Previamente à realização dos estudos de caso elaborou-se um protocolo de estudo de caso e conduziu-se o estudo caso piloto. Segundo Yin (2001), um protocolo é uma maneira especialmente eficaz de lidar com o problema e aumentar a confiabilidade dos estudos de caso. O protocolo de estudo de caso desenvolvido para esta pesquisa foi composto por seis fases.
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Figura 18 – Protocolo do estudo de caso
Fonte: elaborada pelo autor.
Inicialmente, na fase 1, foi realizada uma apresentação da pesquisa para o diretor da empresa do estudo de caso a fim de se obter a autorização e o comprometimento da equipe com a pesquisa.
Em seguida, na fase 2, foram realizadas entrevistas com os profissionais que participaram diretamente do projeto desenvolvido escolhido como objeto do estudo de caso. Neste momento, os dados coletados contribuíram para identificação da estrutura do processo de projeto e foram registradas as percepções dos entrevistados acerca dos principais desperdícios, problemas e oportunidades de melhoria.
Posteriormente, foram realizadas cinco visitas de análise documental, na fase 3, onde a pasta virtual contendo todas os documentos e informações de projeto foi analisada para coleta de dados que possibilitassem a visualização da distribuição do tempo no processo de projeto. Foram necessárias uma única visita para a análise documental nas empresas A, B, e D.
Enquanto que na empresa C foram necessárias duas visitas para coletar todas as informações necessárias mediante a análise documental.
Na fase 4 realizou-se a análise e estruturação dos dados coletados sob a perspectiva das ferramentas do lean design. Neste passo foi realizada uma triangulação entre as informações coletadas nas entrevistas e aquelas resultantes da análise documental. Neste momento, foi possível realizar a identificação de desperdícios e a visualização de oportunidades de melhoria. Estas informações coletadas e estruturadas foram apresentadas em nova entrevista com cada empresa participante da pesquisa, na fase 5, permitindo a validação dos resultados e, especialmente, dos desperdícios e das oportunidades de melhoria relatadas.
Por fim, na fase 6 foi realizado o desenvolvimento do relatório do estudo de caso e para cada estudo de caso foi desenvolvido um relatório completo.
Durante a fase 3 o pesquisador precisou ter acesso aos documentos relacionados ao projeto selecionado para a realização do estudo de caso. Por se tratarem de informações sigilosas não foram realizadas cópias dos arquivos, sejam impressas ou versões digitais. A coleta de dados e a análise destes documentos ocorreu simultaneamente dentro da empresa.
Foram realizadas visitas com o objetivo de acessar dos documentos diretamente nos computadores das empresas. Estando no local de trabalho, foi possível analisar e identificar o conteúdo e a data de liberação dos documentos de projetos. Neste momento as variáveis que estavam sendo avaliadas eram as datas associadas a etapa do processo de projeto que aquele documento estava relacionado. Dessa forma, sem que documentos sigilosos saíssem da empresa, foi possível a construção de uma linha do tempo e o cálculo do tempo transcorrido entre cada documento.
O Apêndice A apresenta o instrumento de coleta de dados que se trata de um roteiro de entrevista. As perguntas estão divididas em: (a) perfil do entrevistado; (b) mapeamento do fluxo de valor; (c) distribuição do tempo; (d) indicadores de desempenho; (e) identificação de desperdício e oportunidades de melhoria. Este roteiro de entrevista foi apresentado no passo 1 do protocolo do estudo de caso, para ser possível a visualização do que seria coletado de informações e com isso ser autorizada a pesquisa.
O roteiro de entrevista foi aplicado durante a realização do passo 2 do protocolo do estudo de caso, sendo que foram perguntadas, exclusivamente, as questões dos itens (a) perfil do entrevistado; (b) mapeamento do fluxo de valor.
Em seguida foi realizada uma análise documental que possibilitou o pesquisador responder as questões do item (c) relacionadas a distribuição do tempo. Dessa forma, foram concluídos os passos 3 e 4 do protocolo.
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O roteiro de entrevista, disponível do apêndice A, foi utilizado novamente no passo 5 do protocolo em nova entrevista, especialmente os itens (d) indicadores de desempenho e (e) identificação de desperdício e oportunidades de melhoria.
Adotaram-se algumas ferramentas promovidas pelo Lean Construction com enfoque no diagnóstico do processo. São elas: Mapeamento do Fluxo de valor (MFV); Diagrama “Fornecedor-entrada-processo-saída-cliente” (originalmente em inglês: SIPOC Map), Diagrama Swim lane. Justifica-se o uso dessas técnicas padronizadas para a coleta de dados, pois esta pesquisa tem como objetivo primordial a descrição das características de determinado fenômeno e o estabelecimento de relações entre variáveis (GIL, 2008).
Conforme descrito na seção delineamento um dos estudos de caso foi realizado na condição de estudo de caso piloto. A realização deste trabalho contribuiu para aprimorar os planos para coleta de dados tanto em relação ao conteúdo dos dados quanto aos procedimentos que deveriam ser seguidos, conforme defendido por Yin (2001).
Considerou-se importante a estruturação da metodologia para que os resultados da pesquisa pudessem ser generalizados para outras situações e assim ter validade externa conforme defendido por Gil (2008). Visando alcançar a validade externa a pesquisa utilizou a lógica da replicação em estudos de caso múltiplo. Após a realização do estudo de caso piloto o instrumento de coleta foi aplicado em outras três empresas com o objetivo de testar a teoria por meio da replicação das descobertas, conforme defendido por Yin (2001).
Neste trabalho, utilizam-se as etapas de projeto de arquitetura do Manual de Escopo da AsBEA (CAMBIAGHI; AMÁ, 2006) para analisar o processo de projeto de arquitetura. . Somado a este, os desperdícios da produção enxuta de Koskela (2004); Shingo (1996) apud Lima et al., (2016) foram considerados referencias para análise dos dados qualitativos coletados.