• No results found

5. AGGREGATE EMPIRICAL PATTERNS

5.3 CROSS-NATIONAL VARIATION IN VOTER TURNOUT – BUILDING A MODEL

5.3.2 Building a model

5.3.2.1 Interpretations of findings

Monteiro com sua tese Teoria e Clima Urbano, foi o incentivador nesta área com novas abordagens metodológicas para este estudo, visando associações entre os elementos do (SCU) Sistema Clima Urbano (ação ecológica natural, fenômeno da urbanização). Assim, o meio natural não é desvinculado do social. “Com esta concepção ele define o clima urbano como “um sistema singular”, abrangendo um fato natural (clima local) e um fato social (a cidade), analisado através de canais de percepção humana.” (GONÇALVES, 2003, p. 77). Monteiro (1975, p. 116) ainda acrescenta que o SCU “abrange o clima de um dado espaço terrestre e sua urbanização [...] não há preocupação em precisar a partir de que grau de urbanização e de que característica geoecológica local se poderia usar o termo clima urbano”. Diante desta afirmação fica explícita a irrelevância da exatidão milimétrica quanto à ordem de grandeza para a definição desse sistema, esta compreensão deve ser buscada a partir dos objetivos propostos.

Dentre os trabalhos que discutem o clima urbano insere-se o de Lombardo (1985, p. 22) a qual destaca que “a cidade apresenta alterações climáticas muito diferenciadas das áreas circunvizinhas. A intensidade da urbanização expressa em termos de espaço físico construído altera significativamente o clima”. Ainda de acordo com a autora o clima urbano é um “mesoclima que está incluído no macroclima e sofre na proximidade do solo influências microclimáticas derivadas dos espaços urbanos”. Ela concorda com Monteiro (1975, 2003) considerando a cidade como parte integrante do espaço regional e suas contradições internas, uma vez que o ambiente urbano se integra tanto em níveis superiores como se dividem em setores, bairros, ruas, casas, ambientes internos etc.

buscando também entender esta temática explica que,

[...] a cidade gera um clima próprio (clima urbano), resultante da interferência de todos os fatores que se processam sobre a camada limite urbano e que agem no sentido de alterar o clima em escala local. Seus efeitos mais diretos são percebidos pela população através de manifestações ligadas ao conforto térmico, à qualidade do ar, aos impactos pluviais e a outras manifestações capazes de desorganizar a vida da cidade e deteriorar a qualidade de vida de seus habitantes.

A importância prática dessa assertiva conduz a outro fato importante. Trata-se das

“alterações no balanço de energia apontadas por Landsberg (1981, apud, BRANDÃO, 2003, p. 122) como resultante das transformações que o processo de urbanização gera na superfície em relação às propriedades radiativas, térmicas, aerodinâmicas e de umidade”. Referindo-se aos fenômenos urbanos ele acrescenta que “a ilha de calor representa o fenômeno mais significativo do clima urbano e sua intensidade depende das condições micro e mesoclimáticas locais de cada cidade”. Como já fora mencionados em outros itens, mas não com as mesmas palavras “é necessário pesquisar o desempenho das diversas edificações e uso do solo, da morfologia, dos materiais de construção, do desmatamento” porque a freqüência, o grau de manifestações, a expressividade dos acontecimentos “condicionam a geração do clima urbano” (LANDSBERG, 1981, op. cit.).

Em outro trabalho, Landsberg (1965, apud LOMBARDO 1985, p. 22) [...] “mostra algumas diferenças significativas dos dados climáticos no ambiente urbano e rural, permitindo uma visualização das alterações dos parâmetros físicos produzidos pela ação humana”. Esse pesquisador afirma que essas alterações não ocorrem da mesma forma em todas as cidades, dependem da intensidade do uso do solo, do processo de crescimento da cidade aliado às características geoecológicas locais.

