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1. INTRODUCTION

1.3.  Substance use treatment and offending

A teoria da didática comunicativa proposta por KLAUS SCHALLER e KARL- HERMANN SCHÄFER (1982), foi pensada a partir do ensino presencial, tendo como base a importância da informação para o ensino e a discussão como o sentido mais estreito da educação.

Para os autores, o processo educacional é feito de uma seqüência inter-relacionada de atos pedagógicos, sendo estes os encontros entre professor e alunos, como relação concreta entre dois seres humanos, visando à influência educadora de um, o educador, sobre o outro, o educando.

A didática comunicativa exclui a vertente hierárquica, entre professor e alunos, do processo educacional de ensino, acentuando o princípio pedagógico e democrático de participantes cooperativos da comunicação. Trabalha com a concepção de ensino como realidade comunicativo-social e o processo de ensino, como uma execução educativo- comunicativa de interações ou de atuações comunicativo-sociais.

Na didática comunicativa, a realidade efetiva da situação do ensino tem de ser construída no tempo mediante atuações comunicativas a partir de três aspectos: (1) de conteúdo; (2) de processos informativos livres; e (3) do processo metacomunicativo.

No aspecto de conteúdo, as atuações comunicativas não podem ser reduzidas a simples recepção e retransmissão de informações. O andamento comunicativo da argumentação abre novas possibilidades de transformar a realidade ativa do grupo e a realidade social.

O segundo aspecto diz respeito aos processos informativos serem de livre acesso a todos os participantes do curso e didaticamente preparados de tal maneira que ajude a iniciar no grupo novos processos de comunicação.

O terceiro aspecto trata do processo metacomunicativo, que

é capaz de levar as qualidades das atuações comunicativas à consciência dos membros do grupo, orientando, desse modo, o processo comunicativo de educação em direção a atuações comunicativas independentes. Consequentemente, podem-se descrever as atuações comunicativas como uma seqüência de atuações pedagógicas significativas, às quais já em si compete uma função educadora. (ibid., p.200) Ao interpretar o processo de ensino como um processo de atuação comunicativa, a reflexão pedagógica se dá pela execução de ações intencionais e conscientes que constroem uma realidade comunicativa e a transformam mediante processos metacomunicativos.

Os cursos online colaborativos fazem uso dos três aspectos descritos, pois também partem do pressuposto de que não se trata de uma simples entrega de conteúdos/informações aos alunos. Neles, é proposto que toda a estrutura (formas de apresentação do conteúdo, LMS, estratégias didático-pedagógicas, etc.) proporcione e potencialize o processo comunicacional entre os participantes visando que os alunos tenham uma aprendizagem significativa.

Na atuação didática comunicativa o professor é entendido como líder do grupo, no entanto, não tem plena autonomia para ação. Sua atuação é definida pela estrutura e pelo clima do grupo. A estrutura determina a “maneira como decorrem os processos de comunicação e depende do grau variado da interdependência das atuações comunicativas, do tamanho do grupo, dos teores da comunicação e dos status diferentes dos membros do grupo” (ibid., p.194). Como coordenador dos processos comunicativos, o professor trata de promover a comunicação entre os alunos e fica atento para que as correntes comunicativas não se centralizem apenas na pessoa dele.

SCHALLER e SCHÄFER (1982), citando Lippitt, White e Lewin, demonstram que o clima do grupo é cunhado principalmente pelas atuações comunicativas do líder (professor). Isto significa “que o clima autoritário faz do professor o centro de todas as atuações grupais, enquanto, num clima democrático, as atuações dos alunos orientam-se, quase sempre, pelos temas dos processos comunicativos”. (ibid,, p.195, grifos do autor)

Ainda nesse sentido, esses autores distinguem duas formas de interação baseadas no princípio da igualdade e da desigualdade: as complementares e as simétricas. Na forma complementar de interação, os modos de atuação de um membro do grupo limita a margem de liberdade dos outros membros, por meio de exigências autoritárias. Em oposição a isto, a forma simétrica é a que permite a todos os membros do grupo a mesma margem de liberdade. Segundo os referidos autores, esta é uma forma de distinção quantitativa. Na distinção qualitativa entre as duas formas, a maneira como os participantes do processo comunicativo se tratam mutuamente expressa se eles consideram terem os mesmos direitos ou não. “As formas qualitativas de interação simétrica reconhecem que todos os parceiros da comunicação - e aqui cabe realmente o termo ‘parceiro’ em seu sentido pleno - são ‘iguais’ e que a cada um compete a mesma ‘dignidade’”. (ibid., p.222)

Para a didática comunicativa, as formas complementares e simétricas da atuação comunicacional não só definem o relacionamento entre professor e alunos, mas também os relacionamentos entre os alunos. Watzlawick, Beavin e Jackson (apud SCHALLER e SCHÄFER, 1982), afirmam que em cada comunicação está presente a maneira como o transmissor gostaria que seu comunicado fosse entendido pelo receptor. Tal fato é conhecido por aspecto relacional da comunicação humana, e é responsável pela articulação do relacionamento entre os membros do grupo. Ainda segundo esses autores, essa articulação relacional pode ser aceita, modificada ou recusada pelo grupo, o que é possível de perceber pelas respostas obtidas. Concluem, então, que “o comunicado define como o transmissor vê sua relação com o receptor, e, nesse sentido, isto é uma posição pessoal de um frente ao outro” (ibid., p.205).

