• No results found

3. SAMPLE SELECTION AND RESEARCH HYPOTHESES

3.2 VARIABLES AND HYPOTHESES

3.2.2 Independent variables and hypotheses

3.2.2.3 Information circulation variables

Quando o foco do estudo é uma cidade turística requer ainda mais uma análise ampla do conjunto de elementos, seja ele histórico, econômico, social e/ou natural. A análise da interação entre esses elementos permite obter subsídios para um diagnóstico mais arraigado da dinâmica intra-urbana. A região Centro-Oeste de acordo com Paulo (2005, p.3):

[...] tinha suas atividades econômicas direcionadas para o setor agropecuário. Com a expansão da malha viária o aumento do fluxo migratório, e a descoberta de riquezas naturais, como no caso de Caldas Novas que começara a explorar as águas termais, ampliou-se a malha urbana da região Centro-Oeste [...]

A cidade de Caldas Novas tem sua origem em 1722 quando Bartolomeu Bueno da Silva descobriu águas quentes no sopé da Serra de Caldas. Nas nascentes de um ribeirão encontrou vestígios de ouro, o que despertou sua curiosidade, fazendo-o contornar a Serra, deparando com mais fontes termais. Essas águas deram origem à aglomeração de lavradores e fundaram uma localidade com assistência religiosa e administrativa. Esse movimento foi dirigido por Martinho Coelho de Siqueira e seu filho Antônio Coelho de Siqueira.

Martinho descobre fontes excessivamente quentes que ficaram conhecidas como Caldas de Pirapitinga e mais tarde encontra outras fontes termais às margens do Córrego Lavras, recebendo o nome de Caldas Novas, distrito criado pela lei provincial nº 6, de 05-10- 1857, subordinado ao município de Morrinhos. Mais tarde em 05-07-1911 foi elevada a categoria de município pela Lei Estadual nº 393, desmembrando de Morrinhos (IBGE, 2008).

Esse bandeirante, a procura de ouro e pedras preciosas ao encontrar as águas termais da Lagoa de Pirapitinga, viu nelas um potencial de aproveitamento econômico e resolveu se fixar na região, por conseguinte, estabelecer-se no lugar onde, posteriormente, constituiu-se o município de Caldas Novas vendo aí o despertar de uma próspera estância hidrotermal. (ALBUQUERQUE, 1996, p. 26, apud COSTA 2008, 77-78).

A procura pelo ouro e águas medicinais, já demonstrava que Caldas Novas tinha um “potencial de aproveitamento econômico”, termo de Albuquerque (op. cit.), principalmente o turismo terapêutico, pela investigação constante da cura de diversas doenças. A busca pela riqueza e cura medicinal, fez de Caldas uma nova ponte para procura de recursos financeiros. Assim, imigrantes paulistas e mineiros foram se estabelecendo no local e começaram desenvolver o comércio que veio a ganhar destaque com a construção das estradas de ferro, escoadura de produção e pessoas.

Diversos clubes recreativos, a Serra de Caldas, Lagoa Pirapitinga, Lago Corumbá fizeram dessa cidade uma das mais conhecidas e importantes de Goiás, considerada a maior estância hidrotermal do mundo. Essa base econômica favoreceu originalmente a imigração dos paulistas e mineiros como já citado e, recentemente, outros povos como os da região nordeste que se estabeleceram nas áreas periféricas da cidade.

A base econômica que alicerçou Caldas Novas (mineração e posteriormente o turismo medicinal) proporcionou à cidade um maior crescimento populacional que se acentuou com a abertura dos diversos clubes recreativos e por sua vez induziu a prática do turismo, desta vez à procura de diversão. A população da cidade é acrescida

[...] por um contingente populacional flutuante, por volta de 150.000 pessoas/mês, (estimativa realizada pela Agência Goiana de Turismo-AGETUR, para o ano de 2000), considerando o afluxo de pessoas durante o carnaval, férias, semana santa e feriados prolongados, tem-se uma densidade demográfica de 2.051 hab/km², números comparáveis a algumas cidades e até capitais brasileiras como Belo Horizonte, onde não passam de 2.000 hab/km², e Curitiba com 2.500 hab/km², e se equipara a cidades industriais como Osasco, além de ultrapassar, em muito, outras cidades turísticas, que são, no entanto praianas, como Cabo Frio com até 1.000 hab/km² na alta temporada. (COSTA, 2008, p. 89)

Essa dinâmica proporcionou o aumento do comércio local e a instalação de uma rede hoteleira para atender o turista que se desloca de diversas partes do país e até do exterior. O afluxo induziu muitas pessoas a se fixar no local (Caldas Novas) e trazer suas famílias que inicialmente vinha a trabalho ou passeio. Através dos dados populacionais do município observa-se que seu crescimento é bastante superior à média do Brasil e de Goiás. Conforme a tabela 1, o crescimento populacional de Caldas Novas entre 1980 e 2007 foi de 535%. A população passou de 9.800 para 62.204 habitantes, enquanto Goiás cresceu 81% e o país 54,5% no mesmo período.

