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Examples for seismic tunnel approaches

1. Introduction

3.2 Examples for seismic tunnel approaches

No aspecto “expectativa e planos de vida”, foi analisado como os alunos longevos se pronunciavam sobre seus projetos e planos de vida pessoal e profissional.

Nas falas dos entrevistados, foram percebidas as manifestações de autoimagem e autoestima que, de acordo com Néri e Freire (2000), são compostas por ideias e sentimentos positivos ou negativos que determinam a trajetória de vida.

aprim oram ent o aprim oram ent o pessoal

pessoal aut onom ia aut onom ia

fazer o que quer, o que fazer o que quer, o que gost a)

gost a) realizar um sonho

realizar um sonho

ent ender um pouco ent ender um pouco m ais o ser hum ano m ais o ser hum ano

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gerir seu pr gerir seu próóprio prio processo form at ivo processo form at ivo

buscar buscar conhecim ent o conhecim ent o liberdade liberdade 2 1 3 CATEGORI AS 4 5 Pr oj e t o de vida pe ssoa l e pr ofission a l dos lon ge vos 3

Nessa perspectiva, pode-se dizer que o sentido da vida humana emerge a partir dos objetivos e planos estabelecidos e que dão significado à vida das pessoas. Dessa forma, as escolhas que são feitas e os comportamentos adotados são direcionadas para um fim desejado.

Para os longevos, adaptar-se a certas mudanças e às transformações cada vez mais aceleradas da sociedade contemporânea é um grande desafio, pois pode afetar valores que anteriormente eram estabelecidos como certos. Entretanto, as adaptações são necessárias, principalmente na sociedade contemporânea onde as mudanças são uma constante.

Quanto à adaptação a novas situações, L9 comentou: “a dificuldade é porque nós temos uma bagagem adquirida com o conhecimento dos anos na vida, a gente vai ter que reconstruir essa nova visão”. Prossegue explicando que os longevos formam o conceito de uma determinada coisa: “[...] de repente vai ver que não é aquilo ali, o mundo vai nos ensinar diferente. A gente vai descobrindo a cada passo novos horizontes.”

Assim, os alunos longevos projetaram seus planos e metas, conforme expressos nos recortes apresentados nas figuras 21 e 22 a seguir:

Figura 21 - Mapa de práticas discursivas - 3ª Categoria - “Projeto de vida pessoal e profissional dos longevos” (1-Expectativa e planos de vida)

Fonte: Adaptação do mapa apresentado por Leite (2006). Expectativa e planos de vida Nunca parei de estudar. E pretendo,

quando terminar o curso de letras, fazer medicina. Uma russa não se formou em medicina com 93 anos? Ué, Porque eu não posso? (risos) (L1)

[...] eu quero fazer a monografia, o trabalho de conclusão do curso em desenvolvimento sustentável regional [...] depois trabalhar nesse projeto e sair a campo divulgando essa idéia [...] melhorar o meio ambiente, a agricultura familiar,

pequenas famílias que vivem no campo. (L5)

É um projeto que eu tenho de trabalhar futuramente na área social. Colocar em uma casa de recuperação, trabalhar com drogados, com pessoas alcoólatras., pessoas de idade, tenho esse projeto. (L9)

Quero também, além de ser professor, poder atender dentro de dois anos e pouco, [...] como autônomo psicólogo. (L3)

O meu objetivo de vida era matemática. Agora posso fazer o que eu quero! Eu sou bem sucedido na carreira errada que eu não queria e não interessava mas por circunstâncias e pelo sucesso a coisa foi ficando boa! Trabalhei bem mas não me trouxe satisfação. [...] A minha meta é a conclusão do curso e conclusão das minhas

atividades [...] a capacidade financeira vai ser cortada em 50%. Eu tenho que estar preparado para isso. Essa é a meta que tenho para organizar pra viver sem depender de uma necessidade de um novo tipo de trabalho forçado. (L4) eu quero concluir [o curso], eu

quero contribuir com a formação dos jovens no interior do país. Aqui não precisam de mim. Lá na minha terra tem escolas de 5ª. a 8ª. e tem escolas de 2º. Grau e tem o EJA. Então, será que não tem um lugar para um velho professor? (L6)