A preocupação da teoria didática comunicativa com o processo comunicacional igualitário entre os participantes de um determinado grupo, vai ao encontro da forma como Palloff e Pratt entendem que a aprendizagem colaborativa deve acontecer em um ambiente de curso online.

Deve haver igualdade entre as interações participante-facilitador e participante- participante. As experiências mais poderosas são aquelas em que a participação ocorre envolvendo todo o grupo, em vez de se dar apenas entre um participante e o facilitador. A melhor facilitação é aquela em que se modela a metodologia, isto é, aquela em que se atua como um membro do grupo que contribui para o processo de aprendizagem. (2002, p.42)

Ainda segundo os citados autores, esse cuidado com a comunicação é fundamental para obter sucesso nas aulas de um curso em EAD online.

No que diz respeito ao relacionamento entre professor e alunos na proposta da didática comunicativa, Muth (apud SCHALLER e SCHÄFER, 1982) demonstrou que o “tato pedagógico” representa uma forma especial de atuação educativa, cujos momentos essenciais podem ser definidos como “discrição” e “delicadeza”. A delicadeza se refere a um sentimento para o próximo, para a maneira de ser e o direito do outro. E a discrição “sempre se mostra pela atuação delicada de não influenciar; ela é, por isso, antes um omitir do que um fazer, o que, naturalmente, não é possível sem sensibilidade” (ibid., p.225, grifo do autor). A partir de tais definições, é visível que o respeito de todos que participam de um processo comunicativo de ensino-aprendizagem não é possível sem o necessário “tato pedagógico”.

Essa “discrição” e “delicadeza” podem ser classificadas como “cuidado” do professor pelos alunos. Segundo Noddings, “alguém cuida de alguma coisa ou de alguém se tem uma consideração ou afeição por essa coisa ou pessoa” (2003, p.21). Tal atitude é descrita pela autora da seguinte forma: “cuidar de outra pessoa, no sentido mais importante, é ajudá-la a crescer e a se realizar” (ibid., p.22). No que diz respeito ao processo de ensino-aprendizagem, a autora sugere que o “cuidado” está na disponibilidade do professor em estar e se fazer presente; na forma como ele recebe o aluno; na forma como lida com as expectativas e anseios dele; na consideração e respeito pelas suas dúvidas e dificuldades; na forma como se comunica.

Nos cursos a distância, como professor e alunos estão fisicamente distantes, o “cuidado” deve ser ainda mais explícito que na sala de aula presencial, para que os alunos não se sintam sozinhos. Nesse tipo de curso normalmente não há tom de voz, gestos, expressões faciais nem corporais que ajudem os alunos na compreensão das mensagens (textos, atividades, e-mails, etc.) e que garantam a dimensão emocional da discussão. Conforme afirma Kenski,

sua representação [aluno] - assim como a do professor ou instrutor com quem se comunica - é feita por meio de textos e imagens. Palavras, símbolos, senhas os identificam no espaço cibernético. Estudantes e professores tornam-se desincorporados nas escolas virtuais. Suas presenças precisam ser recuperadas por meio de novas linguagens, que os representem e os identifiquem para todos os demais. Linguagens que humanizem as propostas disciplinares, reincorporem virtualmente seus autores e criem um clima de comunicação, sintonia e agregação entre os participantes de um mesmo curso. (2003, p.67).

Essas novas linguagens são as formas de comunicação em cursos online. Tudo aquilo que é disponibilizado em um ambiente virtual de aprendizagem (não só os materiais), é responsável por transmitir aos alunos, além do conteúdo em si, a “discrição” e “delicadeza”, o

“cuidado” do professor para com eles. As mensagens trocadas por e-mail, nos fóruns e chats, substituem as falas e, portanto, não devem ser escritas como artigos, textos científicos e/ou acadêmicos, com distanciamento. Ao contrário, devem ser escritas como uma conversa, como se o professor estivesse conversando com o(s) aluno(s) na sala de aula. Tais mensagens devem manifestar emoção, sentimento, pois “o diálogo possibilita a criação de um vínculo relacional que incentiva a participação dos implicados [...]. Quando o grupo está em sintonia colaborativa e se permite ao diálogo, se retroalimenta”. (Bruno e Moraes, 2006, p.58)