1. Introduction
9.3 Suggestions for future research
A diversidade de seus alunos tem sido uma característica marcante da educação superior. Essa heterogeneidade pode ser percebida não só em gênero,
raça, classe social ou religião, mas também na presença de indivíduos com idade superior à média tradicional, portadores de necessidades especiais ou pessoas com orientação homossexual assumida. E é provável que um grande número de professores não esteja preparado para lidar com essa diversidade, necessitando de uma revisão em seus valores e mudança nas atitudes em relação a determinadas situações (GIL, 2007). Conforme Tardif (2002), os saberes que servem como base para o ensino não estão limitados a conteúdos bem circunscritos que precisam de uma formação especializada. Abrangem, na verdade, uma grande variedade de objetos, de questões, de problemas, que não correspondem ou pouco correspondem ao que foi aprendido como conhecimento necessário para ensinar.
Assim sendo, o professor universitário deve ter competência para solucionar eficazmente situações ligadas a contextos culturais, profissionais e condições sociais. Gil (2007) lista algumas características importantes para esse profissional: ter os conhecimentos técnicos e visão de futuro; perceber-se como mediador do processo de aprendizagem, organizando e dirigindo as situações de aprendizado; ser transformador, multicultural, intelectual, reflexivo, capaz de trabalhar em equipe, aberto para o que se passa na sociedade, capaz de enfrentar os deveres e dilemas éticos e capaz de gerar sua própria formação contínua.
Masseto (2003) também identifica competências consideradas como básicas para que o professor possa atuar na educação superior: competência em determinada área do conhecimento e domínio na área pedagógica. A competência compreende os conhecimentos básicos em determinada área, bem como a experiência profissional prática. Esses conhecimentos podem ser atualizados por intermédio da participação em eventos científicos, tais como simpósios, congressos, cursos de aperfeiçoamento e especialização. Convém observar, no entanto, conforme Nóvoa (1992), que a formação do docente não deve ser construída apenas por acumulação de cursos, de conhecimentos ou de técnicas, mas, através de um trabalho de reflexão crítica sobre as práticas e de reconstrução constante da identidade. Freire (1996, p. 22) afirma que essa reflexão é exigência da relação entre teoria e prática, caso contrário a teoria vira “blablablá e a prática, ativismo”. A formação deve oferecer meios para que o professor possa ter pensamento autônomo, estimulando uma perspectiva crítico-reflexiva. É importante que o
professor perceba que a formação é um investimento pessoal que visa à construção de sua identidade profissional (NÓVOA, 1992).
Outro aspecto importante da formação dos docentes diz respeito à sua atividade como pesquisador. Pesquisar e refletir sobre suas ações docentes pode promover mudanças em sua forma de agir, e pesquisar sobre o ensino também pode levá-lo a ampliar sua consciência (PIMENTA, 1997).
Essa pesquisa sobre a sua atuação segue a abordagem denominada “professor reflexivo”, ou seja, ele deve constantemente rever suas ações. A prática da reflexão sustenta o progresso e é também sua conseqüência. E por essa ação recíproca a reflexão constitui o fundo, o final e o investimento de toda formação. A reflexão sobre o trabalho pelo docente implica uma reflexão sobre ele próprio, e talvez seja também a grande barreira, representa um engajamento crítico e uma auto-avaliação. Tais reflexões são passíveis de suscitar remanejos, além da renúncia a imagens, valores, crenças e convicções (PAQUAY et al., 2001). Essa tendência de reflexão apresenta-se como um novo paradigma na formação dos docentes, sedimentado em uma política de preparo pessoal e profissional (NUNES, 2001).
Pimenta (1997, p. 23) fala em “reflexão sobre a reflexão na ação”, pois esse procedimento promove o alargarmento da consciência. Conforme a autora, essa reflexão leva a uma elaboração teórica de saberes por parte do professor, possibilitando a criação de novos hábitos e de uma cultura renovada.