No grupo acima, todos são aposentados, realizaram o sonho de estudar no curso superior. Desobrigados de compromissos oficiais de trabalho, cada qual tem a opção de fazer aquilo que sempre desejaria ter feito. A ruptura com a atividade anterior não acarretou formação de traumas, pelo contrário, conforme defende Azpitarte (1995), continuar trabalhando naquilo que gostariam de fazer torna-se agradável e proporciona melhoria na vida dos longevos.

Foram percebidas, na análise da fala dos entrevistados, que a autoimagem e a autoestima estão estruturadas em sentimentos positivos, em forma de projetos e metas a atingir, após a conclusão do curso de graduação.

Esses sentimentos estão refletidos no entusiasmo da fala de L1 que expressou, em tom alegre e provocativo, sua vontade e o desafio de fazer o curso de medicina: “ué, uma russa não se formou em medicina com 93 anos? Ué, por que eu não posso?”; L3 quer atuar como psicólogo; L9, que também cursa Psicologia, quer aplicar seus conhecimentos na área social; e L4 busca satisfação no curso de Matemática, pretende fazer um trabalho relevante nessa área e prosseguir seus estudos no curso de mestrado. Na fala de L5, foi evidente a empolgação para concretizar os projetos de desenvolvimento ambiental, como o da agricultura familiar, podendo com isso, ajudar a fixar o homem no campo; e L6 deseja atuar como professora no interior do país.

O entrevistado L9 comentou sobre a dificuldade que os longevos têm em reconstruir uma nova visão por causa da bagagem de conhecimentos formada durante anos de vida: “[...] a gente forma o conceito de uma coisa e de repente não é aquilo ali, o mundo acadêmico vai nos ensinar diferente e a gente vai descobrindo a cada passo novos horizontes”.

Para Beauvoir (1999, p. 603), “[...] a liberdade e a lucidez não servem para grande coisa, se nenhum objetivo nos solicita mais”. A autora afirma que os objetivos têm grande valor se for “habitado por projetos” e, confirma que a maior sorte do idoso é sentir que, para ele, “o mundo está povoado de fins”.

Nesse sentido, mover-se em direção aos objetivos e realizações, entender as adaptações que precisam ser feitas e motivar-se em busca de planos e sonhos que atendam aos diferentes momentos da vida é responsabilidade de cada pessoa e em qualquer idade (SARRETA, 2007).

Ainda, Beauvoir (1990) explica que os idosos têm mais dificuldade em tomar decisões mais rápidas que os jovens, sendo o seu tempo de reação mais longo.

Entretanto, frequentemente, os idosos ultrapassam essas dificuldades e se adaptam a novas situações. Como afirma Neri (1999), a velhice é um processo contínuo de reconstrução.

A velhice bem sucedida representa a longevidade boa e saudável, com capacidade para adaptação aos processos de mudança da vida contemporânea (NÉRI, 2005). O entrevistado L3 deu o seguinte depoimento: “Sinto-me realizado. Claro que ninguém gosta de frustrações, ninguém passa pela vida sem frustrações. Já tive frustrações [...], mas me sinto realizado. Esse é o sentido da vida”. Não só o bem-estar físico, mas também o bem-estar emocional é importante e se manifesta quando há relacionamentos significativos, valores e ideais que dão sentido à vida.

Porém, é impossível ter os mesmos objetivos durante toda a vida, visto que eles vão se modificando ao longo da existência. Segundo Le Boterf (1997), aprender faz nascer novas necessidades e projetos.

Assim, movidos pela vontade, o ser humano busca novos desafios e novas aprendizagens, fazendo do ponto de chegada, também um ponto de partida.

