1. Introduction
4.4 Bhasin et al. (2006) research on tunnels in rock without joints
A questão da discriminação dos longevos foi abordada de forma comovente na obra intitulada “A velhice” de Simone de Beauvoir (1990, p. 265) que relata as condições das pessoas idosas no mundo contemporâneo. Segundo a autora, “[...] a sociedade se acomoda e fecha os olhos para os abusos, os escândalos e os dramas que atingem as pessoas idosas”.
O longevo não se vê como uma pessoa envelhecida por causa das transformações ocorridas em seu físico e pelos anos vividos, mas pela discriminação e negação que a sociedade lhe faz (PAZ, 2001). É pelo olhar preconceituoso dos outros que ele se torna velho, desprestigiado, inferiorizado e excluído. Nessa perspectiva, foi analisado se os alunos longevos sentiam-se discriminados no ambiente escolar e fora da escola. As atitudes que traduzem preconceito são práticas discriminatórias, tais como: ignorar a presença do longevo, ter reações de afastamento, manifestar repulsa, promover a ridicularização etc.
Seguem nas figuras 25 e 26, as falas dos longevos quanto ao sentimento ou não de discriminação no ambiente escolar:
Figura 25 - Mapa de práticas discursivas - 4ª Categoria - “Relacionamento (longevos, professores e colegas)” (1-Discriminação na escola)
Fonte: Adaptação do mapa apresentado por Leite (2006).
No discurso de L4 foi percebido certo incômodo à incompreensão dos colegas mais jovens pelo fato de trocar a atividade rentável de consultoria pelo curso de
Discriminação na escola Dentro da academia não há
discriminação. [...] é criancice ainda. Infantilidade. [...] Quando falo que já fui consultor da Unesco, do Pnud [...]. porque você vai fazer essa opção? Não tem sentido! Eu penso em fazer matemática. E aí vem a
surpresa. Externam sempre nesse sentido. É como se tivesse largando alguma coisa que ganha dinheiro a optar por alguma baboseira, vamos usar essa expressão, baboseira. [...] Aqui eu posso fazer o projeto de pesquisa e depois que terminar iniciar o mestrado, desenvolver alguma coisa.Os colegas não conseguem entender porque eles são mais jovens. (L4)
Quando é para ir fazer algum trabalho que vai exigir alguma coisinha a mais, principalmente na área de metodologia – que é a área que eu dou aula há muitos anos – gostam de ficar junto comigo. Mas quando não é, eles preferem ficar entre eles né. Quer dizer, eu geralmente fico quieto no meu lugar, eles que vêm até mim, para fazer grupos. Eu prefiro isso, porque senão, eu me impor, muitas vezes os alunos não gostam por causa da idade, diferença de idade, né. Isso só no começo. Agora a turma já me conhece, a gente já está mais ou menos acostumado e habituado até. Respeitam, né. Eles não ligam muito pra idade..
(L2)
- não, nunca percebi nenhum tipo de
discriminação. [...] esses cursos vespertinos têm pessoas mais
amadurecidas. Então na minha sala tinham algumas pessoas até da mesma idade [...] No vespertino, os solteiros são poucos. A maioria é casada. (L9)
graduação em Matemática. Para L4, quando era jovem, o acalentado sonho de fazer o curso de graduação em Matemática foi frustrado pela necessidade de trabalhar para sustentar a família: “Eu tive que pegar um caminho, foi uma questão financeira mesmo, sobrevivência para mim [...] sou um cara bem sucedido na carreira errada”. Mesmo incomodado e irritado com os questionamentos dos jovens colegas, L4 não considerou tal comportamento como atitude discriminatória: “Não é discriminação. É incompreensão por parte dos colegas mais jovens”. Explicou que, por serem ainda jovens, eles não conseguiam compreender a opção feita por ele.