Salvi-Sakamoto (1994) em sua pesquisa sobre as condições climáticas na metrópole paulistana, numa tentativa de compreender a relação dos dados colhidos em campo e a possibilidade de relacionar os valores de temperatura com a configuração do céu8 objetivou analisar o ambiente edificado através do conceito de configuração do céu e examinar sua relação com a temperatura do ar. Inicialmente, esta configuração serviu apenas como parâmetro de diferenciação dos pontos no interior dos setores homogêneos, constituindo-se em informação descritiva pontual. Entretanto, no decorrer da pesquisa, por intermédio das revisões bibliográficas e durante a fase interpretativa foi possível analisar os

8 A “configuração do céu” é uma medida (ou índice) que revela o quanto de céu disponível existe sobre determinado ponto da superfície terrestre para que se realizem as trocas de energia naquele ponto (OKE, 1981, apud, SALVI-SAKAMOTO, 2001, p. 166)

dados térmicos relacionando-os com a configuração do céu. Nos dois experimentos de campo realizados pela autora constatou que [...] “as relações entre a “configuração do céu” e a temperatura do ar não são diretas, variam de acordo com o horário e que o vento desempenha papel importante naquelas relações” (SALVI - SAKAMOTO, 1994, p. 166).

O clima urbano interfere no lugar onde pessoas vivem e realizam as mais diversas tarefas sendo, portanto, compreendido “[...] pelo estudo dos atributos atmosféricos (temperatura, umidade, qualidade do ar, conforto térmico, enchentes, entre outros) e controles (uso do solo urbano, densidade populacional e de edificações, áreas verdes, favelas, fluxos de veículos)” (TARIFA & ARMANI, 2001, p. 47).

Nesse sentido, o clima tem papel fundamental, o qual não deve ser tratado separadamente das atividades humanas [...] “mas em todas as suas interações com os fatos associados à produção do espaço através das práticas sociais vigentes no cotidiano desta sociedade urbana” (op. cit.). O adensamento humano e urbano e a localização geográfica da área analisada influenciam de certa forma na variação térmica que associada aos sistemas atmosféricos atuantes no momento da pesquisa determina as condições térmicas do lugar.

A respeito das interações, os autores supracitados ainda acrescentam que “o clima e o seu conjunto de interações físicas, biológicas, humanas e sociais fazem parte dessa totalidade e assim devem ser compreendidos” (op. cit. p. 50).

Jardim (2002) reconhece a importância do clima como expressão da relação entre os controles de superfície e atributos atmosféricos, que surge como uma das diversas formas de organização espacial e como parte integrante de uma realidade maior. Percebe-se nesta definição que o autor destaca a importância prática do conceito de clima, podendo auxiliar no planejamento do território e nas tomadas de decisões. Jardim (2007, p. 299) respaldado no trabalho de Monteiro (1975) retoma essa questão e define os “controles” de superfície (relevo, uso do solo etc.) como “tudo aquilo que modifica o comportamento do atributo (ou elemento) a ser avaliado (temperatura do ar, formação de solo etc.)”. Acrescenta ainda que “um mesmo agente pode assumir tanto o papel de controle como de atributo: é o caso da ação do vento na modificação da temperatura ou o papel da topografia e a sua influência na mudança de direção dos ventos”.

Tomás (1999, p. 1) considera a existência de um clima particular, para as áreas ocupadas por núcleos urbanos e que o clima urbano representa as mudanças climáticas ocasionadas pela urbanização advindas da influência do homem sobre o meio, em suas várias

atividades e intervenções. “Um dos maiores impactos do homem sobre o clima acontece em áreas urbanas. Em decorrência, o clima em áreas urbanas torna-se diferente das áreas rurais ou menos urbanizadas circundantes”. Esse autor envolve uma questão importante que é a multidisciplinaridade em estudos urbanos.

A importância de um estudo que envolva os vários campos do conhecimento consiste no fato de que a área urbana contempla hoje grande parte da população mundial (mais de 50% da população), e essa aglomeração de pessoas em busca de emprego, saúde, educação, provoca um crescimento desordenado porque as cidades não estão preparadas financeira e estruturalmente para receber todo esse contingente populacional.

Os autores supracitados, embora não tenham pretensão de fazer das suas metodologias sobre o estudo do clima urbano um receituário, eles apontam questões que levam a verificação climática urbana, que se configuram numa rede de investigações, englobando desde a escala a ser trabalhada (ordem de grandeza), a morfologia urbana e todos os elementos que a ela se associa.