Comparando os sensos de 1980 e 1991, percebe-se que a população do Estado de Goiás apresentou um incremento de 28,8%; enquanto no mesmo período, Caldas Novas apresentou uma taxa de crescimento de 146,5% (Tabela 1).

TABELA 1 - Evolução populacional de Caldas Novas, Goiás e Brasil: 1970 – 2007

CALDAS NOVAS GOIÁS BRASIL

ANO POPULAÇÃO CRESCIMENTO (%) POPULAÇÃO CRESCIMENTO (%) POPULAÇÃO CRESCIMENTO(%)

1970 7.200 2.938.677 93.139.037 1980 9.800 36.1 3.120.718 6,2 119.002.706 27,8 1991 24.159 146.5 4.018.903 28,8 146.825.475 23,4 1996 38.972 61.3 4.478.143 11.4 156.032.944 6.3 2000 49.660 27.4 5.003.228 11.7 169.799.170 8.8 2007 62.204 25,3 5.647.035 12.9 183.987.291 8.3 Fonte: IBGE, 2009.

Com a busca incessante pela compra de lotes (especulação imobiliária) e apartamentos para temporadas, os empreendimentos de turismo e lazer utilizaram áreas de preservação permanente, diminuindo desta forma os espaços verdes na área urbana da cidade.

O processo de crescimento desordenado e a falta de planejamento para uma cidade turística trazem transtornos não apenas para aqueles residentes na cidade, mas também para quem procura diversão e tranqüilidade. Na alta temporada com intenso fluxo de pessoas e automóveis torna o centro de Caldas praticamente intransitável. É perceptível a falta de respeito às leis de trânsito e de fiscalização, que aliado à deficiente estrutura urbana (transporte público, escoamento das águas pluviais etc.) torna a cidade nesta época um “caos”. Durante a coleta dos dados (julho de 2008) em alta temporada, nos horários das 18 e 21 horas, quando os turistas se concentram no centro, era impossível realizar o transecto motorizado dada à dificuldade de trafegar nesse espaço. Na maioria das vezes, após a coleta de dados no

ponto do centro, o percurso até o ponto seguinte era realizado a pé. Neste sentido, Paulo (2005, p. 69) enfatiza que [...] “a exaustão dos terrenos vazios na área central, o comércio intenso e o grande número de pessoas pelas ruas do centro da cidade, culminando na asfixia do trânsito em determinada época do ano, estão fazendo com que a mobilidade nesta área torne inviável”.

Desta forma percebe-se que o crescimento acelerado da cidade, aliado as atividades diversificadas leva as freqüentes transformações e, consequentemente, mudanças na qualidade de vida. Inserem-se aqui, as condições climáticas da cidade, aliado também as interferências dos fatores de ordem natural.

As manchas urbanas, normalmente geram condições para alterar o comportamento da baixa troposfera e o balanço de energia5, provocando mudanças nos elementos climáticos, notadamente na temperatura e umidade relativa do ar, pois diferentes estruturas produzem diferentes reações. Portanto, parte do consumo de energia (iluminação, utilização de aquecedores e refrigeradores, fogões, fluxo de automóveis, lazer etc.) nessas áreas é convertida em calor e dissipada para o meio ambiente, assim “as aglomerações humanas são pontos de alto poder de geração de entropia [...] cada ser humano é uma célula produtora de entropia” [...], porém, a intensidade do consumo, produção e conversão dessa energia em calor, depende da [...] “população de territórios diferentes e dos diversos segmentos sociais de uma mesma população” [...] (AZEVEDO, 2001, p. 80).

Assim, são questões relativas à cultura de cada povo, status social, dentre outros fatores, que interferirá no meio de forma particularizada. Portanto, as transformações impostas pelo tipo de construção, material utilizado, atividades humanas e influência dos fatores geográficos (relevo, vegetação, orientação de vertentes, cursos d`água) farão com que os elementos climáticos variem no tempo e no espaço. Às vezes, espaços urbanos que sofrem influência dos mesmos sistemas regionais, com densidades demográficas, extensão territorial, uso e ocupação do solo semelhantes, poderão absorver, produzir e dissipar calor com intensidades também similares, e as características de relevo, tanto local quanto aquela associada à micro-feições do terreno (segmentos de vertente com algumas dezenas de metros), tende a ser um fator importante no comportamento desses elementos.

5 Conceito usado na climatologia para relacionar o fluxo de radiação líquida à transferência de calor latente e de calor sensível. (AYOADE, 2002, p. 39)