O entrevistado L2 não considerou como discriminação a atitude dos jovens colegas que o convidavam para trabalho em grupo apenas quando lhes interessavam. Quando não, “preferem ficar entre eles, né”. Adiante, em seu discurso, percebeu-se uma espécie de conflito de sentimentos ao explicar que, por causa da “diferença de idade”, aguardava passivamente o convite dos demais colegas para integrar no grupo. Além disso, no início, o longevo havia estranhado o comportamento dos jovens colegas. O longevo confessa que, com o transcorrer do tempo e a convivência, os colegas passaram a respeitá-lo. Já L9 relatou que nunca foi discriminado pelos colegas porque, no turno em que estudava, havia predominância de pessoas mais maduras.
Outras manifestações de discriminação foram consideradas na figura 26 a seguir:
Figura 26 - Mapa de práticas discursivas - 4ª Categoria - “Relacionamento (longevos, professores e colegas)” (2-Discriminação na escola)
Fonte: Adaptação do mapa apresentado por Leite (2006). Discriminação
na escola [...] eu tenho 57 anos e tem
pessoas de 18 anos. A mais velha sou eu. Nesse período eu senti essa diferença e que me machucou. Eu não posso dizer que seja uma
discriminação devido a minha dificuldade de alcançar o nível das outras. Porque o
desenvolvimento dos outros, sem dúvida nenhuma, é além do meu, pela minha idade. (L11)
-Nooossa! Vou falar bem alto! Nossa! Sobre discriminação é uma coisa muito pessoal. No primeiro semestre, eu sentia discriminação. Discriminação com relação à idade. [...] Os alunos me tratavam, o seguinte: “sabe aquele velho que não teve dinheiro pra estudar na época e depois de velho está fazendo Direito? “ E não era por aí. Eu sofri muito com relação a isso. Inclusive muitos professores me chamavam de senhor. Sabe “aquele senhor”... Aquele “senhor”. (L12)
Já tive ocasião de ter pessoas que ficou num grupo comigo e depois passou para outro grupo e falou que a professora deveria ter selecionado o grupo por idade. E às vezes eu senti isso com professor. São Poucos. Mas até com professor eu já tive essa discriminação, não assim tão explicita, sabe? Mas implicitamente a gente percebe. (L10)
Quando cheguei na universidade eu senti alguma discriminação no começo. A gente mesmo se afasta um pouco, demora pra entrosar, pra formar grupo de trabalho. Eu me recuava às vezes. Eu estou mais à vontade agora. Já tem uma interação melhor. Alguns, não todos, admiram o esforço, a
determinação. Outros a gente vê que olham como dissesse: o que é que está fazendo aqui? Muitas vezes eu sinto isso, mas não em todos. (L13)
A rejeição dos colegas, a indiferença de alguns professores e as relações de autoridade entre os professores e alunos foram fatos que provocaram situações sutis de constrangimento que foram percebidos por L10 e L12 como uma forma de discriminação, preconceito e exclusão. Esses fatos podem caracterizar violência simbólica, cometida pelos próprios representantes da instituição educativa. É importante que os professores fiquem atentos a esses comportamentos, evitando atitudes que refletem negativamente, embora não tenham essa intenção ou consciência – por isto mesmo mais perigoso (GOMES, 2005).
L11, no início, sentiu dificuldade de adaptar-se por ser a mais velha da turma e isso a “machucou”. Reconhece que, por causa da idade, o seu nível de desenvolvimento não acompanhava o ritmo dos mais jovens. Dessa forma, L11 manifestou, em tom de resignação, que não poderia considerar esse fato como discriminação. Foi inferido que, ela estaria se repreendendo pelo seu sentimento autodiscriminatório. Já L13 relatou também que, no início, sentiu-se discriminado. Ela própria se afastou e demorou a se entrosar aos grupos de trabalho. Venceu a barreira da autodiscriminação e atualmente se sente mais envolvida no ambiente. Entretanto, ainda sente olhares de indagação discriminatória de alguns poucos colegas, em algumas situações.
No próximo grupo, são apresentadas as falas dos longevos que não se sentiram discriminados por idade:
Figura 27 - Mapa de práticas discursivas - 4ª Categoria - “Relacionamento (longevos, professores e colegas)”
Fonte: Adaptação do mapa apresentado por Leite (2006).