Cabe ressaltar que os professores da educação superior devem estar preparados e comprometidos para também formar pessoas com autonomia intelectual, apaixonados pela busca do saber e cujas atitudes tenham reflexos sociais positivos (SILVA; ALENCAR, 2003). O professor precisa ter tolerância para lidar com toda a diversidade apresentada no ensino superior, percebendo o outro como pessoa e estimulando-o a construir seus próprios projetos pessoais, semeando valores que lhe darão sustentação (MACHADO, 2000). É também importante que o docente perceba que o conhecimento irá emergir mais facilmente para o aluno quando houver algum tipo de relação com o prazer. Os resultados positivos para a educação serão alcançados quando estiver presente a preocupação com a geração de experiências de aprendizagem, a criatividade para a construção
de novos conhecimentos e a habilidade para acessar fontes inovadoras de informação a respeito dos diversos assuntos (ASSMANN, 1998). Assim sendo, para que se possa entender a educação, a melhoria pedagógica e o compromisso do docente devem caminhar juntos.
No entanto, é no domínio da área pedagógica que se situa, no mais das vezes, a maior deficiência dos docentes da educação superior. O professor ou nunca teve oportunidade de entrar em contato com essa área, ou a vê como desnecessária para sua atividade de ensino (MASETTO, 2003).
Dessa forma, é importante que os cursos que preparam professores se caracterizem por serem geradores de profissionais excelentes, aptos a desempenhar com sucesso o seu papel de construtores da cidadania (SOUZA; ALENCAR, 2006).
De acordo com Cornu e Vergnioux (1992), citados por Pimenta (1997, p. 56- 57), “a partir do momento em que iniciam as preocupações com a formação dos professores, a didática passa a ocupar importante lugar nas discussões”.
2.5.1 Didática
Ressalte-se que a pedagogia é a ciência que tem por objetivo a reflexão, organização e o estudo sistemático do processo educativo. E a didática é um ramo da pedagogia. Enquanto a primeira pode ser entendida como a ciência da educação, entende-se a segunda como a ciência do ensino.
Quando se fala em formação de professores, a didática é assunto sempre presente, pois se costuma afirmar que muitos docentes não têm didática para ensinar. Mas, afinal, o que vem a ser a didática?
A didática é uma disciplina que cuida do estudo do processo de ensino, dentro do qual os objetivos, conteúdos, métodos e formas de organização da aula se relacionam entre si e criam condições para se garantir uma aprendizagem significativa. A didática ajuda o docente na direção e orientação das tarefas do ensino e da aprendizagem. Ela relaciona os meios didático-pedagógicos a objetivos
sociopolíticos, de forma que o ensino seja articulado para preparar o aluno para a vida social (LIBÂNEO, 2002).
O papel do professor, conforme Libâneo (2002, p. 6), é “planejar, selecionar e organizar os conteúdos, programar as tarefas, criar condições de estudo dentro da classe, incentivar os alunos”. Ou seja, o professor dirige as atividades de forma que os alunos se tornem os sujeitos ativos do processo de aprendizagem. Assim, professor e alunos desempenham atividades direcionadas por aquele, de forma que estes assimilem ativamente os conteúdos e desenvolvam suas habilidades intelectuais.
Entendendo-se o termo de modo flexível, a didática pode ser compreendida como uma “atitude teórica e prática de abordagem das questões do ensinar ou do aprender”. De modo geral a didática está mais voltada para as situações de ensino- aprendizagem (PIMENTA, 1997, p. 56-57).
Diante do exposto, a compreensão da didática se faz premente no processo de formação do docente. No entanto, o que se percebe é que o ensino da didática ainda tem caráter altamente mecanicista. Conforme Rays (2002), no ensino da didática tanto a dimensão técnica quanto a política devem ser trabalhadas dentro de um mesmo contexto, para que esse ensino venha a ser mais significativo e assuma seu real papel nas escolas.