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5. AGGREGATE EMPIRICAL PATTERNS

5.2 PRELIMINARY ASSESSMENT

A noção de escala em climatologia facilita a escolha das categorias climáticas, a partir do momento que se tem em mente os objetivos do estudo e a natureza das informações das quais se podem dispor, havendo, portanto a necessidade de hierarquização das ordens de grandeza. Trata-se de usar o tipo de escala de acordo com a realidade da pesquisa, fontes e dados necessários face aos resultados que se pretende alcançar (CONTI, 1996).

Sorre (apud MONTEIRO, 1975 p.14), ao tentar explicar as relações entre o clima local e o regional [...] “esclarece que não considera o clima local como uma fácies do clima regional, acrescentando que eles mantêm as mesmas relações que o indivíduo mantém com a espécie, que não tem existência real”. Pédelaborde (op. cit. grifo do autor) apresenta outra posição no seu compêndio (1959, p. 58) ao atribuir à escala regional o maior interesse para o geógrafo, porque ela realizaria “o máximo de generalidade compatível com o máximo de

verdade concreta”, enquanto o clima local seria “um fato acidental que mascara as causas profundas”.

Diante do confronto entre as diferentes teorias que tentam explicar as mudanças climáticas que ocorrem em diferentes escalas de tempo, especialmente sobre as de tratamento regional e local, Monteiro (1975) (apud MONTEIRO, 1991, p.45) concorda com as idéias de Pédelaborde (1959), sobre escala regional transpondo apenas, em termos geográficos, para a seguinte proposição:

O sistema climático é aquele onde, nas ordens de grandezas taxonômicas superiores (acima do local), a organização espacial dos hólons que o constituem, assegura-lhe um nível de organização fundamental. Se o mesmo raciocínio for retomado para as escalas taxonômicas inferiores, a seqüência parece repetir-se na mesma proporção. Um clima local diversifica-se ao nível de sua compartimentação geoecológica, base mesma da identificação dos mesoclimas, passando a organizar-se no nível dos topoclimas e especializar-se nos microclimas.

Porém, não compartilha com ele quando insiste numa climatologia cujo estudo está logrado a um conhecimento físico puro do clima, e a dificuldade de haver influência do clima sobre o homem. Contudo, aceita as idéias de Sorre, o que serve de apoio a suas abordagens em climatologia. Para Monteiro (op. cit. p.16),

O homem, em grau crescente de escala taxonômica, não só cria as menores como modifica as pequenas e altera as entidades espaciais médias do clima.

Isso porque ele age sobre as propriedades extensivas do clima já projetadas no espaço geoecológico, em grau acentuado de associação com os outros elementos da natureza. O que ele não pôde controlar é exatamente a dinâmica intrínseca da atmosfera, de onde emanam os mecanismos geradores da sucessão dos seus estados, associativos, intensivos.

Para que todo esse mecanismo ocorra, é importante ter conhecimento da ligação que existe entre os fluxos energéticos, seja aqueles vinculados à radiação solar, (intensidade da radiação, albedo da superfície, efeito estufa etc.) e, aqueles que se formam na superfície, como massas de ar, frentes e outros.

O fenômeno climático pode ser entendido com mais eficácia ao apoiar-se em uma escala de referência que possibilite maior interação entre a superfície terrestre e a atmosfera. É constituído por elementos de caráter diversos onde se inter-relacionam. De certa forma, o clima local é interferido pela dinâmica das escalas superiores e pelos aspectos ambientais, uma vez que o meio geográfico varia no espaço e no tempo, assim como a dinâmica de sua escala. Neste sentido Ribeiro (1993) aponta que:

e no espaço, revelando uma unidade ou tipos passíveis de serem medidos em seu tamanho (extensão) e em seu ritmo (duração). O fenômeno climático é constituído por um conjunto de elementos de naturezas diversas e que convivem ao mesmo tempo no mesmo espaço, em regime de trocas energéticas recíprocas e interdependentes. Por isso, a sua abstração racional exige um referencial escalar com possibilidades metodológicas, isto é, uma escala taxonômica como parte da própria metodologia da pesquisa climatológica. A cada nível escalar deve corresponder uma abordagem específica, no sentido da coerência entre extensão e duração do fenômeno climático com as técnicas analíticas, desde a obtenção dos dados, passando pelo seu tratamento estatístico – matemático, até a sua apresentação gráfica e cartográfica.

Monteiro (1999, p. 27) ao retratar Calamidades Pluviais e Inundações nas Metrópoles Brasileiras (escala local) no Estudo Geográfico do Clima conclui que:

Se um clima local é um ponto dentro do regional onde uma conjugação de fatores “especializa” uma certa definição climática nos locais ocupados por cidades, a ocorrência destes “fatores” constitui um espectro bem mais amplo pelas grandes “derivações” introduzidas pelo Homem na edificação urbana.

As alterações no clima não estão presentes apenas na paisagem urbanística, mas em todo quadro geoecológico, através da construção de represas, desmatamento para a prática da agropecuária, fins turísticos etc. De acordo com Assunção (2002, p. 17),

O conhecimento de técnicas apropriadas para o manejo correto dos recursos naturais, a cada dia, torna-se mais importante, como forma de garantir a sobrevivência da espécie humana no planeta Terra. Dentre os vários elementos do quadro natural, o clima constitui um importante recurso para o desenvolvimento das mais variadas formas de vida e, de forma direta, interfere nas atividades humanas. Do mesmo modo, há de se considerar que, em contrapartida, as atividades humanas também agem sobre o clima, e essa influência (que é recíproca) se dá tanto temporal quanto espacialmente, de forma negativa ou positiva, não importando que a ação exercida de um sobre o outro seja em maior ou menor grau.

Desta forma, o homem, como afirma Monteiro (2003, p.38) [...] “antes de degradar o ambiente natural, muitas sociedades humanas, em suas relações econômicas e mesmo sociais, degradam o próprio homem, o que se reflete, sobretudo na cidade”. Assim, nenhuma cidade, seja pequena ou de grande porte, está imune às conseqüências provocadas pela ação antrópica, desorganizando o espaço urbano e seu sistema climático.

Recentemente (pós década de 1980), as médias e pequenas cidades começaram a despertar o interesse pelos pesquisadores visando o estudo do seu ambiente climático, embora, ainda apresentem carência bibliográfica quanto à especificidade deste estudo, [...] “fato que eleva o arcabouço de conceitos produzidos até o presente a uma dimensão de alta

relatividade, pois foram produzidas levando-se em conta, sobretudo, aglomerações urbanas de grande porte e metropolitanas” como afirma Mendonça (2003, p. 96).

Neste estudo, Mendonça (op. cit.) ao relatar as diferentes características presentes entre as duas modalidades (cidade de grande porte e metropolitanas e de porte médio e pequeno) destaca que a última apresenta [...] “consideráveis facilidades para a identificação de suas paisagens intra-urbanas; estas, previamente identificadas, permitirão uma melhor compreensão da interação sociedade-natureza na construção do clima urbano”.