Discriminação na escola
- Não. De maneira nenhuma. Eu sou muito bem... não existe distinção. Alguns colegas e alguns professores me chamam de senhor. Mas a maioria nem isso não fala. Quando fala senhor eu digo: senhor é Jesus Cristo. Mas também não me preocupo se falar senhor, de velho, não tem nada não. Era uma preocupação que eu tinha, como eu vou me situar no meio dos jovens? (L5)
Não, eu chego na turma e me apresento. Acho que muitas pessoas que são idosas aqui na sala são muito tímidas, não se aproximam dos colegas.. (L8)
- Eu não percebo isso. Pelo contrário. Aqui eles deixam para o fechamento dos trabalhos para mim. Nos trabalhos em grupo por exemplo, os grupos de seis ou sete são separados, mas na hora de fechamento do trabalho, fala a sala toda e depois... Inclusive no trabalho do primeiro semestre, eles iam falar sobre a questão do projeto Minerva, o momento educativo no Brasil, eles pediram para eu falar para eles como foi esse momento de educação no Brasil. (L6)
Ah, eu não senti, nem em lugar nenhum. Engraçado! Eu não senti. [...] É
interessante isso. Caramba! Eu não sinto discriminação... (L7) Quando cheguei eu que achava que ia me sentir deferente. A
gente quando chega a uma idade, às vezes se retrai. Porque a gente chega numa idade e vem de uma concepção de muitos tempos. A gente estranha, mas depois a gente vai se aproximando, se envolvendo, a gente vai se soltando, daqui a pouco não olha mais pra idade, já olha que está no meio deles e que estou vivendo esse momento muito bom. (L9)
No depoimento de L5 e L9 foi percebido que, no início, sentiram-se receosos para enfrentar uma situação de convivência com os mais jovens. Mas, com o entrosamento, foram se “soltando”, até “não se olharem mais pra idade” (L9). A consideração que os jovens colegas têm por L6 é demonstrada quando a fala experiente do longevo é ouvida no fechamento de trabalho em grupo.
Indagado se havia sentido discriminação por idade pelos colegas mais jovens, L7 demonstrou surpresa, evidenciando em sua resposta que nem havia pensado em tal situação: “Ah, eu não senti nem em lugar nenhum. [...] Caramba! Eu não sinto discriminação...”. Quanto a L8, pela sua maneira extrovertida e comunicativa, conquistava a simpatia dos colegas e não se sentia discriminada.
Na figura 28 abaixo, estão identificados os elementos do aspecto “discriminação na escola”:
Figura 28 - Elementos do aspecto “Discriminação na escola” Fonte: A própria autora.
Para a maioria dos entrevistados, a experiência adquirida por meio da vivência com os colegas mais jovens, permitiu compreender o outro e perceber as próprias limitações.
Diante dos relatos desse grupamento de entrevistados que não se sentiram discriminados, é coerente afirmar que a atitude dos longevos para conquistar a confiança dos colegas de outra faixa etária e adaptar-se ao ambiente escolar é muito
discr im in a
discr im in açã o im plçã o im plíícit a cit a e e x pl e e x plíícit acit a cole ga s qu e cole ga s qu e sa saíír a m do gr u po r a m do gr u po de t r a ba lh o por de t r a ba lh o por discr im in a discr im in açã o çã o e st r a n h a m e n t o e e st r a n h a m e n t o e dificu lda de in icicia l dificu lda de in icicia l pa r a e n t r osa m e n t o com pa r a e n t r osa m e n t o com j ove n s j ove n s Discriminação na escola a m a ior ia n ã o se n t e a m a ior ia n ã o se n t e discr im a discr im aççã oã o in com pr e e n sã o in com pr e e n sã o por pa r t e dos por pa r t e dos cole ga s j ove n s cole ga s j ov e n s “ “de n t r o da de n t r o da a ca de m ia n ã o a ca de m ia n ã o e x ist e e x ist e discr im in a discr im in aççã o. ã o. H Háá cr ia n cice .cr ia n cice .”” 2 1 3 CATEGORI AS 4 5 Relacionamento (longevos, professores e colegas) 4 4ªª. Categoria. Categoria
importante. Vale ressaltar que, assim como a receptividade dos jovens colegas, as atitudes de confiança e respeito devem ser recíprocas.