Estar envolvido em atividade que dê prazer e continuar ativo também foi manifestado por outro grupo de longevos, conforme demonstrado na figura 22:

Figura 22 - Mapa de práticas discursivas - 3ª Categoria - “Projeto de vida pessoal e profissional dos longevos” (2-Expectativa e planos de vida)

Fonte: Adaptação do mapa apresentado por Leite (2006). Expectativa e planos de vida Eu pretendo ser psicóloga. A segunda carreira. Pretendo atuar mesmo como psicóloga[...] pra mim é uma coisa maravilhosa. Eu estou me sentindo tão bem! (L8)

[...] primeiro projeto que eu tenho é na área social. Então, partindo desse eu não decidi o que eu vou fazer [...]. Ainda falta muito tempo para eu aposentar.[...] pretendo continuar estudando, fazer uma pós... Eu falo para os meus filhos assim, que eu vou continuar estudando, eu vou para a universidade com uma bengalinha mas eu vou continuar estudando [risos] e eles riem até... . (L10)

[...] Eu fiz um pacto comigo de atender todas as pessoas que realmente precisarem. Não quero ganhar dinheiro com o Direito.. [...] eu pretendo atender algumas instituições, por exemplo, – a minha mulher faz quase 40 anos que trabalha no lar dos velhinhos, gostaria de dar atendimento lá. [...] eu tive câncer – eu pretendo dar uma ajuda para as pessoas, de direitos, pra quem não sabe. Porque os que eu tinha e ninguém me falou, eu descobri sozinho alguns direitos. Tipo, se eu posso tirar todo o meu fundo de garantia, tem um monte de direitos que as pessoas não sabem, portadoras dessa enfermidade. (L12) Eu estou me

identificando muito com a área social, comunitária. Eu vou ver o que dá pra fazer. Pode ser que mude de idéia até o final. (L13) (2)

[...] estudar em escola, faculdade, não. Esse aqui vai ser pra encerrar. Mas estou otimista pelo menos por algum tempo de construir essa segunda carreira. (L3)

Na fala de L8 e L3, foi demonstrada a vontade de construir uma segunda carreira após a conclusão do curso de graduação. Sá (2006) comenta que, com o passar dos anos, as pessoas começam a questionar sobre alguns sonhos esquecidos e isso faz com que alguns voltem a estudar para realizar seus desejos, entre eles, iniciar uma segunda carreira. L10, L13 e L12 se identificam com a área social e cada um afirmou que irá atuar conforme conhecimentos adquiridos, moldados às experiências de vida, objetivos e metas traçadas.

Durante o período de tratamento de uma grave doença, L12 descobriu na legislação, alguns direitos que as pessoas enfermas podem usufruir. Assim, ao concluir o curso de Direito, L12 pretende atender os idosos e ajudá-los a procurarem seus benefícios legais.

Foi percebido que o equilíbrio entre as limitações e as potencialidades depende das habilidades, da capacidade biológica e da motivação individual dos longevos para realização de seus projetos de vida. Cada longevo irá percorrer seus distintos caminhos, viver experiências singulares, mas a vontade de viver, realizar seus projetos e seus planos em busca de bem-estar é uma constante entre os entrevistados, fato que foi observado na firmeza de suas respostas, não importa se estão com 55, 56, 58, 60, 61, 62, 68 e 72 anos de idade.

Na figura 23 estão destacados alguns elementos, resultados da análise da fala dos entrevistados:

Figura 23 - Elementos do aspecto “Expectativa e planos de vida pessoal e profissional” Fonte: a própria autora.

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2 1 3 CATEGORI AS 4 5 Pr oj e t o de v ida pe ssoa l e p r of ission a l dos lon g e v os 3 3ªª. Categoria. Categoria

A caminhada de resistência ao estigma imposto socialmente é ilustrada pela demonstração de dignidade e autonomia; pela negação à obsolescência; pela atitude de implantar novos projetos para auxiliar os mais necessitados pela disposição de enfrentar nova carreira; pelo esforço de adaptação às novas tecnologias; enfim, pela busca de um lugar na sociedade como cidadão atuante e politizado. Os desejos, os sonhos e os projetos de vida são importantes, mesmo na idade avançada.