabilidade das médias de precipitação. Assim Del Grossi (1991) verificou a influência das elevações na precipitação. Segundo esta autora, quando as elevações se opõem às massas de ar, o volume de chuva é mais intenso do que o lado oposto desta elevação. Este foi um fato observado na cidade de Caldas Novas na seqüência de verão/2009 (ver Capítulo III), quando, dentre os episódios de chuvas ocorridas nesta seqüência, predominaram as de origem orográfica.
Essa predominância de chuvas a oeste da área urbana provocou diferenciações dos valores de temperatura entre os setores onde estava sendo realizada a pesquisa, ficando as áreas leste e sul mais aquecido por não receber significativa influência dessas condições climáticas, que na sua maioria se restringia ao quadrante oeste.